Louco Amor
56 Capítulo 56
Notas iniciais
Pov’s Diego
Vi o dia amanhecer. Com tanta coisa na cabeça eu não pude dormir nem um segundo durante a noite, sem contar que eu estava com um pouco de medo dos outros presos que dividiam a cela comigo. Eu não via a hora de sair daquele lugar e voltar para a minha casa. Aquele situação tinha que ser esclarecida, eu nunca tinha feito nada que violasse as leis.
Após servirem o café da manhã, que por via das dúvidas eu preferi não comer, eu comecei a cochilar enquanto pensava na Clari e no beijo que ela tinha me dado. Não tinha sido um beijo de cinema, foi apenas um selinho mas me provocou sensações diversas e inexplicáveis.
No momento em que eu cochilava um policial me acordou aos gritos para avisar que eu tinha visita. A primeira coisa que eu pensei foi “ É a Clari “. Fui na certeza que era ela e quando cheguei na sala de visitas eu vi que era ela e a Cássia. As duas juntas, no mesmo lugar. Eu não tive bons pressentimentos. Eu não sabia nem como agir na presença das duas. Foi uma situação bem embaraçosa apesar de eu não ter nada com a Clari.
– Amor! Como você está? Estão te tratando bem? – A Cássia disse me abraçando forte.
– Oi meu amor. Vou ficar melhor quando sair daqui.
– Oi Diego... – A Clari disse um pouco distante.
– Oi... Deixaram vocês entrarem juntas?
– Sim, mas eu não vou ficar até o final Diego. Eu só vim para falar que já combinei tudo com o advogado e ele vai cuidar do seu caso. Acho que em dois dias você será liberado.
– Obrigado pela ajuda Clari.
– De nada. Eu vou indo, vou deixar vocês a sós. – Ela disse se dirigindo a porta.
– Clari espera... – Eu disse indo atrás dela.
– O que foi? – Ela disse virando para mim ficando cara a cara comigo.
– Vo... Você não me falou do Pietro... Como ele está? – Eu disse tentando desviar o olhar dos lábios dela.
– Ele está bem. Perguntou de você hoje.
– E o que você disse?
– Que você estava viajando e que logo iria visitar ele.
– Bom. Eu estou com muitas saudades dele.
– Agora eu vou indo.
– Ok...
Ela saiu da sala de visitas sem nem ao menos conversarmos sobre o que tinha acontecido na noite anterior. Seria complicado falar sobre o beijo naquele momento por conta da presença da Cássia mas tinha algo a mais. Ela estava mais que desconfortável em estar no mesmo lugar com a Cássia, ela estava fria e distante. Senti como se estivesse voltado a estaca zero com ela mais uma vez. Estava cada vez mais difícil manter uma relação amigável com a Clara.
– Você está comendo direito?
– O que?
– Você está comendo?
– Hm... Não. Não sei o que colocam nessas comidas e prefiro não comer. Gosto de viver.
– E vai ficar dois dias sem comer? Porque pelo que a Clari disse você só será liberado em dois dias.
– Eu aguento. Não vou morrer de fome não. Só preciso de água.
– Deixa de loucura.
– Não estou fazendo nada... E a Mel e a Júlia?
– Estão bem com meus primos.
– Que bom. Dá um beijo nelas por mim.
– Dou sim... Fiquei tão assustada Diego quando me disseram que você tinha sido preso. Eu sinto sua falta e me preocupo com você aqui sozinho nesse lugar.
– Vai ficar tudo bem. Fica tranquila e cuida direitinho de tudo.
– Eu tenho uma notícia boa...
– Pelo menos uma. Diz ai o que é.
– Estou a um passo de conseguir o divórcio na justiça.
– Mas isso é muito bom meu amor.
– Sim e significa que quando tudo isso passar vamos poder casar.
– É sim...
– Eu tenho que ir para voltar a cuidar das meninas. Se cuida, eu te amo. – Ela disse me beijando.
– Eu também.
– Licença... – A Clari disse entrando com a minha avó.
– Vovó?
– Oi meu netinho.
– Agora eu vou indo de verdade. Só vim trazer a Mabu. Tchau.
– Não Clara. Só um minuto por favor.
– Já entendi. Vou dar 5 minutos para vocês conversarem. Estou na porta.
– Não precisa Mabu. Não temos o que conversar e eu já estou de saída.
– Ah que isso Clara. 5 minutos, você escutou.
– Já estou na porta. – Minha avó disse saindo.
– O que você quer?
– Dormiu em cima de um cacto senhora Alonso?
– Não é da sua conta. A final, o que você quer falar comigo de tão importante?
– O que foi aquele beijo ontem?
– Nada. Não foi nada. Eu só achei que o policial desconfiaria se eu não te desse nem um selinho de despedida já que eu tinha me apresentado como sua esposa. Satisfeito?
– Não. Não foi só isso.
– Sim, foi e pare de ver coisas que não existem. Eu não te quero na minha vida nem em sonhos. Já basta eu te aturar por conta do Pietro.
– Agora é assim? Até ontem você estava dizendo que acreditava em mim e que estava do meu lado... O que aconteceu?
– E continuo porque me recuso a acreditar que escolhi um traficante para ser pai do meu filho. Agora se você me dá licença, tenho mais o que fazer.
– Mas...
– Até outro dia Diego. – Ela disse saindo.
Eu fiquei pior do que estava naquele momento. Eu realmente não sabia o que tinha acontecido para a Clara me tratar daquele jeito. Comecei a pensar que teria algo a ver com o encontro dela com a Cássia. Era a única explicação para aquilo.
Fiquei o tempo que restava com a minha avó, ela me deu conselhos e tentou me animar. Ela era maravilhosa, uma segunda mãe e eu a respeitava muito. Me senti melhor após a visita dela, ela me conhecia como ninguém e sabia como me fazer rir e relaxar.
Quando o horário de visitas acabou, eu voltei para a cela e voltei a me sentir mal pela forma que a Clara me tratou. Aquele beijo não podia ter sido só uma encenação. Não podia ser, tinha sido real, perfeito demais para ser apenas uma cena. Aquilo só me fez pensar que ela estava tentando me dar o troco. Uma hora está doce e outra está extremamente fria. Acho que no fundo ela só queria que eu pagasse por tudo que ela passou na época que nos separamos.
Eu só queria sair logo daquele lugar e que a Cássia se divorciasse. Eu estava mais que decidido, assim que eu pudesse iria casar com a Cássia. Não tinha nenhum motivo para adiar ou para eu não casar com ela. Em nenhum momento ela duvidou que eu fosse inocente, ela nem se quer mencionou a possibilidade de eu ter alguma culpa naquela história toda.
Pov’s Clari
Acordei nos braços do Murilo. Fiquei observando ele dormir por um tempinho e em questão de minutos comecei a lembrar do selinho que eu tinha dado no Diego. Eu não acreditava que tinha cometido aquela loucura. Quando eu ia aprender a controlar os meus impulsos? Eu nem sabia como olhar na cara dele de novo depois daquilo.
Levantei da cama para tomar um banho, depois saí para tomar café e deixei o Murilo dormindo. Ele estava cansado e precisava descansar. Eu sentia como se tivesse voltado a namorar o Murilo mas não era verdade; eu ainda precisava de um tempo sozinha.
– Bom dia mamã!
– Bom dia meu amor. Você já está acordado é? Achei que dormiria mais.
– Já acordei.
– E já comeu?
– Já.
– Comeu tudo Clari. Está se comportando direitinho.
– É mesmo? Já está ficando um homemzinho então.
– Está sim. Ele queria entrar no seu quarto mais cedo quando acordou mas eu não deixei.
– Por que Dalva?
– Porque eu imaginei que você e o Murilo estivem precisando de privacidade.
– Só dormimos Dalva. Não voltamos...
– Achei que tivessem voltado com estilo. – Ela disse rindo.
– Não voltamos nem com estilo nem sem estilo tá? Eu só deixei ele dormir aqui porque eu achei que seria bom para mim. Eu estava um pouco tensa com a situação do Diego.
– E você conseguiu falar com o advogado?
– Sim, ele vai cuidar do caso do Diego.
– Que bom. Espero que tudo isso se resolva logo.
– Eu também espero Dalva.
– Papá!
– É filho papai.
– Onde?
– Ele está viajando logo vem brincar com você.
– É?
– É meu amor. – Eu disse dando um beijo na cabeça dele.
– Papá!!
Tomei o meu café e me arrumei para ir visitar o Diego. Eu tinha prometido que iria visita-lo e eu precisava ver como ele estava também. Ele com certeza não estava bem com toda aquela situação, sempre foi muito certinho nesses quesitos. Fiquei pensando por um instante no que dizer caso ele me perguntasse algo sobre o beijo que eu tinha dado nele. Eu precisava de uma justificativa lógica mesmo que não tivesse.
– Bom dia minha princesa. – Ele disse me abraçando por trás e me dando um beijo no pescoço.
– Bom dia Murilo.
– Aonde vai?
– Vou na delegacia visitar o Diego.
– De novo Clara? Achei que faríamos algo juntos hoje.
– Eu não posso deixar ele sozinho nesse momento né?
– Eu não estou dizendo para você deixa-lo sozinho. Só acho que você já fez muito que foi contratar um advogado para ele e que a noiva dele deve está cuidando de todo o resto. Ele não depende só de você, ele tem a noiva e toda a família dele.
– Eu sei mas ele é como uma amigo. É o pai do Pietro. Eu não vou demorar, só vou para saber como andam as coisas e tudo mais. Estou pagando o advogado e quero ver competência da parte dele.
– Tudo bem. Promete que só vai demorar o necessário?
– Sim, eu prometo. Logo estarei aqui e faremos o que você quiser.
– Qualquer coisa?
– A depender da coisa sim.
– Vou ficar aqui com o Pietro te esperando voltar ansiosamente.
– Vou indo para não demorar muito.
Quando eu cheguei na delegacia para a minha desagradável surpresa a noiva do Diego estava lá. Eu estava no mesmo lugar que a mulher com quem ele tinha me traído, respirando o mesmo ar e dividindo o mesmo espaço. Aquilo era demais para mim, tentei com muito esforço manter a educação. Falei com o delegado e ele me olhou com uma cara de confuso.
– Esposa? Ele é bígamo?
– Não.
– E porque aquela senhora disse que era a esposa dele também?
– Vamos esclarecer as coisas. Eu sou a esposa, ela é a noiva.
– É um trio?
– Não, vamos tentar de novo.
– Ok.
– Eu sou esposa dele pela lei, mas não temos mas nada. Ela será a esposa dele quando o nosso divórcio sair.
– E por que você se apresentou como esposa dele?
– Porque pela lei eu ainda sou a esposa dele. E até porque o senhor não me perguntou se ainda vivíamos como marido e mulher.
– Vou corrigir a anotação então. Você é a ex esposa dele e a senhora Cássia é a atual mulher dele.
– Como o senhor preferir... Vou poder entrar agora?
– Sim, vão entrar de dois em dois e sendo assim vai você e a senhora Cássia de uma vez só.
– Não tem como ser separado?
– Não. Só tem vocês duas e a avó dele. A avó dele vai poder conversar com ele a sós.
– Tudo bem...
– O policial vai acompanhar vocês duas.
Como se já não bastasse eu ficar no mesmo lugar que a noiva do Diego, eu tinha que aguentar a ceninha dele com ela. Era pedir muito para a minha paciência.
Fiquei um tempo na sala só com a Cássia esperando os policiais levarem o Diego até a sala que eu estava. A sala estava em um silêncio profundo, eu evitava olhar para a noiva do Diego e tentava manter a calma por mais difícil que fosse.
– Clara...
– Sim. – Eu disse um pouco fria.
– Obrigada por pagar um advogado para o Diego. Vamos ficar te devendo essa.
– Não tem o que agradecer. Ele também me ajudou fazendo a cirurgia pelo Pietro.
– É foi um ato muito lindo da parte dele ajudar o seu primo.
– O meu primo?... – Eu disse sem acreditar que ele não tinha contado nada do nosso filho para a mulher dele.
– Sim, não é o seu primo?
– Sim, é sim. É o meu primo.
– Eu tenho muito orgulho dele. Ele tem um coração de ouro e é um homem maravilhoso.
– É, ele é um homem maravilhoso sem dúvidas.
– Espero que tudo isso passe logo para que a gente se case... E você está convidada sem dúvidas.
– Ah claro... Sem dúvidas eu irei no casamento de vocês.
– Ainda não tem data mas assim que as coisas se resolverem marcamos.
– É só mandar o convite para minha casa. Podem contar com a minha presença. Imagina se eu vou perder isso. – Falei tentando disfarçar a minha irritação.
A minha raiva do Diego era gigantesca. Pelo jeito que ela falava comigo ou ela era muito sínica ou o Diego nunca tinha dito nada a ela sobre mim ou sobre o Pietro. Eu tentei me controlar ao máximo, eu não podia fazer cena e logo ali.
Falei o mais breve possível com o Diego e tratei de sair para deixar o casal feliz a sós. Toda a minha raiva que eu sentia por ele tinha voltado. Ele era pior do que eu tinha pensado, muito pior. Como ele podia esconder a nossa história? E pior, o nosso filho.
Saber que ele escondia o Pietro da Cássia me fez pensar que ele não era tão louco pelo Pietro assim e que a cirurgia que ele fez foi mais por culpa do que por qualquer outra coisa. Ele rejeitava o nosso filho e aquilo me deixou muito mal. O Murilo tinha razão quando dizia que eu não devia confiar tanto nele.
Cheguei em casa tentando disfarçar ao máximo a minha decepção em relação ao Diego. O Murilo me fez várias perguntas e eu não queria responder nenhuma, eu não queria nem ouvir no nome do Diego.
Saí a sós com o Murilo para passear. Ele queria passar um tempo sozinho comigo e conversar. O lugar era muito bonito e tranquilo. Fiquei ali com ele tentando esquecer do mundo e me concentrar no momento.
O Murilo tentava me agradar e me fazer rir de todas as maneiras. Acho que ele tinha percebido que eu não tinha voltado muito bem da delegacia e queria me animar. Ele era muito especial e eu precisava esquecer de vez o passado e dar uma chance a ele de verdade de me fazer feliz.
– Você sabia que você é muito linda?
– É? Não fazia nem ideia.
– Mente mal, muito mal.
– Por que?
– Impossível você não saber que é linda. E sabe o que mais é impossível de você não saber?
– Não, o que?
– Que eu te amo muito e que sou capaz de tudo para fazer você e o Pietro felizes.
– Você é incrível. Não tenho palavras.
– A melhor resposta é aquela que não se dá.
– Filósofo.
– As vezes rs.
– Você sabe que eu ainda preciso de um tempo né?
– Não tem problema. Eu te espero por mil anos se for necessário.
– Você não é real Murilo.
– Sou sim. Pode me apertar se quiser.
– Bobo. A cada dia que passa tenho mais certeza que quero ficar com você.
– Isso é muito bom. Você não sabe o quanto me faz feliz com essas palavras. – Ele disse me beijando.
No momento em que nos beijávamos o celular do Murilo tocou e tivemos de ir embora. Ele tinha tido um problema no trabalho de última de hora e marcaram uma reunião ás pressas. Eu achei estranho o fato de marcarem uma reunião pela noite mas ele disse que era de urgência e que as vezes acontecia isso.
O Murilo me deixou em casa e foi para a reunião do trabalho. Assim que abri a porta vi o Pietro dormindo no sofá, a Dalva disse que ele tinha dormido a minha espera. Fiquei com dó dele, ele queria ter dormido na minha presença mas eu precisava respirar um pouco e o meu passeio com o Murilo tinha me ajudado bastante.
Coloquei o Pietro na cama dele e após tomar um banho deitei para tentar dormir. Meu dia tinha sido agitado e precisava colocar meus pensamentos em ordem. Eu nunca iria entender a atitude do Diego em relação ao Pietro e estava mais que disposta a afastar o meu filho dele. Eu não ia deixar que ele machucasse o meu filho de maneira nenhuma. Sem dúvidas eu tinha escolhido a pessoa errada para ser o pai do meu pequeno Pietro.
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