Louco Amor
70 Capítulo 70
Notas iniciais
Pov’s Clari
– Dalva você tem que acreditar em mim!! – Eu disse fechando a porta.
– Eu não duvido de você Clara. Só não quero que deposite tantas esperanças porque as vezes nosso coração erra e eu não quero que você sofra mais com isso.
– Eu tenho certeza que é ela Dalva.
– Ela é a sua cara. Até o sorriso, o jeitinho de falar.
– Sim, e aquela mulher a deixa sozinha em um banca de revistas. Você viu que absurdo? Ah se alguma coisa acontece com a minha pequena... Nem sei o que sou capaz.
– É realmente um absurdo. Ela é muito pequena para ficar sozinha assim na rua.
– Mamãe eu quero chocolate! – Ele disse sentando no meu colo, fazendo biquinho de peixinho e pegando no meu rosto.
– Mais tarde tá bom? Meu peixinho. – Eu disse fazendo cosquinhas nele.
– Socorro Dada!! – Ele em meio a gargalhadas.
– Peguei um peixinho lindo!
– Eu já estou indo Pietro! – A Dalva disse chegando perto.
– Ai socorrooo! Dada era para você me ajudar! – Ele disse rindo.
– Passa para o banho porquinho. Anda! – Eu disse dando uns tapinhas no bumbum dele.
– De novo mamãe? Eu já tomei um hoje.
– Ai que menino porco! Você não puxou a mim. Vai para o banheiro que você está todo suado.
– Mamãe você me dá banho então?
– Não quer mais que eu te dê banho? – A Dalva perguntou.
– Agora eu quero a minha mãe. Quero que ela fique brincando comigo.
– Quer aproveitar sua mãe né? Faz muito bem.
– Então vamos logo que você está fedendo a suor. – Eu disse pegando ele no colo e dando cheiros no pescoço.
– Isso faz cócegas mamãe!
– É que eu não resisto ao meu principezinho.
Dei banho no Pietro, ficamos brincando durante todo o tempo com os brinquedos da banheira e cantando as músicas que ele gostava. O Pietro ria o tempo inteiro me deixando mais que feliz. Eu amava ficar com o meu filho, era uma delícia passar o tempo com ele e acompanhar cada passo do meu anjinho.
Eu estava ajudando o Pietro a se vestir quando o meu telefone tocou:
~ Ligação ON ~
– Alô.
– Boa tarde, é María Clara?
– Sim, sou eu. Quem gostaria?
– Aqui é o doutor Alberto, que está acompanhando o Diego. Tudo bom?
– Oi doutor, tudo bem sim e o senhor?
– Tudo bem, obrigada... Clara, o Diego apresentou uma melhora no quadro. Ele conseguiu apertar a minha mão sinalizando que estava me ouvindo e chamou por você.
– Ai eu não acredito!! É a melhor notícia que o senhor poderia ter me dado!! – Eu disse quase chorando de felicidade.
– Ele ainda está se recuperando, eu não vi um caso como o dele. Parece que ele teve um momento de lucidez e voltou ao de antes. Bom, não posso explicar muito bem por telefone. Seria bom se a senhora voltasse o quanto antes.
– Eu tenho uma coisa de trabalho para fazer aqui mas vou ver o que posso fazer.
– Está certo. Agora eu tenho que continuar atendendo os pacientes.
– Ok, obrigada por me avisar. Até logo.
– Até logo.
~ Ligação OFF ~
– Seu pai acordou!!!! – Eu disse abraçando o Pietro forte.
– Acordou mamãe?!?!?! Ele vai brincar comigo agora?
– Sim claro sim mas antes ele tem que repousar!
– Que notícia boa Clari!!! Você não sabe o tamanho da minha felicidade. Eu sabia que ele ia sair dessa, o Diego é forte!
– Eu nem acredito nisso!! Eu quero voltar o quanto antes. Ele me chamou Dalva.
– É que ele sente sua falta!
– Eu preciso pensar no que fazer com o caso da Letícia. Não posso deixa-la aqui.
– E o que pretende fazer?
– Eu estou pensando em uma coisa aqui... Amanhã tento.
– Ah pelo menos me conta.
– Mais tarde.
– Mamãe eu quero mingau.
– Porque você não janta?
– Não quero mãe, eu quero mingau. Por favor.
– Eu vou pedir para trazerem.
– Mãe eu posso brincar com o meu vídeo game novo?
– Agora não. Deixa para instalar em casa amor.
– Então deita aqui comigo mãe.
– Deito sim. Você gosta de ficar assim comigo né?
– Gosto sim. Eu amo ficar com você mamãe, é muito bom. – Ele disse subindo em cima de mim e me abraçando forte.
– Eu também amo ficar com você meu amor. Amo os seus abraços.
– Então eu vou te dar mais mil abraços porque você é a melhor mãe do mundo inteirinho e eu amo muito muito muito você.
– Ai que coisa mais gostosa de se ouvir. Repete!
– Eu amo muito você e você é a melhor mãe do mundo todooooo!!!! Minha mamãezinha linda!!
– Ai como eu te amo meu filho. Meu anjinho. – Eu disse enchendo ele de beijos enquanto abraçava.
– Olha Pietro o que chegou...
– Meu mingauuuu!!!!!
– Vem amor deita aqui no travesseiro para tomar o mingau.
Enquanto o Pietro tomava o mingau e assistia desenho eu conversava baixo com a Dalva sobre a Letícia.
– O que você vai fazer Clari?
– Eu vou tentar convencer a que se diz mãe dela a ir para a Argentina. Vou dizer que tem um papel na novela e que ela é perfeita, a menina que procuram.
– Mas Clari, eu acho que ela não vai aceitar.
– Ah vai sim. Nas condições em que vive e que submete a minha filha a viver, ela vai sim.
– Eu vou te apoiar mas quero que prometa que não vai esquecer que ela pode não ser. Eu não quero que você sofra mais Clari.
– Não se preocupa. Eu prometo que não vou me machucar dessa vez.
– Boa sorte então. Eu espero que seja mesmo porque ela tem tudo seu e é muito linda viu?
– Você viu? Ela está muito linda e é bem educada.
– Sim, eu acho que aquela moça fez um bom trabalho.
– É pode ser, mas agora que a encontrei a quero de volta.
– E se ela não quiser Clara? Digo porque ela já está grandinha e já tem uma família.
– Dalva, ela é a minha Letícia, a que eu tanto procurei. Eu tenho que ganhar o carinho dela.
– Conta comigo para o que precisar tá? – A Dalva disse me abraçando.
– Obrigada.
Pov’s Pietro
Eu estava em outro lugar com a mamãe e a Dalva, lá era muito legal. Acho que o nome era Londres, acho que era esse mesmo. A cidade era muito linda e eu estava me divertindo bastante. Ficar com a mamãe era tão legal, eu queria que ela ficasse comigo o tempo todo mas ela tinha sempre apresentações, gravações, sessões de fotos e entrevistas; quase nunca ficava comigo.
No meio da viagem meu pai chegou, eu fiquei tão feliz com a surpresa dele. Eu amava ficar com meu pai e minha mãe, eles eram os melhores do mundo.
Minha mãe ficou conversando com uma menina no meio do passeio, eu gostei dela mas não gostei da atenção que minha mãe deu a ela porque minha mãe é só minha. As únicas pessoas que eu dividia a mamãe era o meu papai e a minha irmã que a mamãe disse que eu tinha. Parece que ela se perdeu da gente quando éramos bebê e por isso eu não a conheço. As vezes queria que a encontrassem, assim eu teria com quem brincar.
Quando voltamos para o hotel a mamãe ficou brincando comigo na cama e depois no banho. Eu me divertia muito com ela mas faltava o meu pai com a gente. Eu gostava mesmo quando ficávamos os três juntos. Minha mãe só falava do Diego mas eu queria mesmo que ela ficasse com meu pai Murilo. O papai amava tanto a mamãe, ele sempre me dizia isso.
Mesmo o Diego não sendo o meu pai preferido, e eu não gostando tanto dele quanto do papai Murilo, fiquei feliz quando a mamãe disse que ele tinha acordado. Eu queria conhecer ele mais um pouco, minha mãe sempre me falava dele mas eu nunca tinha tido a oportunidade de o conhecer de verdade.
Pov’s Letícia
Hoje eu estava na banca da minha mãe, ajudando ela com as vendas enquanto ela fazia uns pagamentos quando uma moça bem bonita se aproximou de mim. Ela sorria bastante e parecia estar emocionada. Eu senti um carinho por ela bem especial, era como se eu já a conhecesse. Foi algo estranho e bom ao mesmo tempo.
Ela me pediu um abraço e eu não a queria mais soltar, foi o melhor abraço que eu já tinha recebido. Depois apareceu um menino, ele tinha coisas parecidas comigo foi estranho o ver, sem contar que ele tinha o mesmo tamanho que eu, era igualzinho! E também apareceram um homem, que eu não gostei nada dele, tinha algo de errado com ele, e do lado desse moço tinha uma senhora muito boa, eu podia ver em seus olhos.
Minha mãe me viu conversando com essas pessoas e ficou muito brava comigo porque ela sempre dizia para eu não falar com estranhos porque era perigoso e logo mandou todos irem embora.
– Letícia eu já disse que eu não quero você falando com desconhecidos!!
– Desculpa mãe.
– Não adianta pedir desculpas não. Eu não aguento mais falar as mesmas coisas com você, você não obedece, não escuta o que eu te digo! Imagina se te sequestram. Eu só tenho você como filha sabia?
– Eu sei mãe mas eram pessoas boas.
– E o que você sabe sobre pessoas boas?
– Eu senti que não eram más, bom tirando aquele moço, não consegui sentir nada, ele era estranho.
– É exatamente dele que eu quero que você mantenha distância!!
– Por que?
– Porque ele pode ser um pedófilo sabia?
– E o que é isso?
– Isso quer dizer que ele pode te sequestrar, fazer muitas coisas ruins com você e eu nunca mais te ver. Quem sabe ele não te mata também.
– Mãe eu tô ficando com medo.
– E é para ficar! Quem sabe assim você me obedece... E vem logo me ajudar a guardar as coisas. Vamos fechar mais cedo hoje.
– Está bem...
Eu ajudei a minha mãe a fechar a banca e fomos para casa. A volta sempre demorava e eu ficava muito cansada. Morávamos longe dali e sempre chegávamos pela noite em casa.
– Vai tomar banho para comer Letícia.
– Você pode me dar banho dessa vez?
– Você já está muito grandinha, pode tomar banho sozinha e além do mas eu estou muito cansada.
– Está bem...
Eu sempre tomava banho sozinha porque minha mãe dizia que eu era grande o bastante para isso. Ela não me dava muita atenção, mas eu gostava dela.
– Letícia sua comida já está na mesa.
– Verdura e frango de novo?
– É a única coisa que tem.
– Mas eu não aguento mais comer isso mãe.
– Então não come, fica com fome. Ainda acha que tem o que comer.
– Tudo bem, eu como...
Após comer eu fui deitar para dormir. Eu estava muito cansada, e no dia seguinte tinha que acordar bem cedo para ir de novo ajudar minha mãe com a banca de revistas e jornais.
Pov’s Diego
Eu estava acordado mas não conseguia demonstrar, era como se eu estivesse travado. Eu não conseguia abrir o olho, nem falar, nem me mexer. A sensação era horrível e eu estava começando a ficar desesperado. Eu podia ouvir a voz do médico, da Cássia, do meus irmãos, dos meus pais e até do meu filho. O meu filho com a Cássia, eu podia ouvir. Como eu queria abrir os olhos e vê-lo pela primeira vez mas quanto tempo tinha se passado? Ele já falava? Como assim? Por quanto tempo eu dormi?
Eu fiquei tentando me lembrar do que havia acontecido mas minha cabeça doía e eu sempre fica muito cansado.
Tudo o que eu queria era ver a Clari, eu queria ver ela, segurar sua mão e sentir que ela ainda estava comigo. Senti medo de ter a perdido durante o tempo que tinha ficado dormindo apesar de que eu não sabia o tempo certo mas deveria ter sido bastante pois o meu filho com a Cássia já falava e tudo.
Todos falavam comigo o tempo todo e eu não conseguia responder por mais que eu tentasse, eu não conseguia fazer nenhum sinal. Apesar disso, eu estava ali e ouvia tudo o que me falavam, escutava cada palavra... Inclusive ouvi muito bem quando o médico me disse que tinha ligado para a Clara e que logo ela voltaria.
Voltar de onde? Com quem? Essas perguntas não saiam da minha cabeça e me preocupavam um pouco. E se ela tivesse me esquecido? Se estivesse com outro? Se tivesse casado com outro? Eu precisava sair dali o mais rápido possível e descobrir tudo o que tinha acontecido enquanto eu dormia. Mas como? Se eu nem conseguia mexer o dedo. Eu estava cada mais irritado e desesperado com a minha situação.
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