Notas iniciais
(Simplesmente Humana) Gente, esse capítulo ficou sem graça, admito, mas não consegui escrever nada melhor. Espero que curtam mais que eu.

POV SOPHIA

Abri os olhos com uma tremenda preguiça. Estava deitada na cama, com uma roupa limpa e diferente. Levei as mãos às costas e não senti a ferida. Aquilo que Damon me fizera beber era então o sangue de Antônia. Levantei ligeiramente da cama em direção ao banheiro, e ao caminhar depressa esbarrei com o ombro no guarda-roupa.

– Aii! – dei dois passos para trás, levando a mão ao local da batida. – Ficou roxo? Minha pele não fica roxa. – fale me encaminhando ao banheiro.

Parada em frente a pia de mármore branco eu fiquei a me encarar no espelho. Havia um tom mais rosado em meu rosto, um tom mais delicado, tão mais... vivo.

– Meu Deus! – levei as duas mãos à boca, indo para trás, enquanto me olhava e lembrava dos últimos acontecimentos. – A cura. Não. Não pode ser – abri as gavetas do balcão da pia em busca de algo cortante e achei uma tesoura. Fechei os olhos e com uma dificuldade jamais vista em mim, fiz um profundo corte em meu braço. A ferida não fechou, permaneceu aberta sangrando. – Não. Não. Isso deve ser um maldito pesadelo.

Enrolei o braço na toalha branca do banheiro e desci rapidamente – tão rápido quanto um humano idiota consegue ser – e dei de cara com Ric e minha mãe.

– O que diabos fizeram comigo? Por que isso ainda está sangrando? – gritei mostrando a eles a ferida.

– Filha! – minha mãe ignorou minha pergunta e usou a velocidade de vampiro para atravessar a sala e me abraçar. – Graças a Deus está viva!

– Mãe, diga-me que ainda sou vampira.

– Era nossa única saída, Sophia – falou Ric e minha mãe se afastou de mim, parando ao lado dele. – Ter você como humana é melhor do que ter você morta.

Humana. Mais uma vez vulnerável, a presa fácil, sentimental, com cólicas, risco de engravidar, risco de morrer, sem arrancar corações... Humana.

– Não deviam ter feito isso comigo. Essa era uma escolha minha! – gritei e quando virei Damon estava bem atrás de mim.

– Bom dia – falou sorrindo, e então me senti uma criatura inferior a ele. Inferior a todos naquela sala.

– Seu filho da mãe! – comecei, sem resultados, a socar seu peito protegido pela camisa preta de gola V. – Você não tinha o direito de fazer isso comigo. – cansei e então ele me abraçou. – Não...

– De nada, por mantê-la viva. – pegou meu braço – Seu primeiro dia como humana e já começa a mostrar tendências suicidas?

– Eu só queria ter certeza se eu era vampira ainda. Mas essa bosta não para de sangrar. – falei abaixando o rosto e a voz.

– Vem, eu cuido disso. – ele disse, me puxando para a escada.

Mas a presença de outra pessoa me fez parar e soltar a mão de Damon.

– Stefan! – falei aliviada indo até ele, que me abraçou fortemente, tão aliviado quanto eu.

– Ainda bem!

– Não acredito que fizeram isso comigo contra minha vontade. – falei próximo ao seu ouvido.

Stefan ignorou o que eu disse e simplesmente me beijou.

Sim, na frente de seu irmão. Sou humana, mas não sou trouxa. Correspondi na hora ao beijo, me deixando levar por suas fortes mãos apertando minha cintura.

– Se apertar demais eu desmonto – brinquei, me afastando um pouco dele.

– Desculpa, eu ainda não me acostumei. – sorriu.

E de repente aquele sorriso me passou a certeza que mal nenhum me aconteceria enquanto eu fosse humana. Por impulso, girei de leve a cabeça por cima dos ombros e o olhar de Damon me confortou. Eu sabia que não estaria sozinha e muito menos desprotegida enquanto eles estivessem ali.

Mas então percebi que eu havia me tornado Elena Gilbert.

Humana, frágil, enrolando os dois irmãos. Gostando dos dois irmãos.

– Sophia! – a voz de Caroline me puxou dos meus malditos devaneios, e logo eu estava nos braços da loira, que tinha o perfume leve de baunilha. – Como você está?

– Sinceramente? – olhei para ela, que assentiu – Morta de fome.

– Sophia, seu braço ainda está sangrando. – falou Ric. – E pelo visto o corte foi feio. Precisa cuidar disso depressa.

– E ficar sangrando no meio de um bando de vampiros não é nada educado, também. – disse minha mãe.

– Vem, eu já falei que cuido disso pra você – disse Damon ainda me esperando no pé da escada.

Acompanhei-o até o andar de cima me sentindo um pouco culpada.

– Então porque beijei seu irmão na sua frente, você resolveu não falar mais comigo? – perguntei ao entrarmos no quarto.

– Não. – respondeu sutilmente. – Eu apenas estou sem assunto.

– Quando ficávamos sem assunto você me beijava, Damon. – rebati e ele se virou para mim.

– Acho que meu irmão tem essa função agora.

– Então você pode transar com a Elena enquanto é meu namorado, mas eu não posso beijar seu irmão estando solteira?

– Primeiro: eu não transei com a Elena – caminhou até mim. – Segundo: algo me diz que está prestes a usar o Stefan para fazer ciúmes para mim.

Ergui a mão dando um tapa em seu rosto.

– Eu nunca usaria seu irmão para algo tão baixo. – me virei para sair do quarto e ele apareceu em minha frente, impedindo a passagem.

– Desculpa. Eu não quis te ofender. Agora me deixa cuidar disso – falou levantando meu braço e analisando a ferida.

– Sério que você vai limpar com álcool e colocar gases?

– Se eu te der meu sangue, você se mata e vira vampira de novo. – sorriu torto. – Espertinha.

Depois que ele cuidou do ferimento eu agradeci sem encará-lo nos olhos e fiquei fitando sua cama, pensando que agora Elena dormiria no meu lugar. Com ele.

– Não me importo que esteja com meu irmão. – disse ele. – Contanto que esteja segura.

– Você disse que me amava. – me encaminhei para a porta. – Então sim, você se importa.

Alaric conversava com minha mãe na sala e não pude deixar de notar como ela olhava para ele.

– Por favor, mãe. Não faça do Ric meu padrasto. Eu quase dormi com ele. – falei indo para a cozinha e ambos me seguiram.

– Depois do David aprendi a lição. Não posso levar qualquer um pra cama. – falou ela.

– Primeiro: Alaric não é qualquer homem. – abri a geladeira para procurar por algo humanamente comível. – Segundo: você precisou de quase 200 anos pra ver que não se pode dormir com qualquer cara? E eu achando que eu era a vadia burra da família. – resmunguei.

– Sophia, o que ela está querendo dizer é que não vamos transar – explicou Ric.

– Senhor Saltzman, não seja tão ingênuo quando se trata de uma Engerhoff – fechei bruscamente a geladeira. – Mas que droga! Não tem nada pra comer nessa casa.

– Talvez porque sejam vampiros.

Me virei lentamente para trás reconhecendo aquele maldito e lento tom de voz. Lento não, sonso.

– Elena.

– Vim ver se ainda continua com a ideia de me matar – sorriu debochada.

– Eu posso ser uma humana agora, mas continuo sendo mais inteligente, sexy, bonita, divertida e perigosa do que você. Aconselho que durma com um olho aberto, então.

Ela atravessou a cozinha e me segurou pelo pescoço, mas antes que minha mãe avançasse sobre ela, puxei a faca atrás de mim sobre a pia e enfiei no pescoço de Elena.

– Vejam só, ainda consigo esfaquear alguém – sorri debochada enquanto ela se afastava de mim, com o sangue transpassando entre seus dedos. – Já falei pra ficar fora do meu caminho.

Minha fome era algo até engraçado. Nem quando vampira havia sentido tanta fome. Parecia que o Buraco Negro se localizava em meu estomago. Stefan me levou ao Mystic Grill e pela primeira vez entrei lá sem o intuito de encher a cara com Ric e Damon.

Assim que a comida chegou, eu não soube por onde começar: hambúrguer, batata frita, refrigerante, nuggets ... meu Deus. Quanta “gordice”.

– Caramba, isso é muito bom! – falei mastigando um pedaço de pizza.

– Só vai com calma, tá legal?! – Stefan riu apoiando os cotovelos na mesa. – Se continuar nesse ritmo vai acabar morrendo do coração, de tanto gordura que come.

– Eu sei cozinhar, não vou passar o resto da vida comendo essas coisas – bebi um pouco de refrigerante para empurrar a comida. – Só não sei como vou sobreviver sem minhas roupas de grife, sem hipnotizar as pessoas, sem arrancar corações. — ele riu. – Não ria. Ser uma humana é um saco. Dê valor ao que você é.

– E o que eu sou?

O que toda garota quer, afinal.

– Um cara perfeito e eterno. Além de ser gostoso. Eu, todavia, estarei pelancuda e com os peitos caídos daqui há uns 60 anos. – sacudi a cabeça – Não quero nem pensar nisso.

Stefan das coisas que dizia como se fossem de fato engraçada.

– Como alguma coisa comigo, me sinto uma mendiga comendo depois de anos na rua. – falei mastigando acho que meu terceiro hambúrguer.

– Não... – deu um tapa no ar, brincalhão, recostando-se ao banco. – Estou melhor apenas vendo você devorar meio estoque de comida do Grill.

– Além de velha, ficarei gorda.

– Pare de ver os lados negativos de tudo isso, Sophia. – pediu-me ele. – Agora você pode segui sua vida, ter filhos, casar e sair de Mystic Falls.

– De que adiantaria sair de Mystic Falls se Mystic Falls nunca sair de mim? – empurrei o prato, estando momentaneamente satisfeita. – E ter filhos e um marido não é mais uma opção.

– Por que não?

– Porque as pessoas com quem eu quero dividir minha vida, não podem envelhecer comigo.

– Mas isso não quer dizer que não estaremos ao seu lado até o fim. Eu estarei.

Ah, Stefan! Como eu queria poder te amar da mesma forma que amo o imbecil do seu irmão. Como eu queria não ter que estar na mesma posição da antiga Elena que hoje se deita com o Damon.

– Obrigada.

O maior problema de se ser humano é que você não pode ignorar seus sentimentos, eles estarão sempre lá, atormentando você. E não eu queria poder ignorar as possibilidades de começar a me apaixonar pelo Stefan. Como eu queria.

Notas finais
Logo mais teremos a volta da Little Sister, atormentando Mystic Falls. Sophia percebendo que gosta dos dois, Stefan saidinho beijando ela a frente do irmão... Damon com ciumes, again. Anastásia dando em cima do Ric, sim ou óbvo?! Beijos, espero pelos comentários. Bjos