Love And Hate - Season 2
6 Was Not a Dream...
Notas iniciais
POV Sophia
Minha cabeça estava pesada e meu corpo, cansado. Lentamente abri os olhos e avistei o teto escuro: estava deitada na cama do Damon, com uma roupa completamente diferente e sem nenhum vestígio de sangue saindo dos meus dedos ou do meu nariz.
– Ai... – me apoio nos cotovelos. – Como eu vim parar aqui?
Me levantei e me senti meio tonta. Acebei chutando uma garrafa de uísque vazia que estava ao lado da cama.
Eu havia tomado um porre? Então... foi tudo um sonho? Eu não havia feito o feitiço?
– Não, não pode ser – neguei às duvidas do meu pensamento, enquanto eu me apoiava a uma cômoda. Minha visão estava meio embaçada e trêmula. – Mas se eu...
Eu estava bem – tirando o fator tontura – e Damon não estava ali. Eu não sentia as dores que senti, ou sonhei ter sentido.
Fui até o banheiro do quarto e joguei uma água no rosto, me olhando alguns por alguns minutos no espelho.
– Não acredito que foi só um sonho...
Desci lentamente os degraus da escada sem saber o que pensar sobre tudo aquilo.
– Está melhor?
– Não, Ric. Eu não estou melhor. – continuei caminhando até a sala e só parei quando me dei conta do que havia dito. – Ric? – me virei para trás. – Alaric? – corri em direção a ele, o abraçando apertado. – Meu Deus, não foi um sonho! – quase o derrubei ao abraçar seu corpo.
– Não, com certeza não! – ele me aperta contra seu peito. – Obrigada, Sophia.
– Eu consegui – me afasto o olhando com um sorriso maior que a boca nos lábios. Era o meu amigo, apenas.
Ric sorria alegremente e era de fato o Ric. Ele não voltou sendo o caçador de vampiros. Eu o analisava como uma criança analisa seu presente na manhã de Natal, com a alegria não cabendo em mim.
–Coisa feia, Alaric... Querendo a atenção toda só para você?
Minhas pernas bambearam ao ouvir aquela voz sarcástica e rouca, debochada. Até maliciosa.
Não era um sonho, era a coisa mais real que eu já havia vivenciado.
Ric me olhou e sorriu doce — não sorriu somente com os lábios, mas com os olhos -, me encorajando a girar nos calcanhares e ver aquela figura de olhos intimidadores e sorriso cativante.
Seu sorriso torto e sua postura ereta, altiva fizeram correr um vento frio pela minha coluna.
– Meu Deus... – sussurrei inerte, sem reação alguma.
Acho que por impulso minhas pernas me levaram até ele em velocidade sobrenatural, assim como meus braços seguraram firmemente seu corpo contra o meu.
Pude ouvir seu suspiro no mesmo instante que seus braços enlaçaram minha cintura.
– Sophia...
– Damon. – uma lágrima de alegria percorreu meu rosto.
A sensação era inexplicável: o perfume dele me inebriando, seu corpo junto ao meu... Estávamos tão abraçados que nossos corpos poderiam se fundir em apenas um. Eu esqueci que existia um mundo lá fora.
– Eu te amo – e só assim eu voltei à tona.
Me afastei um pouco para poder olhá-lo. Ele estava ali, com seu rosto branco, seus olhos tão azuis quanto o mar, seus lábios perfeitos, seu cabelo macio e brilhoso.
– Eu também te amo, Damon.
– Não sei como agradecer pelo que fez. – sua mão tocou meu rosto, e pude me sentir tão viva quanto em 64.
– Não agradeça – acaricio seu rosto. – Eu faria isso mais mil vezes só pra te ter aqui. Perdi você uma vez, não posso perder de novo.
Ele segurava meu rosto entre suas mãos, olhando fixamente em meus olhos.
– Fiquei apavorado quando acordei e encontrei você desmaiada ao meu lado. Aquela bruxa...
– Shiiiu – o interrompo. – Depois você fala. – Levei minha mão à sua nuca e o puxei para mais perto, assim podendo unir nossos lábios.
Foi como se assim minha forças voltassem ao meu corpo, como se meu sangue voltasse a fluir. E, na descrição mais clichê do mundo, uma corrente elétrica percorreu meu corpo, fazendo-me completa. Seus lábios macios encaixando-se perfeitamente aos meus, sua mão acariciando meu rosto, seu toque... Eu extava fora de ar, me sentia uma adolescente se entregando nos braços do primeiro amor.
Guiei Damon até o sofá e o empurrei gentilmente, me sentando em seu colo, de frente para ele. A intensidade do beijo começou aumentar e suas mãos apertavam minha cintura. Sua língua travava uma busca incessante pela minha, explorando cada espaço possível. Levei minhas mãos à barra de sua camisa, e Damon interrompeu nosso ardente beijo.
– Eu estou morrendo de saudades também, mas você ainda está fraca. – disse com sua testa colada à minha — Precisa se alimentar e ficar mais forte.
– Está cuidando de mim? – pergunto sorrindo.
– É o mínimo que posso fazer. – ele passa o dedo polegar levemente sobre meus lábios, enquanto segura meu rosto com uma das mãos. – Volte pra cama, vou buscar umas bolsas de sangue pra você.
– Não demore – passo os dedos entre seu cabelo.
Voltei para sua cama e só de subir as escadas me senti cansada. Me atirei no enorme colchão e logo ele apareceu, deitando ao meu lado.
– Stefan já sabe? – perguntei, pegando a bolsa de sangue que ele me oferecia.
– A cidade toda já sabe. Sophia, você está desmaiada há três dias.
– Três dias? – indago espantada.
– Cheguei a ameaçar aquela bruxa...
– Janine – digo.
– Essa mesma. Pedi que ele me dissesse se você estava viva ou não. – ele senta meio inclinado, apoiando as costas na cabeceira da cama, e eu me aconchego em seu peito.
– Se não fosse por ela, você não estaria aqui.
– Foi arriscado o que você fez – ele brinca com uma mecha do meu cabelo.
– Mas eu faria de novo e de novo. Eu fiquei apavorada, Damon.
Ergo minha cabeça para trás para olhá-lo e ele sorri de canto.
– Quando eu acordei e dei de cara com você estendida no chão e Alaric também acordando achei que fosse um sonho. Mas Janine disse que era real e me deu um copo de sangue. – conta ele. – Você estava suja de sangue, pálida, sem respiração e de olhos fechados.
– Agora sabe como me senti ao ver você morrendo nos meus braços... duas vezes.
– Parece que nada entre a gente pode ser fácil, não é? – ele passa sua mão por meu braço, por fim entrelaçando seus dedos aos meus.
– Não me importo que seja difícil, no final você será meu. – larguei a bolsa de sangue da outra mão e levei-a ao seu rosto, o puxando até o meu.
Seus lábios tocaram de leve o meu, em um selinho demorado.
– Bom, se fiquei três dias apagada, já deve saber das notícias mais recentes.
– Elena vampira? Caçador com uma tatuagem que leva até a cura? Jeremy...
– A cura? – me sento de frente para ele, o olhando.
– Não sabia disso ainda?
– Não.
– Bem, parece que Connor tinha uma tatuagem no braço que crescia mais a cada vez que ele matasse um vampiro. Essa tatuagem, segundo Klaus, é o mapa que leva até a cura do vampirismo.
– Isso é um mito. Não existe a cura.
– Vampiros também são um mito para boa parte do mundo. – disse ele bebendo um pouco de sangue.
– Mas Elena matou esse caçador. Então não há mais mapa – argumentei.
– Jeremy era o único que conseguia ver a tatuagem, isso quer dizer que ele é um desses caçadores e agora o mapa cresce nele. É uma longa história – ele revira os olhos e me puxa, me fazendo parar deitada ao seu lado. – Não quero me estressar com isso agora. Quero só... matar a saudade – ele sussurra, entortando os lábios e percorrendo o entorno do meu rosto com a ponta do dedo.
Enfio meus dedos em seu cabelo e fico admirando seus olhos atentamente, assim como ele faz com os meus. Nossos rostos estão próximos, eu estou deitada e ele com o dorso inclinado sobre mim. Mas não há malícia.
Faço em leve cafuné em sua nuca e vejo um sorriso se formar.
Ergui minha cabeça um pouco até a dele, para que pudesse lhe beijar. Era um beijo calmo, com saudade, carinho. Sua boca foi descendo lentamente por meu maxilar, indo para o meu pescoço.
– Sabe, se eu beber só um pouco do seu sangue eu consigo aguentar uma noite inteira – falei próximo ao seu ouvido.
– Temos a eternidade toda para transar. Hoje... – ele volta a me olhar nos olhos – você precisa descansar – disse isso em um tom de “me obedeça ou fica de castigo”. – Recomendação da sua bruxa.
Damon Salvatore negando uma noite de sexo e sendo extremamente fofo e cuidadoso? Tem coisas que só eu sou capaz de provocar nele. E isso sem eu precisar me fazer de vítima.
– Eu amo você. – falo a ele.
– E quem não me ama? – responde ele em tom zombeteiro, me fazendo rir.
– É tão bom te ter de volta. – me ajeito na cama, voltando a me aninhar ao seu peito. – Eu quase enlouqueci nessa semana que passou.
– Eu não vou mais fazer você sofrer. – beijou meu cabelo, me apertando mais em seu abraço. – Eu prometo.

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