Louco Amor
49 Capítulo 49
Notas iniciais
Pov’s Diego
Os dias se passaram e os meus sentimentos se acalmaram. Eu continuava pensando nela e no no dia em que nos encontramos. Eu não conseguia tirar a imagem dela da cabeça. Como ela tinha mudado... Estava mais mulher.
Uma vez a Júlia estava assistindo uma novela e eu parei para ver com ela. Quando eu menos esperei, apareceu a Clari. Era a novela que ela fazia, eu não tinha nem noção de que era aquela novela. Depois daquele dia eu passei a assistir todos os dias com a Júlia. Era tão bom ver a Clari, mesmo que fosse só pela televisão.
Os negócios da lanchonete estavam cada vez piores. As dívidas estavam aumentando e o lucro abaixando. Eu já estava sem saber o que fazer, já não tinha de onde tirar dinheiro para pagar tudo. Confesso que pensava em fechar a lanchonete constantemente.
A Cássia andava falando muito em nos casarmos o que me assustava um pouquinho. Apesar de que estávamos morando juntos, eu nunca pensei em casar de novo. Não no papel, da forma tradicional. Eu definitivamente não sabia se queria dar aquele passo com ela. Sempre que ela me perguntava quando íamos casar de fato eu tentava mudar o rumo da conversa, ou simplesmente dizia que não sabia.
Estávamos tentando ter um filho há algum tempo mas ela não conseguia engravidar. Isso me deixava um pouco triste mas nada demais. Eu já tinha a Mel e a Jujuba que eram como se fossem minhas filhas. Eu amava elas demais, eram muito educadas e amorosas.
Após dar minhas aulas resolvi passar na casa da minha avó. A Cássia tinha dito que levaria as crianças mais tarde para minha avó ver. Já tinha um tempo que eu não a via e estava com saudades. Meu tempo estava muito corrido e eu quase não fazia mais nada além de trabalhar e cuidar das crianças.
Quando cheguei na casa da minha avó, tive uma surpresa. A Clari estava lá conversando com a minha avó. Ela tinha dito algo sobre um Pietro enquanto chorava. Eu não entendi muito bem a conversa mas me preocupei bastante com ela. Não queria ver ela naquele estado.
– Clari? O que foi?
– Nada... Já passou e inclusive eu já estou de saída... – Ela disse se levantando.
– Não. Eu quero saber o que aconteceu, ninguém chora por nada.
– Eu vou deixar vocês a sós. Pensa bem no que eu te disse Clari. – Minha avó disse saindo.
– Por que você está chorando assim?
– Eu não tenho que te dar satisfações.
– Para com isso. Eu estou aqui preocupado com você e você me dando patadas?
– Eu não preciso que você se preocupe comigo. Por que agora Diego? Depois de tanto tempo... Agora eu já não preciso de você. Eu amadureci da pior forma possível graças a Você.
– Clara, me desculpa. Eu pensei em te procurar várias vezes mas eu não sabia como seria a sua reação ao me ver. Não queria e não quero te machucar mais.
– Nada do que você diga vai adiantar. Quando eu precisei de você, você não estava. Você simplesmente sumiu no mundo.
– Eu tentei falar com você mas você proibiu a minha entrada na sua casa. E eu te vi abraçada com aquele seu amiguinho.
– O meu amiguinho é mais homem do que você. Ele ficou do meu lado todo esse tempo e até hoje mesmo estando distante não deixa me mandar mensagem todos os dias perguntando como eu estou.
– Fica com ele então. Eu não sou perfeito.
– Eu já fiquei e espero voltar a ficar. Estou cansada de idiotas como você na minha vida.
– Não dá para conversar com você. Eu tento te ajudar e só o que você sabe é brigar comigo. Eu aqui preocupado com você... Não sei porque insisto em me preocupar com quem não deveria. Desabafe com as paredes. – Eu disse dando as costas para ela.
Eu estava muito irritado com a Clara. Eu só queria ajudar ela, saber o porque do choro e mais nada. Não queria vê-la chorar. Minha única vontade era de abraça-la forte e dizer que ela podia contar comigo. Quando eu dei as costas e fiz menção de sair ouvir ela chorando e aquilo me doeu profundamente. Por mais que a gente tivesse discutido eu não podia deixa-la daquele jeito.
– Clarinha... – Eu disse a puxando para um abraço.
– Não precisa se preocupar comigo Diego. Eu vou ficar bem. – Ela disse tentando desfazer do meu abraço.
– Você pode dizer o que quiser. Eu não vou parar de me preocupar com você.
– Eu não sei mais o que fazer. – Ela disse chorando e me abraçando.
– O que aconteceu? Quem é Pietro?
– É que eu tenho um primo sabe, e ele está doente e isso me deixa mal. – Ela disse enxugando as lagrimas.
– Ele vai ficar bem. Não precisa chorar tanto.
– Eu não sei se ele vai ficar bem. Eu tenho medo.
– Vai ficar tudo bem. – Eu disse abraçando ela novamente.
Ficamos ali abraçados no meio da sala por um bom tempo. Eu não queria solta-la, tinha saudades daquele abraço e ela estava tão frágil. Ela me abraçava forte e eu correspondia da mesma maneira. Eu queria cuidar dela e a mimar mas eu não podia. Era melhor não misturar as coisas.
Após um tempo em silêncio abraçados, a Cássia chegou fazendo eu e a Clari nos separarmos rapidamente.
– Boa tarde. O que está acontecendo? – A Cássia disse com a cara fechada.
– Nada. – Eu respondi sem jeito.
– Eu tenho que ir. – A Clari disse se dirigindo a saída.
– Clara, espera!! – Eu disse indo atrás dela.
– Diego você não vai fazer isso né? Pode me explicar o que está acontecendo?
– Dá um tempo Cássia. – Eu disse me soltando dela e saindo correndo e gritando a Clari.
– O que você quer? Volta lá para a sua esposa. Eu não quero te causar problemas.
– Você não está causando nada. Eu quero que você saiba que se precisar pode contar comigo. Eu sei que a gente terminou mas eu queria que fossemos ao menos amigos.
– Amigos... É, eu não sei. Eu preciso pensar. De qualquer jeito obrigada pelo abraço. Agora eu realmente preciso ir.
– Só mais uma coisa.
– O que?
– Posso te esperar no sábado a noite?
– Para...?
– Para conversar, para resolver o que ficou mal resolvido entre a gente. Eu te devo desculpas e queria que jantasse comigo no sábado como uma maneira de marcar o inicio de uma nova fase.
– Não sei se é uma boa ideia.
– Eu só estou te convidando para conversar como amigos ou quase isso. Nada demais.
– Tudo bem... Nos vemos no sábado a noite então.
– Como faço para entrar em contato com você?
– Não abusa Diego. Não vou te dar meu telefone.
– E como quer que eu combine com você o local e a hora? Por que agora você está com pressa não?
– Faz sentido... Me da seu celular para eu anotar o meu número.
– Até sábado então. E melhoras para o seu primo.
– Obrigada. – Ela disse entrando no carro.
Eu não podia acreditar que ela tinha aceitado sair comigo. Tudo bem que era só para ter uma conversa de amigos mas mesmo assim. Eu pensava que ela nunca mais ia soletrar nem o meu nome. Eu estava realmente muito feliz.
Voltei para a casa da minha avó e a Cássia estava de mal humor por eu ter ido atrás da Clari... Uma briga a mais outra a menos não iria fazer muita diferença. Eu não estava nem um pouco preocupado com as crises de ciúmes dela. Eu fiz o que tinha vontade de fazer e estava feliz por isso.
– Pode me explicar agora o que foi aquilo?
– Aquilo o que?
– A sua cena com a sua amiga. O abraço estava bom?
– Estava ótimo. Poderia passar mais tempo abraçado com ela.
– Idiota! Isso é o que você é Diego!
– Olha só Cássia. Não vem para cima de mim com as suas crises de ciúmes não. Eu não aguento mais isso. Vai criar problema até com um abraço? Quer dizer que eu não posso mais abraçar nenhuma mulher, é isso? Eu não posso ir atrás de nenhuma amiga? Olha o que você está fazendo. Criando problema onde não tem. – Eu disse engrossando a voz.
– Eu não nasci ontem! Aquilo era abraço de amigos?
– Ah pensa o que você quiser pelo amor de Deus. Eu já não aguento mais você e suas crises de ciúmes.
– Se separa de mim então! Já que não me aguenta mais. Quem sabe assim você viva em paz.
– Eu deveria me separar de você mas não vou.
– Por que não?
– Por que eu gosto de você e isso você não entende. Você não vê o meu esforço para manter a nossa família, para manter a nossa relação. – Eu disse saindo da cozinha.
Minha cabeça doía pela briga. Eu já estava cansado dela sempre ver coisas onde não existiam. Eu não queria voltar com a Clari, eu estava bem do jeito que eu estava. A cada dia que passava estava mais difícil manter a minha relação com a Cássia. Eu tentava mas ela não me ajudava muito.
Pov’s Clari
Acordei cedo para levar o Pietro ao hospital para fazer o tratamento. Eram as manhãs mais dolorosas para mim. O meu filho sofria a cada vez que tinha que ir ao hospital e não poder fazer nada acabava comigo.
– Oi Dalva... – Eu disse um pouco desanimada.
– Oi Clari. Que carinha é essa?
– A carinha do dia do hospital...
– Não fica assim. O Pietro precisa que você seja forte por ele.
– É difícil ver o meu filho sofrer assim. Eu me sinto tão incapaz...
– Levanta essa cabeça Clari. Logo ele melhora, ele pode fazer transplante.
– É mas falta achar um doador compatível e eu não encontro ninguém. – Eu disse chorando.
– Você já pensou no Diego?
– O Diego?
– Sim Clari. Ele é o pai do Pietro, talvez ele seja compatível. Pensa nisso.
– Eu preciso pensar... Estou muito confusa.
– Pensa direitinho no que eu te disse e verá que eu tenho razão.
– Obrigada Dalva. Eu te amo.
– Eu também te amo Clari. Agora vai pegar o Pietro que está na hora de ir.
–Tá. Beijos.
Saí com o Pietro para o hospital. “Se é difícil para mim imagine para o Pietro” pensei enquanto dirigia.
– Música mamã.
– Você quer ouvir música?
– Quero!
Liguei o som e o Pietro ficou quietinho ouvindo música e olhando os carros que passavam pela gente. Enquanto eu pensava no que a Dalva havia me dito sobre o Diego poder salvar o Pietro. Talvez ele fosse a minha única opção. Para curar o meu filho eu era capaz de passar por cima de tudo o que já havia acontecido entre mim e o Diego. O meu anjinho vinha em primeiro lugar sempre. Não importava o que passasse; o Pietro era a minha prioridade.
Passei algumas horas no hospital com o Pietro, ele chorava e me pedia socorro. Meu coração estava em pedaços, eu não podia fazer nada para ajuda-lo. Eu daria a minha vida por ele, daria qualquer coisa para vê-lo bem.
Após o tratamento levei o Pietro para casa. Ele estava cansado e dormia. Deixei ele com a Dalva e sai para visitar a Mabu, a avó do Diego. Ela sempre me escutava e me dava bons conselhos, ela me ajudava quando eu precisava.
– Oi Clarinha.. – Ela disse sorrindo.
– Oi Mabu. – Eu disse abraçando ela.
– Vamos entre. Como você está?
– Bem... E você?
– Estou bem minha filha, levando... O que te trouxe aqui?
– O Pietro...
– O que tem o nosso pequeno?
– O mesmo de sempre Mabu. Eu não sei se suporto mais isso. Está cada vez mais difícil conviver com isso.
– Calma Clarinha. Você vai ver que com o tempo tudo se ajeita. O que tiver de ser será, não adianta se desesperar.
– Eu não consigo ficar bem, sabe?... Uma pessoa hoje me disse que o Diego poderia ser compatível com o Pietro, mas eu não sei o que fazer. Eu não queria ele de volta na minha vida.
– A pessoa que te disse isso está certa... Pensa no Pietro, esquece o que houve entre vocês.
– Eu tento. Eu juro que tento.
– Clara não adianta fugir... Uma hora a vida vai tratar de colocar as coisas no lugar. Até lá tem muitas coisas para acontecer.
– Como assim?
– Um dia você vai entender... Mas pensa direitinho.
– Eu vou pensar sim. Pelo Pietro eu faço tudo.
No momento em que eu conversava com a Mabu o Diego apareceu. Eu me assustei ao pensar que ele poderia ter ouvido algo mas felizmente não tinha escutado nada demais. A Mabu saiu e nos deixou a sós o que me deixou nervosa.
Só tinha eu e o Diego na sala, eu tentava me controlar e manter a calma. O Diego me fazia perguntas e dizia estar preocupado comigo. Eu iria falar com ele sobre o Pietro e a situação dele mas lembrei de tudo o que ele já tinha me feito e fiquei com raiva. Começamos a discutir e no meio da discussão ele disse que iria embora. Me senti pior ainda. Eu não tinha conseguido falar nada, só descontei a minha raiva nele.
Eu não entendia a atitude dele. Depois de me deixar sozinha por tanto tempo queria me consolar... Não fazia sentido nenhum. Quando eu precisei dele, ele não estava. Quando eu queria que ele estivesse ele também não estava. Eu já tinha passado por tanta coisa sozinha que já não fazia diferença se ele estava por perto ou não.
Durante todo o tempo em que o Diego estava ausente, eu cuidei do Pietro sozinha. Eu me virei em mil para conseguir dar conta de tudo. Eu já não era mais a mesma menina de quando ele tinha ido embora. Eu tinha mudado em muitos aspectos, principalmente na minha maneira de pensar e agir.
O Diego me deu um abraço que me acalmou até a alma. Muitas coisas tinham mudado mas o poder dos abraços dele sobre mim continuava a mesma coisa. Ficamos abraçados por um bom tempo sem dizer nada. Eu poderia passar o resto da minha vida naquele abraçado. Estávamos tão colados que eu podia sentir perfeitamente a sua respiração. Eu estava envolvida nos braços dele e já não sabia o que estava dizendo nem fazendo e como tudo o que é bom dura pouco, logo a esposa dele chegou e nos afastamos.
Saí da casa da Mabu o mais rápido que pude, não queria causar confusões entre o Diego e a Cássia. Quando eu estava chegando no carro o Diego saiu me gritando e logo me alcançou. Conversamos rapidamente, ele me convidou para um jantar. De primeira pensei em não aceitar. Imagina eu jantando com o Diego a sós, nem pensar. Eu não queria dividir o mesmo ar que ele, mas mudei de ideia logo em seguida. Não por mim mas pelo o meu filho. Pensei que seria uma boa oportunidade para falar com ele sobre as chances dele ser compatível com o Pietro.
Voltei para casa pensando no abraço que ele tinha me dado. Eu precisava de mais abraços daqueles. Eu tinha muitas saudades dos abraços do Diego, eram os abraços dele que me consolavam sempre. Ele não precisava dizer muita coisa para fazer eu me sentir bem. Infelizmente era a verdade. Eu não admitiria isso para ele jamais, ele iria pensar que eu ainda gostava dele e isso era mentira. Eu apenas sentia falta do apoio dele, nada demais. E quando verificássemos o caso do Pietro ele voltaria a ficar longe de mim e do meu filho. Eu não queria contato com ele e o Pietro não merecia conviver com alguém como Diego, o meu pequeno não precisava de maus exemplos.
Fale com o autor