Love And Hate - Season 2
21 Oh Crap! I Love Him
Notas iniciais
POV SOPHIA
New Orleans? Ouvi isso mesmo? French Quarter?
Katherine e eu fomos arrastadas por brutamontes para fora do carro, ela não calou a boca por um minuto, esperneando e ordenando que eles a soltassem. Depois, nos prenderam com fortes algemas, ligadas a correntes pressas no chão, dentro de uma grande sala, não sei bem dizer onde era. Só sei que pertencia a uma grande casa, era quase uma pequena vila aquilo.
– Presas como cadelas... – resmungou Katherine erguendo as mãos para contemplar as pesadas correntes.
– Daremos um jeito. – falei, completamente desanimada.
– Damon virá atrás de você.
– Damon virá atrás da Elena.
– Não – corrigiu-me Katherine. – Ele ama você, ele virá salvar você e você irá me salvar.
– Primeiro: Damon e eu não nos amamos, somos bons amigos. Segundo: quem disse que vou salvar você?
– Vou ignorar as duas besteiras que você acabou de dizer. – Falou ele, recostando-se à parede, enquanto eu cruzava minhas pernas, sentada no chão.
– Então você não ama o Damon... — Falou minha irmã, entrando no local. – Fascinante. Mas se isso fosse verdade, não estaríamos aqui agora, teríamos morrido humanas e de bem com a vida. Então pare de mentir.
– Por que eu mentiria? – eu estava realmente confusa.
– Para salva-lo – respondeu Antônia. – Não se faça de esquecida – desfilou até mim.
– Aonde está querendo chegar com isso? Eu não amo o Damon, somos amigos, família! – esbravejei.
Eu realmente não entendi tais acusações de que eu amava Damon. Não. Nunca sequer trocamos as três palavras mais idiotas do mundo, nunca passou de passatempo o que tivemos. Apenas sexo e tentativas falhas de reprimir nossas magoas um no outro. Mas não era amor. Não esse tipo de amor.
Antônia caminhou até mim, olhou no fundo dos meus olhos e disse:
– Você está mentindo para mim ou realmente não sente nada pelo Salvatore?
Suas pupilas dilataram e as palavras saíram da minha boca como ar.
– Não estou mentindo. Eu não o amo.
– Fizeram lavagem cerebral nela? – Soou Katherine.
– Eu já resolvo isso. Porque preciso que você se lembre do seu amor épico e verdadeiro, porque dó assim as coisas ficarão interessantes – falou Antônia saindo da sala, me deixando ali confusa e perturbada.
– Amor épico e verdadeiro? Katherine, o que ela quis dizer?
– Sophia, você morreu por causa do Damon, você...
– Tá, eu sei de tudo isso. Morri por ele, morreria de novo. Assim como morreria pelo Stefan. São meus amigos.
– Não! – protestou ela. – Garota, em 500 anos de vida eu nunca vi amor tão forte quanto o seu pelo imbecil do Damon. E ele é louco por você.
Isso não fazia sentido. Tentei puxar em minha cabeça algum momento em que ele ou ele tivéssemos dito um mísero “eu te amo”, mas nada. Nem mesmo demonstrações fortes de amor, nada! Mas Katherine estava tão certa do que dizia.
– Talvez alguem tenha me compelido a esquecer – falei em tom baixo. – Mas por quê?
– Eu não faço ideia, mas vamos descobrir – Olhei para a porta e lá estava Antônia, com uma garota morena de olhos azuis ao seu lado. – Vadias, esta é Davina. Davina, essas são as vadias.
– Mais uma escrava sua? – Retrucou Katherine, com desprezo.
– Não sou escrava de ninguém — falou Davina, erguendo a mão fazendo Katherine gritar de dor, fechando os olhos com força, enquanto tentava se soltar para segurar sua cabeça.
– Pare – disse Antônia passando o braço em volta dos ombros da menina. – Não é dessa vadia que você precisa cuidar agora, mas sim daquela – olhou para mim. – Faça-a lembrar do quanto ela ama Damon Salvatore e do quão recíproco é esse amor.
– Outra bruxa? – falei. – E Cassandra?
– Apenas mais uma peça no feitiço – falou com descaso.
Davina parou à minha frente com ambas as mãos erguidas, me olhando nos olhos. Não lembro se ela disse algo, porque logo minha cabeça começou a doer, mas não era uma simples dor. Era insuportável, como se estivessem esmagando meu cérebro em uma sanduicheira. Eu comecei a gritar, a suar e a chorar de dor. Então flashes do Damon em meu quarto começaram a aparecer sem muita ordem ou sentido.
“Vai esquecer que me ama...”
– Não... – falei, não sabendo se negava a dor ou se me negava a acreditar.
“... Terá o amor que te consome...”
– Para! – gritei.
“... Pense que fomos grandes amigos...”
– Por favor... – choraminguei, não aguentando mais a dor.
“... Esqueça que nos amamos.”
A dor cessou. Meus olhos se abriram lentamente e minha respiração estava falhada. Estava cansada.
– Eu sinto muito... – cochichou Davina, pude ver em seu olhar que ela não era má, não era como Antônia. Era só uma garota.
– Está feito. Agora você lembra. Bem, agora fique aí, com suas lembranças e com Katherine Pierce – disse Antônia, levando Davina para longe de mim.
– Merda! Eu amo ele.
– O que aconteceu? – Perguntou Katherine.
Ignorei sua pergunta e até mesmo sua presença por um tempo. Damon desistiu de mim. Me forçou a esquecê-lo. E agora, onde antes havia preocupação, havia dor. A dor de ter sido tantas vezes traída e deixada por Damon.
– Damon... – falei sem encará-la. – Ele me fez esquecer tudo isso.
– Por que ele faria isso?
– Bem, pelo que consegui entender, ele quer que eu tenha um amor que me consuma, quer que eu seja feliz.
– Pensei que fosse feliz com ele.
– Eu era. Até você aparecer – a olhei lentamente. – Até ele dormir com a Elena dias atrás.
– Eu nunca amei o Damon, Sophia. Sempre foi o Stefan. Se eu sou irresistível e apaixonante, nada posso fazer.
Ri fraco, sacodindo de leve a cabeça.
– Não a culpo, Katherine. Sabe disso. No seu lugar, eu também teria me envolvido com os dois. E sabe que eu se tivesse que escolher entre salvar você e Elena, eu salvaria você. Não tenho rancor seu, ou nada do tipo.
– Eu não salvaria ninguém. Iria embora sem olhar para trás. – rebateu ela.
– Ainda não percebeu que eu gosto de você? Somos quase BFF’s! – falei e ela gargalhou.
Logo David entrou trazendo Elena também algemada, Hayley logo atrás.
– Já estão aí, então... – disse ele me olhando.
– Se você me soltar, terminamos aquilo que começamos na casa da Antônia – falei sorrindo de canto.
– Você não perde tempo mesmo... – Brincou Katherine.
– Você sabe que eu adoraria. – Prendeu Elena de frente para Katherine e Hayley foi colocada ao lado da Gilbert. Eu estava na ponta, como se estivéssemos numa mesa de seis lugares. – Mas não posso. Ainda faltam duas pessoas, vá busca-las – ordenou ele ao cara que prendeu a loba. David se agachou na minha frente. – Sinto muito, Sophia. Eu queria poder fazer algo. – passou a mão de leve no meu rosto.
– E eu queria poder ter repulsa e ódio de você, mas não consigo. – ele aproximou seu rosto do meu para me beijar, mas eu prossegui. – Mas eu juro que, se algo acontecer aos Salvatore, Caroline, minha mãe ou Alaric, eu caço você até no Inferno e te faço pagar por isso. Entendidos?
– Às nove trago a comida – ele disse levantando.
– Acho que você magoou ele. – Disse Katherine.
– Ahn... Katherine... Sobre o que acabamos de conversar, vamos fingir que nada aconteceu. As coisas continuam iguais.
–Okay – concordou ela.
– Podem nos explicar o que está acontecendo? – Perguntou Hayley.
– Simples. Sophia tem uma irmã louca e psicopata que precisa do nosso sangue para selar um ritual maluco. Nada com que devamos nos preocupar – falou Katherine, com deboche.
– Damon dará um jeito nisso, eu tenho certeza!
Só de ouvir Elena falando o nome dele me arrependo de saber, de lembrar o que ele me fez esquecer, porque antes não doía a traição.
– Stefan é o herói, não Damon. – falei. – Mas... Você e Damon, Elena. Estão mesmo juntos? – perguntei indiferente (fingindo sem indiferente).
– Isso te importa?
– Me preocupo com Damon e com quem ele anda.
– Ciúmes?
– Preocupação. Ainda mais com esse lance da ligação de vocês...
– Espera. Você não está mesmo com ciúmes?! – perguntou ela.
– É claro que não. O fato é: eu te odeio, e farei o possível para que seja infeliz. Mas se isso fizer os Salvatore infelizes, terei de mudar alguns pontos dos meus planos. – ela me olhou com cara de desentendida, o que era normal. Suspeitou de minhas palavras. – Principalmente se isso atingir meu inicio de relacionamento com Stefan. – Xeque Mate! Elena me olhou com desprezo, mas parou de desconfiar de meus sentimentos por Damon.
– Você e Stefan...
– Sim, estamos praticamente juntos. – então dissipei meus pensamentos, rezando para que ele e Damon estivessem bens, e que logo aparecessem ali, como os bons heróis de sempre.
O silencio já estava insuportável entre nós quatro, Katherine bufava entediada, eu fechei os olhos e entrei num sono profundo. Mas a lembrança de Damon me beijando antes do baile e dizendo aquilo estava muito viva, muito fresca. Se fechasse bem os olhos e me concentrasse, eu poderia sentir o toque dele, até mesmo o perfume.
Oh, céus! Isso precisava parar.
Abri os olhos ao mesmo tempo em que um dos híbridos de minha irmã entrou com Cassandra presa, aos berros.
– Você não pode fazer isso comigo, eu ajudei você, eu matei minha mãe por você! Antônia! – ele gritava desesperada.
Mas de nada adiantou, ela foi presa e não pode mover um músculo contra o híbrido.
– Cadê a menina super-poderosa agora? – falei a olhando. – Por que não usa seus poderes? Poderes esses que você absorveu de sua mãe e irmã após mata-las, eu suponho. Está no mesmo nível que minha irmã.
– Disse a mulher que matou o próprio pai.
– Meu pai era um monstro, sua mãe era ótima! Por que não usa os poderes?
– Porque não tenho mais poderemos. Davina os absorveu de mim. Sou uma... Ex-bruxa.
– Ou seja, você é inútil – disse Hayley e pela primeira vez concordei com ela.
– Não para Antônia. Ela precisa de mim, pelo visto, para fazer o feitiço.
– Claro. Se tornar imortal. – Resmunguei, me ajeitando contra fria parede de pedra.
– Foi isso que ela disse pra você? – Cassandra riu. – Por favor! Ela não quer ser imortal, isso é umas das coisas que o feitiço acarretará. Mas o que ela realmente quer é tomar os poderes de Esther.
– Esther Mikaelson?! — Falou Elena. – Mas Antônia é uma híbrida, não pode...
– Todo feitiço tem uma brecha – antecipei as palavras de Cassandra. – Já ouvi esse discurso antes. Por que ela quer isso?
– Esther é uma das bruxas mais fortes que já pisou na Terra. Mais forte que Davina. Sua irmã quer tomar New Orleans, depois Mystic Falls. Pra isso, ela precisa ser uma líder completa. Vampira, Lobisomem e Bruxa.
– É impossível, tem que ser – disse Hayley.
– Se for ou não, não estaremos aqui pra descobrir, seremos mortas antes do resultado aparecer.
– Nem a pau que vou morrer presa por uma mini Klaus! – praguejou Katherine.
Notei que até mesmo nosso estilo de se vestir Antônia prestou atenção ao pegar roupas para trocarmos depois do baile. Isso me deixava mais incomodada ainda. Há quanto tempo ela nos observa?
Como prometido, David trouxe o jantar. Duas bolsas de sangue, e algumas frutas e água. Não abri a boca nem para falar, nem para comer. Ele mal de dirigiu o olhar e sequer falou comigo.
Lentamente comecei a pegar no sono, pensando em quem poderia ser a sexta pessoa. Penso o que levara Antônia a querer tomar New Orleans e Mystic Falls. Talvez ele quisesse se vingar de mim, talvez quisesse mesmo tomar tudo que Klaus declarara seu, um dia.
A porta abriu em um solavanco novamente nem me preocupei em erguer a cabeça. Quando abri os olhos para ver quem entrava, vi alguem sendo preso no outro lado da sala, de frente para mim. Parecia quase morto, mas eu não consegui discernir que era. O brutamonte que o prendia tapou minha visão. Quando ele levantou, rezei para aquilo fosse uma mera miragem, um engano da minha visão.
– Damon?!
Fale com o autor