Louco Amor

81 Capítulo 81


Notas iniciais
Boa leitura!!

Pov's Diego

Acordei com o celular tocando. Tentei levantar com cuidado para não acordar a Clari mas não teve jeito.

– O que foi? — ela disse sentado no sofá.
– Meu celular está tocando. Eu vou atender lá fora para não acordar o Pietro e já volto ta?
– Está bem.

~ Ligação ON ~

– Fala Cássia.
– Bom dia para você também.
– Bom dia...
– Onde você está?
– No hospital Cássia.
– Por que? O que aconteceu?
– Tentaram matar o Pietro e a Letícia.
– Ai meu Deus! Diego isso é muito grave!
– Ah não me diga. Eu sei né.
– Como eles estão?
– A Letícia está bem e o Pietro está internado ainda mas vai ficar bem.
– Podia ter me ligado para avisar ao menos né.
– Desculpa eu não lembrei, não tive cabeça. É muita coisa para mim.
– Ta tudo bem. Quando vem pra casa?
– Não sei, quando as coisas melhorarem. Enquanto isso eu vou ficar perto dos meus filhos.
– Tudo bem. Melhoras para o Pietro.
– Obrigado, tchau.
– Tchau.

~ Ligação OFF ~

– Quem era amor?
– Era a Cássia.
– Sempre né? — ela disse cruzando os braços.
– Isso vai acabar. — eu disse puxando ela pra mim.
– Quando?
– Quando você menos esperar. — eu disse beijando ela.
– Quero nossa família junta sem ninguém para atrapalhar.
– É o que eu quero também. Eu, você e os nossos filhos somente. E sabe de outra coisa que eu quero?
– O que?
– Uma viagem em família.
– Seria maravilhoso.
– Ok então. Fechado. Depois disso tudo vamos fazer uma viagem.
– Vai ser maravilhoso. — ela disse me abraçando e colocando a cabeça no meu ombro.

Naquele momento mas do que nunca eu tinha que descobrir quem era a pessoa que colocava a minha família em risco. Quem teria tentado matar meus filhos? Mexer com minha família era o pior erro que a pessoa poderia ter cometido.
Fiquei um pouco mais com a Clari e logo sai para buscar a Letícia para a consulta com o psicólogo.
Arrumei ela o mais rápido que pude e voltei para o hospital. Tive um momento muito especial e emocionante e inacreditável também.
Estava com minha família quando o médico me chamou junto a Clari para conversar com um policial.

– Este policial quer falar com vocês. — o médico disse.
– Oi, tudo bom? Eu sou o Diego pai dos dois — eu disse estendendo a mão para o policial.
– Prazer, e a senhora deve ser a mãe correto?
– Sim, sou Clara, a mãe deles.
– Eu quero saber o que aconteceu na noite, o que vocês viram..
– Bom, eu não vi nada. Estava na minha casa.
– O tempo todo? — o policial disse fazendo anotações.
– Não, antes eu tinha estado com amigas na casa de uma delas.
– Precisarei falar com elas para confirmar sua versão...
– Ok.
– E o senhor? O que tem a dizer?
– Eu fui até o acampamento para buscá-los, queria fazer uma surpresa para ela já que estávamos há semanas sem vê-los. — eu disse abraçando a Clari. — E quando cheguei a diretora do local disse que iria buscá-los e eu fui dar umas voltas enquanto esperava e foi ai que ouvi os gritos da Letícia e os vi no colo de homem. O mesmo que jogou o Pietro no lago.
– Certo.. E o que senhor fez?
– O que qualquer pai faria. Pulei no lago e tirei o meu filho de lá. Falei com a Letícia tentei acalmar ela, liguei para a ambulância...
– O senhor viu quem era o homem?
– Não, estava muito escuro.
– Estranho não? Alguém que possa provar sua versão?
– O que o senhor acha? Que eu joguei o meu filho no lago e depois o tirei? Faz muito sentido não é?
– Desconfiar é o meu trabalho.
– Ah claro.. Pois pega a sua desconfiança e..
– Diego!!!
– Ah mas assim não da né!? Vê se eu sou doente de tentar matar meu filho, jogar ele no lago depois tirar e ligar para ambulância e acionar a polícia. Acionar para mim né? Você não vê que isso não tem cabimento María Clara!
– Amor se acalma por favor. É óbvio que você nunca faria isso.
– Será que eu posso continuar o meu trabalho ou o senhor quer um pouco de água com açúcar para se acalmar?
– Ta portanto que não diga mais mentiras...
– O senhor está me chamando de mentiroso??
– To sim! Ta dizendo que eu me multipliquei por 2.
– O senhor me respeite! Estou fazendo apenas o meu trabalho e se continuar te levo preso por desacato a autoridade.
– Pois pegue o teu título...
– Diego!! Chega né?! Olha o senhor me desculpe viu? Ele está muito alterado com esse acontecimento. — ela disse me dando tapas disfarçadamente e forçando um sorriso.
– Aii... — eu disse tirando as mãos dela de mim.
– Em consideração a senhora irei relevar... Posso continuar agora?
– Pode.. — eu disse tentando ficar calmo.
– E a diretora, o que fez?
– Ela pegou a toalhas que eu pedi para cobrir os meninos. Ela se apavorou quando viu o estado do Pietro.
– Ok. Iremos ao local colher mais informações. Peço que não saiam da cidade até segunda ordem.
– Pode deixar.
– Um bom dia para vocês e melhoras ao garoto.
– Obrigado. — disse junto a Clari.

Tive um breve diálogo com a Clara após a saída do policial, depois voltamos para o quarto junto as crianças.
Ao final da tarde a Letícia teve a consulta com a psicóloga e logo após a Clara foi com ela para a casa da minha mãe.

Pov's Clari

Acordei com os movimentos do Diego pelo quarto. Ele saiu para atender um telefonema e eu fiquei observando o Pietro dormir tranqüilamente.
Me partia o coração ver o meu filho naquela cama, todo marcado. Meu coração ficava em pedaços toda vez que eu o olhava. Eu queria muito voltar com ele para casa e poder eu mesma cuidar dele a todo momento.
Estava perdida nos meus pensamentos quando o Diego voltou ao quarto. Ficamos conversando um pouco e logo ele foi buscar a Letícia.
Após um tempo da saída do Diego o Pietro acordou.

– Meu amor.. Como você está?

Fiquei a espera de ouvir o som da voz dele mas tudo o que ele fez foi fazer um sinal de legal para mim.

– Está com fome?

Mais uma vez ele não disse nada, mas dessa vez balançou a cabeça afirmando que sim.

Sei o café do Pietro na boca e fiquei conversando com ele, tentando ajudar ele a se recuperar do susto e tentando fazer ele falar uma palavrinha que fosse.

– Bom dia! — o médico disse entrando.
– Bom dia doutor.
– Como esta esse menino? Dando muito trabalho?
– Não, está comportado. — eu disse sorrindo.
– Dormiu bem? Teve alguma alteração no quadro?
– Não... Dormiu tranqüilamente ainda bem.
– Isso é ótimo. Continue assim e logo estará em casa. — ele disse pegando na cabeça do Pietro. — Daqui a pouco eu volto.
– Até logo.

Fiquei sentada na cama brincando com o Pietro até o Diego chegar com a Letícia.

– Licença.. — ele disse entrando.
– Olha filho quem veio!
– Pietro! — a Letícia disse correndo para de junto dele e o abraçando.
– Mas só o Pietro ganha abraço?
– Claro que não. Você também! — ela disse me abraçando.
– Dormiu bem? — eu disse alisando o cabelo dela.
– Sim.
– Quem te arrumou? Você está linda!!
– Foi o p..o Diego.
– O que você ia dizer? — o Diego disse se ajoelhando de frente pra ela.
– Nada.. — ela disse com vergonha.
– Você fez um belo trabalho Diego... — eu disse tentando mudar o assunto.
– Sim, é verdade. — ele disse levantando.

Foi um momento bonito de se ver, e confesso que me emocionei. A Letícia era um doce e tudo o que precisava e queria era carinho.
Saí por um instante com o Diego para conversar com um policial que estava investigando o acontecido.
No meio da conversa o Diego se descontrolou e eu não pude deixar de falar após a saída do policial.

– Você ta maluco é? Perdeu o juízo?
– Ele acha que jogaria o meu filho em um lago e você me pergunta se estou maluco?
– Ele não quis te ofender e de qualquer forma você não pode fazer uma coisa dessas né? Cadê a maturidade?
– Talvez eu tenha me exaltado um pouquinho...
– Um pouquinho?
– Ta..muito. Mas é que eu não faria mal a eles, você sabe!
– Sim, eu sei. Você não tem com o que se preocupar. Você não fez nada além de salvar seus filhos.
– Você tem razão. — ele disse me abraçando. — Obrigado.
– Vamos voltar? Os meninos estão sozinhos.
– Verdade, vamos entrar.
Ficamos com os meninos, depois a Letícia teve a consulta com a psicóloga, voltamos ao quarto para nos despedirmos do Pietro e fomos para a casa da mãe do Diego.
Eu não queria ter saído do hospital mas eu precisava descansar um pouco ou ao menos tentar.
O lado bom de ter saído era que eu passaria um tempo com a Letícia.

Pov's Pietro

Acordei me sentindo um pouco melhor do que no dia anterior. Minha mãe como sempre estava presente. Ela ficou comigo, me deu comida e brincamos bastante. Eu amava tanto a minha mamãe... Ela era a melhor do mundo sempre.
Depois de um tempinho o papai chegou com a Letícia. Fiquei tão feliz em ver ela! Eu estava com saudades dela. A Let era a minha companhia de sempre e tinha se machucado por tentar me defender.
Durante o acampamento eu aprendi a gostar e ficar sempre unido a ela não importava o que acontecesse.
Ficamos brincando juntos aos meus pais, por um instante eu tive a impressão de que ela chamaria o meu pai de pai. Não que eu tivesse ciúmes mas o pai era meu... Tudo bem que eu gostava dela como uma irmã mas não sei... Foi estranho.
Depois de algumas horas a mamãe e a Let foram embora e eu fiquei só com o papai. Ele cuidou de mim e se esforçou para tentar entender o que eu queria dizer com os meus gestos.
Minha mãe tinha razão quando dizia que ele era legal... O Diego era um bom pai.

Pov's Letícia

Levantei cedo sem sono e fui para a sala ver um pouco de televisão e tomar meu café da manhã. Eu me sentia bem a vontade na casa da mãe do Diego, me tratavam tão bem...
Eu estava deitada no sofá assistindo desenho quando o Diego chegou.

– Bom dia!! — ele disse entrando.
– Diego!! — eu disse correndo para abraçar ele.
– Como está essa princesa? — ele disse me carregando.
– Estou bem. — eu disse abraçando ele forte.
– Já comeu?
– Já sim...
– Filho! — a mãe do Diego disse.
– Oi mãe! Tudo bem? — ele disse dando um beijo nela.
– Tudo e com você?
– Estou bem.
– Princesinha do papai você já tomou banho?
– Do papai? Você é pai do Pietro.
– É... Você tem a mesma idade que a dele e é como uma... Hummm... Só saiu.. Deixa isso para lá.
– Você é doidinho. — ela disse rindo.
– Mas então... Vamos ao banho né? Temos que ir ao hospital.
– Vou poder ver o Pietro!?
– Vai sim.
– Eba!!

O Diego me deu banho e meio que lavou o banheiro também porque ele molhou tudo brincando comigo. Ele era muito desastrado e a cada segundo derrubava uma coisa.
Depois de um longo banho, ele foi me ajudar a me vestir e me pentear.

– Diego!
– O que foi? — ele disse me olhando.
– A blusa ta o contrário!!
– Tem certeza?
– Tenho sim e está me apertando.
– Por que a Clara tinha que comprar roupas tão complicadas de se vestir?
– Já sei. Tira isso ai. — ele disse me ajudando.
– Por que?
– Porque eu não sei vestir essa blusa ai não. Muito complicada. Coloca esse vestido mesmo.
– Mas esse vestido está grande!! — eu disse rindo.
– Ah então vai assim mesmo. Ninguém vai ligar. — ele disse colocando minha toalha no ombro.
– Você é doido? — eu disse rindo. — Não posso sair de calcinha pela rua.
– Hum... E esse vestido? Estágrande também?
– Não. Esse está bom!
– Então veste. — ele disse me ajudando a colocar o vestido.
– Agora o sapato... Pega aquela sapatilha.
– Sapatilha? Não é tudo sandália não?
– Você não sabe de nada né? — eu disse descendo da cama e pegando. — Isso é uma sapatilha.
– Ah claro. Tenho bola de cristal agora... Da o pé para eu calçar.
– Bem que a Clari disse que você era lerdo.
– Como é?? Eu sou lerdo? — ele disse fazendo cara de indignado.
– É sim. — eu disse rindo da cara dele.
– Isso é um absurdo. Eu só não entendo muito dessas coisas de mulheres.
– Anram. — eu disse rindo mais ainda.
– Palhacinha... E agora vamos?
– Não.
– Por que? Já está pronta!
– Ah é e eu não penteio o cabelo não né? Vou sair na rua assim. — eu disse apontando pro meu cabelo assanhado.
– Ah desculpa. Esqueci.
– Doido.
– O pente deve estar por aqui... — ele disse procurando pela cômoda. — Aqui achei! — ele disse derrubando um monte de coisas.
– Não foi só o pente que você achou. — eu disse rindo.
– Você também ri de tudo né?
– Só de você porque você é engraçado demais.
– Engraçadinha. — ele disse sorrindo e penteando o meu cabelo.

Depois de um tempo consegui finalmente ficar pronta e pude ir ao hospital com o Diego.
Quando cheguei o Pietro estava acordado. Foi tão bom ver ele... Eu estava com saudades dele. E foi bom ver a Clara também.
Fiquei um tempo no quarto do hospital, depois conversei com uma moça bem simpática. Ela me fez várias perguntas, não gostei de algumas por me fazerem lembrar da noite que passei no acampamento.
Após a conversa com a moça, voltei ao quarto do Pietro mas só para me despedir dele e do Diego e em seguida voltei para a casa da mãe do Diego.
Era bom demais a Clari ficar comigo. Era tão bom que eu quase nem sentia falta da minha mãe, apesar de que ainda queria vê-la.
Quando voltei para casa, a Clari me deu banho e me deu comida na boca, coisa que eu adorava.
Depois ela deitou comigo no quarto que eu estava temporariamente e ficamos vendo desenho juntas.

– Clari...
– Oi.
– Eu gosto muito quando você fica comigo...
– Eu também gosto de ficar com você. — ela disse me dando um beijo na bochecha.
– Você é tão legal comigo... É como um anjinho..
– Você que é um anjinho e o meu anjinho.
– Eu gosto de ser sua amiga apesar de que você já é grande né? — eu disse rindo.
– Sou bem grande. — ela riu. — Mas sempre serei sua amiga... Em todas as horas.
– O Pietro tem muita sorte. Tem os pais mais legais do mundo.
– Você acha?
– Tenho certeza. Eu queria ter pais tão legais quanto vocês dois...
– Você gostaria de ser minha filha?
– Sim mas eu já tenho a minha mãe e até que gosto dela.
– Entendi... Mas fica a vontade para me chamar de mãe. Eu não ligo.
– Isso seria estranho demais e o Pietro morreria de vez do que agora de ciúmes.
– Nossa. Onde você aprende essas coisas? — ela disse rindo. — Olha mas o Pietro não é filho único e sabe disso... Eu tive uma princesinha linda ao mesmo tempo que tive ele.
– Ele me disse que ela se perdeu de vocês não foi? É uma pena...
– Sim... — ela disse com os olhos cheios de lágrimas.
– Não chora Clari... Por que está chorando?
– Não liga para mim, sou assim mesmo.
– Ah tudo bem mas não chore. — eu disse enxugando as lágrimas dela e dando um beijo na bochecha dela.
– Vamos voltar a assistir o desenho?
– Vamos sim. — eu disse sorrindo para ela.

A Clari me abraçou e ficou assistindo desenho junto comigo. Eu estava um pouco cansada e não demorou muito para que eu pegasse no sono.
Tivemos uma conversa legal porém estranha... Vontade de chamá-la de mãe não me faltava mas eu não tinha o porque a chamar assim. Eu já tinha uma mãe e ela se chamava Fátima. Podia não ser a melhor de todas, nem a mais atenciosa, mas foi quem sempre cuidou de mim e apesar de tudo eu gostava dela mesmo ela não gostando tanto assim de mim.

Notas finais
Comentem! Beijos! :*