Louco Amor
53 Capítulo 53
Notas iniciais
Pov’s Clari
Alguns dias se passaram e o Pietro estava melhorando aos pouquinhos. O fato do Pietro ficar doente só serviu para eu e ele nos aproximar mais. Eu pude conhecer mais ele e os gostos dele. Ele era manhoso e estava mais apegado a mim do que nunca, exigia a minha presença em cada segundo do dia. Isso seria um problema quando eu voltasse a gravar.
Eu estava na sala quando a campainha tocou. Gritei a Dalva mas ela não respondeu. Ao abrir a porta tive a visão mais linda do mundo que fez o meu coração disparar. O Diego estava na porta todo arrumado com um buquê lindo de flores na mão. Eu não sabia o que dizer, era mais que perfeito.
– Diego? O que faz aqui?
– Vim trazer essas flores para a mulher mais que existe.
– Errou de porta então.
– Então você não se chama María Clara?
– Sim me chamo mas sua namorada, esposa, sei lá, está na sua casa. É para ela que você tem que entregar essas flores.
– Mas eu queria entregar para a mulher que eu amo. E essa mulher é você. A mulher dos meus sonhos, da minha vida. A mulher que não sai nem da minha cabeça nem do meu coração.
– E... E... Eu? – Eu disse gaguejando.
– Sim, você. Só você... Eu vou colocar as flores aqui nesse jarro. – Ele disse colocando as flores no jarro e se aproximando de mim em seguida.
– É... Agora que você já veio, já entregou as flores, pode sair. – Eu disse tentando me afastar dele.
– Não terminei ainda o que eu vim fazer aqui. – O Diego disse me puxando para ele fazendo com que nossos corpos ficassem grudados a ponto de sentir as batidas do coração dele.
– E o que mais você veio fazer? – Eu disse olhando nos olhos dele.
– É bem simples. Eu te mostro. – Ele disse me beijando.
O Diego começou a me beijar, um beijo quente, cheio de desejo e saudades. Ele me imprensou na parede e desceu os beijos para o pescoço me fazendo arrepiar por inteira. Eu já não sabia o que era certo ou errado, eu só sabia que era o Diego e que eu o amava. Ele me devorava com os olhos e eu implorava mentalmente para que ele me fizesse dele mais uma vez. Por aquele olhar fui conduzida ao quarto, e no meio do caminho deixamos algumas peças de roupas.
O Diego me deitou na cama e distribuiu beijos e mordidas por todo o meu corpo. Em um movimento rápido ele tirou o meu shot me deixando apenas de calcinha e sutiã. Meu sangue fervia e minha respiração estava cada vez mais ofegante. Que saudade daqueles toques e de ver aquele corpo coberto apenas por uma cueca box azul.
Ele deitou em cima de mim novamente e começou a fazer movimentos que me deixavam cada vez mais excitada. Os beijos dele eram maravilhosos, me faziam perder a respiração e a voz dele surrando no meu ouvido me fazia estremecer. Ele estava prestes a tirar minha calcinha quando...
– Mamã! Mamã! Acorda!!
– Pietro?! – Eu disse assustada.
– Sou eu!
– Eu sei que é você... Eu preciso ir no banheiro. – Eu disse levantando da cama.
– E o meu beijo?
– Daqui a pouco. Vai fazer bolo com a Dalva enquanto eu tomo banho.
– Tá mamã!
Eu estava sem fôlego e assustada. Parecia tão real... Eu não acredito que tinha tido aquele tipo de sonho com o Diego. O que estava acontecendo comigo? Eu não podia sentir nada por ele. Aquilo era uma loucura.
Entrei no chuveiro para tomar um banho e me acalmar. Eu não conseguia parar de pensar no sonho que eu tive. Minha cabeça dava voltas e por um momento minha vontade era chorar.
Após um tempo me acalmei, era só um sonho. Não ia acontecer de verdade. Eu não falava com ele desde o dia da piscina e estava me sentindo bem sem ele. A ausência dele já não me incomodava e o sonho... Bom, o sonho foi apenas um sonho. Nada mais que isso.
Saí do banheiro e fui até a cozinha ver o que o Pietro estava aprontando com a Dalva. Cheguei na porta e vi a cena mais linda do mundo; o meu pequeno com o rosto todo melado de chocolate e rindo.
– Mamã chegou Dada!! Olha! Coloca eu no chão.
– Vai lá atrás da sua mãe. É só ela chegar que você me troca. – A Dalva disse colocando ele no chão.
– Mamã!!!! – O Pietro disse correndo em minha direção.
– Oi meu amor. Que bebê mais lindo é esse todo melado de chocolate?
– Sou eu!! Sou eu!! – Ele disse me abraçando.
– E de quem é esse bebê?
– É de mamãe!!
– Esse bebê lindo é meu?
– É sim!!
– Ai que coisa mais linda! – Eu disse enchendo ele de beijos e o apertando.
– Você não sabe como eu amo ver vocês assim Clari. – A Dalva disse sorrindo.
– Eu sei sim. Dá para ver no seu rosto. Pensa que eu não noto? Noto sim. – Eu disse rindo.
– E que sorriso é esse? Viu o passarinho verde?
– Passarinho nenhum. Eu tenho esse príncipe aqui. – Eu disse pegando o Pietro no colo. – Quer motivo melhor para o meu sorriso?
– Não rsrs.
– Mamã, mamã!
– Diga meu amor.
– Eu amo você, eu amo muito você. Você é a...a...
– A melhor mãe...? Como eu te ensinei. – A Dalva disse ajudando o Pietro.
– A melhor mãe do mundo todinho!
– Ai meu Deus, vocês querem me fazer chorar. – Eu disse com os olhos marejados. – E você é o melhor filho do mundo. Eu te amo mais que tudo nessa vida Pietro. Eu amo muito vocês dois.
– Assim você me deixa sem jeito Clara.
– Sem jeito nada. Eu sim você e o Pietro Dalva. Eu não sei o que seria de mim sem vocês.
– Que cena linda de se ver... – O Murilo disse entrando na cozinha.
– Murilo?!? – Eu disse surpresa.
– Eu em carne e osso.
– Mas... ,as você não ia voltar daqui a três meses?
– Mudanças de plano. Me liberaram antes do previsto.
– Por que não me avisou?
– Queria fazer uma surpresa. Não gostou?
– Sim... Claro que gostei.
– Então vem cá me da um abraço.
Eu não podia acreditar que o Murilo tinha voltado. Eu não tinha nem reação para o momento. O meu sonho com o Diego tinha me deixado confusa e eu precisava de um tempo só para mim. Eu não sabia como o Murilo iria encarar o fato de querer ficar sozinha por um tempo mas dizer isso para ele seria necessário.
– E esse menino grande ai todo melado de chocolate? Não me diga que é o Pietro? O meu filho já está assim? Meu Deus... – Ele disse tentando pegar o Pietro no colo.
–Solta eu!! Solta!!!!
– O que foi? Sou eu filho. Papai... Você não sabe o quanto eu senti a sua falta. E a sua também Clari.
– Eu também senti sua falta Murilo.
– Eu vou deixar vocês conversarem a sós. Querem que eu leve o Pietro?
– Não, deixa ele ai... E por favor, meu beijo antes de sair. Senti falta das suas comidas e de você.
– Obrigada Murilo. Como sempre muito gentil. – Ela disse cumprimentando ele e saindo em seguida.
– Mãe o que é papai?
– Não é nada filho... Esquece isso.
Eu fiquei por um tempo com o Pietro na sala abrindo os presentes que o Murilo havia trazido da viagem. Eu estava sem coragem para falar com ele que não iriamos voltar; não naquele momento.
O Pietro estava feliz vendo o novo brinquedo que tinha ganhado quando o meu celular começou a tocar. Saí para o jardim para atender. Fiquei um tempo conversando e pude finalmente resolver parte do que eu tinha pendente já há um tempo.
Quando eu estava falando no celular, o Murilo apareceu atrás de mim e eu desliguei sem pensar duas vezes. Fiquei um pouco nervosa e sem saber o que falar e tentei disfarçar ao máximo. O Murilo estava tão lindo e mais fofo do que nunca. Ver ele tentando se dar bem com o Pietro me fazia pensar cada vez mais que ele era o cara certo para mim e o pai ideal para o meu filho.
– Com quem estava falando?
– Ninguém de importante. Era de uma revista... Queriam fazer uma entrevista comigo...
– Que ótimo! Vai fazer?
– Não. Eu não sei ainda, na verdade... Como foi a viagem?
– Foi boa tirando a parte que eu fiquei longe das pessoas que eu mais amo na vida que é você, o Pietro e a Letícia.
– Você não esqueceu dela...
– Claro que não. Eu disse a você que eles eram os meus filhos e um bom pai nunca esquece dos seus filhos.
– Você é incrível Murilo. – Eu disse sorrindo.
– Não, você que é. – Ele disse aproximando os lábios dos meus.
– Hã... Sabe o que é Murilo? – Eu disse me afastando dele. – Ficamos muito tempo afastados um do outro e no momento eu não queria me envolver com ninguém... Queria ficar um pouco sozinha.
– Tudo bem. Eu te entendo, foi muito tempo mesmo... A única coisa que eu te peço é um beijo e mais nada. Eu estou com muitas saudades dos seus beijos. – Ele disse me beijando.
Eu estava feliz pelo Murilo ter voltado mas tinha algo de errado. O beijo dele já não me provocava sorrisos, mas continuava me fazendo bem. Ele me entendia como sempre e mesmo que não o agradasse minhas decisões, ele fazia um esforço para respeitar. Isso era o que mais me conquistava nele.
Pov’s Diego
Um dia após a Cássia me dizer que suspeitava que estava grávida, ela fez o exame de sangue para confirmar. Os dias pareciam não passar e eu estava muito ansioso pelo resultado. Só a ideia de ser pai me deixava nas nuvens.
A minha relação com a Cássia estava cada dia melhor e eu já pensava em casar com ela. Por que não casar com a Cássia? Ela me fazia muito feliz, e eu amava muito ela. Seria um passo importante e bom em nossa relação.
O dia estava bem tranquilo e eu estava brincando com a Mel enquanto a Cássia passeava com a Júlia.
– Papai!
– Diga Mel.
– Água.
– Você quer água?
– Sim.
– E está com fome?
– Não.
A Melissa não falava tanto como o primo da Clari mas ela tentava no ritmo dela. Ela estava cada dia mais linda e mais sapeca. Eu amava muito a Mel, ela fazia parte de mim. A vi crescer, engatinhar, dar seus primeiros passos, troquei fralda... Não importava nada, ela era a minha filha.
Passei toda a manhã brincando e cuidando dela até que ela pegou no sono como sempre fazia ao final da manhã. Fiquei um tempo arrumando a sala e vendo televisão. Eu estava ficando com sono de tanto tédio que eu estava sentindo.
Liguei o computador e comecei a ver vídeos, ouvir musicas... Até o momento que uma música me fez lembrar a Clara. Já tinha dias que a gente não se falava, nem um sinal dela. Fiquei lembrando da gente dançando, daquele rosto lindo dela e comecei a procurar fotos dela. Encontrei fotos perfeitas... Nem parecia mais a Clarinha que eu tinha conhecido um dia. Ela estava incrível, mais que perfeita. Ao ver as fotos me bateu uma vontade imensa de falar com ela e então resolvi a ligar:
~ Ligação ON ~
– Alô.
– Clari, é o Diego...
– Eu sei rs... Aconteceu alguma coisa?
– Não... Eu só queria saber como você está. Já tem um tempinho que não nos falamos.
– É verdade... Eu estou bem e você?
– Estou melhor agora.
– Como?
– Estou melhor agora que eu sei que você também está bem... E o Pietro? Como está?
– Ah sim... Ele está bem... Diego, eu estava mesmo precisando falar com você e é sobre o Pietro.
– O que?
– Ele tem leucemia e precisa de um transplante mas até agora ninguém foi compatível com ele... Será que você poderia fazer o teste para saber se pode ser o doador?
– Claro que sim Clara. Farei com muito prazer. Eu não sabia que ele tinha uma doença tão seria. Ele é tão pequeno... Conta comigo no que precisar com em relação ao Pietro e ao que você quiser.
– Obrigada Diego. Não tenho nem palavras para te agradecer.
– Agradece aceitando ir comigo ao shopping. E não se esqueça de levar o Pietro.
– Eu não sei Diego. Ando com a agenda cheia e tenho que ver se tenho algum tempo livre.
– Faz um esforço, por favor...
– Clara?
~ Ligação OFF ~
A Clari tinha desligado o telefone na minha cara e eu não sabia o motivo. Talvez tivesse acontecido algo, não tinha uma explicação. Ela estava diferente comigo por telefone, era como se a distância entre nós tivesse voltado. Senti algo estranho após ela desligar a ligação daquela maneira. Decidi não ligar mais para ela e esquece-la de uma vez por todas. Talvez ela não quisesse mais contato comigo.
Fiquei um pouco triste e preocupado ao saber que o Pietro tinha leucemia. Ele era tão pequeno e já enfrentava um problema desse tamanho. Eu queria muito ser compatível com ele e poder ajudar. Não tinha explicação para a maneira com que eu tinha me apegado a ele. Eu sentia saudades de brincar com ele mesmo só tendo brincado um dia. Ele era tão esperto e ativo, ele me conquistou em questão de segundos.
– Diego? Diego eu estou falando com você!
– Oi amor... Já chegou?
– Já né. Estou aqui te chamando e você perdido em outro mundo. Em que você pensava?
– Eu?... No fato de você estar grávida...
– E porque essa cara de tristeza? Isso é ruim?
– Não... Claro que não. É que eu pensei que pode dar negativo o resultado.
– Não fica assim. Não sofra nem comemore por antecipação. Se não for dessa vez será da próxima.
– Sim, você tem razão... Se divertiu muito com a Júlia?
– Bastante. Estávamos precisando desse momento mãe e filha.
– Que bom meu amor. Fico feliz por vocês.
– Eu sei que sim. – Ela disse sorrindo.
– Cássia... Eu estava pensando que esse é um bom momento para casarmos...
– Você está falando sério?
– Estou sim. Estou falando sério.
– Você não sabe o quanto estou feliz em ouvir isso de você. Eu achei que você nunca iria querer casar comigo e... Ai Diego eu te amo muito. – Ela disse pulando em cima de mim e me abraçando forte.
– Eu só precisava de tempo como eu sempre te falei. Esse é um passo importante na nossa vida e eu espero que nos una muito mais.
Eu passei um tempo enrolando a Cássia com isso de casamento. Ela sempre me falava que tinha vontade de casar comigo, e que me amava muito. Não tinha mais para onde fugir, era o momento perfeito para nos casarmos. Faltava eu pedir a separação a María Clara e ela conseguir a separação dela pela justiça. Isso demoraria um pouco mas não tanto. Eu faria de tudo para conseguir agilizar o quanto antes os papéis para que pudéssemos nos casar e viver em paz finalmente; sem um passado para nos atrapalhar. Iria ser somente eu, ela e a nossa família.
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