Louco Amor
67 Capítulo 67
Notas iniciais
Pov’s Clari
– Ainda bem que você chegou Clari. E o Diego?
– Deixe com a cobra da mulher dele. Que ele não morra com o veneno dela.
– Não fale assim Clari. Apesar de tudo parece que ela gosta dele de verdade.
– Isso não me importa. Só espero que ele acorde logo para que possamos resolver tudo isso. – Eu disse sentando no sofá.
– Como assim?
– Então... Eu e o Diego voltamos.
– Isso é sério Clari?
– Bom, pelo menos era o que parecia antes do acidente.
– Eu fico feliz por vocês de verdade.
– Obrigada Dalva. Eu só quero saber o que faço com a Cássia.
– Clara, eu acho que você por enquanto vai ter que aguentar a situação. O Diego está em coma e não pode fazer nada. Você não pode dizer a ela que você está com o noivo dela. Isso é um assunto deles e você não deve se intrometer.
– Eu vou ter que aguentar aquela jararaca?
– É sim. Pelo menos até ele acordar.
– Eu não acredito nisso. O pior é que você tem razão, isso quem tem que dizer é ele.
– Fica tranquila que logo ele acorda e vocês ficam juntos de novo. – O Flávio disse sentando no sofá e me abraçando.
– Eu realmente espero isso.
– Agora me conta como foi que vocês voltaram. – A Dalva disse sentando no sofá de frente para mim.
– Ah, foi mais simples do que eu pensei um dia e lindo.
– Conta tudo Clari. – O Flávio disse se juntando a Dalva.
– Ele foi até o hotel onde eu fiquei hospeda, disse que me acompanharia e eu disse que não era necessário.
– Como sempre né.
– Não me interrompa Flávio, se não eu não conto.
– Tá continua logo.
– Depois da premiação ele me levou a uma praia e se declarou e voltamos.
– Eu sabia que vocês iriam se acertar. Vocês não tem jeito, sempre ficam juntos de um jeito ou de outro.
– Eu duvidava disso mas eu o senti tão sincero, não consegui dizer que não.
– Isso se chama amor...
– Sim, eu não quero mais esconder meus sentimentos.
– Tá apaixonada!!! Que coisa linda, olha a carinha!! – O Flávio disse me jogando um monte de almofadas.
– Ai para Flávio. Seu chato!
– Você me adora porque eu sou o seu melhor amigo. Você me acha super divertido que eu sei.
– Ai que convencido!! Eu vou para o quarto tá?
– Vai sim, vai descansar. – O Flávio disse me dando um beijo na bochecha.
– Eu vou começar a fazer a coisas. Licença.
– Não Dalva, agora você não vai fazer nada a não ser ir para a sua cama e descansar também.
– Não Clari está tudo bem. Não estou com sono.
– Deixa de ser teimosa. O Pietro está dormindo, o Flávio vai dormir e eu também. Vai fazer o que sozinha acordada? A casa não vai sair do lugar nem ninguém vai morrer por isso. Vai para a sua cama por favor e descanse. Eu prezo pela sua saúde.
– Você é um anjo Clara. Obrigada mesmo.
– Não por isso. Vai descansar vai.
Fui para o meu quarto, tomei um banho demorado e relaxante e deitei na minha cama. Fiquei olhando para o teto pensando em tudo o que tinha acontecido. Foi tudo muito rápido e eu não conseguia entender nem acreditar. Eu queria estar com o Diego, cuidar dele e não podia, não do jeito que eu queria.
Como eu não conseguiria dormir levantei para dar uma olhada no Pietro, eu gostava de me certificar sempre de que ele estava bem.
Após olhar o meu pequeno fui até cozinha beber um copo com água e na volta para o quarto escutei a voz do Flávio baixinha. Bati na porta do quarto e entrei:
– Licença...
– Oi Clari, achei que já estivesse dormindo.
– Não consigo. Estou muito preocupada com o Diego.
– Deita aqui comigo. – Ele disse se consertando na cama.
– Eu ouvi sua voz do corredor. Tava falando com quem? – Eu disse deitando do lado dele.
– Não estava falando com ninguém, eu estava tentando cantar.
– Entendi. – Eu disse sorrindo.
– E essa carinha? Está muito preocupada com o Diego né? Eu imagino que deve ter uma confusão ai dentro de você.
– Sim, estávamos tão felizes, passamos uma noite maravilhosa, estava quase tudo certo e agora eu tenho que aguentar a Cássia bancando a esposa dele sem poder falar nada.
– Mas ela ainda é a esposa dele. Enquanto ele não terminar com ela, eles ainda serão um casal e não adianta você falar para ela que vocês voltaram ou ficaram porque ela vai entender ou como provocação ou como se você fosse amante. Então agora é ter paciência.
– Você sempre sabe de tudo, sempre me ajuda... Você é real?
– Não sei vamos ver... – Ele disse me fazendo cosquinhas. – Você sente isso? Sente?
– Ai não, para! Flávio! Socorro. – Eu disse rindo e tentando me soltar.
– Será que sou real?
– Sim, você é. Você é!!
– Tem certeza? – Ele disse parando de me fazer cosquinhas.
– Tenho. – Eu disse rindo.
– Que bom. Não gosto de dúvidas.
– Vai ser ótimo te ter aqui em casa. Você mal chegou e eu já estou acostumada com sua presença aqui.
– Bom saber que eu não te incomodo mas não se acostume demais porque é só por um tempo.
– Não seja estraga prazeres.
– Tudo bem. – Ele disse rindo.
– Flávio... E se o Diego morrer? Se ele não acordar nunca mais.
– Ei, olha para mim. – Ele disse virando delicadamente o meu rosto para ele. – O Diego vai sair dessa. Ele não vai morrer. Eu tenho certeza que daqui a pouco ele estará aqui implicando de novo comigo.
– Estou com medo de perder ele. – Eu disse chorando e abraçando o Flávio.
– Não pensa nisso. Pensamentos positivos. Você logo estará com ele e o Pietro passeando e aproveitando bastante a vida.
– Eu estou tentando pensar assim mas o medo me mata por dentro.
– Fica tranquila. Tudo vai ficar bem e você pode contar comigo para o que precisar a qualquer hora.
– Obrigada por tudo. Você é o melhor amigo do mundo inteiro.
– Eu te adoro muito Clara.
– Eu te adoro mais!
– Vou deixar você ganhar só dessa vez.
– Está bem. Agora eu vou para a minha cama. – Eu disse dando um beijo no rosto dele e levantando.
– Bons sonhos.
Fui para o meu quarto me sentindo um pouco melhor, deitei na cama e após alguns minutos peguei no sono.
Acordei por volta das 13hs fiz minha higiene, me arrumei e fui comer alguma coisa antes de ir para o hospital ver o Diego.
– Clari, como você está linda. Conseguiu descansar?
– Sim, consegui um pouco.
– Vou colocar comida para você Clari, não pode ficar sem comer.
– Coloca pouco Dalva. Eu estou muito enjoada.
– Você está toda cheia de coisas hoje. – O Flávio disse me puxando para um abraço.
– Não é um dos meus melhores dias... Cadê o meu filho?
– Ele está dormindo. Comeu e dormiu.
– Estou com tanta saudade dele...
– Quando você voltar você fica com ele.
– Clari sua comida está na mesa.
– Obrigada Dalva.
Comi rapidamente e fui ao hospital ver o Diego. Eu estava muito preocupada com o estado dele, tinha muito medo de perde-lo, de nunca mais ouvir a voz dele nem ver o sorriso nem poder beija-lo. Eu não conseguia negar o que sentia por ele, não depois da noite que passamos antes do acidente.
– Boa tarde... – Eu disse entrando no quarto do hospital.
– Não sei se posso dizer que é boa... Achei que não voltaria aqui.
– E por que eu não voltaria? Ele é o pai dos meus filhos.
– E do meu também. Com a diferença que é o meu noivo.
– Qual o seu problema em falar isso o tempo todo?
– É só para que você não se esqueça.
– Será que você poderia me deixar um momento a sós com ele ou é pedir demais?
– Porque você quer ficar a sós com ele?
– Não é da sua conta.
– Você tem 5 minutos. – Ela disse saindo.
Fiquei conversando com o Diego, fazendo o mesmo pedido de sempre, que ele não me deixasse, e na espera de uma resposta que não teve. Comecei a chorar ao pensar que nunca mais o teria de volta, que o perderia para sempre.
Saí do hospital pensando na minha vida, em tudo o que estava acontecendo e no que poderia acontecer. Minha cabeça estava a mil, não parava de doer e o meu medo de perder o Diego só aumentava a cada segundo que se passava sem uma resposta dele.
– Mamãe!! – O Pietro disse correndo em minha direção.
– Oi meu amor. Que saudade que eu estava de você. Como você está?
– Saudade... – Ele disse me abraçando forte.
– Eu te amo muito meu filho. – Eu disse com os olhos cheios de lágrimas.
– Chora não. – O Pietro disse enxugando minhas lágrimas.
– Eu não vou chorar. – Eu disse o abraçando forte e o enchendo de beijos.
– Como foi lá? Alguma novidade?
–Nada Dalva. Ele continua na mesma, nem um sinal se quer.
– Calma, logo ele acorda. – O Flávio disse tentando me acalmar.
– Espero por esse dia.
– Pietro está na hora de você dormir.
– Né nada.
– Ele estava te esperando. – A Dalva disse sorrindo.
– Vem meu amor vamos para o quarto. – Eu disse saindo com o Pietro no colo.
Coloquei o Pietro para dormir no quarto dele e fui para o meu quarto me arrumar para deitar. Eu não tinha fome nem sono, somente uma enorme dor de cabeça e um enjoo forte.
Eu estava dormindo quando o meu celular tocou:
~ Ligação ON ~
– Alô..
– María Clara?
– Sim, quem é?
– Aqui é o doutor Alberto.
– Aconteceu alguma coisa?
– Sim, seria bom se a senhora viesse agora para cá.
– Já estou indo.
~ Ligação OFF ~
Fiquei muito preocupada com a ligação do hospital e sai o mais rápido que pude para o hospital. Quando cheguei lá encontrei a Cássia, os irmãos do Diego e os pais, todos chorando muito.
– O que está acontecendo aqui?
– Clari... Você vai ter que ser forte.
– Cadê o Diego?
– O Diego não resistiu.
– Não, não é verdade.
– Infelizmente é.
– Não!! – Eu gritei enquanto chorava.
– Clara!!! Acorda!! – O Flávio disse me sacudindo.
– Flávio me abraça. Por favor me abraça mas forte.
– Calma Clara você está tremendo. O que foi?
– Eu sonhei que o Diego tinha morrido. Foi horrível. – Eu disse chorando.
– Foi só um pesadelo. Fica calma, eu estou aqui com você.
– Fica aqui comigo por favor. Só hoje.
– Eu fico sim. – Ele disse deitando na cama comigo. – Bebe um pouco de água. – Ele disse pegando o copo com água do lado da cama.
– Obrigada.
– Agora respira e deita aqui comigo. Eu vou te ajudar a dormir.
O Flávio ficou me fazendo cafuné enquanto eu tentava esquecer o pesadelo que tinha tido. O medo me cercava por todos os lados e o desespero tomava conta de mim. Eu tentava disfarçar na frente do Pietro mas já não estava conseguindo. O Diego tinha que voltar para mim, ele não podia morrer. A nossa história não podia terminar daquela maneira.
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