Louco Amor
80 Capítulo 80
Notas iniciais
Pov's Clari
O dia amanheceu e eu não tinha pregado os olhos nem por um segundo. Minha cabeça estava a mil, e eu só esperava o Pietro acordar e pensava na Letícia que estava longe e precisando de mim tanto quanto o Pietro.
Olhei pro Diego cochilando no sofá, ele tinha passado a noite inteira acordado comigo tentando me acalmar.
Sai por um instante para ligar para a mãe do Diego, precisava ouvir a voz da Letícia com urgência.
~ Ligação ON ~
– Alô.
– Oi, é a Clari. Tudo bem?
– Tudo Clara e vocês ai?
– Na medida do possível. O Pietro ainda não acordou.
– Logo ele acorda e fica tudo bem. Força.
– Obrigada.. E a Letícia cadê?
– Esta aqui, perguntou por você assim que acordou. Quer falar com ela?
– Quero sim por favor.
– Vou passar para ela. Beijos
– Beijos.
– Clari?
– Meu amor como você está?
– Melhor... Cadê o Pietro?
– Esta dormindo agora.
– Ele vai ficar bem não vai?
– Vai sim meu amor.
– Eu queria te ver... Posso?
– Claro que sim. Eu também quero te ver. Quero te abraçar.
– Eu to com saudades de você... E queria ver minha mãe também.
– Ahh.. Sua mãe, claro. Mas posso te ver antes?
– Sim..você não gosta muito quando eu peço para ficar com minha mãe não é?
– Não querida.. Eu não me importo.
– Certeza?
– Sim.. Claro que sim.
– Que horas você vem?
– Logo.
– Vou ficar te esperando então.
– Beijos, se cuida.
– Beijos.
~ Ligação OFF ~
Tomei um cafezinho para me despertar e voltei para o quarto junto ao Pietro e ao Diego.
– Amor onde estava? — o Diego disse me abraçando.
– Fui ligar para sua mãe e tomar um café para acordar.
– Ta mais calma?
– Um pouco.. Só quero que ele acorde logo.
– Eu também... E como estão as coisas por lá na casa da minha mãe?
– Esta tudo bem. A Letícia quer me ver e quer a Fátima também.
– Fica assim não. A Letícia não sabe de nada ainda.
– Eu sei... Mas incomoda ouvir ela chamando outra mulher de mãe.
– Clara o pedido de exame de DNA já saiu?
– Ainda não. Estou aguardando.
– Quero confirmar logo que é ela a nossa filha.
– Meu coração já confirmou. Tenho certeza que é ela.
– Logo tudo isso vai acabar.
– Amor, você já conseguiu descobrir quem é? Ta perto ao menos?
– Em breve eu descubro e acabo com tudo isso. Fica tranquila ta? Se preocupa com isso não.
– Um pouco difícil né? Olha o que fizeram com os meus filhos.
– Nossos filhos. — ele disse me dando um beijo e me abraçando.
Ficamos abraçados por um bom tempo. Os abraços dele me faziam muito bem e ainda mais naquele momento tão difícil para mim. Meu coração implorava por um sinal qualquer do Pietro, queria ter certeza de que tudo ficaria bem outra vez.
Estava perdida nos meus pensamentos quando escutei o barulho do suporte do soro caindo.
– Pietro?! Filho para com isso. — eu disse segurando ele.
Ele parecia não me ouvir. Parecia estar transtornado. Não falava nada, apenas chorava e gritava muito.
– Segura ele que eu vou chamar o médico. — o Diego disse saindo depressa.
– Filho para com isso. É a mamãe que está com você, está tudo bem! — eu disse tentando o abraçar.
– O que está havendo? — o médico disse entrando rapidamente acompanhado de enfermeiras.
– Eu não sei, ele está alterado, tirou o soro.
– Me dêem espaço por favor. — o médico disse segurando o Pietro. — Ele esta tendo uma crise nervosa.
Senti meu coração apertado ao ver o meu filho naquele estado. Ele não falava nem uma palavra se quer, os gritos e choros dele partiam o meu coração em pedacinhos.
O Diego me abraçou e tentou me acalmar a todo instante apesar de que era impossível naquele momento.
Sedaram o Pietro e o colocaram novamente no soro. Em pouco tempo ele dormiu novamente.
– Doutor ele vai ficar bem?
– Esperamos que sim. Fomos pegos de surpresa com essa crise dele mas isso é normal. Ele passou por muita coisa para uma criança da idade dele.
– E essas crises vão voltar?
– Não posso lhe dizer isso. Temos de esperar e ver se vai continuar ou não.
– E se continuar?
– Se continuar ele terá que ser acompanhado por um psicólogo.
– Ele vai dormir por quanto tempo? — o Diego perguntou.
– Bom, provavelmente por umas 4 horas. Da tempo de vocês irem em casa e voltarem.. Vou indo, mais tarde volto.
Sentei ao lado do Pietro e fiquei o observando e fazendo carinho nele. O meu pequeno estava tão frágil, tão indefeso. Eu só queria cuidar e proteger ele.
– Ele vai ficar bem meu amor. — o Diego disse pegando no meus ombros.
– Vai sim.
– Vamos pra casa descansar um pouco?
– Na verdade eu quero ir ver a Letícia.
– Eu também quero. Então vamos pra casa da minha mãe. Lá você toma banho e veste uma roupa da minha irmã, acho que cabe.
– Sim... Vou proibir a entrada de qualquer um aqui no quarto enquanto estivermos fora.
– É ótimo.
Avisei aos seguranças que só seria permitida a entrada de enfermeiros e do médico enquanto eu estive fora com o Diego.
Eu não queria o deixar ali sozinho mas eu precisava ver a Letícia também. Tinha que tentar dar atenção aos dois, coisa que não era fácil mas era necessário.
Fiquei com a Letícia por um tempo. Por um lado me senti aliviada por ela estar bem.
Deitei com ela por um instante e acabei pegando no sono. Eu não tinha dormido nada e estava extremamente cansada.
Ao fim do dia, retornei ao hospital para ficar com o meu filho e cuidar dele.
Pov's Letícia
Acordei de madrugada com medo de um pesadelo e fiquei observando o céu. Estava ficando claro e as estrelas estavam sumindo.
Não tinha ninguém no quarto, fiquei pensando isso para tentar me acalmar. Eu não queria acordar ninguém, era muito cedo e todos estavam descansando.
Eu estava com muitas saudades da Clari, não dava para entender muito bem mas eu tinha uma necessidade enorme de abraçar ela. Gostei dela desde o primeiro momento, é como se eu a conhecesse desde sempre.
As horas passaram, o dia amanheceu e os movimentos pela casa começaram. Continuei quieta na cama, sem fazer barulhos até que a mãe do Diego entrou no quarto.
– Já está acordada? Bom dia!
– Bom dia...
– Esta com fome?
– Só um pouquinho...
– Então vamos lá pra baixo comer?
– Sim mas eu queria outra coisa também...
– O que?
– Ver a Clari. Ela ligou?
– Ainda não querida.
– Será que ela esqueceu de mim? — perguntei um pouco triste.
– Tenho certeza que não. Ela só não deve ter tido tempo ainda. Ela nunca esqueceu de você...
– Como assim?
– Nada não... Vamos comer?
– Tudo bem.
Comi pouca coisa no café da manhã, eu não tinha muita fome. Eu só precisava de um abraço de uma pessoa específica.. A Clari.
O Diego tinha me salvado e eu não sabia dizer ao certo o quanto gostava dele. Ele sempre foi muito legal comigo e me defendeu como ninguém nunca tinha feito.
Enquanto eu assistia televisão a Clari ligou e eu fiquei muito feliz em falar com ela. Eu também queria falar com a minha mãe mas não tanto eu queria falar com a Clara. Era estranho mas era o que eu sentia.
Após algumas horas a Clara chegou junto com o Diego.
– Clari!!! — eu disse correndo na direção dela para abraçá-la.
– Oi meu amor!! — ela disse me abraçando forte e me carregando.
– Como esta essa princesa? — o Diego disse me dando beijos.
– Estou bem! Cadê o Pietro? Porque não veio com vocês?
– Ele ainda vai ficar mais um pouquinho no hospital. — a Clari disse me colocando no chão.
– Vem cá e eu não ganho abraço também não? — o Diego disse se fingindo de bravo.
– Claro que ganha! — eu disse abraçando ele. — Estou feliz que vocês estão aqui comigo. Eu amo muito vocês dois.
– Nós também te amamos muito minha vida. — a Clari disse derramando algumas lágrimas.
– Amamos muito mesmo. — o Diego disse sorrindo.
– Chora não Clari.. — eu disse enxugando as lágrimas do rosto dela.
– Esta tudo bem. Já vai passar. — ela disse sorrindo e me enchendo de beijos.
– E ai, você já comeu? — o Diego perguntou sentando no sofá.
– Já sim.
– E comeu direito?
– É... Mais ou menos.
– Tem que comer direito mocinha. — ele disse me colocando no colo.
– Bom, enquanto vocês conversam eu vou tomar um banho ta?
– Ta bom. — eu disse sorrindo pra ela.
Enquanto a Clara tomava banho eu fiquei conversando com o Diego e ele me fez comer mais um pouco.
Depois de um tempo subi atrás da Clari. Ela estava terminando de se trocar quando bati na porta.
– Posso entrar?
– Claro que sim meu amor.
– O que vai fazer agora?
– Eu não sei. O que você quer fazer?
– Estou sem ideias. — eu disse bocejando.
– Acho que já sei hein. — ela disse rindo.
– O que vamos fazer?
– Vem deita aqui comigo. — ela disse deitando na cama.
– Como sabe que estou com sono?
– Você esta bocejando. É fácil assim. — ela disse rindo e me abraçando.
– Eu estava com saudades...
– Eu também meu anjo. Eu estava morrendo de saudades de você. — ela disse me apertando e me dando beijos. — E como esta essa testa? Doendo muito?
– Não... Quase não dói.
– Que bom.
A Clara ficou me fazendo carinho e em pouco tempo eu dormi. Era sempre bom ficar com ela. Com ela eu tinha o carinho que sempre sonhei em ganhar, e tinha toda a atenção do mundo e me sentia especial.
Acordei após um tempo com o Diego derrubando algumas coisas. Ele era atrapalhado sempre e eu me divertia com as coisas dele. Logo ele voltou pro hospital com a Clara e eu voltei a me sentir sozinha, mas não tanto quanto na noite anterior.
Pov's Pietro
Acordei com a claridade batendo no meu rosto. Eu vi os meus pais juntos, olhei ao redor e não tinha mais ninguém. Minha cabeça doía bastante mas mesmo assim fiz um esforço para lembrar do que tinha acontecido.
As memórias vieram a minha mente, comecei a lembrar de tudo o que tinha acontecido. O desespero voltou e eu não conseguia falar nada, eu podia ver o homem de preto em cada canto do quarto do hospital. Eu queria pedir socorro mas nada saia, comecei a chorar sem saber o que fazer.
Minha mãe se aproximou de mim mas eu podia ver o homem de preto perto dela e eu não conseguia avisá-la, eu não conseguia fazer nada.
Eu estava nervoso demais, ele estava em todos os lugares inclusive nos meus pensamentos.
Umas pessoas de branco entraram no quarto e logo as vi se transformarem no homem de preto. Meu desespero aumentou, estavam muito próximos de mim e eu não podia me defender nem defender meus pais.
Eles colocaram algo em minha veia e questão de minutos eu apaguei.
Quando acordei novamente, vi meus pais sentados no sofá me observando.
Eu não conseguia dizer uma palavra, já não via ninguém além deles mas mesmo assim não conseguia falar.
Eles falavam comigo pediam para que eu os respondessem mas eu apenas os observava e fazia alguns gestos indicando o que eu queria.
Pov's Diego
Acordei com o corpo dolorido pela maneira que dormi. Olhei para todos os cantos do quarto mas não vi a Clari. O Pietro dormia tranqüilamente. Fiquei o observando por alguns minutos e pedindo para que ele ficasse bom logo.
Depois de alguns minutos a Clara voltou e em pouco tempo o Pietro acordou com uma crise nervosa e precisou ser sedado pelos médicos.
Eu ficava muito preocupado em ver o meu filho passando por tudo aquilo. Era ruim demais e eu não podia fazer muita coisa por ele.
Enquanto ele dormia por efeito dos remédios, fui com a Clari para a casa da minha mãe. Ficamos lá um pouco com a Letícia que também precisava da nossa atenção. Era complicado dar atenção a dois filhos ao mesmo tempo mas com jeitinho conseguíamos.
Passamos umas horas na casa da minha mãe tentando descansar e quando já estava na hora de ir, fui acordar a Clari para podermos voltar e acabei derrubando umas coisas da cômoda e acordando não só a Clari como também a Letícia.
– Diego? — a Letícia falou sonolenta.
– Oi princesinha, desculpa. Eu não queria te acordar.
– O que foi Di? Alguma notícia do Pietro? — a Clari disse sentando na cama.
– Não, não tem notícias não.
– Então o que foi?
– Está na hora de voltarmos para o hospital.
– Já? Quanto tempo eu dormi?
– Você dormiu pouco. Duas horas apenas.
– Você chama isso de pouco?
– Para quem não dormiu a noite inteira...
– Eu estava muito cansada e ainda estou um pouco mas bem vamos voltar.
– Quando vocês vem aqui de novo? — a Letícia perguntou um pouco triste.
– Logo. Assim que podermos a gente vem ver você de novo.
– Prometem?
– Claro que sim. — a Clari disse abraçando ela.
– Mandam um beijo para o Pietro? Estou com saudades dele...
– Pode deixar que eu dou o beijo dele. Logo, logo vocês vão estar brincando e brigando de novo. — a Clara disse rindo.
– Tomara. — a Letícia disse sorrindo.
Esperei a Clara se arrumar e voltei para o hospital junto a ela. Chegamos no quarto e o Pietro ainda dormia. Aparentemente ele estava tranquilo e bem.
Fiquei sentado no sofá com a Clari conversando um pouco e tentando distrair ela.
Após um tempo o Pietro acordou, fiquei com receio dele ter outra crise como a de mais cedo mas ele não demonstrou nenhum tipo de reação, ele apenas olhava para mim e para a mãe.
– Filho, você está bem? — a clara perguntou se aproximando dele.
– Ei filhão, fala alguma coisa. Você quer algo?
– Diego o que está acontecendo? Ele não está falando!
– Calma Clara! Talvez isso seja momentâneo.
– Eu vou chamar o médico.
– Ok.
Tentei me comunicar com ele enquanto a Clari chamava o médico e ele apenas me olhava. Fiquei na espera de um sinal até que ele apontou para o copo de água e eu pude o entender.
Me preocupava muito ele não estar falando, mas tudo ia ficar bem. Ao menos era isso o que eu esperava.
– O que está acontecendo com o garoto? — o médico disse entrando.
– Ele acordou mas não fala nada. — eu disse dando espaço para o médico se aproximar do Pietro.
– Vamos ver. Deixa eu examinar ele.
Fiquei observando junto a Clara o médico examinar o Pietro. A cada pergunta que o médico fazia a ele era uma esperança que eu tinha de ouvir meu filho falar outra vez mas isso não ocorreu.
– O Pietro tem tudo normal. Talvez o fato dele não estar falando tenha a ver com a crise nervosa que ele teve e com o que ele passou. Eu recomendo um psicólogo.
– Se isso vai fazer ele falar novamente...
– Sim, acredito que sim. E acredito também que vai fazer muito bem a ele.
– E quando ele vai ter alta doutor? — a Clari perguntou.
– Creio que em pouco tempo. Ele teve algumas lesões além dos machucados e precisa de um tempo para se recuperar em parte. Necessito ter a segurança de que ele ficará bem em casa.
– Espero que isso seja logo. — eu disse abraçando a clara e passando a mão na cabeça do Pietro.
– Eu preciso falar com os dois por um minuto lá fora, pode ser?
– Claro. — eu disse junto a Clari.
– A polícia foi acionada pelo caso do menino e da menina. Devem vim amanhã e provavelmente vão querer o depoimento das crianças.
– Mas o Pietro não está em condições de dar depoimentos.
– Sim, eu sei. Não autorizarei o contato dos policiais com o menino, mas preciso saber como está a menina. Vocês acham que ela tem condições?
– Eu não sei se seria bom para ela falar disso agora. — a Clari disse.
– Mas ela está se recuperando bem amor e quanto antes ela falar melhor.
– Não sei não Diego.
– Pensa bem... Ela só vai falar agora e depois pode esquecer. É melhor do que ela esquecer agora e ter que lembrar depois.
– Vendo por esse lado...
– Tragam ela aqui amanhã para passar por uma avaliação médica. Na dúvida é melhor termos a certeza se ela tem mesmo condições.
– Ok. Amanhã a traremos.
Voltamos ao quarto e ficamos junto ao Pietro. Ajudamos ele a comer e a dormir também. O momento era difícil mas ficava mais fácil de lidar com a Clari do lado.
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