Haviam certos horários após a escola que Caleb não respondia tão rapidamente as mensagens como sempre e isso intrigava Alex, que também já teve a presença dos amigos dele em seu Coffee Shop e não sabiam explicar onde ele se encontrava, além de um projeto misterioso barulhento que tinha quando se trancava em seu armário, isso foi o que relatou Anne quando passou na Coffee Shop para uma visita e comprar dois cafés para aquele casal tão atarefado que ela e Chris eram, ela parecia até mais animada.
“Ok” – Pensou Alex – “Hora de fechar e nos prepararmos para sair”
Alex encerrou seu expediente no horário usual do sábado, que fechava um tanto mais cedo no fim de semana.

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Um vuco vuco no quarto de Caleb perto de anoitecer, Anne estava deitada pois não se sentia bem. Chris foi para o quarto de seu filho depois de ouvir um barulho maior como coisas caindo, pra se deparar com seu filho a vestir roupas sociais o que fez o pai dar uma risadinha.
— Vai a algum casamento, é? – O maior disse encostando-se no portal da porta aberta, o garoto nem tinha se tocado que Chris estava ali, o quarto estava uma bagunça, já desencorajaria Anne se ela fosse lá. Seu pai apontou pra ele relaxadamente. – Tá muito fino, garoto.
— Eu tenho um encontro. – Caleb respondeu e voltou a olhar no espelho, arrumando seus cabelos que não paravam, uma passada do pente e no segundo seguinte já se rebelavam.
Chris ergueu suas sobrancelhas, seu menino estava crescido e ia ter um encontro.
— Olha só. – Ele foi entrando devagar no quarto, segurando um cotovelo com a mão e seus dedos em cima dos lábios. – Vou dar umas dicas. Vou ver o que você tem pra vestir e te ajudar com um gel no cabelo, beleza?
Caleb olhou para seu pai e sorriu, balançou a cabeça positivamente. Chris fuçou as gavetas do rapaz e rapidamente lhe fez um conjunto nem muito casual e nem tanto formal, além de lhe emprestar um perfume.
— Dizem que este é um perfume de homem que não presta. Mas, veja bem... Eu acho que eu presto, hein? – Brincou Chris passando os dedos aos cabelos, vaidoso e em seus lábios um sorriso conquistador.
— Tá, como é que eu me igualo a ISSO? – Caleb aponta com as duas mãos para seu pai no estado charmoso, que riu.
— Cê é meu filho, vai vir naturalmente. – O maior deu umas palmadinhas nas costas de sua cria. Logo a seguir, o rapaz pediu privacidade para trocar-se. Chris aproveitou para buscar o perfume, de nome Segno, com aroma poderosamente amadeirado.
Caleb, perfurmado, agora vestira uma camisa aberta com estampa xadrez, mangas longas que ele dobrou na altura dos cotovelos, uma camisa branca simples por baixo, jeans preta e tênis, seu pai ajudou-o com gel nos cabelos e com um belo penteado.
— Bem melhor. A social você guarda para uma ocasião que peça ou mesmo um lugar mais chique, você vai no cinema ver aquele filme que tava falando outro dia, não é? – Chris perguntou e Caleb assentiu com a cabeça. – Pois bem, tá perfeito, filhão. Você quer uma carona?
— Não, paizão, valeu. Eu prometi que ia buscar na casa. – Caleb disse e Chris admirou-se, moveu a cabeça para o lado admirado enquanto a boca se firmou num arco pra cima. Caleb olhou em seu celular pra ver o horário. – Opa, tá na hora já.
— Pera, mas não tá planejando que vai rolar uma saliência, vai? Senão... Tem que ter sempre uma proteção na carteira, você t...
— Para, pai. Não, nossa, meu Deus. Eu não pretendo fazer isso não. – Contestou Caleb com o rosto todo avermelhado que fez Chris rir e sorrir. – Eu vou lá. Valeu, velho. — Antes de sair, Caleb abraçou seu pai e foi rapidamente para a porta que Chris só ouviu bater. O sorrisão não saia do rosto de Chris. O maior olhou ao seu arredor para ver a bagunça e coçou a nuca “Eu não lembro de ser tão bagunceiro”. Havia um embrulho em cima da escrivaninha do rapaz, um embrulho de presente, mas resolveu não espiar, apenas saiu do quarto e apagou a luz. Só se ouviu Anne, que acordou, exclamar: “Nossa, quem passou o perfume de homem que não presta?”

Caleb fez o caminho para a casa de Alex, a neve finalmente fora embora e a Primavera se aproximava. Aquele dia teve uma chuva incomum que não durara muito mas isso ajudou com uma estranha sensação refrescante por mais que não estivesse calor, os jardins das casas pareciam ainda mais verde, as flores mais saudáveis, ou poderia apenas ser uma impressão do rapaz que, quando chegou na casa de Alex, bateu e foi recepcionado pelo mesmo que pareceu ter um pequeno espasmo e viu as bochechas de Alex corar.
— Desculpa, eu não trouxe flores, mas trouxe um trouxa perfumado. – Brincou Caleb e Alex riu.
Alex estava vestindo uma blusa preta de mangas compridas, colete jeans cinza e calças jeans em um tom mais escuro do cinza, em seu pescoço uma echarpe cinza.
— Onde vai de bom, Cinquenta Tons de Cinza? – Caleb disse, abraçou Alex meio sem jeito que retribuiu-o carinhosamente e riu.
— Cinquenta Tons de Cinza? Ah, minhas roupas, sim, eu gosto. Eu vou sair pra ver um filme e comer com um pateta aí. – Riu Alex.
— Nunca li, mas sei que a trilha sonora encaixa perfeito pra gente, ein? – Flertou Caleb que deu uma piscadinha.
— Ah, guri. – Alex riu e foi fechando a porta da casa, sua mãe estava no trabalho então havia apagado todas as luzes. – Vamos?
— Com certeza. – Caleb seguiu o rumo quando Alex trancou a porta e andou ao lado. Sua vontade era de pegar a mão do loiro mas segurava-se com toda força possível. O cinema não ficava longe daquele subúrbio.
Trocaram conversas, piadas e pensamentos aleatórios enquanto andavam, Caleb havia desafiado Alex para um dia assistirem juntos a versões estendidas de O Senhor dos Anéis sem pegar no sono.
— Fácil. – Alex retrucou. – E você, consegue?
Caleb parou e pensou.
— Acho que eu consigo até a metade de As Duas Torres. – Ele respondeu e coçou a nuca.
— Seu pai eu tenho certeza que consegue, ele era um super nerd na escola. Nerd e líder dos esportistas de lá. É. – Alex lembrou-se, nostálgico.
Caleb ficou pensando de como seria naquela época seus pais, Alex, Nishi e todos que conheciam, já ficara impressionado até de saber que foi a professora Sally que deu aula para eles também, a mulher talvez passasse a Rainha Elizabeth ll na durabilidade.
— Não, a professora Sally não saiu de algum filme do Tim Burton, ela é só muito peculiar mesmo. Do bom modo. – Riu Alex enquanto ia falando da professora.
Quando se deram conta, já estavam aproximando-se do cinema quando se deparou com Owen. Owen Sweetkins estava olhando para os cartazes dos filmes em exibição e futuros filmes naquela fachada toda luminosa amarelada que o cinema tinha.
— Opa, Owen, e aí? – Caleb disse com um sorriso de canto. Owen teve um pequeno espasmo de susto.
— Boa noite. Hm... Preciso falar contigo depois. – O rapaz alto e corpulento disse, olhou para Alex. – Sua namorada?
Alex já ia responder mas Caleb falou por cima.
— Meio que isso. – Ele disse, Alex olhou-o enviesado mas Owen não viu, o grandão só balançou a cabeça lentamente.
— Certo, depois a gente se fala então, eu vou indo. Boa noite. – Despediu-se Owen que sumiu ao contornar a esquina.
— Amigo da escola? – Alex perguntou quando Caleb se virou pra ele.
— Meio que isso. – Repetiu Caleb que ainda sorria. Caleb deslizou as mãos para os bolsos procurando alguma coisa e tirou de lá dois vale-ingresso.
— Pera, você já pagou? Eu tenho que pagar a minha parte então, quanto foi? – Perguntou Alex com a mão se dirigindo para pegar sua própria carteira.
— Não não. Eu não vou aceitar seu dinheiro. E se acabar uma nota sua chegando até a mim, eu vou deixar na sua caixa do correio. – Teimou Caleb.
Alex suspirou e preensou os lábios um ao outro.
— Tá, né? Bom... Então... O que é que você queria assistir? – Alex perguntou e olhou para os cartazes dos filmes em exibição. Caleb indicou um filme de romance o que fez Alex cerrar o cenho. – Mas você não gosta de romance, eu te conheço.
— Hm... Ultimamente eu meio que... To curtindo. – Mentiu Caleb e Alex captou que era mentira. Caleb deslizou a mão direita sobre a nuca.
Alex sorriu e indicou um outro filme:
— Vamos ver esse de terror? – Alex sorriu, Caleb também e assentiu mexendo a cabeça positivamente. – Quer alguma coisa da bomboniére? Pipoca?
Caleb se esforçou para não fazer uma piadinha suja mas disse que não queria nada não, que preferia guardar espaço para o delicioso e gorduroso hambúrguer que os aguardava depois do filme.
— Certo então. Eu vou querer com bastante cheddar e bacon. – Alex brincou mas falando sério.
— Hmmm eu acho que eu também vou querer um desses, ein? Ou dois... – Caleb respondeu enquanto ambos entravam na sala de cinema que exibia o filme de terror.
Não estava muito cheio para um sábado, talvez a chuva de um pouco mais cedo espantou parte dos clientes do local. Procuraram um lugar legal e se decidiram por ficar bem no meio, pois seria justamente o melhor ponto para aproveitar do som imersivo que o cinema poderia oferecer. Eles se sentaram e Alex mordeu os lábios:
— Acho que vou pegar um refrigerante. Você quer alguma coisa? – Alex disse enquanto voltava a se levantar.
“Quero você” – Pensou Caleb que moveu a cabeça negativamente. – Nada, só volte rápido senão vai perder os trailers.
— Belezinha. – Alex disse e foi para fora da sala de cinema buscar um refrigerante.
Caleb começou a pensar como poderia se aproveitar da situação para, talvez, tirar uma casquinha da situação... Ou mesmo se talvez assim também pudesse é, como sempre quis, iniciar uma relação. Como poderia ser para ele não ser taxado de abusado e acabar resultando em algo completamente oposto do que ele queria? Assustou-se quando Alex voltou com o copo descartável de 500ml de refrigerante tão gelado que o copo estava todo cheio de gotículas de água.
— Voltei. Perdi alguma coisa? – Alex perguntou e voltou a sentar-se.
— Ah, hm... Selfie? – Ofereceu Caleb enquanto pegou seu smartphone do bolso.
— Claro, vamos. – Alex sorriu, juntou-se bastante de Caleb que sorriu também e bateu uma foto. Ele acabou, sem querer, selecionando aqueles filtros de cachorrinho que fez Alex rir e depois tirou outra em que ele acidentalmente olhou para Alex e tentou esconder tirando uma terceira foto que ficou muito boa. – Me manda depois? Todas elas.
Ah, ele ia mandar sim, menos a foto reveladora do meio. Enviou para Alex as fotos menos reveladoras possíveis e postou nos status de suas redes sociais.
O filme começou e logo de início já tinha um cena de susto, o famoso jumpscare, que fez Caleb pular da cadeira e Alex rir da situação. O rapaz não era preparado para isso, pelo jeito. Alex, que adorava jumpscare, só foi pego desprevenido uma vez e foi logo quando Caleb aproveitou para passar seu braço por cima e atrás do encosto da poltrona de Alex, aos poucos preparando seu plano. E ficou pensando tanto nesse plano que acabou nem prestando atenção no filme e mais em Alex, que presenciou mais uma cena de jumpscare e olhou para Caleb querendo ver sua reação. Mas, dessa vez, não havia reação. O cinema escuro, o filme com pouca luz, seus olhos encontraram os de Caleb. Era... Estranho. A cabeça de Alex ficou confusa, bem como seu coração. Chris? Parecia tanto Chris, mas... Não era Chris... Não... Parecia ser... Parecia ser muito melhor do que Chris. Era Caleb. Sim. Alex não conseguia se controlar, seu coração parecia que estava no controle. Ambos moveram-se vagarosamente para mais próximos um do outro e o rosto de cada se aproximando, devagar, o tempo não existia, os olhos perdidos, iluminados pela luz refletida do telão do cinema, puderam sentir a respiração um do outro em ofegos, os lábios encontrando-se, deslizando um ao outro, friccionando suavemente, sentindo a camada macia e a textura suave, pôde sentir um o aroma do outro inundando suas narinas, as bocas abriram-se com calma...
RONC!
O estômago de Caleb fez um barulho nada sutil de repente e ambos se assustaram. Aquilo foi muito pior do que qualquer cena de jumpscare que tinham passado e aquilo “estalou” algo na cabeça deles que Alex voltou a se afastar e se sentar direito em sua poltrona, extremamente corado e se sentindo culpa, a pouca luz não deixaria Caleb ver que estava rubro e Alex não poderia ver direito que Caleb estava frustrado e ele devagar voltou a se sentar corretamente, ficaram em silêncio por um tempo, ele conseguiu perceber algo muito estranho nos olhos de Alex, como se tivesse perdido qualquer chance de finalmente o tê-lo e isso fez seu coração se partir.
— Está morrendo de fome, não é? – Manifestou um tímido Alex, sem jeito. Evitou olhar diretamente para o rapaz ao seu lado.
— Eu... Sim... Eu acho... – A verdade era que Caleb acabou perdendo todo o apetite com aquela frustração. Cabisbaixo e chateado.
Alex também acabou perdendo a fome que estava sentindo, mas faria uma forcinha pra não deixar o rapaz mais desconfortável do que já estava pois era bem aparente.
Depois do filme, eles foram para uma hamburgueria que ficava ao lado do cinema, mas a energia que estavam antes foi cortada por mais da metade. Comeram seus lanches quase que em silêncio, apenas para conversar sobre o filme e depois foram para casa. Caleb deixou Alex em sua casa e timidamente o abraçou e foi retribuído carinhosamente, a mãe dele ainda não havia voltado, a Sra. Henning fazia seu plantão no hospital.
Caleb quando chegou em sua casa foi recepcionado por seu pai que estava de pijama.
— E aí, filhão, como foi? – Falou todo animado levantando-se do sofá e indo de encontro ao rapaz.
— Eu estraguei tudo. – Ele disse e subiu rapidamente para seu quarto, que fechou a porta em seguida e sentou-se ao chão abraçando os joelhos e o rosto enfiado neles.