Louco Amor
75 Capítulo 75
Notas iniciais
Pov’s Clari
Após algum tempo rodando com o carro sem rumo resolvi ir para o lugar especial do Diego que terminou sendo especial para mim também. Era o lugar onde eu podia relaxar e ficar tranquila com meus pensamentos e minhas lágrimas.
Havia uma tempestade em meu coração, meus pensamentos não paravam nem por um segundo. O que antes me parecia ser perfeito tinha se tornado um dos meus piores pesadelos.
Sentei na grama em uma parte um pouco afastada da claridade. Não queria que ninguém me visse ali. Desliguei meu celular, não queria falar com ninguém queria apenas ficar quieta, sozinha pensando em tudo e tentando achar um motivo para o que estava acontecendo.
As palavras do Diego não saiam da minha cabeça, eu comecei a chorar, não estava aguentando a dor de lembrar cada palavra dele.
Senti uma mão em meu ombro e me levantei:
– Não me toca!!
– Clara para vem cá! – Ele disse me puxando pelo braço.
– O que você quer? Já não me machucou o suficiente?
– Eu não queria te machucar.
– Você nunca quer. É sempre sem maldade, sem querer não é?
– Me escuta ao menos. Eu não queria ter dito nada daquilo, não é o que eu quero nem o que eu sinto. Me doeu dizer cada palavra, me doeu ver seu rosto enquanto ouvia, me doeu te ver indo embora!
– Não acredito em você. Se não é o que você quer então porque disse? Você tem algum problema?
– Vamos fazer o seguinte. Eu te digo o porque e depois você pensa o que quiser está bem? Mas deixa eu falar primeiro.
– Pode começar.
– Eu só disse tudo aquilo porque estou com medo que algo te aconteça, medo de te perder. Eu te amo demais e não quero que nada te aconteça.
– Você é louco. – Eu disse me virando para ele.
– Espera, eu não terminei! No dia da premiação que eu fui atrás de você, eu recebi uma ligação falando que a pessoa que amava estava em perigo, e essa pessoa era você. E hoje um pouco antes de você chegar essa mesma pessoa me ligou e disse que se eu não me afastasse de você sofreria as consequências. Estamos em perigo Clara. Foi o único motivo por eu ter dito tudo aquilo para você. Eu não consigo mais ficar sem você, não aguento mais toda hora alguém nos separando.
– Por que não me disse isso antes? E quem é essa pessoa?
– Eu não sei. É o que eu quero descobrir.
– Seria muito mais fácil se você me dissesse isso antes. Mas não, tem que esconder tudo de mim, tem que me fazer sofrer não é Diego?
– Perdão! Eu agi sem pensar! Agi pelo medo.
– E o que você quer agora com isso? Porque veio me procurar? Como você me encontrou aqui?
– Eu quero que você saiba que eu te amo, vim porque sabia que você estaria mal do jeito que eu também fiquei e te achei por que meu coração sabe como te encontrar. — Não me venha com essa agora. Por que alguém iria querer nos separar? Não faz sentido.
– Você pode confiar em mim? Só mais essa vez por favor.
– Confiar em você? Não, desculpa mas não. Dessa vez não Diego.
– Clara eu te imploro. Só mais essa vez. Eu preciso que você me dê a chance de fazer tudo certo de tentar consertar as coisas.
– E como você pretende fazer isso? Eu acho que já ouvi esse pedido.
– Eu não posso te contar. Já falei demais te contando da ligação.
– Assim que você quer que eu confie em você? Tchau Diego. – Eu disse saindo.
– Não não volta aqui. Olha, eu não quero te contar porque é arriscado demais. Da primeira vez quase morremos em um incêndio e agora? Tudo o que eu estou tentando fazer é te proteger e nada mais.
– Para de fazer isso comigo Diego. Eu não aguento mais por favor para. – Eu disse chorando e o abraçando.
– Tudo o que eu quero é que as coisas se resolvam e que a gente fique junto em paz.
– Não está brincando comigo?
– Eu pareço estar brincando?
– Não mas como vou saber que daqui a 5 minutos você não vai me dizer que não quer mais nada?
– Não vou fazer isso. Agora você vai ter que confiar em mim e fazer o que eu te disser.
– No final vai ficar tudo bem?
– É o que eu espero. Eu prometo que vou fazer de tudo para que isso aconteça. – Ele disse me abraçando forte.
– E o que eu tenho que fazer? Você não me disse.
– Por enquanto só se controlar e não contar para ninguém que estamos juntos.
– Me controlar? Por acaso sou descontrolada?
– Não mas vai ficar quando souber que por enquanto eu vou seguir com a Cássia e o casamento...
– Como assim você vai continuar com isso? Quer me fazer de amante?!
– Não quero não. Você nunca foi segunda opção para mim.
– Não gostei nem um pouco disso.
– Clara eu vou manter porque a pessoa que ligou está de olho em cada passo nosso e eu quero manter o casamento até achar quem está fazendo isso.
– E se chegar o dia e você não tiver descoberto? Vai casar com ela?
– Clara confia em mim por favor. Vai dar tudo certo.
– Não gostei disso Diego. Vai ficar com ela na casa dela e dormindo com ela? Vai continuar beijando ela e tudo mais? Ahhh não!
– Kkk para Clari. Eu não vou fazer nada com ela não eu prometo e quanto aos beijos não se preocupe que serão evitados.
– Promete?
– Prometo.
– Acho bom você cumprir isso hein. Não aceito te dividir com niguém.
– Que bom porque eu quero ser só seu... – Ele disse me beijando.
– Eu te amo tanto.
– Eu também te amo muito mas não acho que aqui seja o melhor lugar para ficarmos.
– Por que o foi?
– Não sei, só acho que pode ter alguém nos observando.
– Você está me deixando com medo.
– Desculpa amor. Fica tranquila. Vamos sair daqui.
– Ok. Para onde vamos?
– Eu vou pegar um taxi e ir para a minha casa antiga. Você vai pegar o seu e vai para lá também.
– Está bem. É necessário mesmo tudo isso?
– Sim, é muito necessário e eu vou dar algumas voltas com o taxi antes só para garantir total segurança.
– Ok.
– Não venha aqui antes. Você vai trancar tudo está me ouvindo? Só abre quando eu chegar.
– E como vou saber que é você?
– Você vai saber não se preocupe. Eu vou te chamar diversas vezes e você conhece minha voz. Se alguém bater na porta e não falar nada você não abre a porta, vai ficar quieta sem fazer barulho tudo bem?
– Sim mas agora eu estou com muito medo.
– Eu te protejo. Agora vai lá estou observando você sair de longe.
– Tudo bem. – Eu disse saindo.
Eu fiquei com muito medo de tudo o que o Diego havia me dito. Quem poderia querer o mal de nós dois? Eu me perguntava enquanto dirigia. Eu estava me sentindo em um filme, uma novela, qualquer coisa desse tipo.
A única coisa boa no momento era que as coisas com o Diego se esclareceram mesmo eu tendo a sensação de que não deveria confiar de novo dele. Eu tinha prometido para mim mesma que a história tinha terminado ali mas dessa vez ele me deu um motivo realmente sério, mesmo que não justificasse em parte. Ao menos ele me contou a verdade, não ficou me escondendo.
Cheguei na casa e fiz o que ele mandou. Olhei tudo antes de sair fechando tudo e desligando as luzes. Fiquei quieta no canto da sala com medo esperando o Diego. Do que essa pessoa é capaz? Eu me perguntava enquanto esperava o Di.
Após uns 15 minutos esperando, ele chegou me chamando. Senti um alivio muito grande ao ouvir a voz dele, me senti segura. Ele entrou me abraçou e me beijou. Ficamos juntos durante toda a noite aproveitando um pouco o nosso tempo.
Pov’s Diego
Ver a Clari sair daquele jeito me deixou pior ainda. Eu não conseguia mais ficar longe dela, eu a amava tanto e o que eu vivia com a Cássia era uma fantasia sem sentido. Bastava eu olhar a Clari para saber que era ela a única mulher que eu amava de verdade.
Fiquei pensando no que fazer. Eu não podia deixar a Clara mal, eu não ia aguentar manter essa situação. Fiquei no computador ajeitando o vídeo, ouvindo música até que comecei a ter algumas ideias. Eu tinha como descobrir quem era a pessoa e não custava nada tentar.
Olhei mais umas mil vezes as fotos da Clara e senti que tinha que fazer alguma coisa para mudar as coisas. Eu queria fazer tudo diferente daquela vez. Eu queria fazer as coisas certas.
Peguei um caderninho e comecei a anotar algumas ideias e coisas uteis para descobrir quem era a pessoa que ligava fazendo ameaças. Fiz anotações vagas para que ninguém além de mim entendesse, depois escondi e voltei para a sala.
– Oi... – A Cássia disse entrando.
– Oi, voltou antes...
– Sim não está feliz?
– Sim.
– Eu estava morrendo de saudades. – Ela disse tentando me dar um beijo.
– É... Eu também. – Eu disse desviando dela.
– O que foi Diego?
– O que foi o que?
– Você recusou o meu beijo.
– Eu? Não que isso. É que eu estou com muita pressa.
– Pressa? Onde você vai?
– Saindo... — Eu disse fechando a porta.
Eu sai procurando a Clara por todos os lugares possíveis e impossíveis. Liguei diversas vezes para o celular dela mas só dava desligado o que me deixava muito preocupado e fazia eu me sentir culpado. Eu tinha agido por impulso, no medo, não raciocinei e machuquei ela mais uma vez. Era o que eu mais fazia, impressionante. Mas se o meu plano desse certo isso acabaria.
Depois de rodar quase a cidade inteira e ligar diversas vezes lembrei do nosso lugar especial, sem dúvidas ela estaria lá. Era algo óbvio.
Quando cheguei lá comecei a procura-la e bem no cantinho, na parte pouco iluminada a encontrei sentada chorando. Eu pude ver aquela menina de alguns anos atrás por alguns instantes. Ela estava muito mal e a ver daquele jeito me doeu na alma mas eu consegui conversar com ela e me explicar o que melhorou bastante a situação.
Saímos de lá e fomos para a minha antiga casa em carros separados. Eu tinha medo que alguém estivesse nos observando ou nos seguindo. Todo cuidado era pouco.
Quando cheguei na casa a Clari me abraçou forte, eu senti ela gelada provavelmente de medo. Eu não queria que se sentisse ameaçada, que ficasse com tanto medo apesar de que deveria. Nada iria acontecer a ela porque eu não deixaria por nada no mundo.
Tomamos um banho separados, comemos e depois deitamos na cama para ver um pouco de televisão.
– Amor... – Eu falei cutucando ela.
– O que foi Di? Deixa eu ver meu filme.
– Da um beijinho aqui dá?
– Depois. Eu quero ver o filme. Essa parte é tão emocionante, olha o cachorrinho vai morrer. – Ela disse chorando.
– Você está chorando porque o cachorro está morrendo?
– Estou sim. Tadinho do cachorrinho. – Ela disse me abraçando.
– Eu não estou acreditando nisso. Você continua a mesma manteiga derretida de sempre.
– Ah me deixe. O cachorrinho morreu não quero mais ver. – Ela disse desligando a televisão.
– Então agora dá o beijinho. – Eu disse fazendo biquinho.
– Pronto. – Ela disse me dando um selinho.
– O que foi isso?
– O seu beijinho ué. – Ela disse rindo.
– Eu quero outro.
– Outro beijinho?
– Não, quero um beijo de verdade.
– Ah que pena... Só sei dar beijinhos.
Ah é? Tem problema não. Eu te ensino. – Eu disse a beijando.
Comecei a distribuir beijos pelo pescoço dela deixando o clima quente. Ela me olhou sorrindo e eu voltei a beija-la. Comecei a passar a mão por sua barriga levantando parte da blusa e ela me parou.
– Pode parar Diego.
– O que foi?
– Nada disso. Pode esquecer que eu não vou fazer nada com você.
– Mas por que? Eu só estou com um pouco de dificuldade de mexer as pernas nada que nos impeça.
– Eu sei mas não é por isso. Eu simplesmente não quero. Esse é o seu castigo.
– Meu castigo?
– Sim por não ter me dito nada desde o primeiro momento e por ter me dito todas aquelas coisas. E além do mais, toda vez que eu me entrego para você alguma coisa ruim acontece e nos separa. Sendo assim, eu estou em greve de sexo por tempo indeterminado.
– Você está brincando né?
– Nunca falei tão sério.
– Tá bom então né. Liga de volta a televisão que eu quero ver o cachorro que morreu.
– Diego!! – Ela disse me dando um tapa no braço.
– Aii!! Isso dói!
– E é para doer mesmo. Não fala do cachorrinho assim e não vai ligar não que eu ainda to triste por ele.
– Mas é um filme. O cachorro está vivo correndo por ai.
– Não importa.
– Tudo bem... Então vem aqui e me da outro beijo. – Eu disse a beijando.
Eu estava em meio a um beijo quente, cheio de paixão e desejos com a Clari quando o meu celular começou a tocar.
– Atende... – A Clara disse me olhando séria.
– É a Cássia.
– Tá, atende.
~ Ligação ON ~
– Alô.
– Diego onde você está? Eu estou te esperando. Cheguei de viagem e nem um beijo você me deu.
– Cássia sinto muito mas hoje eu não vou dormir em casa. Vou dormir na casa do meu irmão porque amanhã cedo tenho coisas para fazer com ele.
– Você está com ele agora?
– Estou indo para lá. Estava resolvendo algumas coisas do processo e agora estou indo para lá.
– Promete que amanhã vamos almoçar juntos? Eu estou com muitas saudades.
– Almoçar junto amanhã? – Eu disse olhando para a Clara.
– É por que? Já tem planos?
– Não... Tudo bem. Amanhã te ligo e marcamos o restaurante. Eu vou desligar porque não gosto de ficar falando no celular na rua tá?
– Tudo bem se cuida. Te amo, beijos.
– Eu também. Beijos.
~ Ligação OFF ~
– Almoço com a noivinha amanhã é?
– Para de ciúmes. Eu quero resolver logo isso para terminar com ela e deixar minha vida como eu quero.
– E como você quer sua vida?
– Com você e os nossos filhos somente. É isso o que eu quero.
– Mesmo?
– Sim. – Eu disse sorrindo. – E o caso da Letícia? Já entrou na justiça?
– Já sim mas vamos com calma porque ela nem sonha com nada disso e eu estou com medo de assusta-la. Ainda mais agora que ela virou minha amiga e me conta tudo.
– Mas isso é muito bom. E o ciúmes do Pietro?
– Isso é faz parte das coisas que nunca mudam. – Ela disse rindo. – Sabe que uma vez ele me perguntou se ela era a irmã dele? Eu fiquei assustada, nunca pensei que ele ligaria os pontos.
– Inteligente igual ao pai. Que orgulho.
– Você se acha muito Diego. Ah te odeio.
– Mentira. – Eu disse olhando nos olhos dela.
– Eu sei. – Ela disse me beijando.
Fiquei por mais algum tempo com a Clara na cama conversando, brincando, beijando. Depois comecei a fazer carinho nela até ela dormir e em seguida dormi também.
Era muito bom sentir que as coisas estavam como eu queria, sentir que as coisas estavam no lugar certo. Eu não tinha dúvidas que era ao lado da Clara que eu queria dormir e acordar todos os dias. Era com ela que eu queria passar o resto da minha vida.
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