Love Audit

1 Você é INÚTIL


Notas iniciais
Oi, galerinha!
Esse é o capítulo piloto da história "Love Audit" (Auditoria do Amor em pt/br).

É a primeira vez que escrevo uma história com personagens originais, e estou gostando dessa "liberdade" de criar, coisa que uma fanfic tradicional não me permitiria.

Love Audit será uma história de no máximo 20 capítulos, mas pretendo trazer capítulos longos.

Quando tiver alguma letra de música no início do capítulo, é a minha sugestão de trilha sonora enquanto lê.

Então é isso... Espero que curtam a história!
Boa leitura.

—Você é uma inútil! — Exclamou com veemência, mas sem gritar.

—Descul…

—Não terminei! — Ele me interrompeu. — Você tinha só uma coisa pra fazer, mas mesmo assim não conseguiu! Eu disse para o Tarcísio que era uma ideia de merda colocar você nessa função.

Depois de ouvir essas palavras, pude sentir meus olhos darem uma singela marejada.

— Eu não preciso de você aqui! Arruma as suas coisas, porque a partir de hoje você não trabalha mais comigo. — Caio disse firme.

— Eu não tive intenção! Por favor, me mais uma chance! — Disse, quase que suplicando.

— Não vai rolar. — Disse em um tom debochado, quase que um sorriso estúpido no rosto.

Minhas roupas estavam sujas. Os dedos marcados pela graxa e poeira. Estava tossindo ao inalar a neblina de óleo que a máquina estava soltando.

“É uma rotina cansativa trabalhar em uma indústria, ainda mais em uma função considerada tão braçal”. — Pensei comigo mesma.

— Amanda! — Meu chefe exclamou.

— Bom dia, Sr. Tarcísio! — Tentei ser simpática.

— Preciso que você ensine os novatos. Eles vão trabalhar com você. — Disse, com um tom simpático, mas ao mesmo tempo preocupado.

Eu estava há quase 5 anos trabalhando nessa empresa, e estava sem expectativas. Foi literalmente meu primeiro emprego, mas não esperava ficar tanto tempo ali.

Estava no sexto semestre da faculdade, ou seja, faltava pouco para me formar. Minha preocupação no momento é conseguir entrar na área antes de concluir o curso de contabilidade. Aliás, deveria ter começado a procurar vaga muito antes. Acredito que seja por causa desse comodismo que um emprego estável e bem remunerado oferece. Ao auge dos meus 23 anos, estou tentando conseguir uma vaga como estagiária. Estou ficando velha.

O Seu Tarcísio sabia do meu desejo de sair, mas ele sempre muda de assunto quando toco no assunto.

— Pode deixar.

— Ah! Antes, queria trocar uma palavrinha com você.

— Tá bom, pode falar.

— Como você comentou VÁRIAS vezes… e bota várias nisso… — Riu baixinho. — Eu queria fazer uma contraproposta.

— E qual seria?

— Surgiu uma vaga para trabalhar como assistente do Diretor, e eu acredito que você é a pessoa ideal para a vaga. — Seus olhos enrugados se animaram, expressando pequenas rugas ao franzi-los.

— É sério mesmo? — Indaguei, incrédula.

— SIM! — Sorriu. — Você sabe que eu gosto muito de você e como você sempre me ajudou muito, e sempre deu o seu melhor aqui, não vejo nada mais justo do que retribuir. E outra… já até falei com o Eugênio, e ele deixou.

Arregalei os olhos, eufórica. Um sorriso escapou dos meus lábios.

— Nossa, eu… não esperava. — Cocei a cabeça.

— Mas e aí? Você aceita?

— MAS É CLARO! — Ri.

— Sabia que você ia aceitar.

— E como vai funcionar? Qual o próximo passo? O que preciso fazer? — Indaguei, ansiosa.

— Então… Primeiro preciso que você treine os meninos, mas hoje mesmo o Caio quer te conhecer.

— Hoje? — Olhei para baixo, examinando minhas roupas com certo receio. — Eu tô horrível. Eu tô parecendo um bicho — Ri.

Riu. — Tá nada! Que exagero. Ele vai adorar você independente da roupa, da botina…

— Das mãos sujas, do cabelo descabelado… — Interrompi, com certo humor na minha fala.

— Vamos?

— AGORA?

— É.

Suspirei. — Tudo bem.

Eu e o Sr. Tarcisio saímos andando em passos calmos até o corredor. Os operários nos olhavam, com certa curiosidade.

Passamos pelo primeiro banheiro, pelo segundo, depois viramos no primeiro corredor à esquerda. Seguimos reto até chegar perto das escadas. Subimos.

O Sr. Tarcísio estava na minha frente. Então, ele abriu a porta, e assim entramos na sala totalmente fechada, branca. Tinha uma minúscula janela no fundo dessa sala, fazendo com que o ambiente fosse tomado pela luz artificial da lâmpada.

Um homem com cabelos negros, pele ligeiramente bronzeada, largo como uma geladeira e comprido como um poste, acabava de me cumprimentar. Corei ao perceber que ele estava analisando meu look moderníssimo.

— Bom dia, muito prazer! — Caio estendeu sua mão enorme e apertou a minha. Logo fez o mesmo na mão enrugada do Sr. Tarcísio.

— Fiquei feliz que o Sr. está me dando essa oportunidade. Fico muito agradecida. — Disse, com sinceridade nas minhas palavras.

— O Tarcísio falou tão bem de você que fiquei curioso. — Sorriu de leve.

— Eu preciso ir. Aí deixo o Sr. a vontade pra conhecer ela. — Disse, sorridente.

— Tá bom, vai lá. — Disse, permitindo que o velhinho saísse da sala.

Ao sair da sala, Caio me direciona para cadeira, à sua frente.

— Essa não é minha sala, mas eu venho muito pra cá. — Disse. — E provavelmente você vai ficar por aqui na sala ao lado.

Aquiesci.

— Quero te explicar quais vão ser suas funções, mas primeiro queria te conhecer um pouco melhor. Qual sua idade, se você está estudando, quais são suas metas…

— Bom… eu tenho vinte e três. E sim, estou estudando. Falta 1 ano para terminar a faculdade de Ciências Contábeis. — Fico um pouco intimidada ao responder a última pergunta. — E minha meta é absorver o máximo de conhecimento nessa oportunidade. — Sorrio, satisfeita com minha última resposta. Mas parece que o diretor não ficou tão satisfeito.

— Qual sua meta de vida? Pode ser sincera. — Tentou aliviar a tensão com um leve sorriso de soslaio.

— Pra ser sincera? — olho para cima, um pouco pensativa. — Eu ainda tô tentando descobrir.

— Isso não é preocupante. Você precisa de alguma meta, algo para te motivar.

— Concordo.

— Vamos trabalhar nisso. — Disse, convicto.

— Vou precisar de ajuda nisso. — Tentei ser simpática.

— E sobre a vaga… Eu queria uma pessoa jovem, com vontade de aprender, e queria dar prioridade para os próprios funcionários da empresa. Acho que é uma boa motivação para os colaboradores.

— Também acho. Ainda mais que têm muitas pessoas desmotivadas. Acho que vocês deveriam investir em um plano de carreira, já que não é o forte da empresa. — Sinto vontade de me estapear ao soltar tamanha ousadia para o próprio DIRETOR da empresa, apontando defeitos. Como eu sou boca aberta. Idiota! — Penso.

Ele junta os olhos, ele esboçava surpresa na minha fala. Fico apreensiva em ser demitida sem ao menos começar.

— O pior que tenho que concordar com você. Temos esse problema aqui, e estamos estudando como melhorar isso.

— Que bom que o senhor concorda, porque por um momento achei que iria rolar a demissão mais rápida do mundo aqui. — Rio pelo nariz.

Sorriu — Pode ficar tranquila, eu gosto de sinceridade. E não precisa me chamar de senhor. Tô me sentindo um idoso.

Sinto o meu rosto esquentar. Provavelmente estou ligeiramente corada.

— VOCÊ se importaria de me explicar o que vou fazer? — Sorrio.

— Primeiro quero que você controle todas as chamadas que eu receber (e não são poucas), é preciso que você seja uma espécie de intermediadora entre o gerente e os líderes, e passe a informação para mim.

— Certo… — Levantei da cadeira, querendo que aquela conversa acabe.

— Fica tranquila que amanhã vou te passar todos os detalhes.

— Então eu começo amanhã?

— Sim. Às oito quero você na minha sala. — Levantou.

— Uma hora mais tarde do horário normal?

— É pra dar tempo de você tomar um banho. — Disse, com um sorriso cretino no rosto ao ironizar o meu estado.

Que esnobe!

— Vou fazer o sacrifício de vir limpa amanhã. Agora, INFELIZMENTE vou ter que tomar mais de dois banhos por semana. — Debocho da situação, tentando ter jogo de cintura com a situação.

Ele ri de leve.

Sinto o meu rosto corar ao sentir seus olhos descendo rapidamente para os meus lábios. Após isso, ele me penetra com aqueles olhos quase pretos de tão escuro.

Tento manter a postura para não desmontar na frente daquele homem. Ou melhor dizendo, agora meu chefe.

Após essa interação de micro segundos, eu digo:

— Terminamos?

— Sim… Pode ir. — Sorriu de soslaio. — Te vejo amanhã às oito? — Levantou as sobrancelhas.

— Com certeza. — Retribuo o seu sorriso.

Percebo novamente os seus olhos indo de encontro aos meus lábios. Mas dessa vez foi tão rápido que foi quase imperceptível.

Caio era indiscutivelmente um homem intimidador e muito atraente. Deve ser esse o motivo óbvio de sentir meu rosto esquentar com esse olhar matador dele, mesmo que sem intenção de me deixar assim. Ele é aquele tipo de homem naturalmente atraente, sem esforço algum.

Devo estar maluca.