Louco Amor

55 Capítulo 55


Notas iniciais
Oi gente! Obrigada pelos comentários e desculpem se tiver algum erro. Espero que gostem e boa leitura!

Pov’s Clari

Acordei e fiquei brincando com o Pietro. As gravações da novela tinham acabado e eu estava de férias. O meu tempo livre eu usava para ficar com o meu filho e as vezes para ir visitar as amigas.

– Mamã! Peguei!

– Ai você me pegou?

– É, peguei.

– Eu vou pegar você então.

– Né nada! – Ele disse correndo pela casa.

– Vem cá!

– Não!

– Peguei você! – Eu disse pegando o Pietro no colo e mordendo levemente sua barriga.

– Ai socorro. Morde não!

– Que gritaria é essa? – A Dalva disse rindo.

– É mamãe! – O Pietro disse apontando para mim.

– Eu? É você seu nanico. – Eu disse jogando um almofada nele.

– Eu não sei mais quem é a criança...

– Não se pode mais brincar nessa vida.

– Pode sim. Eu amo ver você se divertindo assim e sorrindo.

– Eu sei disso.

– Cada dia mais convencida... E o Murilo? Vocês não vão mais voltar não?

– Sim, eu acredito que sim só preciso de mais um tempo sozinha.

– E o Diego? Acabou mesmo?

– Sim, acabou. As coisas estão melhores assim, cada um para um lado, cada um com sua vida.

– Se você diz... Eu vou voltar a fazer as minhas coisas.

– Vai lá Dalva e não esquece de parar para almoçar. Estou de olho em você.

– Claro mamãe.

– Engraçadinha. – Eu disse rindo.

Após um tempo o Pietro dormiu e eu fui para o notebook checar as minhas redes sociais e ver alguns vídeos. O dia estava tranquilo, a casa em silêncio total, nem o barulho do vento se escutava.

Eu estava conversando com a Cami e com a Vale quando tocaram na porta.

– Oi Murilo. – Eu disse ao abrir a porta.

– Oi Clari. Posso entrar?

– Não. Eu acho que você fica mais bonito ai do lado de fora.

– Só você para me fazer rir. – Ele disse entrando.

– Como está?

– Mais ou menos mas vou ficar bem.

– Por que mais ou menos?

– Porque eu já sei que você vai voltar com o Diego e eu...

– Mas o que você está dizendo?

– Eu vejo como vocês estão e é o que eu acho.

– Está achando errado, muito errado.

– Sei...

– Estou falando sério Murilo. Eu não quero voltar com o Diego. Eu só não posso mais tratar ele mal por ele ter feito a cirurgia por ser o pai do Pietro.

– Tem certeza que não tem nada a mais?

– Absoluta. Se você esperar mais um pouco quem sabe a gente não volta.

– Está falando sério?

– Pareço estar brincando?

– Eu acho que vou esperar mais um pouco... – Ele disse me abraçando.

Fiquei conversando e ouvindo música com o Murilo por um bom tempo. Tudo estava muito bem, eu não tinha nem sinal do Diego. Era estranho ele não ter ligado para falar com o filho mas ainda era cedo e eu não me preocupei muito com isso.

O Murilo estava bem mais carinhoso que o normal, e a cada dia ele me conquistava mais um pouco. Era maravilhoso ficar com ele. Ao lado dele eu não tinha problemas, minha vida ficava perfeita. O Pietro estava começando a se dar bem com ele e isso me deixava mais que feliz.

Sobre o Flávio que eu conheci no hospital, encontrei com ele mais vezes depois e acabamos criando uma amizade. Ele é uma boa pessoa e excelente homem. As vezes ele me visitava em casa ou eu visitava ele ou marcávamos de nos encontrar pela rua.

Estava jantando junto ao Murilo e ao Pietro quando a Dalva chegou da cozinha um pouco aflita com o telefone na mão.

– Está tudo bem Dalva?

– Não.

– O que foi? Algo de grave?

– O Diego foi preso Clara.

– Como?! – Eu disse cuspindo o suco que eu bebia na hora.

– Ele foi preso, a avó dele acabou de ligar.

– Mas como e porque?

– Parece que a polícia pegou ele com uma mochila com drogas e armas.

– Impossível. Tem que ter uma explicação para isso.

– Vocês passaram muito tempo afastados Clari. Não sabe o que ele fez nesse tempo.

– O Diego não é desse tipo Murilo. – A Dalva disse séria.

– Sim, ele jamais se envolveria com isso.

– Eu não tenho tanta certeza disso.

– Eu vou deixar vocês a sós. – A Dalva disse saindo.

– Murilo, é o Diego. Ele não mexe com essas coisas. Ele nem sabe como segurar uma arma.

– Clari, escuta. Você não pode afirmar isso. Você não sabe com que ou com quem ele anda envolvido. Agora é a hora de você afastar o Pietro dele e se afastar também. É o melhor para vocês dois.

– Mas Murilo...

– Clari eu quero o melhor para você e para o Pietro. Eu não diria isso se não fosse verdade.

– Eu não consigo acreditar. Talvez você tenha razão mas eu preciso falar com ele antes. – Eu disse me levantando.

– Onde você vai?

– Vou até a delegacia aonde mais?

– Você nem sabe em qual delegacia ele está.

– Eu ligo para a avó dele no caminho.

– Clari não vai. O que você vai fazer em um lugar desses a essa hora?

– Ver o Diego. Eu preciso conversar com ele e tentar entender o que está acontecendo.

– Ele jamais vai te dizer a verdade.

– Deixa eu ao menos tentar.

O Diego não podia ter sido preso, não por drogas e armas. Aquilo não podia ser verdade, logo ele. Tinha que ter algum erro, tinha que ser um engano.

Fui o mais rápido que pude até a delegacia. Era tarde mas eu precisava falar com ele naquele exato momento, eu não iria conseguir dormir se eu nem tentasse falar com ele. Cheguei na delegacia e o delegado disse que já tinha acabado o horário de visitas e que ele tinha sido pego em flagrante com uma mochila com drogas e armas. Eu fiquei paralisada por um tempo sem conseguir pensar direito. Eu me apresentei ao delegado como esposa dele e insisti muito para vê-lo até que consegui a permissão. Um policial me conduziu até uma sala onde ele seria levado para conversar comigo a sós.

– Clari? – Ele disse entrando na sala algemado.

– Diego! – Eu disse correndo para abraçar ele.

– Deixa eu retirar as algemas dele senhora. – O policial disse me afastando. – Qualquer coisa estou na porta. – Ele disse saindo.

– O que você está fazendo aqui? – O Diego me perguntou sério.

– Como o que eu estou fazendo aqui? Eu vim te ver.

– Para que? Não quero que ninguém me veja aqui nesse estado.

– Eu só vim conversar com você. Quero explicações. Como que você foi preso por armas e drogas Diego? Olha para mim Diego!! Me diz por favor!

– Eu não sei Clara.

– Como que você não sabe?! A mochila estava com você!

– Aquela mochila não é minha! É igual a minha mas não é minha!! A minha estava com livros, te juro que aquela mochila e o que tinha dentro não é minha. – Ele disse em um tom de desespero e derramando algumas lágrimas.

– Eu acredito em você Diego. Fica calmo, isso vai se esclarecer.

– Eu não sei.

– Você já tem um advogado?

– Não.

– Eu vou ligar para o meu e contrata-lo para cuidar do seu caso... Você não está mentindo para mim né? Você realmente não tem nada a ver com aquelas coisas?

– Eu te juro Clara. Eu não tenho nada a ver com isso, eu não sei o que aconteceu. – Ele disse colocando as mãos no rosto.

– Calma, vai ficar tudo bem. Você vai ver. – Eu disse abraçando ele.

– Obrigado por acreditar em mim. Você sabe melhor do que ninguém que eu nunca me meteria em uma coisa dessas.

– Eu sei meu amor. Eu sei que isso tem uma explicação e vamos descobrir o que aconteceu.

– Como você fez para que te deixassem entrar aqui a essa hora?

– Simples. Me apresentei como sua esposa e minha insistência me ajudou muito também.

– Você é demais... E o meu filhão como está?

– Está bem, deixei com a Dalva e com o Murilo.

– Acabou o tempo de visita. – O policial disse abrindo a porta.

– Você vem me ver amanhã?

– Venho sim. Amanhã eu volto aqui. Vou tentar falar com o meu advogado ainda hoje.

– Obrigado por me ajudar. – Ele disse me abraçando.

– De nada e até amanhã. – Eu disse dando um selinho nele.

Saí da delegacia me perguntando o porque de eu ter beijado o Diego. Eu fiz por impulso sem pensar muito bem em nada. Ele devia estar pensando que eu era doida ou algo do tipo.

Cheguei em casa e a primeira coisa que fiz foi ligar para o advogado para explicar a situação do Diego. O Murilo falava alguma coisa mas eu não dava muita atenção, eu estava muito preocupada em ajudar o Diego a sair da cadeia. Depois de conversar com o advogado e tomar um banho eu deitei para tentar relaxar um pouco.

– Pode me ouvir agora? – O Murilo disse deitando do meu lado.

– Claro. – Eu disse colocando a cabeça no peito dele.

– Como foi lá? Conseguiu ver o Diego?

– Sim, eu consegui. Conversei com ele e ele me disse que é inocente.

– E você acreditou né? Isso é o que todos dizem Clara.

– Mas é o Diego, Murilo! Eu conheço ele.

– Você pensava a mesma coisa antes dele te trair com a atual noiva dele não é mesmo?

– Eu não sei. É diferente.

– Ok. Depois não diz que eu não te avisei. Se eu fosse você manteria o Pietro longe e me afastaria também.

– Tudo bem...

– Chega de falar disso e vem cá que eu estou tendo umas ideias legais. – Ele disse me beijando e deitando em cima de mim aos poucos.

– Não Murilo. Estou com dor de cabeça, deixa para outro dia.

– Você nunca deixa eu te tocar. Por que?

– Antes eu não podia e agora é só porque estou com dor de cabeça. Não é nada pessoal.

– O que eu posso fazer além de esperar o dia em que você finalmente vai se entregar para mim?

– Você é um fofo. Obrigada por entender.

– Posso ao menos dormir aqui com você?

– Pode. Isso você pode.

Fiquei deitada com o Murilo em silêncio. Eu não sentia vontade de fazer amor com ele apesar de gostar muito dele. Por um instante pensei em levar mais a sério a minha relação com ele e dar um passo mais a frente, como morar junto. Eu ainda tinha dúvidas sobre dar esse passo com ele mas era uma decisão quase certa.

Pov’s Diego

Acordei pela manhã, tomei café junto a minha família e me arrumei para sair. Eu tinha alguns problemas para resolver e algumas coisas para estudar. Os negócios estavam cada vez piores e eu já não sabia o que fazer para resolver. Arrumei minha mochila com alguns livros e papéis e saí.

Fui no banco para ver quanto tinha na conta, fazer alguns pagamentos e sacar uma quantia para dar a minha avó. Eu sempre dava dinheiro a ela todo mês para ela gastar como quisesse, era como uma mesada. Eu devia muito a minha avó por ela ter me criado e eu fazia de tudo para agradar ela.

Coloquei a mochila em um instante no chão para fazer as transações e depois ao final de tudo a peguei de volta e saí do banco. Na saída tinha uma viatura parada e uns policiais na porta. Eles me pararam e mandaram eu colocar a mão na cabeça. Fiquei sem entender o que estava acontecendo mas tranquilo afinal eu não tinha nada demais além dos meus documentos e da mochila.

Os policiais apontavam as armas em minha direção todo o tempo. Enquanto um me revistava outro mexia na minha mochila. Eles tiraram armas e drogas de dentro da mochila e eu nem sabia como aquilo tinha ido parar ali. Comecei a ficar assustado e desesperado, aquelas coisas não eram minhas e eu não tinha como explicar e também não adiantaria por que não acreditariam em mim.

– O que você ia fazer com isso? – Um policial me perguntou segurando parte do que tinha na mochila.

– Isso não é meu senhor.

– E o que faz com você?

– Eu não sei. Essa mochila não é minha. A minha mochila só tinha livros e papéis de trabalho.

– Você trabalha com que?

– Eu sou professor e empresário.

– Essa era a sua renda extra? – O policial disse me algemando.

– Não, pelo amor de Deus, eu sou um pai de família.

– Devia ter vergonha de fazer isso. – Ele disse me conduzindo a viatura.

Eu realmente não sabia o que estava acontecendo. Nada fazia sentido, eu nunca me envolvi com nada ilegal. Sempre gostei de fazer as coisas certas e nunca tinha comprado nada do que acharam na mochila. Eu fiquei pensando na Cássia, nas crianças e na Clari. Eu não queria que elas me vissem daquele jeito.

Assim que cheguei na delegacia, me levaram para dar depoimento e depois para fazerem a minha ficha e em seguida fui conduzido a uma cela.

Durante o depoimento eu descobri que tinham feito uma denúncia anônima e cheguei a conclusão que só poderia ter sido uma armação. Não disse nada porque não tinha ideia de quem poderia ter armado para mim, de quem estaria interessado em me prejudicar. Quem armaria para mim? Quem queria me prejudicar? Essas perguntas não saíam da minha cabeça. Isso me intrigava bastante.

Já era de noite, eu estava deitado quando um policial chegou na cela dizendo que eu tinha uma visita. Eu pensei de primeira na Cássia, ela tinha ido mais cedo com algumas pessoas da minha família mas não a deixaram entrar pelo horário.

Quando cheguei na sala, eu fiquei bastante envergonhado em ver a Clari. Eu não queria que ela me visse naquele estado. Ela era a última pessoa que eu pensei que me visitaria e que fosse me ajudar. Ela foi bem compreensiva durante todo o tempo, eu podia ver nos olhos dela que ela acreditava em mim. A visita dela me fez sentir que eu não estava sozinho naquele momento e que eu talvez tivesse uma chance de conseguir resolver tudo aquilo. Ela tentava me acalmar a todo instante e tentava me dar força e segurança. A Clari se comprometeu a me ajudar a sair da cadeia sem eu nem pedir e sem eu merecer. Antes de sair ela me deu um beijo e aquilo me deu mais forças para aguentar tudo aquilo que eu estava passando.

Voltei para a cela e fiquei deitado pensando no beijo que a Clari tinha me dado e nas palavras dela. Eu tinha sorte de ter ela. Sem dúvidas ela era uma mulher muito especial e o que me levava a pensar que realmente ela não merecia o que eu tinha feito com ela e passei a me sentir mais culpado por tudo. Como ela poderia me ajudar tanto mesmo depois de tudo? Ela era única e nenhuma outra mulher faria o que ela estava fazendo por mim. Eu não tinha palavras para agradecer a Clara pela a ajuda que ela estava me dando naquele momento tão difícil para mim.

Notas finais
Comentem! Beijos! :*