Louco Amor

50 Capítulo 50


Notas iniciais
Oi gente! Esse capítulo saiu um pouco grande mas acho que consegui fazer tudo o que eu queria nele. Obrigada pelos comentários, espero que gostem e boa leitura!

Pov’s Diego

Acordei animado, era sábado, finalmente; o dia do meu encontro com a Clari. Eu queria muito saber o que ela tinha feito no tempo em que passamos longe um do outro. Bom, que ela tinha avançado com a carreira eu já sabia mas queria saber mais, queria detalhes. Mesmo não estando em condições nenhuma de querer nada.

Dei as minhas aulas com bastante ânimo e liberei todas as turmas 10 minutos antes do sinal bater. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, a volta da Clari tinha mexido comigo. Era estranho o que eu estava sentindo, eu não queria mais nada com ela, nada além de amizade. Achava que a minha história com ela já tinha sido superada até reencontrar ela.

Eu estava pensando seriamente em aproveitar o encontro para pedir a ela o divórcio. Não tinha sentido a gente continuar casado no papel, não íamos voltar a viver como um casal nunca mais. A nossa história estava mais que resolvida apesar de ter tido um final complicado. Ao menos eu pensava assim, eu acreditava nisso.

Os poucos minutos que passei com ela tanto no restaurante quanto na casa da minha avó, me fez ver o quanto ela tinha mudado. A Clari estava mais madura, mais mulher, ela tinha mudado tanto que parecia que havia uma década que eu não a via.

Desde o dia que a Cássia me viu abraçado com a Clara na casa da minha avó ela passou a evitar mais as brigas e a ser mais amável do que já era. Eu não sei bem o que ela estava pensando mas eu estava gostando da atitude dela. Era muito bom passar um dia inteiro sem brigar com ela. Eu gostava demais da Cássia, ela era sem dúvidas uma mulher sensacional e me fazia muito bem. O que eu sentia por ela não era igual ao que eu havia sentido pela Clari, eu acho que nunca ia amar alguém como tinha amado a Clara, foi algo único e mais que especial.

Quando o horário de me encontrar com a Clari foi se aproximando eu comecei a me arrumar. Eu coloquei uma blusa social, uma calça e um tênis. Enquanto eu penteava o cabelo eu cantava, e verificava se estava tudo certo. Eu estava empolgado demais e comecei a dizer para mim mesmo “ É só um encontro de conhecidos “. Repeti isso várias vezes para ver se eu voltava ao normal. O único problema era o que dizer a Cássia, se eu dissesse que iria encontrar a María Clara ela não ia me deixar nem sair de casa. Enquanto eu pensava em o que dizer eu liguei para a Clari para confirmar o nosso encontro.

~ Ligação ON ~´

– Alô.

– Clari?

– Diego... Aconteceu alguma coisa?

– Não, só liguei para confirmar que está tudo certo mesmo. Você vai mesmo?

– Vou... Eu disse que ia, não disse?

– É disse mas não sei. Poderia ter tido algum imprevisto.

– Eu te avisaria. Não sou tão ruim assim.

– Eu não disse isso.

– Tá, eu vou terminar de me arrumar. Conversamos mais depois. Tchau.

– Tá certo, tchau.

~ Ligação OFF ~

– Quem era? – A Cássia disse entrando no quarto.

– Quem era o que?

– No celular. Você estava falando com alguém, não?

– Ah, sim... Estava sim.

– Sim e quem era?

– Ninguém de importante.

– O ninguém de importante tem nome?

– Claro quem tem. Todo mundo tem nome ué.

– Então diz Diego. Qual o nome?

– Clari. – Falei para dentro.

– Como? Fala alto.

– Clari.

– Ah você estava falando com a Clari... E sobre o que vocês estavam falando?

– Sobre o jantar de hoje...

– Vocês marcaram um jantar... Diego você me acha com cara de idiota?

– Não acho que você tenha cara de idiota. Não pensa coisa errada não. É só um jantar de amigos que não se veem a muito tempo e querem colocar o papo em dia.

– E por que você não me disse nada antes? Por que nem me perguntou se eu queria ir junto com você?

– Porque eu queria e acredito que ela também queira que estejamos a sós.

– E porque a sós?

– Cássia não complica as coisas por favor. É só uma conversa entre amigos, ela vai me contar da vida dela e eu vou falar da minha. Não terá nada demais.

– Sei...

– Amor, eu amo você. Não tem outra mulher na minha vida além de você. – Eu disse abraçando ela.

– É para eu acreditar nisso?

– É sim. É a verdade. – Eu disse a beijando.

– Não chega muito tarde tá bom?

– Vou tentar. É que tem muita coisa para eu conversar com ela.

– Hum... Acho bom você conseguir. Eu estou de olho em você.

– Ciumenta. – Eu disse rindo.

Terminei de me arrumar e dei uma última olhada no espelho. Queria ter a certeza de que estava tudo certo.

Saí um pouco cedo para o restaurante que eu tinha marcado com a Clara. Fui ouvindo música no caminho para relaxar, eu estava um pouquinho tenso e pensando como seria o jantar e sobre o que eu deveria falar ou não para ela.

Passou mais de vinte minutos do horário que tínhamos marcado e ela não tinha dado nem sinal. Comecei a pensar que ela não iria e estava prestes a voltar para casa quando ela apareceu. Ela estava incrivelmente linda, nem parecia a Clari que eu tinha conhecido um dia. Ela estava com um vestido curto, sandália de salto e cabelos soltos um pouco cacheado.

No inicio eu estávamos sem jeito um com outro mas foi só começarmos a lembrar de algumas coisas que o gelo se desfez e começamos a conversar normalmente. Aos poucos ela começou a sorrir e brincar mas sempre mantendo uma distância entre nós.

O jantar foi melhor do que eu tinha imaginado. Eu me diverti muito com ela, foi uma noite tão maravilhosa que eu perdi a noção do horário e acabei chegando um pouco tarde em casa mas isso não foi um problema. Pelo menos eu não considerei um problema.

– Isso são horas de chegar?

– Já sei, está tarde...

– Que bom que você sabe. A conversa foi boa né Diego?

– De verdade? Foi sim. Aconteceu muitas coisas no tempo que passamos sem nos ver.

– Matou as saudades?

– Depende... Você já parou de ser ciumenta?

– Cada dia você me prova que é mais idiota ainda.

– Qual a sua paixão pela palavra “idiota“ ? Porque você adora usar.

– E do que você quer que eu te chame?

– De nada. Você está vendo coisas onde não existem.

– Não existem e você me chega a essa hora?

– Tá bom. Você quer que exista? Vai existir.

– Como assim Diego?

– Você não está dizendo que eu estou tendo um caso com a Clari? Então... Vou fazer virar realidade.

– Você não está louco.

– Eu estou bem consciente. E te digo mais, não vou ficar de caso com a Clari não porque ela não é mulher que se submete a esse tipo de coisa. Se eu ficar com ela vai ser para valer. Pensa bem no que você está fazendo. Se eu sair por aquela porta eu não volto mais e você sabe que eu não volto.

– Se você fizer isso você nunca mais vai ver nem a Letícia nem a Júlia. Eu juro que vou te odiar como nunca odiei ninguém em toda a minha vida porque você Diego foi o primeiro por quem eu me apaixonei de verdade, foi por você que eu criei forças para largar de vez o meu ex, eu perdi o medo dele por você. Eu me apaixonei por você de um jeito estúpido que as vezes nem eu me entendo... Se você pensa em me deixar por outra é porque eu não tenho o seu amor, o que só prova que tenho razão em ter tanto ciúmes de você. – Ela disse chorando.

– Me perdoa Cássia. Eu não queria ter dito nada disso. Eu fico muito irritado quando você desconfia de mim e ainda mais com a Clari. Eu realmente não quero nada com ela, a vejo como uma amiga e nada mais. Com você eu formei a minha família, a família dos meus sonhos. Eu te amo muito.

– Eu também te amo muito e é por isso que eu tenho tanto medo de te perder. Minha vida está tão perfeita que eu não quero que nada estrague isso.

– E não vai. Confia em mim. Nada vai estragar a nossa relação. Eu não vou deixar. – Eu disse abraçando ela forte e em seguida a beijando.

Eu não gostava de brigar com a Cássia e o ciúmes dela pela Clari era sem fundamentos. Não tinha motivos para ela ter ciúmes da Clari. Ela era só uma amiga digamos assim, porque na realidade nem amigos nós éramos. Estávamos tentando recuperar parte da nossa relação porque o principal que era o amor eu acho que esse já não existia.

Pov’s Clari

Sábado... Dia do meu encontro com o Diego. Meu nervosismo era visível. Eu passei o dia todo tentando distrair a mente e pensar em outras coisas.

Aproveitei minha manhã para ficar com o meu filho, como sempre fazia. Fiz uma das coisas que eu amava fazer que era dar comida na boca dele. O Pietro comia correndo pela casa toda, ele tinha muita energia, quase nunca parava. Parecia ser uma criança 100% saudável.

– Pietro vem terminar de comer.

– Sou um avião!!! – Ele disse girando com os braços abertos.

– Pietro você vai vomitar! Senta aqui.

– Não.

– Então eu vou dar a sua comida para o Boby.

– Não!!! É minha.

– Então venha comer.

– Dá. – Ele disse abrindo a boca do meu lado.

– Senta.

– Não. Em pé.

– Você só faz o que você quer.

– É.

– É nada. Se enxerga menino.

– Não.

– Não o que?

– Não. Não. Não.

– Ah, você não vai comer. Vou dizer para a Dalva colocar para o Boby.

– Boobbyyy toma comida! – Ele disse gritando e tentando estralar os dedos.

– Filho come. Você não está com fome né?

– Quero isso não. Quero doce.

– Eu não vou te dar doce.

– Vai sim.

– Não vou.

– Não quero isso. Eca.

– Quando você estiver com fome de verdade, você pede comida. – Eu disse levantando do chão e indo para a cozinha.

– Que falta de paciência é essa Clara?

– Ai Dalva. Eu não sei. O Pietro está cada dia mais teimoso. Eu juro que tento manter a calma mas esses dias está difícil.

– Isso tem a ver com a volta do Diego?

– O que? Que absurdo Dalva. Eu não estava nem lembrando dele.

– Hum... Sei...

– Eu preciso de alguém que me conheça menos. – Eu disse jogando um pano nela.

– Kkkk Eu sabia que tinha algo a ver com ele. Você ainda ama ele não ama? Seja sincera, não vai sair daqui.

– Sinceramente? Eu não sei. Juro que não sei. É que aconteceu tanta coisa entre a gente que eu sinto que se quebrou algo sabe? Não sei se ainda o amo, não o suficiente para perdoar tudo e aceita-lo novamente na minha vida.

– Eu te entendo. A vida tem dessas coisas né? Mas se você quer um conselho... Siga o seu coração. Não há um guia melhor que ele.

– Não sei, as vezes acho que ele mais me atrapalha do que ajuda... E eu vou tentar contar para ele do Pietro hoje a noite. Eu estou com medo da reação dele.

– Fica tranquila. Eu acho que ele vai te entender. Não sei de primeira mas uma hora ele vai te entender.

– É, eu vou tentar manter a calma.

– Mantenha a calma e tenta não brigar mais com o Pietro. Ele fica triste quando você briga com ele Clari. Eu nunca vi uma criança tão apegada a mãe quanto ele. E tem mais, te garanto que agora ele deve estar sentado do lado do sofá com um brinquedo na mão chorando... Ele sempre faz isso quando você briga com ele.

– Eu... Eu não sabia. – Eu disse me sentindo culpada por ele estar chorando.

Fui para a sala procurar o Pietro e ele estava exatamente no lugar e do jeito que a Dalva tinha dito. Me senti extremamente culpada, fiquei com o coração partido em ver o meu filho chorando. Ele ficou de costas ao me ver, acho que ele não queria que eu o visse chorar.

– Meu amor, não chora. – Eu disse me agachando em frente a ele e o virando para mim.

– Brigou comigo. – Ele disse esfregando os olhos.

– Perdão filho. Mamãe está um pouco nervosa, não quis brigar com você. – Eu disse pegando ele no colo. – Eu te amo Pietro. Você é tudo para mim, é a minha vida.

– Eu te amo. Minha mamãe linda. Não briga com eu.

– Não vou brigar. Quer comer?

– Eu quero doce.

– Eu te dou depois se você comer tudo que tem no prato, combinado?

– Combinado. – Ele disse colocando a cabeça no meu ombro.

– Eu te amo, te amo, te amo... – Eu disse enchendo ele de beijos.

Eu não tinha noção que ele ficava tão triste a ponto de chorar quando eu brigava com ele. O Pietro era sensível e se magoava quando eu gritava com ele. Eu tive vontade de chorar quando vi ele chorando. A culpa tomava conta de mim naquele momento. Tudo o que o meu filho precisava era do meu amor, da minha atenção e da minha paciência.

Pela noite comecei a me arrumar para o meu encontro com o Diego. Eu fiquei pensando em como seria o jantar, e em como eu diria ao Diego que ele tem um filho. Ele sem dúvidas iria me odiar para o resto da vida por isso, mas eu tinha que contar a verdade pelo bem do Pietro.

Enquanto eu me arrumava o Pietro brincava com o carrinho dele em cima da minha cama e as vezes parava para me observar. Era impressionante o quanto ele se parecia com pai. Eu olhava nos olhos do Pietro e via o Diego. Era a criança mais linda que eu já tinha visto.

Eu estava distraída me maquiando quando o Pietro parou na porta do banheiro e falou:

– Tá linda mamã!

– Acha mesmo que estou linda?

– Acho! Você é linda!

– Obrigada meu amor. Ganhei minha noite agora. Recebi elogio do homem mais lindo que eu conheço.

– Eu sou lindo igual a você.

– E convencido também e não é igual a mim. – Eu disse rindo.

– E é igual a quem?

– A ninguém filho. Esquece isso. – Eu disse abaixando a cabeça.

– Fica triste não mamãe.

– Não estou triste meu amor. Eu estou feliz. Eu te tenho.

– Tem sim. – Ele disse pedindo colo.

– Escuta filho. Mamãe vai sair, se comporta tá? Você vai ficar com a Dalva.

– Não mamã!! Sair não.

– Eu preciso meu filho.

– Leva eu!

– Está muito tarde. Está na hora de você dormir.

– Sai não mamãe. Sai não. – Ele disse chorando.

– Meu amor não faz isso. Mamãe precisa sair. Eu prometo que não vou demorar. Você dorme agora com a Dada e quando você acordar eu já estarei em casa, está certo?

– Não. Vou dormir com você.

– Não dá tempo Pietro. Eu já estou em cima da hora, tenho que sair.

– Dormir com você, por favor. – Ele disse chorando mais do que antes.

– Tudo bem. Mas é para dormir, está ouvindo?

– Tô.

Fiquei tentando fazer o Pietro dormir. Ele não queria que eu saísse de jeito nenhum e fazia de tudo para não dormir. Depois de um tempo ninando ele, eu consegui fazer com que ele dormisse e pude sair finalmente. Eu já estava mais que atrasada, o Diego já devia estar achando que eu tinha dado o bolo nele. Fui o mais rápido que pude para o restaurante, já pensando na desculpa porque eu não tinha como dizer que tive problemas com o meu filho.

Quando cheguei no local ele estava sentado em uma mesa, ele estava lindo. Eu paralisei um pouco ao vê-lo. Foi uma sensação tão estranha e tão boa ao mesmo tempo. Ele me olhou e eu abaixei a cabeça tentando desviar daquele olhar e me manter como antes.

– Oi... – Eu disse me aproximando da mesa.

– Oi. Você está muito linda. – Ele disse se levantando e me cumprimentando. – Deixa eu puxo a cadeira para você sentar.

– Obrigada. – Eu disse dando um sorriso fraco.

– De nada.

– Desculpa o atraso. Eu tive um contratempo.

– Sem problemas... E então... Me conta um pouquinho do aconteceu depois que nos separamos?

– Eu não sei se quero falar disso Diego.

– E do que quer falar?

– Não sei o que falar com você na verdade. E você deveria arranjar algo para se conversar já que a ideia desse jantar foi toda sua.

– Tudo bem senhorita. Eu começo.

– Comece.

– Eu comecei a namorar, a morar junto, deixei de fazer metade das coisas que eu fazia quando éramos casados. Digo em relação a surpresas, essas coisas. Estou mais responsável que antes. É estranho estar aqui na sua frente falando tudo isso, confesso que estou sem jeito e perdido nas minhas palavras.

– E está feliz? Você tem uma filha linda. Quanto tempo ela tem?

– Sim, estou feliz e obrigada. A Melissa, ela tem 1 ano e 7 meses.

– 1 ano e 7 meses? Mas há 1 ano e 7 meses atrás ainda estávamos juntos. Você engravidou a Cássia enquanto éramos casados? É isso?

– Não. Deixa eu explicar isso melhor.

– Explique, se é que tem como explicar.

– A Melissa não é minha filha de sangue. Na verdade ela é só filha Cássia, mas eu me apeguei muito a ela e a considero como minha filha.

– Entendi. Pensei errado... Desculpe.

– Não tem problema. Você tem seus motivos para ter pensado errado.

– Eu sei que tenho.

– Podíamos deixar um pouco de lado o final da nossa relação? A final, foi a única parte ruim da nossa história.

– É um pouco difícil mas vou tentar.

– Sabe que eu quase não acreditei quando te vi naquele dia lá naquele restaurante? Você nem parece mais aquele menininha que eu conheci na lanchonete, de franja ainda.

– Eu mudei bastante. Um acontecimento na minha vida me fez mudar radicalmente.

– Que acontecimento?

– Um que me fez amadurecer, me fez ver o mundo de outro jeito.

– Ok, você não vai me dizer qual foi o acontecimento.

Era a hora perfeita para eu contar sobre o Pietro mas eu tinha perdido a coragem. Eu não sei o que tinha acontecido mas as palavras não saíam. Tentei disfarçar o meu nervosismo fazendo os pedidos ao garçom.

– Você está namorando?

– Não. Eu estava namorando o Murilo mas ele viajou a trabalho há 9 meses atrás e só volta daqui a 3.

– Hum... E quando ele voltar vocês vão reatar o namoro?

– Se ele quiser sim. Depois que nos separamos ele cuidou de mim, e aos poucos me conquistou. Ele me faz muito bem.

– Eu fico muito feliz de saber que você encontrou alguém que te faz bem. Alguém que te ame e que você ame. Eu só espero que ele não te machuque.

– Isso eu também espero porque outra decepção eu não aguento. Mas eu tenho quase certeza que ele jamais me machucaria, o Murilo é especial.

– É bom mesmo... Você lembra daquela tarde que passamos naquele lugar especial que te levei? Foi a primeira vez que fomos.

– E que você me melou de sorvete? Lembro perfeitamente. – Ela disse rindo.

– Ah nem vem que você depois me melou também e foi de propósito.

– E você não fez de propósito?

– Não, foi sem querer mas se você quiser eu peço um sorvete agora e faço por querer.

– Não muito obrigada.

– Kkkk Que pena que você não quer.

Fomos interrompidos pelo garçom com as comidas. Aquele jantar estava maravilhoso, a companhia do Diego era maravilhosa. Ríamos como antes, como quando estávamos juntos. Por um momento eu deixei toda a minha raiva e medo de lado. Ele fez eu me sentir a vontade com apenas alguns sorrisos. Após o jantar ele me convidou para dançar. Primeiramente eu disse que não mas ele insistiu e eu não tive como recusar.

Começamos a dançar, tudo estava bem, eu procurava manter sempre uma distância dele. Ficamos ali no espaço reservado para dança, em silêncio, apenas dançando. Começou a tocar uma música romântica e eu pensei em parar. Eu não queria dançar música lenta com ele, mas resolvi dançar. Era só uma dança, não iria ter nada demais. Afinal... O que poderia acontecer durante uma dança? Eu preferi não pensar nas respostas.

O Diego me puxou mais para ele e desceu as mãos para um pouco a baixo da minha cintura. Eu apoiei o meu queixo em seu ombro e o abracei. Ficamos daquele jeito por um tempo dançando. O coração dele estava acelerado, eu podia sentir. Em um momento da dança nossos olhares se cruzaram e eu me perdi naquele olhar, mais uma vez. Não sei se ele sentiu o mesmo mas eu naquele momento eu senti como se o tempo não tivesse passado, como se ainda existisse algo entre nós. Eu não podia continuar ali. Parei de dançar e me dirigi a mesa para pegar as minhas coisas e ir embora.

– Clari espera! Onde você vai? – Ele disse me segurando.

– Embora. Já... Já está tarde, eu tenho que ir. – Eu disse um pouco nervosa.

– Fica mais um pouco. Por favor. Eu estou me divertindo muito você.

– Eu também mas...

– Mas nada. Vem vamos dançar. – Ele disse segurando minha mão e me conduzindo de volta a área de dança.

Ficamos dançando por bastante tempo. O tempo parecia ter parado. Quando eu me dei conta já eram quase 3 da manhã, estava mais que tarde e eu precisava voltar para casa para cuidar do meu filho. Eu e o Diego nos despedimos com um abraço um pouco demorado e ele me fez prometer que teria uma próxima. Eu não estava certa de queria me encontrar novamente com ele. No final das contas eu não tinha dito o que tinha me levado a ir naquele jantar. Eu tinha que encontrar outra maneira de contar para ele.

Cheguei em casa e o Pietro estava chorando. Me preocupei de início, pensei que ele estivesse sentindo algo. Mas assim que cheguei no quarto e o carreguei, ele parou de chorar e começou a cochilar no meu colo.

– Por que o choro?

– Um pouco depois que você saiu ele acordou e quando não te viu começou a chorar.

– Por que não me ligou?

– Porque eu sabia que você precisava conversar com o Diego e se eu ligasse você não ia aproveitar e viria correndo.

– Claro que sim. Meu filho em primeiro lugar.

– Só não esquece que seu filho vai crescer e vai ter a vida dele.

– Não esqueço disso mas ele é minha prioridade.

– E como foi o jantar?

– Bem... Foi melhor do que eu esperava.

– Pelo brilho nos seus olhos já sei que teve clima ou quem sabe um beijo.

– Não teve beijo nenhum tá?

– Mas teve clima... Eu sabia!!

– Não foi bem um clima... Acho que só eu senti.

– Talvez ele tenha sentido e não tenha dito nem demonstrado nada.

– Eu não sei. Também não acho uma boa ideia investigar isso.

– Sabe que depois de tudo, eu continuo torcendo por vocês dois. Eu sinto que ele é o único que consegue tirar esse sorriso de você.

– Que? Que sorriso, eu não estou sorrindo.

– Você sorri com os olhos Clari. Há quanto tempo que eu não vejo esse seu olhar de menina apaixonada.

– Eu não estou apaixonada por ele Dalva. Isso já passou. E o que aconteceu hoje, eu já esqueci.

– Humm.. Agora eu vou dormir porque está tarde. Boa noite. Beijos!

– Boa, Dalva. Obrigada por cuidar do Pietro.

– É sempre um prazer.

Coloquei o Pietro na cama e comecei a me arrumar para dormir. Fiquei lembrando do olhar do Diego, e da maneira com que dançávamos. O perfume dele ainda estava em mim e eu estava me sentindo muito bem. As risadas, as conversas, a dança... Tudo fez com que eu tivesse uma noite maravilhosa. Apesar dele ter me proporcionado uma noite quase perfeita eu não esquecia que ele não era uma pessoa tão confiável e que poderia me machucar novamente a qualquer momento e o melhor era continuar mantendo distância.

Deitei na cama e abracei o Pietro. Fiquei observando o meu pequeno dormir. Eu não conseguia entender o porque ele era tão apegado a mim. Pela lógica ele teria que ser apegado a Dalva porque era a pessoa que passava mais tempo com ele. Eu trabalhava demais e quase não conseguia dar atenção a ele. Eu não gostava disso mas infelizmente não tinha como mudar. O meu trabalho exigia muito de mim e eu queria poder continuar dando tudo do melhor para o Pietro. Eu queria que ele tivesse o máximo de conforto possível. Ele e a Letícia eram tudo o que eu tinha e um dia eu ia conseguir juntar os dois e ninguém nunca mais nos separaria um do outro.

Notas finais
Comentem! Beijos! :*