Louco Amor
46 Capítulo 46
Notas iniciais
Pov’s Diego
– Acorda amor. Você tem que se arrumar para irmos trabalhar.
– Sério? Quero levantar não Cássia. Eu to com sono.
– Mas tem que levantar. Até a Júlia já levantou.
– É? Me da um beijo que eu levanto.
– Pronto. Agora levanta. – Ela disse após me beijar.
– Não. Esse não valeu. Quero outro. – Eu disse a puxando para outro beijo.
Levantei para me arrumar mesmo com toda a preguiça e sono que eu estava. Tomei café junto a Cássia e a Júlia tranquilamente e depois saímos para o colégio.
Tive uma manhã de trabalho cansativa e após as aulas fui para a sala dos professores. Eu estava arrumando minhas coisas quando a Vanessa me ligou:
~ Ligação ON ~
– Alô.
– Oi Diego, tudo bem?
– Tudo sim e você?
– Estou bem.
– E a Bia?
– Está bem também... Diego você tem que dar uma passada aqui o mais rápido possível, de preferência agora.
– Por que? O que houve?
– Problemas de última hora. Preciso que você leia e assine alguns papéis.
– Tudo bem. Já estou indo. Beijos.
– Beijos.
~ Ligação OFF ~
Antes de sair para o escritório passei na sala da diretoria para falar com a Cássia.
– Oi Magali. Tudo bom?
– Tudo professor Diego e com o senhor?
– Tudo ótimo... A Cássia está muito ocupada?
– Está atendendo um pai. Se o senhor poder esperar...
– Vai demorar muito?
– Acredito que não. Já tem mais de meia hora que eles entraram na sala dela.
– Sendo assim acho que vou esperar um pouquinho.
Fiquei uns 20 minutos esperando a Cássia ficar livre. Não queria sair sem falar com ela e não podia também. Tinha marcado de almoçar com ela. Enquanto eu esperava a Cássia minha avó me ligou.
~ Ligação ON ~
– Oi vovó!
– Oi meu netinho. Como é que vai?
– Eu estou bem vó e você?
– Estou bem e com saudades. Você quase não vem mais me ver.
– Desculpa vovó. É tanta coisa para fazer... Eu prometo que vou te visitar mais.
– Assim espero. E como vai com a Cássia?
– Bem. Estamos bem.
– E a Clari?
– Não entendi... O que tem ela?
– Já esqueceu dela?
– Aonde você quer chegar com isso vovó?
– Lugar nenhum. Eu encontrei com ela hoje sabia?
– Ah é? E como ela está?
– Aparentemente bem. Continua o mesmo docinho de sempre e o novo namorado dela é encantador.
– Ah vovó, eu tenho que desligar tá? Tenho que resolver umas coisas e depois nos falamos.
– Tudo bem. Até depois e bom trabalho.
– Obrigada vovó. Te amo.
– Eu te mais.
~ Ligação OFF ~
Eu não queria ficar escutando minha avó falando da Clari. Não sei porque mas ela ainda era muito apegada a Clari e me lembrava da época em que éramos casados sempre que podia. Ela sempre dizia algo sobre a Cássia não ser a mulher para mim, coisa que eu discordava.
Após tanto tempo esperando finalmente pude entrar.
– Oi amor, entra.
– Conversa demorada hein?
– Estava resolvendo alguns problemas. Vamos almoçar?
– Então... Era sobre isso que eu queria falar. Não vou poder almoçar com você. Tenho que ir no escritório agora resolver um problema que apareceu de última hora.
– Que pena... Então te vejo no jantar?
– Sim nos vemos. – Eu disse dando um beijo nela.
Saí para o escritório o mais rápido que pude. Fui o caminho inteiro ouvindo música, tentando relaxar. Quando cheguei no escritório a Vanessa não estava na mesa dela, então entrei na minha sala para descansar um pouco.
Comecei a pensar no que a minha avó tinha dito sobre ter encontrado a Clari. Já tinha 5 meses que eu não a via, nem escutava falar sobre ela. Abri a gaveta e peguei uma foto dela. Pensei em tudo o que tinha acontecido entre a gente e em como tinha terminado. “ Você deve estar bem “ , pensei alto.
– Você quem? – A Vanessa disse entrando.
– Ah, Vanessa. Não sabe bater na porta?
– Eu bati quatro vezes Diego.
– Que batesse a quinta então.
– De quem você estava falando?
– De ninguém. Ninguém. – Eu disse colocando a foto de volta na gaveta e trancando.
– Hm, sei... Aqui estão os papéis que eu havia te falado por telefone.
– Ah sim. Obrigado.
– Por nada. – Ela disse saindo.
Eu precisava jogar aquelas fotos fora. Não sei porque ainda guardava. Não tinha sentido guardar as fotos da Clara e tinha menos sentido ainda eu olhar para elas.
Peguei os papéis e tentei manter minha atenção no trabalho. Não queria mais pensar no meu passado. Só o que me importava era o meu futuro com a Cássia e nada mais.
Pov’s Clari
Vi o dia amanhecer. Minha cabeça estava a mil de tanta preocupação com o Pietro. Eu queria que ele se recuperasse o mais rápido possível. Era horrível ver o meu filho naquele estado, aquilo acabava comigo.
Cuidei da Letícia como sempre, fiquei brincando com ela na cama e observando as nossas semelhanças. Eu mal podia esperar para levar os meus filhos para casa. O tempo parecia não passar e isso me deixava angustiada.
Deixei a Letícia com minha mãe e desci para ver o meu pequeno. Quando eu estava com o Pietro para a minha surpresa encontrei a avó do Diego.
– Oi Clari. Tudo bem?
– Estou bem e a senhora?
– Estou bem minha filha. E esse bebezinho?
– Ah, é o meu filho.
– Meu bisneto?
– Hã... Não, não. É filho do meu namorado.
– Não nasci ontem Clari. Não tem tanto tempo assim que você e o Diego se separaram. Estou velha mas ainda lembro das coisas.
– Não conta nada para ele por favor.
– Tudo bem. Não contarei. Mas você sabe que um dia você terá que dizer a verdade.
– Se depender de mim ele nunca vai saber.
– Oi... – O Murilo disse me abraçando.
– Murilo essa é a Mabu e Mabu esse é o Murilo meu namorado.
– Ah prazer. Fico feliz que esteja tão bem Clari.
– O prazer é meu.
– Bom, eu preciso ir. Apareça qualquer dia desses lá em casa Clari.
– Pode deixar. Eu vou qualquer dia desses.
~ 2 semanas depois ~
O Pietro já tinha dormido mas a Letícia não. Ela chorava muito e estava inquieta. Dei um banho nela, fiz uma massagem em sua barriga, dei de mamar e pouco tempo depois ela adormeceu.
Fui para a cozinha preparar algo para eu comer. Eu não tinha tido tempo de comer, cuidar de dois bebês da muito trabalho e eu já estava cansada.
– Quer que eu prepare algo para a senhora?
– Não Dalva. Deixa que eu faço e para de me chamar de senhora. Tanto tempo trabalhando comigo, me chama de você.
– Não sei se consigo.
– Se não conseguir eu te demito. – Eu disse rindo.
– Eu vou tentar.
Preparei algo simples e leve para comer. Minhas pernas doíam de tanto ficar em pé. Após comer ajudei a Dalva a lavar os pratos e fui lavar as roupinhas dos meus anjinhos. Eu fazia questão de lavar cada peça deles.
– Filha...
–Oi mãe! Estou aqui lavando as roupas dos meninos.
– Isso ai. Estou gostando de ver como você está se dedicando a essas crianças.
– Rsrs tenho que cuidar bem dos meus filhos ou não?
– Tem que cuidar muito bem deles.
Fiquei um tempo terminando de lavar as roupas e conversando com minha mãe. Após algum tempo fui ver como estavam os meus anjinhos. Entrei no quarto do Pietro e ele dormia como um anjo, bem tranquilo. O que me deixava aliviada. Desde que havia chegado em casa não tinha tido nenhuma crise respiratória. Depois de olhar o Pietro fui ver a Letícia que para o meu desespero não estava no berço.
– Mãeeeeee!!!!! – Eu disse correndo para a cozinha.
– O que foi filha? Está tudo bem?
– Cadê a Letícia?
– Eu não sei minha filha. Não está no quarto?
– Não. Ela sumiu... Daaallvvaaaa!!!!!
– Ave maria dona Clara para que essa gritaria?
– Cadê a Letícia Dalva? – Eu disse quase chorando.
– Ué dona Clara não foi a senhora mesma que estava cuidando dela? Eu nem entrei no quarto dela.
– Ai meu Deus. Onde está a minha filha?
– Ela tem que aparecer Clara. Um bebê não some assim.
– Já olhou se há rastros de mais alguém na casa dona Clara?
– O quarto está do jeito que eu deixei mas sem ela. – Eu disse chorando.
– Minha filha se acalma. Tem que manter a calma para tentar resolver isso.
– Mãe eu deixei eles sozinhos no quarto por um instante. Dalva trás o Pietro para mim por favor. Quero ele aqui comigo.
– Mas minha filha o menino está dormindo. Você vai assustar ele assim nesse estado em que você está... Dalva coloca o Pietro no carrinho e deixa ele aqui onde a gente possa ver.
– Ok dona Elena.
– Eu vou ver o porteiro. Não é possível que o Paulo não tenha visto ninguém entrar nessa casa.
Fui correndo falar com o Paulo e quando cheguei na porta de casa ele estava desmaiado para o meu desespero maior. Chamei uma ambulância para o Paulo e a polícia, eu não conseguia fazer nada mais além de chorar. Eu estava completamente desesperada. Como alguém entrou na minha casa sem ninguém ver? Para onde teriam levado a minha filha?
Foi o pior dia de toda a minha vida. Eu me sentia péssima com aquela situação e nunca desejei tanto a presença do Diego como naquele dia. Eu estava mal e ninguém podia me ajudar, o abraço que eu mais queria naquele momento eu não podia ter. Não fazia a menor ideia de onde poderia estar a minha filha ou de quem a teria levado. Quem poderia querer me fazer mal? Eu nunca tinha feito mal a ninguém, nem tinha inimigos, não que eu soubesse. Eu mandei uma mensagem para o Murilo e em pouco tempo ele chegou. Por mais que o Murilo tentasse me acalmar ele não conseguia. Por um momento pensei em ligar para o Diego mas logo desisti. Era loucura procurar ele e depois de tudo eu não podia fazer isso. Era claro que ele nem lembrava mais de mim e devia estar muito bem com outra. Eu tinha que me acostumar com a ausência dele mais do quem nunca.
Passei horas na delegacia registrando o desaparecimento da Letícia. Eu estava bem nervosa e parava sempre para beber um copo com água e tentar me acalmar o que era impossível. A única coisa que eu desejava naquele momento era que a Letícia estivesse bem e que a encontrassem logo.
Voltei para casa junto ao Murilo e minha mãe. Fiquei calada durante todo o caminho no meu mais absoluto silêncio e perdida em meio aos meus pensamentos até chegar em casa.
– Como alguém pode sumir assim? – Disse entrando no quarto.
– Calma meu amor. Vão encontrar ela.
– Porque você sempre me manda ter calma nos momentos que são impossíveis manter a calma?
– Eu só quero que você fique bem.
– Eu vou ficar bem quando minha filha estiver comigo novamente.
– Vem cá amor. – Ele disse me puxando para um abraço.
– Me solta Murilo. Eu quero ficar sozinha.
– Tem certeza?
– Tenho. Pode ir. Eu quero ficar sozinha um pouco.
– Quer que eu chame sua mãe?
– Não. Eu quero ficar sozinha de verdade.
– Tudo bem. – Ele disse me dando um beijo na testa. – Qualquer coisa estarei lá fora.
Deitei na cama e comecei a chorar. O desespero tomava conta de mim e eu estava perdida mais uma vez sem saber para onde ir e o que fazer. Peguei um álbum em cima do guarda-roupa e comecei a ver as minhas fotos com o Diego. Só eu sabia o que eu desejava que ele estivesse comigo naquele momento. A nossa filha tinha desaparecido e ele nem sabia de nada, não fazia nem ideia da existência dela. Pensar nisso me deixou pior do que eu já estava. Mas eu não podia esquecer tudo o que ele tinha feito e simplesmente começar de novo. Naquele momento percebi que já tinha passado da hora de eu virar a página para sempre.
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