Love And Hate - Season 2
40 Welcome Back to Mystic Falls
Notas iniciais
POV Neutro
O tempo passado em New Orleans foi uma espécie de férias não remuneradas, mal sucedidas e mal planejadas. Mas a estadia na casa dos Originais não seria e eterna e, mais cedo ou mais tarde, voltar para casa seria necessário.
Os Salvatore voltaram para sua casa enorme e vazia. Caroline voltou para a casa de sua mãe, que a abraçou desesperadamente quando a viu. Jeremy voltou para Grill na companhia de Matt, enquanto Elena e Bonnie planejavam ir para a faculdade. Alaric e Anastásia estavam mais juntos do que nunca. Demonstrações de afeto em público já não eram mais um problema, sim uma normalidade. Ric até já havia se mudado para a casa de Ana.
Sem Katherine, sem Originais – e sem Sophia – a paz voltou a reinar em Mystic Falls de uma forma até assustadora. Porém, um soldado que está constantemente em guerra, não sabe mais viver na calmaria.
– O verão está quase acabando e não temos nada para fazer aqui, Stef. – Disse Damon, servindo uma dose de whisky. Sentira falta do seu próprio whisky. — Devíamos fazer pequeniques ao ar livre ou jogar futebol?
– Não devia parar de beber? – Disse o mais novo. – Isso pode te matar daqui alguns anos.
– Não se você caridosamente me cedesse seu sangue – Damon sorriu sarcasticamente para o irmão, bebendo um gole de sua bebida.
– Isso não vai acontecer – Stefan caminha até o irmão e também se serve de Bourbon. Damon revira os olhos. – Por que não viaja para algum lugar longe daqui? Te faria bem.
– Porque não posso compelir as pessoas a me darem passagens ou me permitirem atravessar fronteiras sem documentos.
– Temos muito dinheiro guardado, Damon. Pode pagar pelas passagens. E podemos arrumar documentos pra você, se quiser.
– Se quer se ver livre de mim, irmãozinho, é só dizer – Falou Damon.
– Pra mim tanto faz se você quer ficar ou ir, Damon. Mas ficar aqui nessa casa se remoendo por não ter conseguido trazer a Sophia de volta, não vai adiantar.
– Não é só pela Sophia, Stefan. – Damon larga o copo ao lado da garrafa, depois caminha para as escadas. – Você não faz ideia do que é ser um humano depois de tanto tempo. É tedioso. – Revira os olhos.
Enquanto Damon se recusava ainda a aceitar sua atual situação, Elena preparava, nas entrelinhas, sua vingança contra Sophia.
– Sabe, eu estive pensando, Bonnie e acho que devemos nos inscrever na faculdade – disse Elena, sentada na sala de Caroline.
– Você tem razão – concordou Bonnie. – Estamos finalmente livres de quaisquer problemas, e antes que novos apareçam, devemos seguir em frente.
– Também acho – disse a loira. – Isso também nos aproximaria novamente – ela sorriu, tentando parecer animada.
– E por falar em se aproximar... você e Klaus ficaram bem próximos, não é mesmo? – caçoou Elena, jogando uma almofada em Caroline.
– Vocês ouviram? – Caroline ficou espantada, envergonhada.
– Sou uma vampira, Caroline. É lógico que eu ouvi. Assim como Stefan, Ric, o resto da casa...
– Ah-meu-Deus! Que vergonha! – a loira se jogou no sofá, escondendo o rosto.
– Vergonha por quê? Por ter dormido com um monstro narcisista, egoísta, cruel, assassino... deixa eu ver o que mais...
– Elena – Bonnie a repreendeu.
– Eu disse alguma mentira, por acaso? Ela agiu como vadi...
– Elena, é de mim que você está falando e eu estou bem na sua frente! – falou Caroline.
– A verdade, Caroline, é que você vive me julgando por eu ter dormido com o Damon – ela levantou –, mas você acabou de dormir com um cara mil vezes pior que o Damon! Acho que eu tenho direito de falar, então.
– Você só dormiu com o Damon porque 1. Estava ligada a ele, ou ainda está. Não sei. E 2. Você quer atingir a Sophia.
– Eu dormi com o Damon porque eu o amo. Vai me dizer que ama o Klaus? Vai me dizer que vê bondade naquele crápula?
– Bom, Elena, essa sempre foi uma qualidade da Caroline – defendeu-a Bonnie. – Ela vê o lado bom de todo mundo — por mais que pareça impossível o Klaus ter um lado bom, pensou em dizer, mas não disse. Preferiu guardar para si mesma.
Caroline levantou do sofá, encarando Elena frente a frente.
– Não, Bonnie. Acho que essa não é mais uma qualidade minha, já que não consigo ver o lado bom da minha própria amiga mais.
– Primeiro você nos troca pela Sophia, agora demonstra amor pelo Klaus. Você é uma...
– Gente, chega! – Bonnie parou entre as duas. – Elena, olha só pra você! Seu ódio pela Sophia tá te deixando fora de controle. Essa não é você!
– Muito pelo contrário. Meu ódio por ela tem aberto meus olhos. Eu era inocente e tonta demais antes de ela chegar aqui e roubar tudo que é meu! — Elena deu as costas e deixou as duas amigas ali aturdidas, sem entender bulhufas do que havia de fato acontecido.
Talvez fosse esse o verdadeiro motivo do ódio de Elena por Sophia. Antes da chegada da Engerhoff em Mystic Falls, Elena era o centro das atenções dos amigos e dos Salvatore. Nunca precisara lutar por afeto ou preocupação; nunca precisou ganhar a confiança das pessoas com aqueles olhos castanhos e doces; nunca precisou conquistar um homem porque seu ar inocente e sonso os atrai facilmente. Sophia chegou e tornou tudo difícil, pois mostrou concorrência. Aí Elena precisou acordar e correr atrás do queria de verdade. E na hora de fazer isso, talvez o sangue Petrova tenha falado mais alto.
– Ela precisa de ajuda – disse Caroline.
– É, eu sei – concordou Bonnie. – Mas talvez a universidade seja mesmo uma boa ideia.
– Tem certeza? Mais pessoas pra sofrer a fúria dela?
– Caroline, acho que o problema dela... é você.
A loira deu a volta no corpo da amiga, a segurando pelos ombros, olhando-a nos olhos, desesperada por uma resposta que não cortasse seu coração.
– Mas o que foi que eu fiz para ela me querer me criticar a cada dez minutos?
– Você é amiga da mulher que ela mais odeia e dormiu com o homem que ela mais odeia. – Disse Bonnie, falando lenta e cuidadosamente cada palavra, com medo magoar a amiga. Sua testa se enrugou um pouco e seus lábios, apertaram-se um contra o outro; um ar de “não me faça ficar entre vocês duas” rondava sua expressão.
– Bonnie, você acha mesmo que sou um monstro por ter dormido com o Klaus, depois de tudo que ele fez?
Bonnie engoliu em seco, e desviou os olhos dos da amiga. Suspiro e disse:
– É melhor eu ir atrás da Elena.
Caroline entender aquilo como um “sim, você é um monstro, mas não quero te magoar”. Ela largou os ombros de Bonnie e ficou parada, com o corpo murcho, enquanto a outra saía da casa atrás de Elena. Caroline sentia falta da velha Elena. Sentia falta também de Sophia, que riu ao se despedir de Caroline, a chamando de safada.
Sophia Engerhoff era, afinal, a criatura que movimentava as coisas em Mystic Falls. Nem Katherine, nem Klaus. Sophia. Estava ligada a todos os problemas e geralmente sabia as soluções. Era a razão de todos ainda estarem unidos, mesmo que não tivesse tal intenção. Exemplo: Damon não tinha mais motivos para ficar naquela cidade, a não ser por Sophia; Caroline sentia-se desenquadrada entre as pessoas que sempre conheceu, e ficar ali também não lhe fazia sentido mais, a não ser pela amizade animadora de Sophia; Ric e Anastásia jamais teriam se conhecido não fosse por ela; Stefan e Damon talvez agora estivessem afastados, porque Elena teria escolhido um ou outro – ou ainda estariam lutando pelo amor dela, afastando-se enquanto estavam próximos.
Sophia, no entanto, estava à milhas de distância e voltar para aquele caos não estava na primeira linha de sua lista de afazeres.
POV Elena
Ir à faculdade seria uma boa desculpa para eu conseguir me afastar de Mystic Falls sem que ninguém desconfiasse. Por que me afastar? Digamos que fiquei curiosa quanto à Augustine e seus experimentos – entenda isso como ”descobrir mais sobre meu pai”. Digamos que agora sei de algo que Sophia realmente teme: voltar a ser uma rata de laboratório. E digamos que ela matou meus pais, sendo que esse acidente desencadeou uma série de acontecimentos na minha vida, incluindo minha transformação em vampira – e todos os outros riscos que corri. E, por fim, digamos que quero vingança.
E uma boa forma de conseguir vingança, mesmo que clichê, repetitiva e cansativa, é roubar o homem que ela mais ama na vida. (Uma confissão: não amo Damon Salvatore; amo o Stefan – sim, ainda. Na verdade, sempre foi e sempre será o Stefan. Mas isso é uma coisa que Sophia também conseguiu tirar de mim. Há tempos Stefan e eu não nos falamos como antes e sinto que jamais será como foi um dia. Nós dois mudamos bastante).
Após sair da casa de Caroline, me dirigi à casa dos Salvatore. Stefan não estava, mas não dei importância a isso. Quem eu queria estava em seu quarto, enchendo a banheira de seu banheiro.
– Damon – o chamei ao passar pela porta já aberta do quarto.
– Elena – disse ele, fazendo aquela expressão de “você é desnecessária aqui”. – O que quer?
Caminhei lentamente até ele, sorrindo singelamente.
– Vim ver se você está bem.
– Muitos anos antes de você nascer, um cara muito inteligente inventou o telefone. Podia ter apenas me ligado – Isso foi um corte, mas tudo bem. Ignorá-lo é o melhor remédio.
– Eu disse vim ver se você está bem. – me aproximei dele.
– Já viu? – se virou para ir para o banheiro.
– Hey, será que pode me dizer por que está me ignorando desse jeito, me evitando?
Ele se virou bruscamente, parando a minha frente, bem próximo.
– Posso, depois de você me dizer como acordei sem roupa com você no meu quarto – Suas palavras saíram ríspidas e sua cara não era das melhores.
– Você sabe como – sorri.
– Não, eu não sei – ele começou a caminhar, me fazendo recuar. – Por que eu jamais trocaria a Sophia por você, Elena. Não me leve a mal, mas ela é melhor do que você pra mim.
– Como ela pode ser melhor pra você se quando estão juntos o seu pior lado fica em evidência? – fui séria. – Como ela pode ser boa pra você, Damon, se ela não tenta ajudar você quando sai por aí matando inocentes? Ela não tenta...
– Me mudar! – me interrompeu. – Ela não tenta me mudar, Elena, porque ela sabe que não dá. Eu sou assim, eu era assim.
– Eu amo você – segurei seu rosto com minhas mãos, o olhando calmamente. E claro, mentindo.
– Engraçado, quando eu dizia que te amava, você fingia que ligava mais continuava com o meu irmão. – Se livrou das minhas mãos.
– Eu era infantil, achava que o Stefan era o melhor pra mim e pro meu futuro; você nunca facilitou, Damon, sempre fazendo escolhas erradas, ferindo pessoas que eu amo e...
– Porque esse é o meu jeito, Elena. E você nunca conseguiu me mudar completamente, por isso nunca retribuiu o que eu sentia. – ele se aproximou. Seus olhos estavam quentes, estava descontando tudo em mim. – Agora responda: como acordamos no mesmo quarto, sem roupas?
– Porque bebemos demais, você não lembra. Você disse que me amava, estava confuso com o que sentia por Sophia, mas tinha certeza em relação a mim. Damon, eu retribuí o que você sentia, será que não vê isso?! – Gritei, levando a mão à testa.
– Coincidência você resolver me amar quando estou com a Sophia – ele caminhou até a banheira, fechando a torneira. – Mas se isso que você disse for verdade, o que eu duvido muito, é certo que uma coisa mudou. Eu não amo mais você – e ele nem sequer se virou para me dizer isso. – Já viu como estou? Ótimo. Feche a porta quando sair.
Pensei em compeli-lo a me amar, seria fácil e simples. Mas beber verbena deve ter sido a primeira coisa que fez quando chegou em casa. Dar tempo ao tempo – por mais irritante e demorado que fosse – era o melhor a fazer.
– Você diz que ela nunca tentou mudar você, mas foi exatamente o que ela fez – Falei, forçando voz magoada, e deixei o quarto, batendo a porta.
Ok, o plano falhou A falhou. Vamos ao plano B.
Augustine.
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