Louco Amor
52 Capítulo 52
Notas iniciais
Pov’s Diego
Acordei cedo para trabalhar como de rotina. Eu estava disposto a me afastar novamente da Clari até eu conseguir esclarecer os meus sentimentos. A volta dela e os momentos que tínhamos passado tinham mexido muito comigo. Eu não conseguia parar de pensar no Pietro, ele era incrível, tão esperto e sabido. Ele tentava formar frases grandes e tinha resposta para tudo, era precoce. De tudo nele, o que mais me chamou a atenção foi o amor que ele tinha pela Clari e que a Clari tinha por ele. A Clara era extremamente cuidadosa, amorosa e paciente com ele e o Pietro parecia um chiclete com ela. A Clari precisou sair da piscina por 5 minutos para atender um telefonema e ele chorou como se ela tivesse abandonado ele sozinho em um lugar desconhecido. Tinha algo de estranho, não era possível que eles fossem só primos. Afinal a Clara mentiria ou não para mim sobre um assunto tão sério? A dúvida me matava.
Depois de dar as minhas aulas passei na sala da direção para ver a Cássia, como sempre fazia.
– Oi... – Eu disse entrando.
– Oi meu amor. Eu estava pensando em você agora.
– E no que pensava? – Eu disse abraçando ela.
– Em ontem, na nossa noite, em nós.
– Você gostou?
– Amei.
– Se você quiser a gente pode repetir a noite hoje...
– Quanta tentação...
– Isso quer dizer que você quer?
– Claro que eu quero. – Ela disse sorrindo.
– Estou gostando dos planos para hoje. Estou gostando tanto que não vou nem na academia.
– Por que? Vai sim... Na volta a gente pode tomar um banho juntos para iniciar a noite.
– Para iniciar? A coisa está ficando cada vez melhor. – Eu disse beijando ela.
Comecei a beija-la e em pouco tempo o clima começou a esquentar. A coloquei sentada na mesa e derrubamos algumas coisas sem querer. Eu não conseguia parar de beija-la, o desejo falava mais alto.
– Então quer dizer que a diretora não se da ao respeito nem no local de trabalho. É uma vadia 24 horas. – O ex marido da Cássia disse entrando na sala.
– Renan?! O que você está fazendo aqui? – Ela disse descendo da mesa e se ajeitando.
– Vim fazer uma visita. Não posso?
– Não pode não. Você pode sair daqui, isso você pode. – Eu respondi.
– Ah você quer que eu vá embora? Para vocês transarem mais a vontade na sala da direção? Cássia... Você deveria dar o exemplo a esses alunos. O que será que os pais deles vão pensar se eu disser o que você faz aqui em público? E ainda por cima nem trancam a porta. Imagina se fosse um aluno? Que feio...
– Você não vai falar nada. É a sua palavra contra a minha. Em quem você acha que vão acreditar? Em um cara que foi trocado ou em mim? Uma diretora de nome respeitado.
– Dá o fora cara. Você não tem nada para fazer aqui.
– Está nervosa florzinha? Se acalme que minha visita ainda não terminou.
– Renan vamos ao que interessa. Você não veio me visitar. O que você veio fazer aqui?
– Vim dizer que não vou te dar o divórcio. Não estou afim de assinar.
– Tudo bem. Meus advogados cuidarão disso.
– Eu não vou assinar você entendeu? Para que você quer que eu assine? Para você casar com esse daí e viver feliz para sempre?
– É para casar com ele sim. Esse daqui por quem eu te troquei. Esse daqui por quem eu me apaixonei de verdade e com quem eu vou ter um filho. Coisa que você sempre quis e eu nunca te dei.
– Você é uma vagabunda. Você vai me pegar muito caro.
– Meça as suas palavras com ela. – Eu disse colocando o dedo na cara dele.
– Sai daqui florzinha. Tira esse dedo da minha cara que o meu papo é com ela.
– Mas eu estou me metendo e aí? Tá incomodado?
– Cala a boca que eu não estou falando com você já disse isso. – Ele disse me empurrando.
– Você é viado? Para de me empurrar. Se quer me bater bate de verdade. Ou será que vai estragar as suas unhas? – Eu disse encarando ele.
– Para amor. Para com isso.
– Amor? Você nunca me chamou assim.
– É porque eu nunca te amei.
– Eu vou acabar com você. – Ele disse indo para cima dela.
– Pode parar. Tá ficando louco? Eu vou dizer uma vez só para você não dizer que eu não te avisei. Se encostar em um fio de cabelo dela, eu te mato. Eu te caço até no inferno e te mato.
– Renan se você não sair daqui agora eu vou chamar a polícia e isso você não quer. Eu tenho certeza que não.
– Não precisa chamar a polícia não. Eu já estou indo. – Ele disse saindo da sala.
– Obrigada por me defender Diego.
– Não tem nada o que agradecer meu amor.
– Não aceita as provocações dele não e toma cuidado na rua porque eu não sei do que ele é capaz para nos separar.
– Nem ele nem ninguém vai nos separar... E que história é essa da gente ter um filho?
– Então... Eu acho que estou grávida.
– Você está brincando comigo. Por que não me disse nada antes?
– Eu não tenho certeza, queria confirmar antes de dizer mas acabou saindo.
– Você acabou de me fazer o homem mais feliz do mundo todo. – Eu disse carregando ela.
– Ai seu louco. – Ela disse rindo.
Eu não podia acreditar que a Cássia estava grávida. Ela não tinha certeza mas algo em mim me dizia que sim. Eu estava mais que feliz, foi a melhor notícia da minha vida. Meu primeiro filho, a realização de um sonho, uma companhia para a Mel.
Fiquei um tempo com a Cássia na sala conversando e brincando com ela. Eu estava sonhando, era a única explicação que eu conseguia achar. Eu não conseguia parar de sorrir, de beija-la e de pegar em sua barriga. Ela estava radiante com a ideia de estar grávida e eu com a ideia de ser pai. Eu iria acompanhar cada passo, iria ver o parto, ia ajudar a cuidar e educar. A nossa família estava crescendo e os laços entre a gente estavam cada vez mais forte.
Pov’s Clari
Acordei bem cedo com o Pietro me chamando e chorando baixinho.
– Mamã... – Ele disse sentado em um canto do quarto.
– Pietro? Cadê você? – Eu disse acendendo o abajur.
– Aqui... – Ele disse segurando o choro.
– O que você está fazendo ai meu amor. Saí desse chão gelado. – Eu disse levantando e pegando ele no colo.
– Mamãe, minha barriguinha. – Ele disse chorando.
– O que tem sua barriguinha meu amor? O que você está sentindo? – Perguntei preocupada.
– Tá doendo muito.
– Ai meu filho. Deixa mamãe fazer uma massagem nessa barriguinha.
– Dói muito.
– Vai passar meu amor. Mamãe vai fazer massagem. – Eu disse deitando ele na cama.
– Não aperta mamã.
– Eu não estou apertando. Está doendo muito?
– Tá sim.
– Meu Deus você não comeu nada diferente.
– Dói. Minha barriguinha tá dodói.
– Vou te levar para o hospital então.
– Não mamã. Hospital nada.
– Eu não vou te dar remédio por conta própria. Depois eu acabo piorando sua dor.
– Que?
– Se você não for para o hospital vai ficar mais dodói.
– Mais?
– É. Você quer continuar com dor na barriga?
– Não mamã.
– Então. Vem colocar a calça e um casaco.
– O que está acontecendo? – A Dalva disse chegando na porta.
– O Pietro está com dor na barriga. Vou levar ele no hospital.
– Já deu algum remédio para ele?
– Não. Eu não sei o que ele tem. Tenho medo de dar um remédio e ele piorar.
– Faz bem em não dar. Você quer companhia?
– Não precisa Dalva. Obrigada. Volta a dormir que eu vou com ele.
– Tem certeza?
– Tenho sim. Obrigada.
– Tudo bem mas liga para dar notícias dele.
– Ligo sim.
Troquei de roupa rapidamente e fui com o Pietro para o hospital. Eu estava tão preocupada com o meu pequeno, ele chorava muito. Eu tinha medo dele ter pego alguma doença. O Pietro era muito frágil em relação a saúde e eu tinha o máximo de cuidado possível com ele.
Cheguei no hospital com ele e logo o atenderam. Fiquei junto ao Pietro enquanto o médico o examinava. Fiquei aliviada ao saber que a dor na barriga não tinha sido nada demais, ele tinha tido uma indigestão, e fiquei preocupada ao saber que ele estava com um principio de infecção respiratória.
O médico passou alguns remédios para ele e o liberou após a realização de alguns exames. Na volta para casa o Pietro estava cochilando. O Sol já estava começando a aparecer e eu não tinha dormido nada.
– Olha o Sol mamã!
– Estou vendo. Você não estava dormindo?
– Já acordei!
– Dorme mais Pietro. Você dormiu muito pouco.
– Né nada.
– Pietro você não dormiu nem 6 horas de relógio.
– Né nada.
– Tá então você não está com sono né?
– Não. Não tô com sono não.
– Mas vai deixar mamãe dormir um pouquinho quando chegar não vai?
– Mamãe vai ficar comigo.
– Eu preciso dormir pelo menos 5 minutos Pietro.
– 5 minutinhos?
– É, 5 minutinhos.
– Pode não.
– Por que não?
– Porque tem que cuidar de eu.
– São só 5 minutinhos. Nesses 5 minutinhos você fica com a Dalva quietinho.
– Não. Quero você.
– Mamãe tem que descansar Pietro.
– Né nada.
Eu estava morrendo de sono. Estava muito cansada e assim que cheguei em casa tomei um banho junto com o Pietro. Ele não dormia de jeito nenhum, nem parecia que tinha ido ao hospital e que estava com principio de uma infecção. Antes de deitar liguei para o estúdio para avisar que não iria trabalhar, já que o Pietro estava doente.
~ Ligação ON ~
– Alô.
– Oi, é a Clari.
– Ah, oi Clari. Tudo bem?
– Mais ou menos. Eu estou ligando para avisar que não vou gravar hoje.
– Como que você não vem gravar hoje? María Clara você não pode faltar.
– Posso e vou. Meu filho está doente e eu não vou deixar de cuidar dele para ir gravar. Sinto muito.
– Você tem um compromisso. Não tem ninguém que possa cuidar dele para você?
– O meu filho precisa de mim, não de uma substituta. Podem descontar do meu salário, fazerem o que quiser, eu não me importo. Hoje eu não vou gravar e só volto aos estúdios quando eu achar que ele já está melhor. Agora eu vou desligar porque eu preciso cuidar dele.
– Ok. Faz como achar melhor.
– Já estou fazendo.
~ Ligação OFF ~
– Dalva fica com o Pietro para mim? Eu preciso dormir por pelo menos 5 minutos. Eu estou exausta.
– Claro que sim. Vai descansar um pouco.
– Não mamã! E eu? – O Pietro disse quase chorando.
– Meu amor eu preciso dormir. Eu não vou trabalhar hoje. Hoje mamãe é só sua.
– Vai ficar aqui comigo?
– Vou sim meu anjo.
– Ebaaa!! Mamãe vai ficar Dada!
– E o trabalho Clari?
– Já liguei e avisei que não vou. Não tenho condições de trabalhar com o meu filho doente.
– Assim que se fala. Você é uma excelente mãe.
– Faço o que posso Dalva. – Eu disse indo para o quarto.
– Não mamã!! Espera eu! – Ele disse correndo atrás de mim.
– O que foi Pietro? Vai ficar com a Dalva.
– Não vou não. Quero você.
– Você sabe que eu vou dormir não é?
– Eu vou dormir também.
– Vai mesmo?
– Vou sim. Tô com soninho igual a você. – Ele disse pedindo colo e colocando a cabeça no meu ombro.
Deitei com o Pietro na cama para tentar descansar um pouco. Eu estava com tanto sono que mal conseguia manter os olhos abertos. Parecia que tinha passado um trator por cima de mim. Não demorou muito para que o Pietro pegasse no sono. Ele também estava cansado e com sono, tinha dormido muito pouco. Tentei dormir mas sempre acordava para ver como o Pietro estava. Eu não conseguia relaxar, nem descansar. A minha preocupação falava mais alto que tudo. Era horrível ver o meu pequeno doente, com dor. Por conta dele ter leucemia, qualquer coisa que acontecesse com ele já me deixava bastante assustada. O Pietro era a minha vida e nada podia acontecer com ele; nada. Ele era o meu melhor presente, uma benção na minha vida.
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