Louco Amor
85 Capítulo 85
Notas iniciais
Pov's Letícia
Fui acordada pela Clara com vários beijos. Ela era tão carinhosa...
Ela me arrumou e tomamos café da manhã junto ao Pietro e ao Flávio. A Clara me parecia feliz e triste ao mesmo tempo e vê-la daquele jeito era estranho.
No carro só se ouvia o som da rua, das buzinas dos outros carros. O silêncio predominava e isso me incomodava por ela não ser assim.
– Clari?
– Oi amor. O que foi?
– Por que está calada assim? Esta triste?
– Que? Não. Eu não estou triste... Só estou pensativa. Está tudo bem.
– E por que eu tenho que fazer esse exame?
– Humm... Eu ainda não posso te explicar exatamente o porque mas...
– Mas...?
– Eu preciso que você faça esse exame. Preciso saber que está tudo bem.
– Meio confuso mas tudo bem.
– Confia em mim. Vai ficar tudo bem.
Chegamos na clínica e enquanto esperávamos umas funcionárias vieram falar comigo e com a Clara.
– Licença... Desculpa encomodar mas vocês trabalham em Violetta não é?
– Sim, isso mesmo. — a Clari respondeu.
– Minha filha vai ficar tão feliz em saber que encontrei vocês. Ai, nossa.
– A minha também vai ficar muito feliz. Ela é muito fã, não pode ficar um dia sem assistir.
– Que bom, eu fico bem feliz. — a Clara disse sorrindo.
– Podem nos dar um autógrafo? Podem gravar um vídeo mandando beijos para nossas filhas?
– Ah, claro. Anotem os nomes delas.
Gravamos um vídeo curto porém divertido pelo fato da Clari errar o nome da mesma menina 5 vezes.
– Você é aquela pequena da novela né? Você é muito linda!
– Obrigada! — eu disse com um pouco de vergonha.
– Ela é sua filha?!
– Ehh... Ela? Bom...
– María Clara e Letícia? — uma moça chamou nossos nomes.
– Graças a Deus... — a Clari disse baixo. — Desculpem mas está na nossa vez. Até mais. — ela disse levantando e indo até uma sala.
– Vai doer?
– Não, nadinha. A única coisa que você tem que fazer é abrir a boca.
– Está bem.
Fizemos o exame e voltamos para casa. A Clara disse que tínhamos de nos arrumar para o casamento do Diego.
Eu não sabia se ficava feliz pelo Diego ou triste... A Cássia era legal mas não era ela que ele amava. E a Clari também não estava muito feliz sem ele. A diferença de humor era notável.
A Dalva me arrumou e arrumou o Pietro enquanto a Clari se arrumava no quarto dela.
Meu cabelo tinha ficado tão lindo! A Dalva encheu de cachinhos. Eu amava cachos.
O Pietro também estava lindo de terno, parecia um homem. E a Clari, nossa... Ela estava muito mas muito linda. A maquiagem dela destacava os lindos olhos verdes que ela tinha.
Esperamos um pouco na sala a Dalva se arrumar e enquanto esperávamos o Murilo apareceu, disse que iria nos acompanhar.
Depois de um tempo fomos todos para a igreja.
Pov's Pietro
Acordei cedo tomei café com a mamãe, a Let e o tio Flávio como sempre. Depois a mamãe saiu com a Let e eu aproveitei para ficar no quarto de instrumentos e ajeitar mais algumas coisas da música que tinha feito com a Let.
Passei algumas horas procurando o que melhorar na música e parei ao me sentir cansado. A música ainda não estava pronta, eu sentia que faltava algo mas não conseguia mais continuar. Não naquele momento.
Fui para o meu quarto e deitei. Talvez o repouso que a mamãe tanto falava fosse realmente necessário.
Pela tarde a Dada ajudou a mim e a Let a se arrumar. Eu e a Let estávamos lindos mas sem dúvidas a mamãe era a mais linda que tinha.
– Que linda que você está mamãe!!! — eu disse abraçando ela.
– Obrigada meu amor.
– Está parecendo uma princesa Clara. — a Let disse sorrindo.
– Você que está. Na verdade vocês dois estão muito lindos.
– Todos estão lindos. — o Murilo disse entrando.
– Murilo me da. — a mamãe disse esticando a mão.
– O que?
– As chaves Murilo! Me da agora anda.
– Calma. Está nervosa porque seu amorzinho vai casar é? — ele disse entregando as chaves.
– Não estou nervosa, só não entendo o porque de você ter as chaves da minha casa.
– Foi da época que namorávamos.
– E o que faz aqui? Por acaso você vai no casamento?
– Vou sim. Eu sei que você vai precisar de mim e inclusive eu quero falar com você rapidinho pode ser?
– Agora Murilo? Jura?
– Qual o problema?
– Não é o momento para mais uma das suas conversas. — ela disse indo para o jardim.
– Então crianças... Cadê o meu beijo? Vocês estão lindos.
– Obrigada! — eu e a Let dissemos juntos e em seguida demos o beijo do papai.
Esperamos um pouco pela Dada que também estava muito linda e depois fomos para o casamento do papai Diego.
Pov's Clari
Vi o dia amanhecer pela janela do meu quarto. Dormir não foi uma opção na véspera do casamento do Diego com a Cássia.
Eu não deveria me importar porque eu o deixei livre para seguir com a vida e ser feliz com quem quisesse mas eu não conseguia controlar. Eu o amava demais e de verdade não queria que ele se casasse, não queria o perder de novo.
Levantei cedo e fui acordar a Letícia. Tínhamos de ir fazer o teste de DNA e eu mal podia esperar pelo resultado.
Eu tinha certeza que era ela, meu coração não mentia. Ele não estava enganado. Não dessa vez.
Depois do exame retornei para casa para me arrumar para o casamento do Diego. Só de pensar que ele estava prestes a se casar com a Cássia as lágrimas me vinham e meu coração se partia em pedaços. Eu não ia aguentar ver ele casando com outra, não ia aguentar, era pedir demais para mim. Mas eu tinha que ser forte, eu não podia demonstrar fraqueza. Eu tinha que estar firme.
Enquanto eu esperava a Dalva se arrumar tive a visita surpresa do Murilo, que por sinal tinha as chaves da minha casa não sei por qual motivo, mas tratei de recuperá-las.
Após ele insistir em falar comigo depois de fazer uma provocação eu fui para o jardim. Eu precisava respirar e acalmar o meu coração.
– Por que não quer falar comigo? Por que foge de mim?!
– Murilo eu já disse que não quero falar com você agora.
– Clara o Diego vai casar com outra!! Ele está seguindo a vida dele, não está lembrando de você! Porque você não pode deixar ele no seu passado e seguir em frente comigo?!
– Eu não quero falar disso Murilo.
– Mas eu quero! eu quero saber o porque.
– Me deixa Murilo.
– Fala Clara, fala o porque. Eu não vou te deixar em paz até você me dizer.
– Eu não te amo!!! Entende agora o porque?!? Eu não te amo Murilo! E o homem que eu amo está indo para o altar com outra! Satisfeito?! Agora me deixa! — eu disse saindo do jardim.
Sai do jardim e fui direto para a cozinha tomar um copo de água com açúcar. Eu não podia sair alterada daquele jeito.
Depois de me acalmar eu retornei a sala onde já estavam todos prontos, somente a minha espera.
A cada vez que nos aproximávamos da igreja, o meu coração ficava mais apertado. Em menos de uma hora eu perderia o Diego para sempre.
Chegamos na igreja e ele já estava no altar à espera da Cássia. Ele me olhou e veio em minha direção.
– Oi...
– Eu vou sentar ali com as crianças. — a Dalva disse saindo.
– Oi Diego.
– Você está muito linda.
– Você também está lindo e eu imagino que a Cássia também esteja bem linda. — eu disse contendo as lágrimas.
– Eu não queria que tivesse chegado a esse ponto.
– Mas chegou e você não pode fazer mais nada.
– Não quer mais nada comigo mesmo? Eu posso arriscar largar tudo se você disser que volta atrás.
– Isso é loucura demais Diego. Tem um psicopata a solta e se suspeita que estamos juntos eu não sei o que pode acontecer.
– Podemos tentar.
– Diego já vimos o que aconteceu no acampamento, no hotel... Chega né? Boa sorte na sua nova vida. Espero que você seja feliz.
– Pelo visto você já seguiu em frente né? Está muito bem. — ele disse olhando para o Murilo entrando na igreja.
– Não viaja Diego. Não tenho nada com ele. Ele veio apenas me acompanhar.
– Ah claro. Eu vou voltar para o altar.
– E eu vou sentar. — eu disse me retirando.
– Ah Clara! Faz um favor para mim? Arruma os meninos para entrarem na frente quando a Cássia chegar.
– Ah eu mereço. — eu disse dando as costas a ele.
Sentei no banco junto às crianças, a Dalva e o Murilo e fiquei esperando a cerimônia começar.
O momento em que a música começou a tocar foi a hora em que eu pensei que não iria aguentar. Precisei de muita força para não demonstrar nenhum tipo de sofrimento ou tristeza. E ainda tive que ver os meus filhos fazendo parte daquilo.
Cada segundo passava lentamente e isso me matava.
O Diego estava no altar com a Cássia e pelo que eu via, eles iam sem dúvidas se casar.
Pov's Diego
Assisti o nascer do sol pela varanda. Não dava para dormir com a pressão do casamento em cima de mim. Eu não conseguia aceitar que tinha falhado daquela maneira e o pior de tudo, que tinha perdido a Clari e ia me casar com a Cássia por simplesmente temer o que poderia acontecer com as pessoas que tanto amo.
Andei pela casa toda procurando encontrar uma solução para aquela situação. Mas não tinha nada que eu pudesse fazer sem a identidade da pessoa.
– Bom dia amor. — a Cássia disse me abraçando e me dando um selinho.
– Bom dia. — eu disse um pouco atordoado.
– Você está bem?
– Estou sim, por que?
– Não sei, está estranho. É nervosismo?
– Acho que sim. Estou nervoso mesmo.
– Fica tranquilo que vai dar tudo certo e ao fim da tarde seremos casados.
– É, seremos casados...
– Eu vou sair para me arrumar para o casamento. Te vejo na igreja ok?
– Ok. Nos vemos lá.
– Tchau meu amor. Vê se fica bem.
– Ah, você não vai comer?
– Como lá. Estou meio em cima da hora.
– Ta bom então. Até mais tarde.
Assim que a Cássia saiu liguei o notebook e comecei a ver as minhas fotos com a Clara e lembrar de todos os nossos momentos.
Após um tempo olhando as fotos e lembrando de tudo; liguei para o meu irmão. Eu queria ele trabalhando desde cedo, tínhamos que parar tudo de qualquer jeito. Eu não podia perder o amor da minha vida mais uma vez.
No final da manhã desci para a academia do prédio e comecei a praticar um pouco de boxe. Eu tinha que bater em algo, eu precisava extravasar e me acalmar de qualquer jeito. Eu tinha que ter a cabeça no lugar mais do que nunca naquele momento.
Depois de relaxar subí para me arrumar e antes de ir para a igreja olhei a foto da Clara mais uma vez.
Cheguei na igreja e já tinha bastante gente, inclusive minha irmã e meus pais.
Cumprimentei todos que estavam presentes e fui para o meu lugar esperar a cerimônia começar.
Meu irmão de outra parte da igreja trabalhava em descobrir o nome da pessoa e me falava no ponto a todo momento.
O tempo passava e nada dele descobrir. Eu estava ficando nervoso de novo. Ele tinha que descobrir.
Eu estava distraído quando meu pai me avisou que a Cássia tinha chegado.
Ela entrou com a Letícia jogando pétalas de flores no caminho e o Pietro segurando as alianças.
A Cássia estava muito lindo, por um instante eu esqueci do que tanto me angustiava e me deixava nervoso.
O padre iniciou a cerimônia e tudo estava ocorrendo teoricamente bem. Eu ainda esperava algum sinal do meu irmão. Havia uma pontinha de esperança em mim que morreu quando o padre perguntou:
– Cássia Gonzalez, você aceita a Diego Giansantti para amar e respeitar na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, por todos os dias de sua vida até que a morte os separe?
– Aceito! — ela respondeu me olhando com um sorriso largo.
– Diego Giansantti, você aceita a Cássia Gonzalez para amar e respeitar na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, por todos os dias de sua vida até que a morte os separe? — o padre disse me olhando.
– Diego! eu não... — meu irmão falava no ponto quando ele parou de funcionar.
– Você não o que?!? — eu disse em voz alta sem querer.
– O que você está dizendo Diego? — a Cássia me olhou preocupada.
– Se sente bem meu filho? — o padre perguntou.
– Aahh, sim. Me sinto muito bem, obrigado.
– Eu vou perguntar de novo. Tudo bem? — o padre falou.
Olhei nervoso para o lugar que a Clari estava sentada e não a vi. Então olhei para a porta da igreja pude vê-la saindo.
Naquele momento eu congelei e não sabia o que fazer.
– Diego! — a Cássia me chamou a atenção.
– Ahh, é... Claro. Ta. — eu disse nervoso.
– Diego Giansantti, você aceita a Cássia Gonzalez para amar e respeitar na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, por todos os dias de sua vida até que a morte os separe?
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