#Love

5 A Song For You (Uma Música para Você)


A Duda e o Fernando ficaram se olhando por um tempo deixando um silêncio constrangedor, fazendo com que a Duda começasse a ficar vermelha e isso não é nada bom, se isso continuasse a Duda iria começar a ter crises de ansiedade (não queiram saber como é a crise de ansiedade da Duda, é horrível).
— Que bacana que vocês já se conhecem! — eu disse para quebrar o gelo — de onde vocês se conhecem, Fernando?
— Ah... — ele acordou da ligeira hipnose que aconteceu — somos amigos de infância, a Duda é filha da amiga da minha mãe.
— Nossa! Que coincidência! — eu não sabia mais o que falar.
O Bruno notou que o clima estava um tanto quanto estranho e que eu estava ficando nervosa.
— Hãm... Ramona! — ele disse isso quase como um grito — Vamos lá na cozinha abrir a garrafa de champanhe?
— Claro! — fui para a cozinha, mas meu coração ficou na sala preocupado com a Duda.
Entramos na cozinha e o Bruno largou a garrafa em cima da mesa, e minha mãe apressada como sempre, pegou a garrafa e foi estourar lá no pátio (ela não consegue abrir uma champanhe se não for em grande estilo).
— Por que o clima lá na sala está estranho? — o Bruno disse por fim.
— Pergunta para o Fernando... É uma longa história, e eu acho que pode ter um final feliz, ou não...
— Não entendi direito... Mas, ok. Te mando uma mensagem quando o Fernando me contar.
— Ah, então essa mensagem vai demorar muito para chegar!

Na semana anterior...

Entrei em casa e vi todos os vasos de flores quebrados, então ai eu lembrei, eu tenho pais separados...
Todos aqueles vasos meu pai que deu para a minha mãe, sempre que ele dava flores à ela o vaso vinha junto. Pelo visto as coisas não foram amigáveis...
Procurei minha mãe em todas as partes da casa e não encontrei ela, porém, encontrei meu pai no quarto.
— Pai? Onde a mãe está? — ele me olhou e eu pude ver as lágrimas caindo de seu rosto.
— Eu cheguei para pegar minhas roupas e discos do The Beatles e do Elvis Presley, começamos a conversar e ela falava sobre o passado, a relembrar nossa história em uma tentativa falha de me fazer voltar a ama-la, mas... Eu não consigo, não do jeito que ela quer, eu amo ela como amiga agora, mas ela não entende isso... — ele respirou fundo para conter as lágrimas novas que estavam vindo — eu vim aqui para o quarto organizar minhas coisas e ouvi um barulho de vidro sendo quebrado, ela começou a gritar que me odiava e bateu a porta, quando fui pra sala, ela já tinha ido embora — ele sentou na cama e não segurou mais as lágrimas.
Dei um abraço forte nele. Ficamos por uns minutos assim, até ele se acalmar.
— Eu vou atrás dela! — eu disse — só vou tirar esse vestido sujo e vou.
Fui para o meu quarto. Coloquei um short e uma camisa qualquer, peguei minhas chaves e fui atrás dela.
Fui na padaria aqui da rua, onde ela tem algumas amigas, ela não estava lá. Fui na casa da Regina, uma amiga dela da academia e também não estava lá, fui nas praças, restaurantes, pousadas, fui em todos os lugares aqui perto de casa, e não achei ela. Ela não pode ter ido longe, a questão é: onde, raios, aqui perto ela se meteu?
Dai eu lembrei, como um estalo, em que lugar eu iria se tivesse nessa situação? Para a casa do meu irmão, ou falaria com a minha mãe e nesse caso, meu tio morava no mesmo prédio da minha avó, era meio longe, mas com todo esse tempo que eu fiquei procurando, ela podia ter ido e voltado lá umas 3 vezes.
Fui correndo para lá, toquei o interfone umas 3 vezes, na quarta meu tio atendeu.
— Tio, abre o portão aqui!! — eu disse quase como um grito.
— Ok, ok. Espera!
Depois de uns minutos o portão abriu e eu entrei e subi as escadas correndo. Entrei no apartamento e vi minha mãe lá, comendo bolo abraçada na minha avó. Como eu não pude pensar que ela estava aqui antes?
Ela não me disse nada, apenas estendeu os braços na minha direção e me chamou para me juntar ao abraço, e assim ficamos por um longo tempo, eu, minha mãe e minha avó, abraçadas e meu tio trazendo bolos de todos os sabores. Ela não me falou nada sobre o ocorrido, apenas chorou no meu ombro que, apesar de pequeno, sempre vai ter espaço para consolo, carinho e algumas lágrimas.
Voltamos para casa e estava tudo arrumado, como se nada tivesse acontecido. Achei muito bom meu pai ter arrumado tudo, poupou o sofrimento da minha mãe.
— Filha, eu vou ficar no meu quarto, ok? — ela estava visivelmente muito cansada — talvez eu não desça amanhã.
— Tudo bem! Você tem todo o tempo do mundo.
Ela foi para o quarto e eu peguei meu violão, eu precisava me acalmar. Toquei "All My Lovin" do The Beatles. Eu amo demais essa música, fala sobre amor, um amor poderoso que faz você sentir falta da pessoa o tempo todo e sempre escrever de volta para casa para matar a saudade. É uma música linda.
Terminei a música e olhei no meu celular, não tinha nenhuma mensagem do Bruno, nem ligação, nem nada do tipo. Talvez amanhã as coisas mudem.
— Esperando mensagem de quem, heim? — pulei do sofá de susto, olhei para a porta e vi a Nathalia parada ali — da próxima vez tranca a porta, sua louca!
A Nath era minha prima por parte de pai, fazia meses que eu não via ela por aqui, ela tinha ido fazer um curso de nutrição nos Estados Unidos e não tinha data para voltar.
— Que susto que você me deu!! — dei um abraço nela — eu estava morrendo de saudade de você!
— E eu estava com saudade dessa voz potente que você tem! Eu ouvi você cantando All My Lovin, foi muito lindo!
— E é assim que eu viro um pimentão — ela riu da cara que vergonha que fiz
— Você vai ser a Beyoncé brasileira, anota isso! Sua voz é tão potente quanto a dela. Isso é lindo!
— Na verdade eu não vou ser a Beyoncé, eu vou ser a Ramona mesmo. Sei lá, não consigo me comparar com ninguém — vi que ela ficou meio sem graça então eu tentei concertar as coisas — quer que eu toque uma da Beyoncé para você?
— Com certeza!!
Cantei "Halo", uma das minhas músicas favoritas da Beyoncé.
— Isso foi lindo, Mona! — ela disse batendo palmas — e onde está a tua mãe? Fiquei sabendo do divórcio e vim tentar ajudar.
— Chegou tarde. Ela foi para o quarto e não sabe quando vai sair de lá, ela precisa de um tempo sozinha.
— Tudo bem então, vou indo lá, já está ficando tarde.
Me despedi dela e voltei correndo para o celular e não tinha absolutamente nada. Não sei por quê eu me importo com isso, mas eu simplesmente me importo, é difícil de explicar.

Três dias se passaram e nenhuma mensagem apareceu. Eu escovava os dentes com o celular, ia ao mercado com o celular, fazia tudo com ele e nada de mensagens. Simplesmente desisti, cheguei a conclusão que ele não gostava de mim.
Eu estava fazendo panquecas quando ouvi o refrão de "Burning Love" do Elvis Presley... MEU CELULAR! Atendi na mesma hora e ouvi a voz que eu estava esperando a 3 dias, era a voz do Bruno, mas ele não parecia bem.
— Mona... Eu posso falar com você? — ele aparentava estar chorando.
— Claro que pode!
— Então vem aqui fora... — ele desligou.
Ele estava aqui fora? Eu estou de pijama ainda... Já era, vou ter que ir assim mesmo.
Sai na rua e ele estava apoiado no carro e como eu tinha suspeitado, estava chorando. Quando ele me viu simplesmente me abraçou e ficamos ali por um tempo.
— Eu não consigo ficar melhor nem vendo você toda fofa de pijama... — ele deu uma risadinha desanimada.
— O que houve...? — ele se desvencilhou do abraço.
— Eu preciso te pedir uma coisa... — ele respirou fundo — você é a única pessoa que eu conheço pode fazer isso, meus outros amigos não tem capacidade para isso, só sabem beber e... Caramba! Eu nem sei por quê são meus amigos!
— Continua...
— Meu avô... — ele segurou o choro — mataram ele com um tiro na cabeça. Ele estava no lugar em que começou um tiroteio entre a polícia e uns assaltantes... Ele estava no lugar errado e na hora errada — ele começou a soluçar e a chorar demais.
Abracei ele o mais forte que pude, a dor de perder alguém que você ama é a pior. Ele respirou fundo e conseguiu continuar.
— Vem comigo no velório? Eu não vou conseguir ir sozinho, por favor, não me deixa na mão!
— Jamais te deixarei sozinho! Eu vou sim.

Coloquei um vestido preto, soltei meus cabelos e fui com ele.
A dor da perda é uma das piores que tem, ainda mais uma que você não espera. É como se tirassem um pedaço do seu coração e não devolvessem nunca mais, você fica destruído por completo e se você não conseguir se levantar dessa queda inesperada, as coisas pioram e o mundo fica escuro. Não podia deixar isso acontecer com o Bruno.
Chegamos lá e todos estavam aos prantos, principalmente uma senhora de cabelos grisalhos.
— aquela é a minha avó — disse o Bruno, apontando para a mulher de cabelos grisalhos — ela era o amor da vida do meu avô. Meu objetivo é encontrar um amor como o deles, mas, como se lida com a perda do amor da sua vida?
— Aos poucos, degrau por degrau, você jamais vai esquecer a pessoa, mas vai notar que ela nunca vai embora, ela só foi morar nas memórias de todos nós. Ninguém nunca morre, a não ser que você deixe — o Bruno me deu um beijo na testa
— Obrigada por estar aqui!
Então ele foi falar com a avó dele. Me sentei em uma das cadeiras lá e fiquei observando, as nossas vidas podem mudar a qualquer momento e nós nem notarmos como ou onde ela mudou.
O Bruno veio em minha direção e estendeu a mão para mim.
— Minha vó quer te conhecer e fazer um pedido... — minhas pernas começaram a tremer de nervoso.
— Tudo bem...
Cheguei perto dela e ela me olhou com ternura.
— Você que é a nova amiga do meu neto? — ela perguntou e segurou minha mão.
— Sou eu, sim! — ela apertou minha mão mais forte.
— Ele falou muito de você, sabia? — olhei para o Bruno que desviou o olhar de mim — ele me disse que você canta lindamente. É verdade?
— Um dos meus maiores sonhos é ser uma cantora. Mas por que a pergunta?
— Um dos desejos do meu amado José era que cantassem "Hey Jude" no velório dele — vi uma lágrima cair no rosto dela — ele amava o The Beatles e não queria ver ninguém triste por sua causa... Você canta para nós? Conhece a música?
Era claro que eu conhecia, herdei o amor pelos Beatles do meu pai, mas era um momento tão delicado... Eu não podia dizer não, mas estava tão mexida com aquilo tudo que nem ao menos sabia se a voz iria sair na hora.
— Eu amo essa música! Porém, só canto se a senhora cantar junto comigo — falei isso e dei um sorriso.
— A vovó canta muito bem, viu? Você vai ficar apagadinha quando ela soltar esse vozeirão! — o Bruno disse.
— Para meu filho, assim eu fico sem jeito — ela ficou toda vermelha — mas eu canto com você, sim! Vou cantar uma última vez para o amor da minha vida.
Ela se levantou e foi até o microfone, decidida e forte como nunca, pronta para cantar para o amor de sua vida.
— Boa tarde! — ela disse — Sei que este é um dia muito difícil para todos nós... — ela olhou para cima para segurar o choro — mas eu queria cantar uma música para o amor da minha vida. Nós gostavamos muito da Amy Winehouse — estou amando ela, ela também gosta de Amy WInehouse e aparentemente se entrega tanto as coisas quanto eu — e eu queria cantar uma música dela que eu sempre cantava para ele e hoje não seria diferente... Vou cantar "A Song For You".
Ela começou a cantar e que voz... Não sei como ela não fez sucesso no passado, a voz dela é doce e calma, macia como um veludo. Amei cada segundo da música. Quando ela terminou aplaudi de pé chorando, essa música em particular me toca muito e na voz dela então tocou mais ainda.
— Obrigada! — ela estava chorando — Meu marido uma vez me disse que queria que no seu velório cantassem "Hey Jude", ele era um grande fã do The Beatles, ele queria que ninguém ficasse triste — ela colocou a mão no peito — e eu chamo para cantar comigo a querida Ramona, uma menina doce e de uma voz linda.
Fui até lá e cantei com ela. Foi emocionante, sabe? Estavamos realizando o desejo do amor da vida dela e cantando uma música muito linda. Por mais triste que seja, foi um dos momentos mais marcantes da minha vida.
Ao fim da música as pessoas aplaudiram, procurei o Bruno ali e quando eu vi ele estava lá, chorando, mas com um sorriso lindo no rosto.
A avó dele me abraçou e cochichou no meu ouvido.
— Obrigada por ter feito o último desejo do meu marido realidade e por ter me dado coragem de vim aqui na frente e cantar. Fazia tempo que eu não cantava... — ela me apertou mais ainda no abraço — obrigada por ser essa pessoa maravilhosa. Espero que algum dia meu neto veja o quão especial é a amiga que ele tem, acorde e a transforme em sua namorada.

Nos dias atuias...

— Admito, eu demorei para te chamar sim — o Bruno disse — mas eu estava obedecendo a regra dos 3 dias. Você só pode chamar alguém depois de 3 dias se não isso seria muito afobado da minha parte. Porém quando eu ia te chamar para sair eu recebi a notícia... Obrigada por ter ido comigo e ter me dado a força que eu precisava!
— Não precisa agradecer, é isso que amigos fazem!
— Mas eu queria que fossemos mais que amigos... — ele colocou a mão em meu rosto e foi chegando mais perto, estávamos quase nos beijando.
— Menina do céu! Você não vai acreditar no que eu vi na... — minha mãe apareceu do nada interrompendo tudo que poderia acontecer — sala! Desculpa atrapalhar... Mas acho que vocês tem que ver isso! — minha mãe foi indo na frente, fui atras dela e o Bruno pegou a minha mão e me puxou para perto dele.
— Eu estou te devendo um jantar... Amanhã, as 23h eu passo aqui e te busco.
— Por que tão tarde? A minha mãe já vai estar dormindo essa hora — eu fiquei muito confusa.
— Tenho que arrumar umas coisas antes de te buscar, é uma surpresa! Ah, e não se preocupe, não tem nada de safadeza... Ainda! — ele soltou uma risada e eu dei um tapa no ombro dele — agora vamos ver oque sua mãe achou.
Fomos andando até a sala e minha cabeça estava a mil por hora. Eu vou sair com o Bruno amanhã e ele fará uma surpresa para mim! Jamais imaginei que fosse sair com o cara que me atropelou. Acho que a Duda e a minha mãe estão certas... Ele gosta de mim!
Chegamos na sala e minha mãe estava toda sorridente, olhamos para onde ela estava olhando e vimos a cena. Jamais pensei que veria isso, mas sabendo de toda a história eu sorri.
A Duda e o Fernando estavam se beijando no meu sofá.

Notas finais
Olá novamente! Espero que estejam gostando da minha Ramona, escrevo cada capítulo com o coração e agradeço imensamente por lerem tudo até aqui. Vai ter muito mais, aguardem... Qualquer comentário, crítica, elogio ou sugestão é sempre bem-vindo! Atenciosamente, Alguém que adora escrever ❤