#Love
4 Amor impossível
Será que o Bruno gosta de mim como a Duda disse? Duvido muito. Se bem que a intuição da Duda é ótima.
Conheço a Duda a 2 anos, mas só no último que nos aproximamos de fato. Ela se tornou uma pessoa muito importante pra mim, me ajuda e me faz rir muito. Com ela eu consigo falar de tudo sem sentir vergonha e nem receio. Espero que eu seja uma boa amiga para ela como ela é para mim. Bom, uma coisa boa eu acho que fiz, eu apresentei a Jéssica para ela e hoje elas namoram. Elas são muito fofas juntas!
— Bom, eu não acho que o Bruno goste de mim — eu disse por fim — Mas se vocês insistem tanto nessa possibilidade, se iludam sozinhas. Eu preciso trocar de roupa, estou de pijama ainda, e você também né Eduarda! — a Duda tinha posado aqui.
— Verdade! — ela disse se dirigindo ao quarto junto comigo — e eu tenho que te contar uma coisa.
— Já to com medo do que você vai me dizer — sempre que a Duda me diz que tem algo para contar, esse "algo" não é nada simples.
Entramos no meu quarto cor de rosa (sim, meu quarto é cor de rosa, me julgue o quanto quiser, não me importo), trocamos de roupa e nos sentamos na cama.
— Desembuche o mal que lhe aflige, minha nobre sudita do país da... — ela me interrompeu.
— Para de falar merda, por favor — ela riu
— Então me conta! O que aconteceu?
Ela estava aflita, e para ela ficar assim era de fato algo importante.
— Conhece o Fernando? — ela me perguntou.
Fernando era o amigo de infância dela, vi ele umas 2 vezes no máximo. Nunca conversamos, só vi ele de costas, mas pelo que a Duda me fala dele, ele parece ser legal.
— Conheço sim, prossiga.
— Eu cheguei a conclusão que estou apaixonada por ele...
— MAS O QUÊ? — se eu estivesse com água na boca eu tinha cuspido ela no mesmo instante — E a Jéssica? Duda, você não era lésbica?
— Era, ainda sou, não sei! Eu estou confusa. Mas eu ainda amo a Jéssica, só que o Fernando mexe comigo de um jeito que eu não sei explicar.
— Okay... É muita informação — enrolei meu cabelo para trás, isso faz eu pensar melhor — a Jéssica sabe?
— Ainda não, tenho medo da reação dela — ela disse isso e começou a roer as unhas.
— Primeiro: PARA DE ROER AS UNHAS, ELAS SÃO MELHORES QUE NAMORADOS! — ela me olhou com cara de tédio e tirou a mão da boca — segundo: você tem que pensar, medir as coisas. Você gosta mais da Jéssica ou do Fernando? Você consegue se imaginar mais com qual? O que seu coração te diz?
— Eu tenho que terminar com a Jéssica... — quando a Duda disse isso a campainha tocou. O Bruno tinha chegado.
— Está bem, mas vê bem como fazer isso, ela te ama muito — eu disse isso levantando da cama.
A Duda abriu a porta do quarto e fechou o mais rápido que pode e com uma cara assustada, como se tivesse visto um fantasma ou algo do tipo.
— Você está louca? O que você viu? — perguntei e espiei por uma fresta da porta. O Bruno trouxe um amigo dele junto, eu conhecia ele, mas não me lembrava o nome dele.
— Esse é o Fernando!
Na semana anterior...
Corri para casa o mais rápido que pude. Não acredito que o Bruno e o Lucas são amigos. Eu não quero nenhum tipo de contato nem com o Lucas e nem com quem me lembre ele.
Cheguei na frente de casa e lembrei que estava sem a chave. Gritei para minha mãe abrir o portão mas ninguém respondeu. Olhei em volta e vi que as janelas estavam fechadas, ela saiu de casa... Que maravilha. O que me resta é ir para a casa da Duda.
Me virei para seguir em direção a casa da Duda quando a maldita Lamborghini roxa buzina atrás de mim, mas continuo caminhando como se não estivesse vendo nada.
— Mona, o que foi aquilo? Eu posso te chamar assim, né? Ai, esquece! Eu não to entendendo nada! Entra nesse carro e me explica! — parei de andar, já não conseguia mais controlar as lágrimas.
Apenas sentei no cordão da calçada e comecei a chorar. O Bruno saiu do carro e ficou olhando aquela cena, ele não estava entendendo nada, mas se abaixou na minba frente e me deu um abraço apertado.
— O que aquele babaca fez...? — ele cochichou no meu ouvido — Me fala, eu quebro ele com socos — não consegui dizer nada, apenas abracei ele mais forte — ele sentou na mesa e disse que me viu com você. Ele começou a me chantagear, falou que se eu não me afastasse de você eu iria morrer. Eu juro Mona, eu nunca vi esse cara na minha vida.
Sai do abraço e olhei no fundo dos olhos dele, ele estava sendo sincero.
— Prefiro não falar sobre isso... — eu disse por fim — só saiba que ele partiu meu coração de um jeito que ninguém nunca conseguiu.
— Eu estava certo... Esse cara é um babaca. Afinal, se eu tivesse a honra de ter o coração da menina do vestido vermelho florido que dança Cyndi Lauper como ninguém, eu jamais iria quebra-lo. Pois esse coração seria o bem mais valioso que eu teria!
Ele enxugou minhas lágrimas e colocou uma mecha do meu cabelo para trás da minha orelha, ele começou a se aproximar de mim lentamente, estava começando a sentir sua respiração mais próxima da minha boca quando ele se afastou rapidamente quando ouviu a buzina de um carro atrás dele.
— Eai, meu bruxo! — disse o cara que estava dentro do carro — Quem é essa mina, ai?
— É só uma amiga, Fernando! — o Bruno disse e começou a corar na mesma hora.
— To vendo... — ele soltou um sorriso malicioso — bora tomar uma, ali no bar?
— Melhor não... — O Fernando interrompeu ele.
— Não tem desculpa! Se a japa quiser ir junto ta super convidada
— Ela é metade coreana! — o Bruno disse isso e olhou para mim — O que você acha? Quer ir?
— Eu vou aonde você for, meu bruxo! — eu disse brincando com o jeito que o garoto chamou ele — mas sério, eu to sem a chave de casa, minhas opções são: ir para a casa de uma amiga, ficar sentada na calçada ou ir com você.
— Está bem... Vamos para o bar, então! — o Bruno disse por fim e o Fernando ficou aparentemente feliz.
— Partiu meu Bruxo! Entra no teu carrinho ai e me segue! — carrinho... Se isso é carrinho, o que sobra para o carro do meu pai? É uma carroça se for comparar.
Entramos no carro e não mencionamos nada sobre nosso quase beijo. Eu sabia que isso era errado, e ele também! Nos conhecemos ontem por um acaso do destino, onde ele me atropelou em cheio. Acho errado beijar alguém que mal conheço, sei que muitas pessoas acham isso brega, mas eu tenho meus princípios e opiniões e eles não mudarão tão fácil assim.
Chegamos no bar sem pronunciar uma palavra se quer.
— Vou no banheiro — o Bruno disse — já volto! Vê se não mata a garota, né!
— Pode deixar, Bruxo! — ele se virou para o garçom e pediu a bebida mais forte que tivessem.
— Você está bem? — eu perguntei — acho que alguém que pede algo tão forte não pode estar bem.
— Na sinceridade? Eu to péssimo! — ele olhou no fundo dos meus olhos — eu sou apaixonado pela filha da amiga da minha mãe. Nos conhecemos desde pequenos, ela é maravilhosa! A melhor pessoa que eu conheço. Sou apaixonado por ela desde moleque! Porém o destino me sacaneou — ele olhou para a bebida que o garçom tinha acabado de largar na mesa — ela é lésbica e namora com outra mina... Nosso amor é impossível! — ele concluiu e virou de uma vez só a bebida.
— Ei, espere! Nada é impossível. Eu acredito que quando você deseja muito algo essa coisa se torna realidade. Sei que é muito difícil ela deixar de ser lésbica, mas crer não é proibido, não é mesmo? — ele me olhou com lágrimas nos olhos — e quem sabe você não encontra outra garota por ai, disposta a te amar como você deve ser amado? O destino nos prega peças, mas as vezes trás a solução também.
— Você é maneira, garota! Me lembre de quando eu estiver com algum problema te procurar para mais conselhos.
— Estarei aqui se precisar!
O Bruno voltou do banheiro.
— Mona, o seu pai me ligou. Ele já está em casa e me pediu para te levar — ele disse guardando o celular no bolso.
— Então, vamos! — me despedi do Fernando e fui com o Bruno até o carro.
Chegamos na frente da minha casa. Viemos durante todo o caminho sem dizer uma palavra.
— Nos vemos por ai, Cyndi Lauper! — ele disse com um sorriso meio triste no rosto — gostei muito de ter te conhecido. Apesar de ter me ameaçado quando nos falamos pela primeira vez, você até que é legal — ele soltou uma risada.
— Foi bom te conhecer também, cara que quase me matou! Porém eu tenho que ir! — dei um beijo em sua bochecha e sai do carro. Estava andando em direção a minha casa quando, em um momento de súbita loucura, fui até a janela do carro.
— Preciso do seu número de telefone — eu disse isso tão repentinamente que precisava acresentar algo para não ficar estranho — eu tenho que te devolver o vestido, lembra?
— Eu já disse, o vestido é seu! — ele disse isso e apertou meu nariz de leve — mas anota seu número aqui na minha mão, te mando uma mensagem assim que der, quero te ver de novo, preciso saber se você passou no teste, mesmo já sabendo que vai. Você é uma ótima cantora, Cyndi Lauper!
Anotei meu número, nos despedimos e finalmente entrei em casa.
Gostei dele, o Bruno é uma ótima pessoa, mas acho que não vamos nos ver tão cedo... Ele pegou meu número só por educação.
Nos dias atuais...
Num ato de coragem abrimos a porta. Dei um abraço forte no Bruno e no Fernando.
— Essa é a Eduarda, uma amiga minha — eu disse por fim.
— Eu conheço muito bem ela... — o Fernando disse, com os olhos fixados nos olhos da Duda.
Fale com o autor