Love And Hate - Season 2
14 Hello, Sister.
Notas iniciais
POV SOPHIA
Quando meus olhos abriram dolorosamente, a claridade da lâmpada queimou minhas retinas.
– Bom dia, Branca de Neve!
– Acho que você errou o conto de fadas. É Bela Adormecida que se fala – resmunguei sem encarar a dona da voz.
Quando ergui os olhos dei de cara com Stefan pendurado pelas mãos, com cordas grossas e pelas visíveis feridas, eu diria que a corda tinha sido embebida em verbena.
– Stefan! – tentei levantar e então percebi que estava amarrada com correntes de ferro em uma cadeira.
– Eu estou bem – disse ele com uma voz fraca.
– Não, não está. O que fizeram com você?
– Nada que não tenhamos feito com sua mãe – disse a mulher loira da noite passada.
– Quem é você? Por que disse que era minha meia irmã?
– Seu pai teve uma filha com uma vadia qualquer, e parece que agora ela veio buscar a pensão – disse minha mãe e só então a notei à minha esquerda, também amarrada e com o rosto surrado.
– Eu sinto muito – falei a encarando e ela apenas sorriu.
– Até que enfim pegaram ela – vi Hayley entrando pela porta, sendo seguida por...
– Cassandra? – falei me surpreendendo. – Pegaram você também?
– Ah, por favor, Sophia. Eu estava com elas o tempo todo, desde que minha mãe morreu por ajudar você. Ela morreu porque usou toda força que tinha. – a menina ficou parada em minha frente, me encarando com ódio no olhar. – Quando ela morreu, eu jurei que faria você pagar, e as bruxas estão do meu lado, estão me dando poder suficiente para fazer o que eu bem quiser.
– Sua vadiazinha – cantarolei. – Eu devia ter deixado você morrer afogada há 15 anos. – me virei para a loira. – Mas voltando ao assunto de família... Qual seu nome, bastarda? – eu podia perder a vida, mas não perdia o sarcasmo.
– Me chame de bastarda novamente e arranco o coração do senhor gostoso aqui – disse ela caminhando lentamente até Stefan e passando a mão sob o peito nu dele. – Me chamo Nathalia Benson. Por sua culpa não tenho o lindo sobrenome Engerhoff de nosso pai.
Nathalia Benson. Então quem era AE?
– O que a loba faz aqui? – resmunguei.
– Aparentemente todas aqui odiamos você e queremos que tenha uma morte lenta e dolorosa.
– Me ame menos, Hayley — respondi com o sarcasmo crescendo dentro de mim. — Quem diabos é AE?
– Saberá quando ela quiser que saiba.
– Soltem eles, eu estou aqui. É a mim que vocês querem – tentei mais uma vez.
Natalia riu e caminhou até Stefan, retirando um pequeno frasco do bolso. Lentamente ela abriu o frasco e segurou com força o maxilar de Stefan, o fazendo ingerir o líquido.
– A cada vez que você disser algo estúpido, Stefan irá beber uma quantidade maior de verbena. – logo ela apareceu em minha frente, apoiando as mãos nos braços da cadeira, me fazendo recuar o dorso. – Então sugiro que cale a boca.
– Quem você pensa que é pra me mandar calar a boca, sua bastarda de merda? – soletrei as palavras, depois cuspindo em seu rosto.
Natalia depositou toda sua força no soco que deu em meu rosto.
– Nosso pai negou me registrar, me aceitar como filha porque teria de se casar com uma mulher que não amava. – ela olhou para minha mãe – E durante os meus sete primeiros anos de vida eu tive um pai parcialmente presente. Mas então você nasceu. – ela se afastou e pegou uma face de cima de uma estante velha. – Então as visitas dele à mim e à minha mãe aconteciam apenas uma vez por ano.
No mesmo momento eu assimilei as histórias.
– As viagens ao Tennesse. Claro, agora faz sentido.
– Richard sempre foi um filho da puta, isso não me surpreende.
– E você sempre foi uma vadia, então cale a boca – falou Natalia rispidamente interrompendo minha mãe.
– Por Deus, eu juro que quando eu sair dessa cadeira, eu vou arrancar seu cérebro com as unhas, pela sua garganta. – falei a ela. – Vi isso em The Walking Dead e estou louca para testar – olhei no fundo dos olhos cinzentos dela.
– Se você sair daí... – ela caminhou até mim, fincando a faca em meu ombro, me fazendo gritar de dor. – Vamos, meninas. Temos que organizar o resto das coisas e encontrar mais lobos.
As três deixaram o quartinho do pânico em passadas largas. Natalia era uma espécie de pau-mandado da tal AE.
– Me desculpem por estarem passando por isso...
– Não é sua culpa, Sophia – falou Stefan, com os lábios feridos.
– É claro que é. Eu jamais devia ter voltado para essa cidade. Agora meu passado está me perseguindo.
– O passado persegue a todos, minha filha. – Minha mãe não tinha mais forças para falar, sua roupa estava completamente suja de sangue. – Apenas lute contra ele.
– Mãe, aguenta. Eu vou tirar você daqui, David deve estar vindo atrás da gente, ele...
– David está com elas – falou Stefan.
– O que? Não, não pode.
– É verdade – falou minha mãe.
– Seja lá quem for que está criando os novos híbridos, criou David, e o vinculo de criador com hibrido continua valendo. – explicou Stefan. – Mas acredite, ele não queria. E enquanto me prendia aqui, ele pediu desculpas.
David era um cara bom, não merecia nada disso em sua vida.
– É verdade que você foi mordido? – perguntei.
– Sim. Não faz ideia do quanto está doendo. – Stefan estava com a boca em feridas por causa da verbena e logo começaria a alucinar por causa da mordida.
– Não tem ninguém par dar a nossa falta. Damon, Elena, Ric... Estão todos em viagem. – analisei. – Espero que Klaus sinta falta da minha companhia.
As horas se passaram e minha fome aumentava tanto quanto minha tontura. Eu podia sentir meus dentes sensíveis. Pelas minhas contas eu tinha mais dois dias de vida, isso se eu me alimentasse corretamente – uma dúzia de humanos por dia.
Stefan estava mal devido a mordida e minha mãe eu já nem sabia se estava viva mais. E enquanto tudo isso acontecia, o que eu pensava era que morreria brigada com Damon, sendo que a ultima coisa que eu disse para ela foi “vá pro inferno com seu amor”. E Stefan morreria comigo. Stefan, o bom samaritano, o cara legal, o mocinho. O cara que não merece morrer.
Então a porta se abriu e uma luz entrou no cômodo escuro, abafado e com cheiro de mofo. O som de saltos agulha batendo contra o chão me fizeram tremer. Quando a luz ascendeu, eu não queria crer no que via em minha frente.
Uma mulher linda, cabelos dourados e com cachos naturais, um sorriso doce, um rosto angelical e olhos intimidadores, da mesma tonalidade dos de Klaus. A mesma pose arrogante de Klaus.
– Não pode ser... – sussurrei e ela sorriu.
– Olá, irmã.
– Antônia?
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