Louco Amor
44 Capítulo 44
Notas iniciais
Pov’s Clari
Ao acordar, eu não conseguia ver nada direito, minha visão estava embaçada e eu não sentia minhas pernas. Na verdade eu não sentia nada da barriga para baixo. Minha cabeça dava algumas voltas mas após alguns minutos eu fui melhorando e minha visão voltando ao normal.
– Clara fala comigo. – O Murilo me pedia um pouco assustado.
– Oi... Onde estou?
– No hospital meu amor. Você desmaiou e eu te trouxe.
– Eu lembro de ter sentido fortes dores e começar a ver tudo girando, depois ficou tudo preto e eu não lembro de mais nada.
– Não se preocupa não. Está tudo bem agora.
– Eu não sinto minhas pernas e... Os meus filhos. Está tudo bem com eles né?
– Vai ficar tudo bem. Daqui a pouco vem a Letícia.
– Como assim daqui a pouco vem a Letícia? – Eu perguntei confusa.
– Essa dormência que você está sentindo nas pernas foi da anestesia. Os médicos tiveram que fazer o parto às pressas.
– Então... Eu já sou mãe? Quer dizer que já nasceram? Eu quero ver eles, quero pegar no colo Murilo. Onde estão? Como são? Você viu?
– Calma Clara. Você vai pegar a Letícia no colo daqui a pouco. Os dois são lindos, parecem anjinhos.
– E o Pietro? Porque não fala dele? Eu quero pegar ele no colo também. Eu quero ver ele.
– Clara por enquanto você não pode carregar o Pietro. Diferente da Letícia ele nasceu abaixo do peso e com problemas de respiração. Ele vai ficar um tempo na incubadora e depois você vai poder até levar ele para casa.
– É muito grave?
– Acho que não. Fica tranquila. – Ele disse segurando minhas mãos.
Eu estava muito ansiosa para conhecer os meus filhos e também muito preocupada com o Pietro. Eu queria ter visto eles nascerem mas não foi possível e naquele momento a única coisa que eu pedia era saúde para os meus pequeninos.
O Murilo estava tentando me distrair e me tranquilizar junto a minha mãe quando uma enfermeira entrou no quarto com a Letícia no colo. Sentir uma felicidade que nunca tinha sentido antes, ela era tão pequena e tão indefesa. A peguei no colo e fiquei por um tempo admirando aquele lindo rostinho.
– Olha mãe como ela é linda. – Eu disse com os olhos cheios de lágrimas.
– É sim filha, é muito linda. Parece com você.
– Olha o tamanho da mãozinha... Bem vinda ao mundo meu amor. – Eu disse dando um beijo de leve na testa da Letícia.
– Essa é a sua mamãe, eu sou o seu papai e ela é a sua vovó. – O Murilo disse pegando ela no colo.
– Eu adoraria ficar mais mas tenho que ir filha. Tenho que resolver umas coisas. Deixa só eu me despedir da minha netinha. – Minha mãe disse pegando a Letícia no colo.
Fiquei mimando a Letícia e conversando com o Murilo por algum tempo. Não demorou muito para que ela começasse a chorar e eu a me desesperar por não saber como dar de mamar a ela. Chamei a enfermeira e ela me ajudou a dar de mamar pela primeira vez. Foi uma sensação única. Era maravilhoso ter a minha pequena em meus braços.
Depois de mamar a Letícia dormiu. A coloquei no bercinho que tinha no hospital e fiquei pensando no Pietro. Eu precisava ver o meu filho, eu queria ter certeza de que ele ficaria bem. Pedi ao Murilo para que me levasse até o Pietro mas ele disse que no momento não podia e que eu teria que esperar. Insisti até o Murilo dizer que iria chamar o médico para ver se ele autorizava.
Me levaram até o Pietro. Ele era lindo e parecia ser pequenininho. Sorri ao vê-lo e apresentei ele a Letícia de longe. O que eu mais queria naquele momento era pegar o Pietro no colo e dizer para ele que eu estava ao seu lado e que tudo ia ficar bem. Me perdi nos meus pensamentos olhando o Pietro. Ele era a cara do Diego.
– Clari? Você está me ouvindo?
– Oi. Estou.
– Que foi?
– Nada. Só estou vendo aqui o meu pequeno com esses aparelhos de respiração.
– Ele vai ficar bem, você vai ver.
– Vai sim. Eu sei que vai. – Eu disse encostando minha cabeça no ombro do Murilo.
Voltei para o quarto onde eu estava. Eu precisava descansar, estava sentindo leves dores no lugar da cirurgia. Deitei e fiquei pensando no Diego. Os filhos dele haviam nascido e ele nem fazia ideia. Era melhor assim, cada um para um lado.
Pov’s Diego
Acordei cedo, dei banho na Mel, coloquei o café da Júlia e depois dela se despedir da mãe, eu a acompanhei ela até o carro do ex da Cássia. Ela iria passar o dia com ele. Voltei para a casa com a Mel no colo brincando e pensando no que eu iria fazer durante o dia.
Eu estava no chão da sala brincando com a Melissa ao som de música infantil quando a Cássia acordou.
– Bom dia crianças.
– Bom dia dorminhoca. O café já está pronto viu?
– Que coisa boa namorar um cara tão prendado.
– Se acostuma não hein. Foi só hoje.
– Você faz isso sempre Diego, nem vem.
– É né? Vou parar um pouco com isso. Você também tem que fazer o café sua dorminhoca.
– Eu estava muito cansada. A Melissa chorou muito de noite e eu nem sei o motivo.
– Eu sei meu amor. Por isso fiz tudo.
– Você é o melhor sabia? Eu te amo muito. Eu amo muito os dois. – Ela disse sorrindo.
– E nós amamos você.
Passamos uma manhã tranquila juntos. Ao final da manhã a Melissa dormiu como de rotina e eu e a Cássia aproveitamos para assistir um filme juntos e namorar um pouco.
Eu estava realmente me dando bem com a Cássia. Ela me fazia feliz, e me deu de uma certa maneira uma filha, que sempre foi o meu sonho. Não me importava nem um pouco se a Melissa não era do meu sangue, o amor que eu sentia por ela era incondicional, ia além disso.
Como explicar o que eu estava sentindo pela Cássia? Eu não tinha palavras para isso. Cada dia que passava eu sentia que a nossa relação se concretizava mais. Era diferente da minha relação com a Clari. A Cássia sem dúvidas era bem mais madura que ela. Apesar de que eu gostava do jeito um tanto imaturo da Clari.
Não tinha um dia que eu passasse sem pensar nela. A Clari invadia meus pensamentos e meus sonhos a todo instante. Eu não sabia como parar isso apesar de que era necessário. Eu tinha a certeza de que ela estava bem e feliz com outro. Com certeza nem pensava mais em mim, talvez nem lembrasse mais de nada do que aconteceu entre nós.
Em um momento em que eu estava com a Cássia, ela colocou uma música que inicialmente ela dedicou para nós mas na verdade eu só conseguia pensar em uma mulher: a Clari.
Aquela música tinha tudo. A cada estrofe me fazia lembrar da Clara. Descrevia tudo exatamente o que eu sentia por ela. Minhas lembranças me levaram a outro mundo e quando retornei a realidade parei de dançar. Eu não podia continuar dançando com a Cássia aquela música.
Fiquei na varanda recuperando o ar e a estabilidade sentimental. Não era possível que aquela mulher ainda conseguisse me desconsertar. Eu estava muito bem com a Cássia e até um segundo antes daquela música começar a tocar eu podia jurar que ela já não tinha nenhum efeito sobre mim. Um tempo após de eu ter ido para a varanda a Cássia apareceu para conversar.
– Você está bem?
– Estou sim.
– E por que parou de dançar do nada?
– Não me senti muito bem, mas já passou.
– Tem certeza?
– Sim, tenho. Já estou bem. Vem cá. – Falei a puxando para um abraço.
– Você as vezes fica diferente do nada. Sem nenhum motivo aparente.
– Impressão sua amor.
– Gostou da música?
– S..sim... Muito. A música é linda. – Eu disse tentando sorrir.
– Eu também achei... Vou fazer algumas coisas e depois venho ficar contigo.
– Ok.
Deitei na cama para tentar dormir um pouco. As lembranças da minha relação com a Clara mexeu um pouco comigo e eu precisava respirar. Eu tinha que esquecer o meu passado de uma vez por todas. Eu não podia estragar mais uma relação. Eu queria cuidar da minha relação com a Cássia, eu queria preservar ao máximo e fazer de tudo para que não acabasse. Eu tinha planos para o futuro junto a Cássia e as lembranças da Clari não faziam parte dos meus planos.
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