Love And Hate - Season 2
16 Mio Salvatore
Notas iniciais
POV DAMON
Sophia estava irreconhecível, pálida, mole, suja de sangue e com os lábios roxos. Levei-a para minha casa o mais rápido que pude; leva-la ao hospital seria inútil. Coloquei-a deitada em minha cama e desci para ver como Stefan estava.
– O que está fazendo aqui? – perguntou ele, sentado no sofá ao lado de Caroline que cuidada de seus ferimentos.
– Peço para você ficar e cuidar dela e encontro os dois quase mortos? – falo.
– A irmã dela, Antônia...
– Está delirando? Antônia está morta. – falei.
– Não, não está. – falou Klaus aparecendo com duas garrafas de sangue. – Mesmo nunca tendo a visto antes tenho certeza de que é minha filha. E está bem viva – jogou uma garrafa para meu irmão. – É de animal, não se preocupe.
Klaus subia para meu quarto, tenho certeza, enquanto continuei interrogando meu irmão. Mas ele também queria respostas.
– Eu liguei para o Damon, Stefan. – falou a loira. – Achei estranho a Sophia sumir do nada, e quando procurei por você não encontrei nem sinal seu. Liguei para o Damon, mas eu sabia que ele demoraria a voltar... – suspirou – Então pedi ajuda ao Klaus.
– Ainda bem que ele é apaixonado por você, senão vocês estariam mortos. – falei cruzando os braços em frente a meu irmão. – Como se sente?
– Bem, completamente bem. Mas a Sophia... Damon, ela foi mordida.
– É, eu notei. O sangue do Klaus vai...
– Não, eu acho que é preciso o sangue da irmã dela.
Rapidamente nós três subimos para meu quarto e Klaus estava sentado ao lado dela, com o pulso mordido enquanto Sophia chorava de mansinho.
– Não... – resmunguei.
POV SOPHIA
Quando acordei em um solavanco na cama, Klaus estava ao meu lado e quando bebi de seu sangue para que me curasse... Nada aconteceu. A ferida continuava aumentando, minha cabeça continuava doendo, eu queria cada vez mais sangue.
– Eu vou morrer... – falei olhando para Caroline, que acabara de entrar no quarto com os Salvatore.
– Não, você não vai morrer. – Stefan deu a volta na cama, abraçando-me apertado.
– Eu vim antes, mas os outros continuam atrás da cura, você não vai morrer – disse Damon.
– Não compreendo o que a cura tenha a ver com isso, Damon. – Klaus levantou da cama, encarando o outro.
Damon e Stefan se olharam, eu também não estava achando a ligação.
– Vamos dar a cura à Sophia. – Damon falou. – Não vou deixar que ela morra porque você tem que criar seus híbridos.
– Estavam tramando contra mim, enquanto eu...
– Klaus, ela vai morrer – Caroline entrou na frente de Damon. – Pelo amor de Deus! Não seja tão idiota, ela vai morrer se não beber a cura.
– Eu não quero a cura – falei puxando as forças que me restavam. – Não quero ser uma humana imbecil.
– Você não tem escolha. – Damon falou. – Nem que eu precise enfiar goela abaixo.
– Vocês ouviram ela. Eu fico com a cura – disse Klaus indo em direção a porta.
– Se deixar a cura para Sophia, eu... – Caroline começou a falar e ele parou. – Eu fico com você. Eu vou embora com você, Klaus.
Caroline me olhou e sorriu. Porém seus olhos estavam lacrimejados.
– Não, não é assim que funciona – me soltei das mãos de Stefan e fiquei ao lado dela. – Não vai fazer isso se não quiser.
– Você quer, Caroline? – perguntou Klaus se voltando para ela e pude que ver continha o sorriso nos lábios.
– Eu quero. – a loira sorriu.
– Antônia. – Disse Stefan. – Ela é sua solução, Klaus. Antônia pode criar híbridos sem o sangue de uma duplicata.
Eu precisava apenas de sangue, nada mais. As palavras deles ficavam distantes e minha mente ficava em branco.
POV NEUTRO
Enquanto Klaus e Stefan discutiam acirrados sobre Antônia, e Caroline continuava a dizer que lhe daria uma chance se a cura ficasse com Sophia, Damon notou que a causadora da conversa não estava atrás deles onde deveria estar.
– Merda! – falou Damon indo até seu banheiro.
– Que foi? – Perguntou Stefan e ele voltou apressado.
– Sophia fugiu.
– Por que ele faria isso? — perguntou Caroline.
– Porque ela foi mordida por um híbrido, ela está alucinando e quer sangue. – Damon já não sabia o que fazer. Não sabia se pegava o carro, se ia correndo. Sabia que Stefan estava muito fraco ainda para ajudá-lo. – Vocês ficam caso ela volte. Eu vou atrás dela.
Damon não deu tempo para questionamentos e saiu em disparada pela porta.
POV SOPHIA
Eu não aguentava mais, precisava de sangue, precisava fazer aquela dor terrível parar. A luz do fim da tarde irritava meus olhos, minha ferida coçava e doía demais. Ataquei o primeiro pescoço que achei: uma menina de no máximo 16 anos, que berrava em minhas mãos, mas eu não via nada, via apenas borrões, ouvia apenas sons excitantes, me instigando a continuar.
E então eu estava em casa.
Em 1864.
Um vulto passou por trás de mim e logo Elena – sim, Elena e não Katherine – apareceu a minha frente. Estava em um vestido branco, com uma aliança dourada no dedo.
– Não sabe da novidade? Damon e eu nos casamos. – disse sorridente.
– Eu te odeio, Elena.
Não pensei duas vezes antes de voar em seu pescoço, mas ela conseguiu me arremessar contra uma parede. Quebrei a perna de uma mesa ao meu lado e corri em direção a ela, mas Elena foi mais rápida, me virando de costas, jogando longe a estaca e me prendendo pelo pescoço, por trás.
– Ei, sou eu. Katherine. E eu ainda não quero matar você.
Então as coisa ficaram claras. Eu ainda estava na floresta, havia uma garota morta no chão e o galho de uma arvore perto de nós.
– O que está...? – Katherine me soltou e me olhou. – É você...
– Pensou que fosse quem? Elena? Ah por favor. Sou muito mais bonita que ela.
– Sophia! – Era Damon.
E novamente as lembranças de 64 tomaram minha mente. Damon e Katherine se beijando na farmácia, meu pai me batendo por causa de Damon, ele morrendo. Eu morrendo.
Pude sentir a dor da bala perfurando novamente meu peito.
– É tudo culpa sua. Culpa sua, seu filho da mãe! – avancei contra Damon sem saber o quão fraca estava.
Ele apenas me segurou em seus braços, enquanto eu tentava me soltar, me debatendo em seus braços.
– Ela vai morrer, você sabe disso. – falou Katherine.
– Culpa sua, Damon Tudo isso é culpa sua. – eu continuava sussurrando, e ele continuava me abraçando.
– Eu sei. Eu sei que sou o culpado, agora me deixe cuidar de você. – sussurrou em meu ouvido.
– Linda cena – falou Katherine. – Mas preciso de uma informação. Onde está Antônia?
– Deixa minha irmã em paz! – gritei. — Minha doce e indefesa irmã.
– É, está com fortes alucinações. De doce ela não tem nada. – falou Katherine. – Se cuida, garota.
POV NEUTRO
Damon precisou usar muito de sua força para conter Sophia em seus braços até que chegassem em casa.
Sophia vomitou todo o sangue que bebera da garota e começou a ficar cada vez mais pálida.
Ao chegar, Damon a colocou no chão e quando achou que ela ficaria ao seu lado, Sophia usou o resto das forças que tinha para ir até Stefan e abraça-lo.
– Você vai ficar bem, eu prometo. – disse Stefan abraçando ela, enquanto Damon subia lentamente as escadas.
Damon foi para seu quarto e procurou por uma camisa sua para vestir Sophia, mas ao chegar ao antigo quarto dela, viu-a vestida com seu robe preto, deitada na cama. Stefan estava ao seu lado.
Damon queria poder abraça-la e protege-la assim como seu irmão estava fazendo, mas viu que ela se sentia bem ao lado dele.
Ligou para Alaric trezentas vezes, queria que a cura chegasse logo, queria Sophia viva. Mesmo que humana.
Ouviu de seu quarto os gritos de dor dela e apenas fechou os olhos, tentando não sentir a dor por ela. Já havia sido mordido, e sabia o que vinha depois das alucinações.
A morte.
E o processo estava mais rápido com Sophia, as bruxas também conspiravam contra ela.
POV Sophia
Mais um dia se passou. Agora eu tinha noção de tempo e isso estava tornando as coisas mais torturantes.
Ainda deitada na minha antiga cama, apenas com a cabeça para fora do colchão, vomitei cada gota de sangue que havia bebido, minha cabeça parecia que ia explodir e mesmo eu parecendo um monstro, Stefan continuou ao meu lado.
– Quer mais sangue? – perguntou me sentando melhor na cama, me alcançando um pano para eu limpar minha boca e um copo d’água.
– Quero que pare de doer, Stefan. – falei com a voz trêmula ele me abraçou.
– Alaric está chegando com a cura, não se preocupe. Você ficará bem – acalmou-me ele, passando suas mãos em meus braços.
– Não quero a cura. Quero que faça parar de doer, quero que enfie uma estaca no meu...
– Nem termine a frase, por favor. Isso não vai acontecer.
– Se esse for meu ultimo momento com você, quero te pedir uma coisa. – me aconcheguei em seus braços.
– Peça. Qualquer coisa que não seja matar você.
– Quero que esqueça Elena, Antônia e tudo mais. Quero que pegue seu irmão e Alaric e os arraste para fora dessa maldita cidade. Não deixe mais ninguém entre vocês, Stefan.
– Damon jamais deixaria Elena aqui.
– Prometa! – gritei e mesmo assim saiu baixo.
– Prometo tentar.
Stefan se afastou um pouco de mim e acariciou meu rosto. Ele sabia que não teríamos tempo de esperar a cura. Levemente seu rosto se aproximou do meu e apenas fechei meus olhos, esperando que seus lábios tocassem os meus. Foi um beijo leve, sem língua, mas pude perceber que estava mais triste que eu. Passei a mão em seu rosto e senti algo molhado. Estava chorando.
– Vou buscar mais sangue – disse ele, mas eu sabia que era um adeus.
– Tchau, Stefan.
– Não... Não se despeça. – sorriu melancolicamente me deixando sentada na cama.
Mais um tremor começou em meu estômago e minha cabeça latejou com mais força. Logo estava eu com a cabeça para fora da cama, vomitando tudo que – não – podia.
– Hey, hey. Você vai cair. – Damon apareceu na porta, indo até mim e me ajudando a sentar melhor.
POV DAMON
Stefan desceu as escadas com os olhos avermelhados, me olhou melancólico e falou:
– Ela não vai aguentar esperar por muito mais tempo. Acho melhor se despedir enquanto há chances.
Eu não queria aceitar a grande probabilidade dela morrer, queria acreditar que amanhã ela ainda estaria lá, viva.
Sorri em agradecimento ao meu irmão e subi rapidamente para o quarto. Lá estava ela, mais pálida que uma folha de caderno, mas frágil que a pétala de um flor.
Sentei-me na cama e ela aninhou suas costas em meu peito. Consegui ouvir e sentir sua difícil respiração e a febre que tomava todo seu corpo. Suava feito alguém que tivesse corrido a San Silvestre.
– Você precisa aguentar mais um pouco, Sophia. Só um pouco.
– Não aguento mais, Damon. Tenho feito um grande esforço para continuar respirando. – Jogou sua cabeça contra meu corpo e senti o suor em seu cabelo. – Só quero que essa dor pare, Damon. Me ajuda. – segurou minha mão.
– Como? – sussurrei.
– Me mata. Por favor. Eu sou covarde demais pra fazer sozinha.
– Eu sou mais covarde ainda, porque eu jamais faria isso.
Ficamos por um breve momento em silencio, eu apenas ouvia sua difícil respiração. Ela vomitou de novo e quase desmaiou, mas eu a mantive acordada. Limpei o suor de sua testa e ela sorriu. Fraca, mas sorriu.
– Salvatore. – abriu os olhos. – Do italiano Salvação. Salvador. – passou a mão em meu rosto. – Tu sei il mio Salvatore.
Aqueles atrevidos olhos verdes...
Senti como se fosse a última vez que os veria e meu coração doeu, doeu como se uma estaca estivesse sendo enfiada nele.
– E tu sei la mia vita. – acariciei seu rosto. – Eu amo você.
– Eu sei. Mas isso não muda o fato de que...
– Shiiu. – a interrompi e senti minha visão embaçada pelas lágrimas que chegavam. – Não precisamos falar disso agora. Quando você estiver bem, a gente conversa.
– Só existe o agora, Damon. Não tem um amanhã pra mim.
Neguei com a cabeça e a puxei para mim, beijando-a com cuidado, depois abraçando-a firme, como se assim ela não pudesse morrer.
– Não vou perder você, tá ouvindo?
– Ahhh! – ela gritou, se afastando de mim.
– O que foi? – perguntei.
– Tá doendo, Damon. Faz parar! – ela chorava e eu começava a ficar apavorado.
– Aonde dói? Sophia, você precisa se acalmar!
– Ahh! – ela se contorcia deitada na cama e eu não sabia como amenizar a dor. – Faz parar! Faz parar! – ela já implorava e as lágrimas eram abundantes tanto nos olhos dela quanto nos meus.
Levantei apavorado da cama e quebrei a perna de uma mesinha.
– Por favor.
– Eu não consigo.
Ela usou a velocidade de vampiro – acredito que a força tenha vindo da dor – e me empurrou contra a parede, mordendo bruscamente meu pescoço.
Stefan entrou no quarto e Sophia se afastou de mim, indo para ele e quebrando seu pescoço. Depois caiu de joelhos no chão, ainda gritando de dor.
Enquanto o sangue escorria do meu pescoço me aproximei dela e a levantei.
– Me mata, eu não aguen.. Ahh! – ela chorava, levando a mão à barriga.
Quando vi seu ferimento cobrindo toda a região das costas, vi que havia um musgo verde, sangue e algo que parecia fervilhar.
Peguei ela no colo e deixei que bebesse o quanto quisesse do meu sangue. Mas logo ela foi ficando fraca e não conseguia gritar ou sugar meu sangue. Seus olhos foram fechando mas sua respiração ainda era visível.
– Não. Não, você não pode morrer, Sophia. Não.
Então ouvi um baque na porta, uma respiração alterada. Era Alaric.
– Nunca fiquei tão feliz por vê-la. Me dá a cura, vamos! – Ric atirou o frasco e despejei todo conteúdo na boca de Sophia.
– Está feito. – falou Ric.
Stefan estava tomando a consciência no chão e quando me olhou soube o que tinha acontecido.
Sophia poderia até me odiar quando acordasse, mas eu a mantive viva.
E só isso importa agora.
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