Louco Amor
43 Capítulo 43
Notas iniciais
Pov's Diego
Acordei com a Mel me chamando:
– Pá...pá..papa... — Ela disse me batendo.
– Oi amor, já acordei. — Falei a colocando em cima de mim.
– O que você quer? Brincar?
Passei horas na cama com a Mel. Ela ria e balbuciava algumas coisas. Era maravilhoso ficar com ela, eu me divertia muito e não tinha nada que eu gostasse mais do que ficar com ela.
– Vamos comer? Papai tá com fome.
Levantei com a Mel no colo em direção a cozinha. Fomos cantando uma musiquinha de bom dia e brincando.
– Bom dia!! — Disse entrando na cozinha e dando um selinho na Cássia.
– Bom dia! Que ânimo esse o de vocês dois.
– Ah estamos muito animados, não estamos Mel? — Falei a colocando sentada no balcão.
– Diego você perdeu o juízo? Tira a Melissa daí.
– Por que? É só enquanto eu preparo o meu café da manhã.
– E enquanto você prepara ela cai do balcão. Ela é só um bebê lembra?
– Sim. Eu lembro. — Disse tirando ela do balcão e colocando- a na cadeirinha de bebê.
Enquanto eu preparava o meu café a Mel brincava, cantava e chamava a Júlia para ficar com ela. A Melissa era uma criança amável e eu a amava como se realmente fosse a minha filha. Ela era a filha que eu não tinha.
– Bom dia tio. – A Júlia disse me dando um beijo na bochecha.
– Bom dia Ju. – Eu disse dando outro beijo nela. – A Mel estava te chamando...
– Eu não ouvi, a televisão estava alta demais.
– É, eu sei. – Eu disse rindo.
– Tio, posso te pedir uma coisa?
– Claro que sim. Diz ai o que você quer.
– Eu quero um tapete rosa, bem grande para o meu quarto.
– Por que tão grande?
– Eu acho que vai ficar mais bonito.
– Ok. Mais tarde a gente sai para procurar o seu enorme tapete cor de rosa . – Eu disse rindo.
– Ebaa! Você é o melhor tio do mundo todo. – A Júlia disse me abraçando.
Fiquei horas com brincando com as meninas e com a Cássia. Eu me sentia tão bem em família, me sentia a vontade. Por um momento eu havia esquecido o que me tirava parte da alegria. O tempo ia passando e aos poucos eu sentia que a Clari já não fazia parte da minha vida. Era estranho sentir isso, era como se eu tivesse perdido parte da minha vida, parte de mim.
Por um momento eu comecei a pensar como seria se nada tivesse acontecido, se eu e a Clari estivéssemos juntos, se tivéssemos tido um filho... Seria exatamente como eu havia sonhado, mas o que a vida tinha me reservado não era nada mal. Eu amava a família que tinha, éramos todos muito unidos e isso me dava um conforto especial.
Depois de um tempo a Júlia saiu para brincar com as amigas e eu fui ninar a Mel que estava muito irritada. Ela chorava muito, tinha sono e estava agoniada. Passei um bom tempo tentando fazer com que a Melissa dormisse e quando finalmente consegui, me juntei a Cássia no sofá.
– Oi... – Eu disse a beijando.
– Que coisa boa. – Ela disse me acariciando.
– Saudades de ficar a sós com você.
– Eu também estou... E a Melissa, dormiu?
– Dormiu sim. O que quer dizer que só tem eu e você sem nada para fazer... – Eu falei beijando o pescoço dela.
– Sem nada para fazer vírgula. Eu tenho muita coisa para fazer. – A Cássia disse me afastando e levantando.
– Ah não amor. Fica aqui um pouquinho comigo por favor. – Eu disse a puxando para o meu colo.
– Eu tenho que fazer as coisas.
– Só um pouquinho. – Eu disse fazendo biquinho.
– O que eu faço com você?
– Muitas coisas...
– Diego!! – Ela disse rindo. – Você é terrível.
– Sou nada. – Eu disse a derrubando no sofá e ficando por cima dela.
Comecei a beija-la e aos poucos o clima ia esquentando. Levantei, a peguei no colo e a levei para o quarto. Deitei ela na cama, tirei nossas blusas e minha calça sem parar de beija-la. Por um instante esqueci do mundo, estava bastante concentrado no momento. Tudo ia muito bem até ouvir a voz a da Júlia.
– Mamãe!! Cadê você?
– Ai meu Deus a Júlia!! – Ela disse levantando e vestindo a blusa. – Olha o que você me faz passar Diego!!!
– Agora a culpa é minha?!
– Óbvio que é sua. Quem foi que começou tudo isso?
– Mamãe posso entrar? – A Júlia disse batendo na porta.
– Só um instante filha! – Ela disse gritando. – Se veste Diego. Eu vou ver o que a Júlia quer. – Ela disse saindo do quarto com cuidado para a Júlia não me ver.
Era difícil viver em uma casa com crianças. O cuidado tinha que ser em dobro para tudo. Eu e a Cássia quase não tínhamos um momento só nosso e isso era o que eu mais sentia falta na nossa relação. Praticamente tudo na nossa vida estava voltado para as crianças e quando tínhamos a oportunidade de estarmos a sós, estávamos trabalhando.
Pelo final da tarde saí com toda a família para o shopping em busca do tapete da Júlia. A Cássia reclamou, disse que eu estava fazendo muito as vontades da Ju mas não me importava, eu gostava de ver ela contente. Passamos momentos divertidos no shopping juntos. A cada dia eu me convencia mais de que tinha encontrado o meu lugar.
Pov’s Clari
Acordei com a claridade, o dia parecia estar lindo. Assim que acordei pude sentir os meus anjinhos se mexendo. Era como se me dissessem “ bom dia “. Levantei com um pouco de dificuldade por conta do tamanho e do peso da barriga, tomei um banho calmo e demorado, e em seguida fui tomar o meu café da manhã.
– Bom dia Dalva. – Eu disse dando um beijo nela.
– Bom dia dona Clara. Dormiu bem?
– Muito bem e você?
– Também... Preparei algumas torradas, fiz suco, o queijo está na geladeira e tem frutas também.
– Obrigada Dalvinha. Você é um anjo.
– Que isso dona Clara. Só estou fazendo o meu trabalho.
– Está fazendo muito bem. Eu não poderia ter escolhido alguém melhor que você.
– Obrigada... E os bebês, como estão?
– Estão bem. Já mexeram hoje mas agora estão quietinhos. Mexem mais quando eu quero dormir né? – Eu disse olhando para a barriga e alisando.
– Normal rsrs. Parecem que serão traquinos .
– Igual a mãe. – Minha mãe disse entrando na cozinha.
– Mãe!! Que mania que você tem agora de ficar entrando e saindo daqui de casa o tempo todo.
– Está achando ruim?
– Estou sim. Parece bandido. Quer me matar do coração?
– Jamais filha... Bom dia Dalva!
– Bom dia dona Elena. Se vocês me dão licença vou me retirar e continuar o meu trabalho.
– Vai lá Dalva. – Eu disse olhando para ela e sorrindo. – E então mãe... O que está fazendo aqui?
– É muito bom te ver também. Vim ver como vocês estão.
– Estamos muito bem, obrigada.
– Bom dia!! – O Murilo disse entrando.
– Mas não é possível uma coisa dessas!! E Você Murilo, como entrou aqui? Porque a Dalva não abriu a porta.
– Na verdade a porta já estava aberta...
– Acho que eu esqueci de fechar a porta. – Minha mãe disse pegando um pouco de suco.
– Como que você não fecha a porta mãe!? E se fosse um ladrão?
– Fiz mal em vim? Posso voltar outra hora.
– Não Murilo, fica ai. A Clara está entrando em clima de parto.
– E é assim?
– Não, não é assim. Eu não estou entrando em clima nenhum e a propósito, isso não existe.
– Eu não estou entendendo mais nada. – O Murilo disse confuso.
– Sabe o que é Murilo? É que minha mãe agora entra e saí da casa parecendo fantasma. Quando eu menos espero ela aparece, quando eu preciso ela some.
– Eu não posso passar o dia inteiro aqui com você né Clara. E celular existe para isso, para se comunicar com as pessoas que não estão por perto.
– Pois é não é mãe? Tipo elas ligam ao invés de invadir a casa do outro.
– Ah eu... – O Murilo tentou falar mas minha mãe o interrompeu.
– Não Murilo deixa. Você está incomodada porque estou vindo na sua casa demais? Quer as chaves de volta?
– Eu nem sabia que você tinha as chaves da minha casa! E não quero de volta, só quero que você pare de me assustar. Você ainda vai me fazer parir antes da hora!
– Tudo bem, desculpa! Eu não queria te assustar e agora para com isso que você assustou o Murilo.
– Ah... Você está bem? – Eu disse olhando para a cara de espanto do Murilo.
– Acho que sim...
– Você deveria ter se acostumado. Somos assim mesmo, discutimos quase sempre mas nunca nos desgrudamos.
– Isso é verdade. – Eu disse rindo.
– Eu vou me acostumar com minha nova família. Pode deixar.
– Nova família? – Minha mãe perguntou se fazendo de desentendida.
– É mãe, nova família. Eu e o Murilo estamos juntos.
– Ai filha que coisa boa! O Murilo é um menino de ouro e eu tenho certeza que vai te fazer muito bem... Você não sabe o quanto estou feliz por você ter finalmente esquecido aquele traste do seu ex – marido. Ele não valia nada, não era para você. Faz bem em seguir em frente.
– Mãe... Pela lei ele ainda é o meu marido e eu adoraria se você não falasse dele. – Eu disse ficando séria.
– O que é um erro né María Clara? Aproveita que você está começando uma nova relação e pede a separação na justiça.
– Mãe, qual a parte de não fala dele que você não entendeu? – Falei um pouco irritada.
– Não vai me dizer que você ainda sente... – Antes dela terminar eu a interrompi.
– Eu nada mãe. Eu não sinto mais nada por ele. Eu só quero que você pare de falar nele, só isso.
– Ok. Vou sair para resolver algumas coisas. Beijos. – Ela disse saindo.
– Respira amor. – O Murilo disse me dando um copo com água.
– Qual o problema dela? Me fala. Por que lembrar dele? Minha manhã estava indo muito bem. – Eu disse bebendo a água.
– Calma Clara, não foi para tanto. Agora em uma coisa ela está certa. Por que você não pede a separação?
– Porque eu não quero encontrar com ele Murilo! Eu não quero!!
– Tudo bem. Tudo bem... Respira fundo, se acalma. Isso não faz bem nem para você nem para os nossos filhos.
– Nossos o que?
– Nossos filhos... Falei algo errado?
– Não. Só é estranho.
– Estranho por que? Eu amo vocês três.
– Murilo, você tem certeza disso? Ficar comigo não quer dizer que você tem que assumir o lugar de pai na vida dos meus filhos. Você realmente não precisa fazer isso.
– Eu tenho a mais absoluta certeza Clara. Eu quero os três na minha vida. Eu preciso que estejamos todos juntos.
– Você é realmente incrível. Me surpreende mais a cada dia. Obrigada Murilo por todos esses anos.
– Não há nada para agradecer. Eu te amo e é só. – Ele disse me beijando.
Passei a manhã no jardim com o Murilo. Eu estava tentando recomeçar a minha vida, algo que ainda era muito difícil para mim. Eu ainda pensava no Diego, era quase impossível tirá-lo da minha cabeça e do meu coração. Mas eu lutava para conseguir esquece-lo de vez todos os dias. No final, eu já não tinha tanta certeza do que sentia por ele, havia uma confusão de sentimentos dentro de mim.
Eu estava sentada conversando com o Murilo quando comecei a sentir dores. No início, leves.
– Você está bem? – O Murilo disse segurando minha mão.
– Sim... Não é nada. – Eu disse respirando fundo.
– Tem certeza?
– Absoluta. – Eu disse dando um sorriso forçado.
Após algum tempo comecei a sentir a dor aumentando aos poucos. Estava ficando cada vez mais forte e eu não podia evitar de gemer. O Murilo ficou extremamente preocupado e queria me levar para o hospital na mesma hora. Eu tentava acalma-lo dizendo que não era nada demais e que eram só contrações, que era algo normal. Eu não queria preocupar ele, e ao mesmo tempo tentava me acalmar. Eu queria acreditar nas minhas próprias palavras. Tentei me manter firme mas a dor se tornou insuportável. Comecei a ver tudo girando e em pouco tempo não conseguia ver mais nada; estava tudo preto.
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