Love As You Wish
14 Através do gelo
Notas iniciais
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ATRAVÉS DO GELO
Enquanto Hogwarts permanecia aquecida diante do final de inverno com a chegada da primavera, o Instituto Durmstrang jazia cercado por palmos de neve há quilômetros dali. Os novos alunos cruzavam os corredores com certa dificuldade diante da sensação térmica desfavorável, mas era apenas questão de costume.
Era notável a agitação em um certo corredor da ala norte, considerando que ali estava ninguém menos que Viktor Krum. O garoto, que tentava em vão aproximar-se da sala de Karkaroff, estava cercado de diversos alunos recém-selecionados e aquilo tornava tudo muito difícil. Não que detestasse conversar com pessoas que o admirassem; Pelo contrário, lhe dava grande prazer. Porém, naquele momento só havia uma coisa em sua mente.
— Viktor? — A voz de Karkaroff ecoou pelo corredor e ele felizmente sentiu o alívio preencher seu corpo. — Quero você em minha sala em dez minutos, temos assuntos a tratar.
Os garotos ao redor dele logo lhe diziam em sussurros que ele estava completamente enrascado antes mesmo do ano chegar, mas Viktor sabia que não era bem assim. Karkaroff era seu mentor acima de tudo e o quadribol lhe dava assuntos inacabáveis a conversar com o diretor do Instituto. Por fim, era chegada a hora de intervir diante do desejo que ocupava sua mente há alguns dias.
Ao vê-lo ali sem atrasos Karkaroff deu-lhe um sorriso amarelo. Gostava muito do garoto, era verdade, via potencial nele. Viktor trazia grande prestígio ao Instituto graças ao seu lugar de estrela na seleção de quadribol da Bulgária e aquilo movia cada vez mais jovens a adentrar aqueles portões gélidos.
— Sente-se, garoto. — Ele ordenou em tom amigável, mas sem perder a autoridade em sua voz. — Vejo que recuperou-se bem do cansaço do último jogo. Você foi muito bem, como sempre.
— Obrigado, Karkaroff. — O rapaz limitou-se a dizer demonstrando o brilho agradecido em seus olhos.
— Não há muito o que ser dito, creio eu. Já conversamos não? — Gargalhou pausadamente. — Não precisa me agradecer, sei o quão insolentes são esses novatos. Precisam de tempo... Molde-os como quiser, Viktor.
— Obrigado, senhor. — Ele ponderou e recebeu outro sorriso fraco. — Eu... Gostaria de pedir algo. Talvez pareça absurdo, mas não é minha real intenção. Perdoe-me.
— Desculpando-se antes de começar, Krum? — Karkaroff sentou-se confortavelmente em sua cadeira em frente a ele. — Vejo que está em apuros.
— Não, nada de apuros. — Riu nervoso. — Karkaroff, eu preciso ir à Hogwarts.
— Hogwarts, uh? — O mentor parou por um momento que mais pareceu uma eternidade. — Interessante hora para seu pedido, Viktor. Ele é bem vindo, sim, muito bem vindo.
— Isso é sério, senhor?
— E eu costumo brincar? — Grunhiu ameaçador. Viktor, porém, manteve-se do mesmo modo, sabia que aquilo era apenas comportamento usual. — Tenho assuntos a tratar por lá, uma visita seria bem vinda... Talvez até mesmo uma proposta prolongada. O manterei avisado, agora vá.
Tampouco Krum deixara a sala aquecida do diretor, o velho homem começara a rabiscar um saudoso pergaminho à Dumbledore. Viktor estava lhe dando uma excelente desculpa para dirigir-se a Hogwarts, independente de qual fosse o motivo dele. Talvez estivesse interessado em espionar algum concorrente de quadribol, afinal, era um garoto esperto. Estava aprendendo muito bem.
Por fim a coruja fora despachada e agora era questão de tempo até partirem dali. Aquele seria um ano muito interessante.
* * *
Dumbledore estava sentado confortavelmente na cadeira em sua sala após o jantar de boas-vindas. Haviam sido muitos rostos jovens, enérgicos diria, e aquilo sempre lhe preenchia o coração com uma alegria sem limites. Os pequenos óculos em meia lua davam-lhe um aspecto de seriedade, mas seu coração jazia sereno naquele instante enquanto admirava Fawkes em seu lugar usual.
Já não havia mais neve caindo do céu, mas diante do branco lá fora surgira uma singela coruja a trazer um pergaminho em seu bico. O velho homem a notou com curiosidade e apanhou de si o conteúdo significativo, afagando-lhe as penas como gostava de fazer. Corujas eram animais prestativos, mas não era meras formas de correio; Eram vidas e tinham suas necessidades e ambições como qualquer outra.
Ao vê-la sair pela janela rumo ao corujal do castelo, naturalmente, o sábio desenrolou os papéis com os dedos cansados pelo tempo. Realmente, ali havia uma grande surpresa. Inimaginável.
Karkaroff, ele sussurrou pensativo.
Faziam alguns anos que não via aquele homem. Era ríspido, mas voluntarioso, isso havia de admitir. Sua proposta parecia muito apreciável, Dumbledore constatou. Talvez aquela fosse uma hora realmente adorável para tal realização. Dizer aos alunos no dia seguinte? Bem, não... Deixasse-os com a curiosidade do momento. Aquele por si só já estava destinado a ser um ano especial, que o destino trouxesse mais arremates.
O pergaminho fora encaixado corretamente numa das alas da vasta mesa do diretor, sem maiores preocupações. Os professores seriam avisados no dia seguinte, não haviam motivos para maiores preocupações.
A não ser que... Não, Krum não faria tal coisa.
Por fim, o homem ajeitou as vestes como pôde e sorriu para Fawkes uma última vez no dia. Já estava tarde e o silêncio nos corredores era encantador, não? Assim, partiu por fim para seus aposentos levando no rosto uma expressão de tranqüilidade e sabedoria. Aquelas eram coisas que pareciam gravadas em si, como Harry costumava pensar, sem necessitar de vontade alguma para surgir em si.
De repente, havia apenas vestes azuis cruzando a pesada porta de madeira. E nada mais. Bons sonhos Hogwarts.
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