Love And Hate - Season 2
17 Simply Human
Notas iniciais
POV SOPHIA
Abri os olhos com uma tremenda preguiça. Estava deitada na cama, com uma roupa limpa e diferente. Levei as mãos às costas e não senti a ferida. Aquilo que Damon me fizera beber era então o sangue de Antônia. Levantei ligeiramente da cama em direção ao banheiro, e ao caminhar depressa esbarrei com o ombro no guarda-roupa.
– Aii! – dei dois passos para trás, levando a mão ao local da batida. – Ficou roxo? Minha pele não fica roxa. – fale me encaminhando ao banheiro.
Parada em frente a pia de mármore branco eu fiquei a me encarar no espelho. Havia um tom mais rosado em meu rosto, um tom mais delicado, tão mais... vivo.
– Meu Deus! – levei as duas mãos à boca, indo para trás, enquanto me olhava e lembrava dos últimos acontecimentos. – A cura. Não. Não pode ser – abri as gavetas do balcão da pia em busca de algo cortante e achei uma tesoura. Fechei os olhos e com uma dificuldade jamais vista em mim, fiz um profundo corte em meu braço. A ferida não fechou, permaneceu aberta sangrando. – Não. Não. Isso deve ser um maldito pesadelo.
Enrolei o braço na toalha branca do banheiro e desci rapidamente – tão rápido quanto um humano idiota consegue ser – e dei de cara com Ric e minha mãe.
– O que diabos fizeram comigo? Por que isso ainda está sangrando? – gritei mostrando a eles a ferida.
– Filha! – minha mãe ignorou minha pergunta e usou a velocidade de vampiro para atravessar a sala e me abraçar. – Graças a Deus está viva!
– Mãe, diga-me que ainda sou vampira.
– Era nossa única saída, Sophia – falou Ric e minha mãe se afastou de mim, parando ao lado dele. – Ter você como humana é melhor do que ter você morta.
Humana. Mais uma vez vulnerável, a presa fácil, sentimental, com cólicas, risco de engravidar, risco de morrer, sem arrancar corações... Humana.
– Não deviam ter feito isso comigo. Essa era uma escolha minha! – gritei e quando virei Damon estava bem atrás de mim.
– Bom dia – falou sorrindo, e então me senti uma criatura inferior a ele. Inferior a todos naquela sala.
– Seu filho da mãe! – comecei, sem resultados, a socar seu peito protegido pela camisa preta de gola V. – Você não tinha o direito de fazer isso comigo. – cansei e então ele me abraçou. – Não...
– De nada, por mantê-la viva. – pegou meu braço – Seu primeiro dia como humana e já começa a mostrar tendências suicidas?
– Eu só queria ter certeza se eu era vampira ainda. Mas essa bosta não para de sangrar. – falei abaixando o rosto e a voz.
– Vem, eu cuido disso. – ele disse, me puxando para a escada.
Mas a presença de outra pessoa me fez parar e soltar a mão de Damon.
– Stefan! – falei aliviada indo até ele, que me abraçou fortemente, tão aliviado quanto eu.
– Ainda bem!
– Não acredito que fizeram isso comigo contra minha vontade. – falei próximo ao seu ouvido.
Stefan ignorou o que eu disse e simplesmente me beijou.
Sim, na frente de seu irmão. Sou humana, mas não sou trouxa. Correspondi na hora ao beijo, me deixando levar por suas fortes mãos apertando minha cintura.
– Se apertar demais eu desmonto – brinquei, me afastando um pouco dele.
– Desculpa, eu ainda não me acostumei. – sorriu.
E de repente aquele sorriso me passou a certeza que mal nenhum me aconteceria enquanto eu fosse humana. Por impulso, girei de leve a cabeça por cima dos ombros e o olhar de Damon me confortou. Eu sabia que não estaria sozinha e muito menos desprotegida enquanto eles estivessem ali.
Mas então percebi que eu havia me tornado Elena Gilbert.
Humana, frágil, enrolando os dois irmãos. Gostando dos dois irmãos.
– Sophia! – a voz de Caroline me puxou dos meus malditos devaneios, e logo eu estava nos braços da loira, que tinha o perfume leve de baunilha. – Como você está?
– Sinceramente? – olhei para ela, que assentiu – Morta de fome.
– Sophia, seu braço ainda está sangrando. – falou Ric. – E pelo visto o corte foi feio. Precisa cuidar disso depressa.
– E ficar sangrando no meio de um bando de vampiros não é nada educado, também. – disse minha mãe.
– Vem, eu já falei que cuido disso pra você – disse Damon ainda me esperando no pé da escada.
Acompanhei-o até o andar de cima me sentindo um pouco culpada.
– Então porque beijei seu irmão na sua frente, você resolveu não falar mais comigo? – perguntei ao entrarmos no quarto.
– Não. – respondeu sutilmente. – Eu apenas estou sem assunto.
– Quando ficávamos sem assunto você me beijava, Damon. – rebati e ele se virou para mim.
– Acho que meu irmão tem essa função agora.
– Então você pode transar com a Elena enquanto é meu namorado, mas eu não posso beijar seu irmão estando solteira?
– Primeiro: eu não transei com a Elena – caminhou até mim. – Segundo: algo me diz que está prestes a usar o Stefan para fazer ciúmes para mim.
Ergui a mão dando um tapa em seu rosto.
– Eu nunca usaria seu irmão para algo tão baixo. – me virei para sair do quarto e ele apareceu em minha frente, impedindo a passagem.
– Desculpa. Eu não quis te ofender. Agora me deixa cuidar disso – falou levantando meu braço e analisando a ferida.
– Sério que você vai limpar com álcool e colocar gases?
– Se eu te der meu sangue, você se mata e vira vampira de novo. – sorriu torto. – Espertinha.
Depois que ele cuidou do ferimento eu agradeci sem encará-lo nos olhos e fiquei fitando sua cama, pensando que agora Elena dormiria no meu lugar. Com ele.
– Não me importo que esteja com meu irmão. – disse ele. – Contanto que esteja segura.
– Você disse que me amava. – me encaminhei para a porta. – Então sim, você se importa.
Alaric conversava com minha mãe na sala e não pude deixar de notar como ela olhava para ele.
– Por favor, mãe. Não faça do Ric meu padrasto. Eu quase dormi com ele. – falei indo para a cozinha e ambos me seguiram.
– Depois do David aprendi a lição. Não posso levar qualquer um pra cama. – falou ela.
– Primeiro: Alaric não é qualquer homem. – abri a geladeira para procurar por algo humanamente comível. – Segundo: você precisou de quase 200 anos pra ver que não se pode dormir com qualquer cara? E eu achando que eu era a vadia burra da família. – resmunguei.
– Sophia, o que ela está querendo dizer é que não vamos transar – explicou Ric.
– Senhor Saltzman, não seja tão ingênuo quando se trata de uma Engerhoff – fechei bruscamente a geladeira. – Mas que droga! Não tem nada pra comer nessa casa.
– Talvez porque sejam vampiros.
Me virei lentamente para trás reconhecendo aquele maldito e lento tom de voz. Lento não, sonso.
– Elena.
– Vim ver se ainda continua com a ideia de me matar – sorriu debochada.
– Eu posso ser uma humana agora, mas continuo sendo mais inteligente, sexy, bonita, divertida e perigosa do que você. Aconselho que durma com um olho aberto, então.
Ela atravessou a cozinha e me segurou pelo pescoço, mas antes que minha mãe avançasse sobre ela, puxei a faca atrás de mim sobre a pia e enfiei no pescoço de Elena.
– Vejam só, ainda consigo esfaquear alguém – sorri debochada enquanto ela se afastava de mim, com o sangue transpassando entre seus dedos. – Já falei pra ficar fora do meu caminho.
Minha fome era algo até engraçado. Nem quando vampira havia sentido tanta fome. Parecia que o Buraco Negro se localizava em meu estomago. Stefan me levou ao Mystic Grill e pela primeira vez entrei lá sem o intuito de encher a cara com Ric e Damon.
Assim que a comida chegou, eu não soube por onde começar: hambúrguer, batata frita, refrigerante, nuggets ... meu Deus. Quanta “gordice”.
– Caramba, isso é muito bom! – falei mastigando um pedaço de pizza.
– Só vai com calma, tá legal?! – Stefan riu apoiando os cotovelos na mesa. – Se continuar nesse ritmo vai acabar morrendo do coração, de tanto gordura que come.
– Eu sei cozinhar, não vou passar o resto da vida comendo essas coisas – bebi um pouco de refrigerante para empurrar a comida. – Só não sei como vou sobreviver sem minhas roupas de grife, sem hipnotizar as pessoas, sem arrancar corações. — ele riu. – Não ria. Ser uma humana é um saco. Dê valor ao que você é.
– E o que eu sou?
O que toda garota quer, afinal.
– Um cara perfeito e eterno. Além de ser gostoso. Eu, todavia, estarei pelancuda e com os peitos caídos daqui há uns 60 anos. – sacudi a cabeça – Não quero nem pensar nisso.
Stefan das coisas que dizia como se fossem de fato engraçada.
– Como alguma coisa comigo, me sinto uma mendiga comendo depois de anos na rua. – falei mastigando acho que meu terceiro hambúrguer.
– Não... – deu um tapa no ar, brincalhão, recostando-se ao banco. – Estou melhor apenas vendo você devorar meio estoque de comida do Grill.
– Além de velha, ficarei gorda.
– Pare de ver os lados negativos de tudo isso, Sophia. – pediu-me ele. – Agora você pode segui sua vida, ter filhos, casar e sair de Mystic Falls.
– De que adiantaria sair de Mystic Falls se Mystic Falls nunca sair de mim? – empurrei o prato, estando momentaneamente satisfeita. – E ter filhos e um marido não é mais uma opção.
– Por que não?
– Porque as pessoas com quem eu quero dividir minha vida, não podem envelhecer comigo.
– Mas isso não quer dizer que não estaremos ao seu lado até o fim. Eu estarei.
Ah, Stefan! Como eu queria poder te amar da mesma forma que amo o imbecil do seu irmão. Como eu queria não ter que estar na mesma posição da antiga Elena que hoje se deita com o Damon.
– Obrigada.
O maior problema de se ser humano é que você não pode ignorar seus sentimentos, eles estarão sempre lá, atormentando você. E não eu queria poder ignorar as possibilidades de começar a me apaixonar pelo Stefan. Como eu queria.
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