No dia seguinte, foi como mais um dia normal mas os raios de sol pareciam luzes cinzentas, ao menos para Alex que fizera seus afazeres e se pôs a ir para a escola, a pé mesmo.

— Alex! – Ouviu e se virou para o lado direito de onde viera a voz. – Está indo pra a escola?

Era Jeon. Alex subiu as sobrancelhas.

— Sim e acho que você também, não é?

— É isso mesmo. Posso ir com você? – Jeon perguntou, ele usava o uniforme de uma escola particular da região, camisa branca com o brasão do lado direito, shorts, meias brancas puxas pra cima o que fez Alex dar um sorrisinho e uma mochila sem nada demais, azul escura. – Eu mal posso esperar pra ter a sua idade e ir vestido como quiser para a escola!

— Como quiser? – Alex olhou de lado para Jeon enquanto caminhavam, erguendo uma das sobrancelhas e olhando para as próprias vestes. Calças jeans de moda rasgada, nem tanto, camiseta de banda e blusa xadrez verde aberta e a bolsa, com muitos bottons de bandas como Angra e Shaman.

— O que me lembra... O que aconteceu que você estava triste ontem? – Jeon mudou de assunto, embora sem intenção de escapar da réplica de Alex. – Quando eu te encontrei, estava cabide baixo... É assim que fala?

— Cabisbaixo? Hm... Não aconteceu nada demais.

— Foi a sua namorada? – Perguntou Jeon abruptamente o que fez Alex soltar um riso. – Foi isso mesmo?

— Quase isso, quase isso. – Respondeu em meio ao riso.

— Ela é uma mané. Deixa ela. Se eu encontrar ela, eu vou xingar ela. – Disse um revoltado Jeon que fez bico. – Ah, a minha escola é pra lá.

Alex tinha se distraído um pouco e acabou pegando o caminho para o seu colégio mas foi acordado pelo menino que o fez levantar a cabeça e ter um pequeno espasmo.

— Ah, é mesmo. Não se preocupe com isso, é coisa de gente grande. Em alguns anos você vai entender isso... Eu acho. – Falou colocando a mão sobre a cabeça do menino e lhe bagunçando um tanto os cabelos finos que rapidamente voltaram a ficar arrumados, Jeon riu. – Bom, vá lá então. A gente se vê.

— Tá bom. Mas se você ver ela, você rabisca a borracha de apagar dela todinha! – A ingenuidade do menino sobre como seria seu plano diabólico de vingança era uma coisa muito fofa, Alex riu e acenou de volta ao Jeon se despedir com um aceno e correu para sua escola que já estava bem visível, como era uma escola particular e, particularmente cara também, as crianças pareciam se comportar, apenas Jeon que parecia se destacar como uma pequena pessoa energética que este saiu correndo em direção da escola, aos tropeços. Alex seguiu seu rumo para a sua que, por sua vez, mesmo ao longe já podia ouvir os papos animados dos adolescentes, a algazarra e tudo mais.

Em meio a que foi entrando em sua escola, rumou direto para seu armário onde pegou os livros da aula seguinte e foi para a sala de determinada matéria, onde não viu Chris mas Nishi estava lá, profundamente imersa numa leitura.

Alex se jogou na cadeira que fica bem próxima de Nishi, assustando esta que deu um pulinho e os óculos ficaram tortos em seu rosto, o que a fez rapidamente arrumá-lo.

— Que susto! Oi! E aí? Parece sonolento. – Disse Nishi se recuperando do susto e dando um fofo sorriso em seus carnudos lábios.

— Um pouco sim. Onde está Chris?

— Não veio ainda. Talvez vá se atrasar de noite.

— Hm... Talvez morreu. – Alex murmurou, um tanto furioso. Ele compreende que provavelmente o rapaz estava sob efeitos de álcool mas mesmo assim não conseguia deixar de pensar na cena que presenciara. Seu coração doía.

Chris não compareceu o dia todo.

Mesmo furioso com o rapaz, Alex foi até a casa do “amigo” depois da aula.

Ele bateu na porta de entrada, uma porta branca descascando em algumas beiradas, precisava de uma nova tintura e foi atendido pelo padrasto de Chris, um homem alto e forte em seus 40 quase 50, marcado pelo sorriso bondoso que tinha e barba com vários pelos brancos e pretos, vestia uma regata e tinha um pano sujo em seu bolso lateral da calça jeans.

— Veio ver Chris, não foi? Pois entre, sinta-se em casa. Ele está lá em cima, enfurnado no quarto. Qualquer coisa é só chamar, estou consertando o carro. – Cumprimentou o padrasto, seu apelido era Brown pois tivera uma vez um bigodão bem amarronzado além de que era similar a seu nome.

— Acertou, Sr. Brown, muito obrigado. – Agradeceu Chris que ao Sr. Brown se virar, foi subindo as escadas que ficavam logo no hall de entrada, uma escada que tinha duas partes e assim subiu a escada de carpete. Já fora várias vezes lá então sabia muito bem qual porta a de Chris e mesmo se não tivesse ido, era fácil notar, havia adesivos de times, games e um desenho feito por ele mesmo quando criança de vários homenzinhos de palito que era seu falecido pai, a mãe e ele, com seu nome escrito errado.

Bateu na porta e não tivera resposta mas foi entrando mesmo assim, o quarto estava todo escuro, uma bagunça só, a janela fechada com as cortinas, a única luz foi a que Alex deixou entrar no cômodo e viu o cobertor se mexendo.

— Chris? – Alex foi devagar até o cobertor, analisou-o bem e puxou-o devagar... Para o gato gordo e branco da família pular dali, aparentemente ofendido de sua soneca ter sido perturbada.

— Chantilly? Mas cadê o C.... – Alex tinha se assustado um tanto com o gato e andou mais um pouco em direção a janela e acabou tropeçando bem em cima de onde Chris estava mesmo, estatelado, acordou xingando e se pondo sentado ali, encostando-se a um sofá de 2 lugares que ficava embaixo da janela e próximo da cama, ele havia adormecido no sofá e provavelmente caíra.

— Aaaaah c*r*lho... Que dor... O que é isso? Veio me matar? – Ele resmungou, nitidamente em efeito de ressaca, as mãos pousadas nos cabelos bagunçados.

— Espero que morra de DST, seu maldito. – Alex disse querendo dar um tapão em Chris mas vendo-o assim tão vulnerável, não fez nada. Só se sentou ao sofá, ficando ao lado dele embora o mesmo estivesse no chão. – Você... Não foi na aula... Fiquei preocupado.

— Eu... Fui numa festa... Depois da sua casa... Acho que exagerei um pouco... Eu não lembro de nada. – Chris resmungou, as mãos deslizaram dos cabelos para o rosto.

— E não se lembra nem de ter transado com uma garota lá? – Chris perguntou, querendo ser sutil e calmo mas estava angustiado.

Silêncio.

— Transei? Eu... Transei. – Chris disse, pausadamente, chocado. – Você viu?

— Vi. Fui te procurar.

Chris gemeu e deitou-se ao lado, em posição fetal, a cabeça pousada nos tênis surrados de Alex.

— Agora eu lembro... Talvez seu desejo se realize... Talvez eu morra de DST. – Disse Chris, baixo, olhando devagar para Alex com seus olhos avermelhados. – Eu não me lembro de ter usado preservativo.

Alex arregalou os olhos um tanto, chocado pela confissão, ao mesmo tempo que o telefone lá embaixo tocou.