Love And Hate - Season 2
28 The Usurper
Notas iniciais
POV ANTÔNIA
Era tudo um grande borrão em minha cabeça. Antes eu estava em 1874, pessoas com vestidos elegantes, sobretudos para poder se cobrir do frio, luxuosas carruagens e Ryan, ao meu lado. No momento seguinte, eu estava na frente da minha irmã, mulheres usando calças, homens com roupas leves e simples.
– Não você com certeza não é a Antônia – disse Sophia, cruzando os braços e caminhando em minha volta. – Seja lá qual foi a macumba que você fez, Cassandra, você não é a minha irmã. Antônia Engerhoff é loira, caso não lembre.
– Mas eu... – eu afirmaria que era loira, mas ao puxar as pontas de meu cabelo percebi que meus fios estavam escuros. – Ah meu Deus – caminhei em disparada pela casa, à procura de um espelho.
Na verdade preferia não ter encontrado.
Aquele corpo definitivamente não era o meu. Cabelo escuro, olhos verdes, pele bronzeada, feições fortes e lábios grossos.
– O que fizeram comigo? – sussurrei, pasma.
Quando me virei, todos me olhavam com desprezo, Sophia me olhava com ódio e confusão.
– Não fizemos nada. E não sei o que você andou fumando na companhia da Antônia, mas...
– Eu sou a Antônia! – interrompi minha irmã. – Eu me lembro do que você fez, do que você é, de quem nós éramos. Me lembro até mesmo do seu amor platônico, qual era mesmo o nome? Damon?
– Seu truque não vai me enganar – ela caminhou até mim. – Então me dê um único motivo pra não matar você, seja lá quem for.
– Você lia pra mim antes de eu dormir – sua feição se abrandou. – Só você sabe onde sinto cócegas, você dormia no meu quarto em noites de tempestade para que eu não chorasse e você me deu um colar... Um colar da mamãe.
– Mas... – ela estava espantada.
– Olha, eu não sei o que aconteceu, não sei onde estou, nem como vim parar aqui, mas eu lembro de tudo até um mulher loira aparecer...
– Mulher loira? – Perguntou Ryan. Quer dizer, o homem que era a cara dele.
– É, ele disse ser minha avó. Queria me ajudar, me fortalecer e quebrar a maldição.
Outro homem caminhou para mais perto de mim, esse vestido elegantemente, muito bonito.
– Sua avó? Maldição? — perguntou ele.
– Não em chamem de louca, mas eu... Eu sou um lobisomem.
– Caramba, é mesmo você — disse Sophia, embasbacada;
– E a parte da avó?
– Anto... Bem, este é o Elijah – falou o tal Stefan.
– Elijah Mikaelson, seu...
– Não. – intrometeu-se minha irmã, balançando a cabeça em negativa para ele.
– Mikaelson? Por algum motivo esse nome não me é estranho.
Mas aquela situação toda era muito estranha. Olhos espantados sobre mim, minha irmã que simplesmente não aceitava os fatos, ou parecia não acreditar em minhas palavras.
Eu só queria entender aquilo tudo. Onde estava Ryan? Onde eu estava? E por que minha irmã estava ali, depois de tantos anos?
POV SOPHIA
Era a coisa mais absurda de se acreditar, mas aquela garota usurpando o corpo de Cassandra, era minha irmã. E parecia sem memória, como se tivesse apagado por um bom tempo.
– Eu... – ela começou, mas a interrompi.
– Eu preciso conversar à sós com ela.
– Sophia, é perigoso – alertou Stefan, me olhando.
– Céus, que mal eu faria a minha própria irmã? – Bradou Antônia.
– Prende-la numa sala com ratos? Usar o sangue dela para curar o homem que ela mais ama? Quase matar o homem que ela mais ama? — Falou Katherine, caminhando para perto de nós.
– Você é maluca, uma psicopata e por algum motivo está se fingindo de santa agora – Falou Elena, então me virei para ela.
– Você cala a sua boca, que da minha irmã cuido eu – Ela teve vontade de arrancar meu pescoço, eu sei que teve. Mas com Stefan ao meu lado? Duvido muito.
– Vocês têm 10 minutos – disse Elijah.
Esperei que todos saíssem e então fechei a porta, me encostando à ela.
– O que diabos está acontecendo? – Perguntou ela, com os olhos marejados.
– Se você é mesmo a minha irmã como diz ser... – tomei folego (coragem) – me diga qual era a música que eu cantarolava pra você dormir?
– Fácil – disse ela. – Não era nenhuma sinfonia conhecida, nenhuma música famosa. Era o som da caixinha da música da mamãe, onde você guardava um anel dela.
– Ah meu Deus – deixei que minha emoção me arrastasse até ela, envolvendo-a com meus braços. – Ah meus Deus. – Segurei seu rosto. – Mas... mas como? Não faz sentido você estar nesse corpo.
– Sophie, eu não me lembro de nada. Não sei que roupas são essas, não sei por que você usa calças e não vestidos – eu ri. – Não sei por que aquele tal Stefan se parece com meu namorado. Eu não sei. A única coisa que sei é que tenho olhos azuis, uma pele branca e cabelo loiro. E não isso – disse sinalizando para seu corpo
– Tem alguem usando seu corpo, então. Alguem que tem usado suas forças. Antônia, você não é só uma loba, você é uma híbrida.
– Uma o quê?
– Você é metade lobisomem, metade vampira. Assim como seu pai.
– Nosso pai, você quis dizer – corrigiu-me ela.
– Não. Você não é filha do Richard. Você é filha de um homem chamado Niklaus. Niklaus Mikaelson.
– Então Elijah...
– É seu tio. Nossa mãe teve um caso fora do casamento.
Ela se afastou de mim, tapando os lábios com a mão. Estava pasma, absorvendo tais notícias.
– Não faz ideia das coisas que aconteceram – falei.
– Acredita mesmo em mim?
Caminhei até ela.
– No momento em que você acordou, mesmo no corpo de uma mulher que ferrou comigo, eu senti uma ligação muito forte. Idêntica a que sentia quando você era pequena. – Passei a mão em seu rosto. – Não senti isso quando a louca que está usurpando seu corpo apareceu.
– Eu senti tanto, tanto a sua falta – seus olhos inundaram-se e ela correu inocentemente para meus braços, e ao fechar os olhos pude imaginar que estávamos em 64 novamente, talvez até antes, e ela era uma simples criança, chorando em meus braços porque fora picada por um inseto, ou porque alguma outra criança a destratou. Fui tomada por uma nostalgia, e uma lágrima solitária escorreu de meu olho direito.
– Eu também, minha irmã – foi só o que consegui dizer. – Eu também.
[...]
O tempo passou rápido enquanto eu lhe contava, sem muitos detalhes, o que acontecera. A redoma invisível da cidade, Klaus e eu, Damon e eu, nossa mãe viva, sua usurpadora, eu humana. O lance das duplicatas – o que estranhamente poderia ser a explicação para o tal Ryan e Stefan serem idênticos. Ela absorveu tudo com muita facilidade, não sei se aceitou, mas entendeu. Principalmente o fato de ser filha do Klaus.
Ah, claro. Obviamente gastamos mais que os dez minutos dados por Elijah. Estranhamente ele não aparecera, nem Stefan. Nem ninguém. Nem mesmo Damon, que eu esperava que voltasse – pedindo desculpas por sua atitude?
– Isso é o que usamos para nos locomover agora. – Apontei para meu carro. – Este é um Chevy Impala, ano 1967 – falei com orgulho , enquanto abria a porta para ela. – É um carro. Embora seja maior, o nome é tipo um diminutivo de carruagem.
– Vocês dão nomes pra isso? Impala? – perguntou ela se sentando, admirada com o interior.
Eu ri, dando a volta no carro, sentando ao lado dela.
– É mais ou menos isso. É mais o nome do modelo dele. Eu amo esse carro – falei, girando a chave e dando partida.
– Nossa, as coisas mudaram muito. – fala ela. – Mas estou feliz que esteja viva. Estou feliz que esteja aqui comigo. – ela me olhou e sorriu. – Seja lá quem for que está no meu corpo, isso fez com que eu pudesse ter você de volta na minha vida, Sophia.
– Pelo menos tem um lado bom, não é? – olhei rapidamente para ela.
Continuei aquele percurso incerto pela cidade, e teria continuado não fosse uma briga em um bar. Dois caras se golpeando e em volta uns quantos apenas assistindo.
– Ah não, não, não. – Praguejei ao reconhecer um deles. – Droga, Damon! – falei estacionando bruscamente o carro – Você fica aqui, tá? Eu já volto – falei a Antônia e nem esperei que ela respondesse.
Corri em disparada até o bar, atravessando a rua sem nem olhar se vinham carros em minha direção. Só havia homens naquele lugar e muitos deles, pelo visto, nunca viram uma mulher na vida. Me olharam tanto que pensei que até minha alma seria vista.
– Damon! – gritei e ele parou a mão no ar, não deferindo o próximo soco no rosto do cara ruivo. – Que merda é essa?
– Vai embora – rosnou com a voz carregada de uísque, talvez cerveja e vodca.
– Damon, para! – gritei mais uma vez, e ele fingiu não ouvir, dando outro soco no homem já terrivelmente ferido. – Pelo amor de Deus, alguém separa esses dois!
Damon estava enfurecido, seu rosto estava sujo de sangue, seus lábios estavam cortados pelos socos recebidos, e um de seus olhos estava arroxeado.
Empurrei um cara que estava me atrapalhando e entrei no meio da roda, levando minha mão ao ombro de Damon. Por impulso ele se virou para trás, com a mão erguida para um tapa. Ao ver que se tratava de mim, ele prendeu a mão no ar, enquanto o ruivo caía no chão, semiconsciente.
– Seu idiota – falei com a voz embargada, saindo do meio sem esperar por ele.
– Sophia, espera – ele me seguiu e conseguiu me alcançar. – Espera, porra!
– Cala essa sua boca! – gritei, depois me recompus. – Se você não consegue aceitar que agora é humano, adivinhe: eu também não. – Ele se aproximou de mim, enquanto eu me encostava ao carro. – Damon, eu vou ajudar você, vamos superar isso.
– Eu não quero sua ajuda, não quero você, não quero ninguém! – bradou ele, e só então percebi o quão bêbado estava. – Eu só quero ser o que eu era. – olhou furioso para mim. – O que eu sou agora? Um merda! Um humano idiota!
– Entra no carro, você precisa de um bom banho frio – segurei seu braço.
– Eu não vou a lugar nenhum – ele puxa o braço das minhas mãos. – Muito menos com você.
– Damon, eu estou sendo muito paciente.
– O que está acontecendo? – Falou Antônia saindo do carro.
– Volta pro carro — falei.
– O que isso te interessa, sua vadia? – Resmungou Damon, então lhe deferi um tapa no rosto.
– Dobre sua língua pra falar assim com ela – ele levou a mão ao rosto, acariciando onde bati. – Agora entra na merda do carro, Damon. Por favor.
– Damon? – Disse minha irmã. – Me lembro pouco dele.
– Antônia, por favor. Fica no carro. Eu resolvo isso.
– Tá, tudo bem – disse ela entrando e fechando a porta.
– Eu que bebo e você que troca... – ele soluçou – os nomes?
Eu não estava com saco para aquilo. Eu teria de convencê-lo a entrar no carro, ou bater com força em sua cabeça, fazendo-o desmaiar.
– Olha, eu vou cuidar de você. Só entra no carro. Eu preciso mesmo que você venha comigo, porque do contrário eu terei de voltar naquele bar e perguntar porque você começou uma briga. E vou ridicularizar você no meio daquele bando de homens. – Me aproximei dele. – E talvez eu até acabe a noite na cama de algum deles – seus olhos fixaram-se aos meus e pude ver que isso o acalmou aos poucos. Sua respiração foi se regularizando, mas seu bafo de álcool era insuportável. Damon baixou a cabeça e caminhou em direção à porta traseira do carro. – Ótimo. Consegui. – Sorri a mim mesma. – Espera – fui até ele, me inclinando sobre seu corpo antes que a porta se fechasse.
– Temos companhia, Sophia. Não pode esperar? – sua voz estava arrastada, mas ainda com sarcasmo e sensualidade.
Nem sequer olhei para ele para lhe dar uma resposta – um tanto vulgar, admito:
– Não quero seu pau, idiota! Quero seu celular! – meti a mão em seu bolso, pegando o telefone.
Liguei para Stefan e ele me disse que Klaus já havia achado uma casa. Nada que fosse modesto me veio a cabeça. Assim que cheguei tive que explicar duas coisas: Porque Cassandra estava comigo e, principalmente, porque Damon estava com um olho roxo. Elena se ofereceu para subir com ele, mas eu simplesmente o desviei das mãos dela, o ajudando – arrastando – a subir a escada.
Mais tarde eu me encarregaria de explicar o fator Cassandra/Antônia.
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