Love As You Wish
24 A carta Weasley
Notas iniciais
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A CARTA WEASLEY
Viktor continuava sendo um excelente apanhador, certamente o mais famoso de todos os tempos, mas seu desejo de aproximação de Hermione não havia morrido com o passar dos anos. Ele agora se via ali, procurando-a pelo Beco Diagonal diante do endereço pelo qual ela lhe respondia as cartas, sem nem saber ao menos como seria recepcionado ao vê-la.
Fora com muito custo que ele conquistara a morena depois de tantos anos em que se conheciam. Hermione passara a amá-lo assim como ele se permitira amá-la de verdade, por mais que dentro dela sempre fossem existir as lembranças do passado. Ter Viktor ali era reconfortante, visto que ele sempre fora um cavalheiro com ela.
De repente a vida já não parecia mais tão dura. O trabalho no Ministério, onde ela gerenciava uma grande sessão de especialistas mágicos, aos poucos tornava-se ameno conforme sua experiência crescia dentro do setor e o fim das guerras mágicas já lhe dava certa sensação de segurança e paz. Aliando-se a isso, Viktor ocasionalmente a levava para assistir os jogos dele e isso a fazia se sentir novamente a Hermione de tantos anos atrás. Jamais imaginaria que pudesse se sentir viva outra vez.
A única coisa que não se alterara desde então fora o relacionamento dela com os Weasley. Sequer poderia imaginar vê-los outra vez, por mais que aquilo parecesse estúpido para os demais. Eram uma família adorável, certamente, mas o contato entre si apenas reabriria feridas já estancadas que eram melhor serem mantidas daquele modo. As cartas era cada vez mais raras e as notícias ínfimas, por mais que Viktor tentasse reverter aquela situação.
Fora num certo dia outubro que as coisas se agitaram na vida de Hermione. Devido ao aniversário de Viktor e as comemorações do Halloween bruxo no Beco Diagonal, a pequena irmã do húngaro – Emma – ali estava a visitá-los por alguns dias. Era uma garotinha adorável de cerca de doze anos, muito parecida com o irmão exceto pelos cabelos claros que possuía.
Fora a pedido dela que Hermione se dirigira naquela tarde à Dedos de Mel. Fazia anos que Hermione não passava por nenhuma daquelas lojas ali; Na verdade, ela possuía certeza de que a última vez em que adentrara aquele lugar fora durante as visitas organizadas pela escola de magia e bruxaria. Era engraçado se ver ali novamente a passar a ponta dos dedos pelas prateleiras como ela costumava fazer quando criança. Tudo permanecia fielmente igual, exceto pelo lado externo da loja que agora estava acoplada à duas lojas existentes ao lado com uma fachada diferente que ela sequer notara.
— Você não perdeu a mania de passear pelas prateleiras, não é Hermione? — Uma voz conhecida se dirigira a ela. — Lembro de você fazendo isso da última vez que viemos aqui. É bom ver o mesmo sorriso que estava no seu rosto naquele dia enquanto você arrastava Fred pra ver cada cantinho possível da loja.
George. Era ele que estava ali a observá-la por detrás do balcão. Parecia o mesmo garoto de antes, apesar dos cabelos curtos e da pose séria que mantinha ali. Afinal, era bom revê-lo após tanto tempo, mesmo que a garota pudesse sentir uma pontada no seu coração.
Independente de ter alguns clientes ali a ser atendidos pelas moças e moços que trabalhavam incessantemente, Hermione correra até o Weasley abraçando-o apertado. Ele por um momento manteve-se estático pela surpresa, mas logo entendeu o que era aquilo. Ele era fisicamente idêntico a Fred, afinal. Hermione até se esquecera de que estava ali para buscar alguns doces que Emma estava desejosa de provar.
Vendo as lágrimas que caíam pelos olhos dela, George a levara até o pequeno apartamento que instaurara acima da loja. Era realmente singelo visto que morava sozinho. Por um momento Hermione questionou a si mesma se ele continuava pensando que garotas lhe privavam a criatividade, como costumava dizer na época da escola. Não ousou dizer nada até que estivessem alojados em um extenso sofá abarrotado na sala do lugar, enquanto George lhe dava olhares de desculpas pela falta de organização ali.
— Eu acabei comprando a Dedos de Mel e a Zonko’s pra expandir a Gemialidades Weasley. Fred estava certo, o negócio é um sucesso. — George rira divertido. Hermione não conseguia entender como ele pronunciava o irmão com alegria no rosto. Ela não possuía força para fazê-lo, por mais que desejasse. — Como você está se sentindo, Hermione?
— No presente momento, não sei. — Ela sorriu fraca.
Permitiu-se olhar George por alguns instantes. Que dor no peito lhe invadia ao observar os cabelos ruivos, os olhos claros e o sorriso debochado. Não fossem por alguns meros detalhes, aquele seria Fred a olhá-la com curiosidade mais uma vez, como fazia quando eram apenas amigos. Bons tempos.
— Sabe, às vezes acho que vejo Fred todos os dias. Realmente o vejo, mas não sei se é obra da minha mente. — Ele olhara para ela. Ali estava a tristeza estampada em si. — Nunca disse isso a ninguém porque me achariam louco, mas acho que você me entende.
— Gêmeos possuem uma ligação muito grande entre si, George. — Ela lhe confortara com o olhar. — Eu costumava achar que o via na janela do meu quarto quando morava com meus pais. Me alegrava imaginar que ele estivesse ali a cuidar de mim, mas sei que no meu caso era apenas o desejo de vê-lo novamente.
— Fred me pergunta sobre você. Não sei explicar. Eu nunca soube respondê-lo de fato por não saber mais nada sobre você.
Logo ali havia lágrimas numerosas. Fred ainda se lembrava dela assim como ela mantinha sua memória viva todos os dias. Hermione tinha a foto dele guardada cuidadosamente na gaveta da cômoda ao seu lado e sorria para ela todos os dias antes de se levantar. O sorriso que havia ali lhe dava forças para suportar até o pior dos dias.
— Depois de tudo eu acabei estudando em casa. Me formei. Viktor chegou até mim num momento em que eu estava me sentindo a pior pessoa na face da terra. Sou grata a ele.
— O fortão da Bulgária. — George revirara os olhos, fazendo-a rir. — É bom saber que você está vivendo. Quando lia as cartas que você mandava para mamãe, eu sempre achei que jamais te veria rindo de novo.
— Confesso que por muito tempo eu não soube rir.
— O importante é que você continua forte como sempre foi. Nunca perca a sua alegria como eu me permiti perder.
— Molly me disse uma vez que você não conseguia mais conjurar patronos. Eu sinto muito.
— Eu consigo rir. Consigo fazer as pessoas rirem. Acontece que me falta algo, aquela metade de mim que Fred era. Eu o sinto por perto na maior parte do tempo, mas é diferente de tê-lo de fato por aqui.
— Eu sei como é, convivo com isso também, George.
— Foi bom te ver, Hermione. De verdade. Não posso deixar de agradecer por ter alguém que sabe o que eu sinto.
* * *
Caro Fred,
Hoje eu vi a Hermione. Na verdade, foi ela que me convenceu a escrever isso pra você, dizendo que assim eu poderia me sentir um pouco melhor. De fato, acho que ela estava certa mais uma vez. Afinal, estamos falando da sabe-tudo Granger.
Às vezes acho que te vejo por aqui. Não sei se fiquei maluco desde que você se foi ou se isso realmente é possível, visto que você é realmente metade de mim. Espero que seja, pois é uma das poucas coisas que me fazem bem em crer. Assim como as promessas de Angelina sobre ela voltar logo dos treinos com Gina para as Holyhead Harpies.
A Gemialidades Weasley está crescendo a cada dia, um verdadeiro sucesso! Mas é claro que você já sabe disso, afinal, você sempre está aqui comigo. Gostaria que pudéssemos criar novos logros juntos. Mantenho seu caderno de projetos em cima da escrivaninha e ele sempre me ajuda a pensar em algo. Confesso que não tive o dom de criar muitas das suas invenções, como as balas de veritasserum. Mas elas inspiraram outras coisas, como as balas de amortentia – lembra? A poção do amor. Cá entre nós, hordas de alunas de Hogwarts as compram!
Gostaria de saber como você está. Por aqui tudo está indo nos conformes. Hermione está trabalhando no Ministério e Viktor está cuidando dela até que vocês possam se ver de novo. Não se irrite, afinal, o amor dela ainda é seu. Acredita que ela chorou ao me ver por se lembrar de você? De todo modo, enviei um pacote de doces que vai fazer ele se lembrar de que a morena sabe-tudo não é propriedade dele. Não precisa agradecer.
Mamãe e papai estão ficando meio caducos. Nossa casa – ou o que costumava ser ela – até parece um estoque de utensílios trouxas. A folga que papai recebeu há alguns anos do Ministério tem feito isso com ele: tempo de sobra pra colecionar velharias.
Com nossos irmãos, acho que tudo está na mesma. Gui se casou com uma francesa de Beauxbatons. Percy, eu desconfio que tenha um caso com o chefe, porque sempre o elogia demais, mas prefiro não imaginar algo estranho assim. Ron continua um solteirão. Gina e Harry se casarão em breve. Quanto a mim, continuo trabalhando quase o tempo todo pra me esquecer de coisas que me entristecem. Angelina às vezes aparece por aqui e ficamos juntos, mas depois que eu soube dos tempos de escola, ela perdeu o encanto que possuía comigo.
Voldemort morreu, cara! Harry conseguiu graças a Dumbledore. Tenho certeza de que isso você também já sabe, visto que notícias assim voam rápido.
Me mande um sinal. Sei lá, qualquer coisa. Uma borboleta entrando pela janela, um dia ensolarado em que do nada começa a chover ou vice-versa. Eu vou entender, sou inteligente. Sinto que você deve estar revirando os olhos ao ler essa frase. Ta vendo como sou idiota? Escrevi pra tentar desabafar um pouco e já estou sonhando que você lerá isso de verdade.
Eu te amo, Fred. Obrigado por ter sido o melhor irmão que alguém poderia ter. Principalmente por ter puxado a minha beleza, visto que eu nasci quarenta e cinco segundos antes de você. Arthur Weasley caprichou nessas belezuras aqui, pena que não conseguiu acertar nas outras vezes fazendo nossos irmãos tão feios.
Vou deixar essa carta em cima da mesa da sala, assim como costumávamos fazer na Toca quando mamãe mentia que Papai Noel existia mesmo. Não vai ter biscoitos pra você, esfomeado.
Com amor, o mais bonito e humilde dos gêmeos Weasley,
George.
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