Louco Amor
72 Capítulo 72
Notas iniciais
Pov’s Clari
Cheguei em casa pela manhã pensando em ver o Diego. A minha ansiedade era tanta que eu nem sentia cansaço.
A Letícia ficou encantada com tudo, como sempre muito boazinha e educada. Ficou bem tímida de inicio mas tinha certeza que isso passaria.
Coloquei as malas no quarto, tomei um banho rápido por causa do calor, me arrumei e fui para a cozinha comer algo antes de sair novamente.
– Olha só quem resolveu voltar... – O Flávio disse chegando na cozinha.
– Oi!!! Que saudades de você! E aí ficou bem aqui sem mim?
– A casa ficou um pouco silenciosa demais mas fiquei bem sim.
– E onde você estava que não te vi quando cheguei?
– Eu tava lá no fundo brincando com o Boby.
– Ata. Depois eu vou lá para dar um beijo nele.
– Por que não vai agora?
– Porque agora eu vou no hospital ver o Diego. Ele acordou! Eu estou tão feliz!
– Eu te disse que ele iria acordar, está vendo?
– Você é demais. Acerta tudo! – Eu disse dando um beijo na bochecha dele.
– Agora minha paz acaba.
– Flávio! Não fala assim.
– Eu vou ter que sair de verdade daqui agora. Você sabe que ele vai dar um ataque quando souber que estou morando aqui né?
– Não vai dar ataque nenhum e você também não precisa sair. Eu gosto de você aqui por perto.
– Tudo bem... Mas eu ainda acho que ele vai dar os ataques dele.
– Fica tranquilo. Eu vou indo tá? Até mais tarde.
– Até.
Saí para o hospital sozinha. Eu levaria o Pietro mas ele estava muito cansado e não quis acordar ele. A Letícia provisoriamente estava na minha casa também, apesar de que por mim ela continuaria lá.
Cheguei no hospital e encontrei com o irmão e o filho do Diego.
– Oi... – Eu disse um pouco sem jeito pela criança.
– Oi Clara, tudo bem? Como foi de viagem?
– Tudo bem sim e a viagem foi ótima.
– O Diego já acordou. Perguntou por você.
– Eu soube... Tem alguém lá com ele?
– Só a Cássia, mas vai lá falar com ele.
– Acho melhor esperar ela sair.
– Que esperar nada. Vai logo, ele vai ficar muito feliz.
– Então tá. – Eu disse indo em direção ao quarto.
Eu não estava nem um pouco afim de ver a Cássia com o Diego mas eu queria ver o Diego, queria mais que qualquer coisa naquele momento. Eu estava morrendo de saudades dele e não via a hora de poder abraça-lo.
– Licença... – Eu disse entrando.
– Clara!! Você veio! – O Diego disse com um sorriso largo no rosto.
– É, ela veio... – A Cássia disse fechando a cara.
– Eu só vim ver como você está e... Bom, só isso mesmo.
– Já viu? Então pode voltar para a sua casa.
– Cássia por favor me deixa a sós com a Clara.
– Como é que é?
– Me deixa a sós com a Clara? Quer que eu desenhe?
– Para que Diego? O que tem demais que eu não posso ficar.
– Tem você enchendo o saco com esse ciúmes besta. Me deixa a sós com a Clara, eu não vou repetir isso de novo.
– Como quiser. – Ela disse saindo.
– Desculpa, eu não queria te causar problemas.
– Não provocou problema nenhum. Eu pensei que não viria me ver.
– E porque eu não viria?
– Sei lá, vai que seu namorado não gosta.
– Namorado? Que namorado?
– O Murilo lá.
– E desde quando ele é meu namorado?
– Não sei. Me diz isso você.
– Ele não é meu namorado.
– E porque vocês viajaram em família?
– Não foi em família. Eu fui a trabalho, levei o Pietro comigo porque não gosto de ficar longe dele e o Murilo simplesmente apareceu lá sem avisar.
– Sei...
– Você está com ciúmes doutor Diego?
– Eu? De você? Nunca.
– Então me explica essa cena de agora.
– Fiz cena nenhuma... – Ele disse cruzando os braços e virando o rosto.
– Eu senti sua falta. Senti falta dessas suas crises de ciúmes, da sua cara de menino birrento, da sua voz, de tudo relacionado a você.
– Verdade?
– Sim. Você não sabe o quanto eu sofri pensando que poderia te perder para sempre.
– Eu jamais te deixaria... Cadê o Pietro? Eu estou com saudades do meu meninão.
– Meninão mesmo. Ele está enorme, esperto, educado... Você precisa ver.
– Por que não trouxe? Eu quero ver ele.
– Porque ele chegou dormindo da viagem. Está muito cansado.
– Tudo bem...
– Amanhã eu volto, trago ele e uma surpresa para você.
– Uma surpresa? Que surpresa?
– Você não faz nem ideia. É uma grande surpresa. Amanhã você descobre.
– Eu ainda estou internado, não vale me deixar curioso.
– Vale sim!
– Clara... Tem uma coisa que não falei com ninguém. Queria falar só com você.
– O que?
– Eu não consigo mexer as pernas. Acho que não posso mais andar. – Ele disse abaixando a cabeça e enxugando uma lágrima.
– Você não disse isso para o médico?
– Não...
– Mas porque Diego? Você tem que falar.
– Eu fiquei com vergonha e também achei que passaria.
– Vamos falar agora mesmo para ele está certo?
– Não...
– Diego!! Você tem que falar! Não pode esconder isso. Tem que ver o porque.
– Então fica aqui comigo? Por favor.
– Obvio que eu vou ficar aqui com você. Só vou embora depois que falarmos com o médico tá bom?
– Sim. Me sinto melhor assim.
– Vou chamar o médico. Fica ai. – Eu disse saindo.
– Como se eu fosse sair para algum lugar. – Ele resmungou.
Eu fiquei tão feliz ao ver o Diego, eu mal podia acreditar que ele tinha voltado para mim. O sorriso que ele me deu quando entrei foi a prova de que o nosso amor ainda vivia. Minha felicidade era tanta que nem me importei com as coisas da Cássia.
Em meio a conversa, o Diego me falou da dificuldade de mexer as pernas e isso me deixou muito preocupada. E se ele não pudesse mais andar? O que eu ia fazer? Claro que eu não deixaria ele jamais por isso mas ele ficaria muito mal, isso sem dúvidas. Chamei o médico e conversei um pouco com ele antes de voltar para o quarto.
– Demorou hein? – O Diego reclamou.
– Nem demorei. Pode parar.
– E então senhor Diego. Quer dizer que não consegue mexer as pernas. Deveria ter me dito antes para fazermos exames e ver o que está acontecendo.
– Eu queria esperar a Clara chegar para falar.
– Desculpa me intrometer nisso mas é que eu não entendo... Quem é sua namorada a final?
– Bom... – Ele disse olhando para mim. – É complicado. Precisaria de um dia inteiro para te explicar doutor. Só te digo que eu amo muito essa mulher que está do seu lado. Ela é bem especial.
– Agora você ganhou o dia Clara. – O médico disse sorrindo.
– Pois é... – Eu disse um pouco envergonhada.
– Vamos falar agora do que importa mesmo. – Ele disse se aproximando do Diego e pegando na perna dele.
O médico examinou o Diego, conversou com ele e disse que faria exames para ver o motivo dele não estar conseguindo mexer as pernas.
Após a conversa o Diego ficou um pouco estranho comigo, ficou mais distante. Não entendi bem o porque mas ele me afastou dele repentinamente.
Depois de um tempo com ele, tentando me aproximar mais e contar sobre as coisas do Pietro e da minha vida durante o tempo em que ele esteve em coma, eu fui para casa descansar.
Cheguei em casa e me senti muito bem ao ver meus dois filhos juntos vendo televisão. Estava tudo perfeito, para ficar melhor só faltava o Diego.
Pov’s Diego
Acordei cedo para tomar remédio e tomar o café da manhã. Já estava mais que chato ficar internado, eu tinha saudades da minha casa.
No final da manhã meu irmão foi me ver e um pouco depois a Cássia chegou com meu filho. Ficamos conversando e brincando até a Cássia sair para comer com o Daniel, deixando eu e meu irmão a sós.
– Agora que a Cássia saiu me conta. Que cara é essa?
– Você me conhece mesmo não é?
– Demais. Agora diz o que foi.
– A Clara não veio me visitar...
– Diego o que você a final? Cara esquece a Clara, ela está com a vida dela.
– Você esqueceria a sua esposa?
– Claro que não. Mas não misture as coisas, isso é diferente. A Cássia passou o tempo todo com você, se virando em mil para cuidar de você e das crianças. A Clara vinha te ver e tudo mas é com a Cássia que você está, ela te ama.
– Eu sei, me sinto mal por isso. Ela me ama demais só que eu não consigo retribuir isso na mesma intensidade. Eu amo a Cássia mas nada comparado ao que eu sinto pela Clara.
– Está na hora de você superar isso. Você já ficou com a Clari e não deu certo. Dá uma chance de verdade de ser feliz com a Cássia. Ela não está brincando com você.
– Eu não sei não. Fica quieto que você está me confundindo.
– O que eu estou fazendo é tentando te mostrar que você não pode terminar com a Cássia para ficar com a Clari. Isso é loucura!
– Tá. Agora fica quieto. Estou mais confuso ainda.
– Porque está confuso? – A Cássia disse entrando.
– Nada... É ele aqui falando umas coisas emboladas.
– É, sou eu.
– Do que vocês estão falando?
– Eu acabo de dizer que não entendi e você me pergunta?!
– Tudo bem rs deixa para lá.
– Eu vou deixar vocês sozinhos. Vamos Dani lá fora. – Meu irmão disse saindo com meu filho.
Fiquei com a Cássia conversando. Ela sempre dizendo o quanto me amava, o que me deixava pior ainda. Como dizer a ela que eu não queria mais ficar com ela? Como dizer que eu amava outra? Na verdade, eu amava ela, só que amava muito mais a Clara. Não dava para explicar, era algo que me tirava do mundo, algo muito forte, algo único. A María Clara era a mulher da minha vida e eu não tinha dúvidas disso.
Enquanto eu conversava com a Cássia e pensava como explicar o que estava acontecendo com ela, quem eu achava que não iria me ver, apareceu. A Clara entrou e eu não pude evitar o meu sorriso de tamanha felicidade. Eu achei que ela estava namorando com o Murilo e não iria me ver. Para a minha alegria, ela não estava com ele e foi me ver. O que significava que ela não tinha me esquecido.
Contei sobre não conseguir mexer as pernas, ela chamou o médico, ele conversou comigo, me examinou e eu senti algo ruim. Senti medo de não voltar a andar.
A Clara não precisava ficar presa a mim naquelas condições. Ela merecia alguém melhor que eu. Meu coração estava triste e eu acabei me afastando um pouco dela. Foi sem intenção mas fiz.
Ela foi embora e eu continuei pensando na possibilidade de não andar mais. Eu não ia prender a Clara a mim estando daquele jeito jamais. Eu não queria isso de jeito nenhum.
Pov’s Letícia
A viagem foi longa, eu fiquei um pouco cansada, mas só um pouco mesmo. O Pietro dormiu e foi no colo do pai. Devia ser bem legal ter um pai, as vezes eu sentia vontade de saber como era ter um pai.
Um moço todo de preto estava esperando a gente no aeroporto com um carro muito bonito. Era tudo muito grande, a paisagem era linda. A Clara sorria para mim o tempo todo. Eu não sabia explicar mas gostava muito dela.
Quando chegamos na casa da Clara eu fiquei um pouco paralisada. A casa era muito grande, e linda. Tinha umas flores na entrada, um portão preto enorme bem bonito, e a porta da casa também era bem bonita. Era grande e branca.
– Letícia? – A Clara disse se ajoelhando de frente para mim.
– Oi...
– Está tudo bem?
– Sim...
– E o que você tem?
– Sua casa é muito grande e muito linda.
– Nossa casa. Essa casa é sua também e quero que fique a vontade.
– Não sei não.
– Aos poucos você se acostuma, vem. – Ela disse me dando a mão e entrando comigo.
Me senti um pouco mais segura de entrar segurando a mão da Clari. Ela me passava uma coisa boa que eu não sabia explicar.
– Letícia você está com fome?
– Não Clari, só com sono.
– É? Vou te colocar no quarto. Vem cá.
– Aonde vai Letícia? – Minha mãe perguntou.
– Eu vou levar ela para descansar. Ela está com sono.
– Então me mostre o quarto onde vamos ficar. Eu também quero descansar.
– O quarto onde você vai ficar vai ter que esperar um pouco até terminarem de arrumar. A Letícia vai para o meu e vai ficar lá descansando. Não quero que ninguém a incomode.
– Por que no seu quarto?
– Porque o que vocês vão ficar não está arrumado ainda. Ela precisa descansar e eu quero que fique no meu quarto.
– Eu mereço. Fica mimando essa menina depois ninguém aguenta.
– Pode deixar que se ela ficar mimada demais eu dou conta. Vem Lele.
– Lele... Eu mereço...
A Clari me levou até o quarto dela. Ele era lindo como toda a casa e tinha uma cama enorme e muito confortável. Ela me deixou bem a vontade, ajeitou tudo e até me cobriu e me deu um beijo na testa.
– Clara...
– Diga.
– Obrigada... Você é muito legal.
– Por nada anjinho. Descansa e quando acordar, se quiser comer fala com a Dalva que ela prepara um lanche bem gostoso para você está bem?
– Sim.
– Agora descansa, que eu vou sair.
– Tudo bem.
Acordei quase de noite, tinha um homem na sala sentado vendo tv junto com o Pietro. Ele me chamou para ficar junto a ele.
– Vem aqui Letícia. Vem assistir televisão.
– Cadê minha mãe?
– Ela deu uma saída. Não deve demorar... Está com fome?
– Sim...
– Vai lá na cozinha pedir algo a Dalva.
– Não... Não precisa.
– Claro que precisa. Não precisa ter vergonha.
– Eu não estou com tanta fome assim.
– Vai comer Letícia. Tem que comer para ficar forte que minha mãe disse. – O Pietro disse.
– Depois eu como...
– Você vai comer. Eu não vou esquecer não. – O moço disse me olhando sério.
– Qual é o seu nome?
– Flávio. Eu sou o Flávio ou como diz o Pietro, tio Flávio. Você escolhe.
Ele era muito simpático e legal. Eu gostei bastante dele, ele era bem divertido. Fiquei na sala vendo televisão com o Pietro e com ele. Depois de um tempo a Dalva chegou com comida para todo mundo. Ela era legal também e sempre brincava comigo.
Fiquei na sala até que a Clara chegou e mandou eu e o Pietro dormir. Ela me colocou na cama, leu uma historinha e ficou comigo até eu pegar no sono. Eu nunca me senti tão bem com alguém como me senti com ela.
Pov’s Pietro
Acordei de tarde e fui para a cozinha ver a Dalva. Eu estava com muita fome e sentindo falta da minha mamãe.
– Dada! Eu to com fome.
– Eu vou colocar sua comida.
– Cadê a mamãe?
– Sua mãe foi ver seu pai.
– Foi ver o papai Murilo?
– Não, o seu pai Diego.
– Ah por que?
– Porque ele está no hospital, ele acordou depois de dormir por 3 anos e ela está com saudades dele.
– Não pode. Tem que ficar com o meu pai Murilo.
– Pietro, o que está acontecendo com você? Você sempre foi um menino tão compreensivo.
– É que eu gosto do meu pai Murilo e quero que ele more aqui.
– Isso é um pouco difícil de acontecer. Sua mãe gosta do seu pai Diego e não esconde isso.
– Não quero ele aqui.
– Não estou te reconhecendo rapazinho.
– Eu estou com fome!!
– Não adianta fazer bico não. Vai ter que se acostumar.
– Né nada. Pare viu. E eu vou para sala ficar com meu tio Flávio.
Eu não queria minha mãe com o Diego. Queria ela com meu pai Murilo. Eu queria que o meu pai morasse comigo. Ele era legal e sempre brincava comigo. Eu queria minha família completa.
Fiquei brincando com o tio Flávio, almocei e depois voltei a brincar com ele no jardim junto ao Boby. Foi bem divertido, só faltou a mamãe. Eu me sujei todo enquanto brincava e a Dalva me deu banho.
– Agora sim você está bonito.
– Eu sou bonito sempre. Eu sou lindo.
– Mas é igualzinho ao seu pai. Até nisso.
– Mas minha mãe que disse. Ela disse que sou lindo de qualquer jeito.
– Quer saber? Ela tem razão. Você é lindo de qualquer jeito mesmo. – Ela disse me abraçando e me dando beijos.
– Eu te amo Dada. Você é a melhor.
– Eu te bem mais pequenino.
– Eu vou ver televisão com o tio tá?
– Está bem. Comporte-se.
Fiquei na sala com o tio Flávio, depois a Letícia chegou e ficou com a gente. A Letícia era bem legal, a gente brigava as vezes mas eu gostava dela apesar de minha mãe ficar dando muita atenção para ela.
Depois de algum tempo minha mamãe chegou e mandou nós irmos dormir.
– Mãe deixa eu dormir com você? Por favor, só hoje!!
– Tudo bem. Pode dormir comigo hoje.
– Eba!!!
– Letícia também quer dormir comigo hoje? – Minha mãe perguntou.
– Não, eu quero dormir com a minha mãe mesmo.
– Tudo bem então.
Deitei na cama da minha mamãe e fiquei esperando ela voltar do quarto da Letícia. Quando ela chegou ela me abraçou bem forte e ficou fazendo carinho em mim até eu dormir. Eu tinha a melhor mãe do mundo.
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