Love And Hate - Season 2
4 Greece
Notas iniciais
POV Sophia
Eu já estava com tudo pronto para viajar, mas minha mãe clamava para que eu ficasse. Dizia ter um mau pressentimento. Nem mesmo isso seria capaz de fazer desistir do plano.
Pedi que Caroline me levasse até o aeroporto da cidade vizinha com meu carro, e lá pude explicar as coisas para ela.
– Car, eu quero que me prometa uma coisa.
– Se você me contar porque está indo para a Grécia, talvez eu prometa.
– Eu não posso. Mas quando eu voltar, juro que te conto com extremos detalhes tudo. Te explico tudo. – seguro as mãos dela. – Só prometa que permitirá que Klaus cuide de você.
– Quê? Não!
– Caroline, eu não vou estar aqui, Tyler está morto e Stefan está preocupado demais com a Elena, assim como a Bonnie. Niklaus pode ser um monstro, mas o que ele sente por você tem o modificado a cada dia que passa.
– Não, Sophia. Eu...
– Prometa que vai deixar ele proteger você! – a interrompo.
Ela olha nos fundos dos meus olhos, suspira e se dá por vencida.
– Ok. Eu vou deixar ele me proteger. E vê se não demora. – disse ela me abraçando.
– São só alguns dias. Acho até que passarei mais tempo no avião do que na Grécia.
– Se cuida. – ela me aperta.
– Você também. Espero voltar logo e com boas notícias. E toma conta do meu carro.
Meu voo foi chamado e logo me separei da loira, que ficou me acompanhando com o olhar.
[...]
Ah, a Grécia! Um lugar maravilhosamente lindo! O céu limpo, as colinas, as casas brancas geralmente com portas e janelas azuis... O ar limpo.
Logo que cheguei à capital, me direcionei ao templo da deusa Atena. Era definitivamente um dos meus lugares favoritos em todo o mundo. O som do vento ‘correndo’ entre as paredes e colunas do Partenon me dava certa paz que Mystic Falls jamais daria. Era bom estar ali de novo.
Queria poder pedir ajuda à Atena, deus da sabedoria. No entanto, era como se Ares, deus da Guerra, sussurrasse em meu ouvido que tudo que eu deveria fazer era acabar com Elena de uma vez por todas.
Mas sempre que eu voltava àquela cidade isso acontecia: eu me deixava influenciar pelos deuses locais. Grécia parecia ser um sonho de tamanha perfeição visual e mitológica.
Mas sempre seria o azul do mar a minha cor favorita. Era um azul puro, calmo, apaixonante. Era o mesmo tom de azul que eu encontrava nos olhos do Damon. O mesmo tom intimidador, provocante, cativante. Minha vontade era mergulhar de cabeça e nunca mais voltar.
– Eu vou te trazer de volta, Damon. Eu prometo – falei observando o céu anil e completamente limpo.
Sentei-me nas escadas do Partenon e abri meu diário.
“Olá, Diário. Tem um tempo que não escrevo aqui, não é? Bem, digamos não há tempo para nada quando se está em Mystic Falls.
Mas depois de tudo que aconteceu, eu estou livre. Porém me sinto completamente presa ao meu passado, completamente amarrada aos meus sentimentos. Estar livre deveria ser algo bom.
No entanto essa mesma liberdade acaba nos amarrando a uma intensa e incessante necessidade de ter antigas sensações, gozar de prazeres que antes nos eram rotineiros. Quando menos percebemos, já estamos novamente atando o nó do nosso barco em algum outro cais.
Damon sempre será meu cais.
E é á ele que estou e sempre estarei presa.”
[...]
Levei quase o primeiro dia inteiro para encontrar Janine. Segundo informações de um vendedor, ela ainda morava no mesmo lugar de quinze anos atrás.
Ao chegar lá, bati três vezes na porta azul marinho e o silêncio era absoluto. Como boa bruxa que se dizia ser, ela deve ter posto algum feitiço na casa que me impedia de ouvir além da porta.
Na quarta batida, uma menina de no máximo sete anos apareceu.
– Ahn... Oi. – falei a olhando. – Eu...
– Minha mãe está esperando você – ela disse me interrompendo. – Entre – ele segurou minha mão e me levou até a sala de estar.
– Sophia Engerhoff.
– Janine. – sorrio para ela.
– Achei que nunca cobraria o favor.
– Achei que nunca precisaria. – respondi. – Como sabia que eu viria?
– Sonhei com um homem morrendo nos seus braços, e relances de você dizendo a uma mulher que pretendia trazê-lo de volta. – ela disse me fitando calma.
– Vai me ajudar?
– Eu farei o possível, mas quero que saiba que nunca nem sequer tentei trazer alguém de volta à vida. – ela disse um pouco preocupada.
– Mas sabe como fazer?
– Andei estudando os grimórios das minhas ancestrais antes de você chegar.
– Obrigada.
– Você salvou minha filha, é o mínimo que posso fazer – ela cruza os braços, sorrindo amigável. – Aliás, está é Amélia, minha filha mais nova e Cassandra, quem você salvou, não está aqui. Ela saiu com as amigas.
– Ah, claro. – me aproximo dela. – Mas Janine, preciso fazer esse feitiço logo. Eu não aguento mais esperar.
– Eu sei. Seu amor parece não caber dentro do seu peito, e é visível que está desesperada para trazê-lo de volta. Mas para isso, precisaremos de duas coisas essências: o corpo dele e a sua força.
– Minha força? – indago curiosa.
– Sim. O feitiço que encontrei é extremamente antigo e já foi feito por minha tataravó. Eu vou usar a sua força, a sua vontade de tê-lo vivo para realizar o feitiço. Vou usar o amor que sente por ele. Se for puro e recíproco, dará certo. Mas...
– Eu topo.
– Me deixe terminar, menina. Isso pode te levar à morte.
– Eu não me importo. – respondo de prontidão.
– Minha ancestral morreu ao tentar ressuscitar um de seus filhos.
– Mas ela conseguiu?
– Ele ainda está vivo. Tem 93 anos, mas ainda vive.
– Você sabe que eu não sou humana. Tenho o dobro de força, talvez até mais.
– Sim, eu sei. Eu vi o que você foi capaz de fazer ao salvar Cassandra. – diz ela.
– Damon voltará humano ou...
– Vampiro. Ele morreu assim, assim ele retornará.
– Ótimo. Se possível, quero ir amanhã mesmo.
– Por mim tudo bem. Mas minhas filhas irão junto.
– Eu compro as passagens – sorrio. – Muita obrigada. Você é a minha única esperança.
– Tentarei ao máximo lhe ajudar.
Sai da casa de Janine com minhas esperanças triplicadas e com uma sensação eufórica ao saber que poderia voltar a ver o Damon, a tocar sua pele, a beijá-lo.
Passei a noite em claro sentada na janela da minha antiga casa. Era um ligar realmente simples, onde vivi solitários 22 anos da minha vida – não que eu tenha ficado ali por todo esse tempo, mas era sempre pra lá que eu voltava. Não era muito diferente das outras, era branca, não muito grande, com muitas janelas e de frente para o mar. Hipnotizei alguns dos meus antigos vizinhos quando fui embora da primeira vez, assim não lembrariam quem eu era quando voltasse. Quer dizer, se ainda estivessem vivos depois de tanto tempo.
A lua cheia brilhava forte no céu e parecia tão próxima da minha janela. Olhei paras as estrelas e me lembrei de um dos momentos mais românticos que tive com Damon.
Era uma noite calma de céu limpo e estrelado. Era mais uma das tantas noites em que precisei fugir para encontrar Damon num canto recluso do meu quintal. Eu estava sentada em um banco, com minhas costas contra o peito de Damon, que me envolvia com os braços, tendo nossos dedos entrelaçados. Não precisávamos ficar o tempo todo nos beijando ou acariciando: momentos silenciosos e aconchegantes eram tão bons quanto momentos quentes.
Estar com Damon já era a melhor coisa do mundo para mim.
Ambos encarávamos o céu negro pontilhado de pingos brilhantes e imóveis.
– As estrelas só vão apagar se o que sentimos um dia acabar – Disse Damon ao pé do meu ouvido, me fazendo sentir a pessoa mais especial de todo o mundo.
Aquela noite foi, sem dúvida, uma das melhores da minha vida.
Tratei de esquecer aquela lembrança antes que chorasse outra vez. Arrumei minhas coisas e quando o dia raiou, passei na casa de Janine para, como o combinado, irmos ao aeroporto.
– Quando chegarmos à Mystic Falls, bebam isso – entreguei a cada uma delas um frasco com verbena. – Vai lhes ajudar contra vampiros. Mesmo que sejam bruxas...
– Eu sei. – interrompeu-me Cassandra. – Os vampiros Originais estarão lá.
– Claro. Você e sua irmã também são bruxas – reviro os olhos por tamanha obviedade que só então eu percebera.
– Sim, mas Amélia só desenvolverá isso depois dos 15 anos. Assim como toda mulher da nossa família. – explicou a matriarca.
Janine devia ter uns 42 anos, mas estava enxuta. Não tinha rugas, estava esbelta, bem conservada. Os olhos azuis destacavam-se no rosto redondo e claro, emoldurado por fios castanho escuro. Amélia se parecia muito com ela, a não ser pelo rosto em formato de coração.
Pelos meus cálculos, Cassandra tinha 17 anos. Tinha cabelos extremamente negros, orbes azuladas com nuances verdes, a pele bronzeada e um rosto inocente. Faria sucesso com os homens de Mystic Falls.
A vigem foi tranquila, embora eu precisasse me conter. Queria trazê-lo de volta. Me sentia tão sozinha, inquieta. Com medo, até.
– Calma, vai dar tudo certo. – Disse Janine segurando minha mão no avião.
– Assim espero.
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