Louco Amor
48 Capítulo 48
Notas iniciais
Algumas semanas depois...
Pov’s Clari
– Mamã!!! Acorda! – O Pietro disse subindo na cama.
– Que foi meu filho? Está muito cedo Pietro.
– Né nada.
– Vem dormir comigo.
– Não mamãe.
– Pietro são 04:25 da manhã. Eu estou cansada.
– Dói.
– Dói o que? O que você está sentindo? – Falei sentando rapidamente na cama.
– Minha perninha.
– Que susto... É porque você pulou demais. Dorme que passa.
– Dormir com mamãe.
– Venha amor. Fica aqui agarradinho comigo.
Dormi junto com o Pietro. Ele estava se acostumando a dormir sozinho e as vezes aparecia no meu quarto no meio da madrugada. Acho que ele se sentia sozinho. Ele era muito apegado a mim e estava acostumado a dormir comigo.
Levantei as 06:30 para tomar banho e começar a me arrumar. Eu tinha que gravar a novela e dublar o desenho. Eu estava cansada e com sono. Minha vida não estava nada fácil. Ser mãe solteira e atriz era muito difícil.
– Bom dia Dalva.
– Bom dia Clari. Já preparei o seu café.
– Ai obrigada. Eu não sei o que seria de mim sem você.
– Que isso Clari. Só faço o meu trabalho.
– Cuidar de mim?
– De você e também do Pietro. Falando nele, ainda está dormindo?
– Está sim. Está dormindo na minha cama. Me acordou as 04:25 da madrugada.
– Porque?
– Já não conhece o Pietro? Disse que estava com a perninha doendo kkk.
– A perninha doendo é dengo que você da demais Clari.
– E tem como não mimar esse menino?
– Acho que não rsrs.
Saí para trabalhar e deixei o meu pequeno dormindo tranquilo. Eu passei o caminho inteiro pensando na minha vida, nos meus filhos. Começou a tocar um música na rádio e eu não pude evitar de sorrir. Me veio a imagem do Diego na cabeça e eu senti uma saudade boa. Logo tratei de desfazer os meus pensamentos e voltar para a realidade. Eu não iria revê-lo nunca mais, a nossa história realmente tinha acabado naquele dia. Eu tinha comigo um pedaço de nós dois, uma lembrança viva do nosso amor; o Pietro.
Comecei a gravar , me perdi em algumas cenas no inicio. Estava distraída e não sabia bem o porque. Tudo me tirava a atenção, eu estava totalmente desconcentrada. Saí para beber um pouco de água. Eu tinha que me concentrar no meu trabalho, não tinha nenhum motivo para eu estar tão distraída.
Ao final da manhã terminei de gravar uma parte dos capítulos que estavam marcados para aquele dia. Liguei para casa para saber do meu filho lindo.
~ Ligação ON ~
– Alô.
– Oi Dalva. Como está o Pietro?
– Está bem Clari. Vai almoçar agora.
– E alguém apareceu por ai?
– Não, ninguém veio aqui até agora.
– Dá um beijo no Pietro. Eu ainda tenho cenas da novela para gravar e alguns episódios para dublar. Vou chegar um pouco tarde.
– Tudo bem. Eu vou dar o beijo dele. Quando ele acordou a primeira coisa que ele fez foi procurar por você e chorou quando percebeu que você não estava.
– Ain tadinho... Se eu pudesse passava o dia todo com ele.
– Mas você tem que trabalhar e um dia ele se acostuma.
– Que esse dia não demore. Sinto um pouco de culpa quando ele chora por eu não estar por perto.
– Não se sinta culpada por nada. Se você não está é por um bom motivo.
– Está bem rs.. Vai dar o almoço dele. Eu vou almoçar também.
– Até mais tarde Clari.
– Até Dalva.
~ Ligação OFF ~
Fui com a Tini até a um restaurante perto do estúdio para almoçar. Eu estava morrendo de fome e querendo mais do que nunca que o dia terminasse logo. Eu queria ir para casa ficar com o meu filho, eu estava com uma vontade louca de abraça-lo e enche-lo de beijos.
Almoçamos tranquilamente. A comida estava uma delicia. Nós ríamos e brincávamos com a comida enquanto tirávamos fotos. Eu estava rindo com a Tini quando vi o Diego. Parei de rir na mesma hora, fiquei sem reação. Ele não tinha me visto e eu queria me esconder, não queria falar com ele. Ele estava com uma bebê no colo, e acompanhado da mulher das fotos. Me veio várias recordações naquele momento. O nervosismo estava tomando conta de mim. Eu precisava sair daquele restaurante o mais rápido possível, não podia passar nem mais um segundo ali.
– Clari? Você está me ouvindo? Está bem? – A Tini disse passando a mão na frente dos meus olhos.
– Sim... Estou ótima.
– Eu vou no banheiro tá?
– Está bem. Eu vou te esperar no carro.
– Ainda temos tempo...
– É mas eu queria ir logo para não correr o risco de nos atrasarmos.
– Eu hein, você está estranha. Te vejo no carro.
Paguei a conta e levantei rezando para que o Diego não me visse. Pela primeira vez eu desejei de verdade que um buraco abrisse para que eu pudesse me esconder. Eu tentava não olhar para ele, fingia que não tinha o visto. No momento em que eu passava pelo meio do restaurante senti ele me segurar e estremeci, eu perdi a voz, não sabia o que dizer a ele.
– Di.. Diego... – Eu disse com um pouco de dificuldade.
– Como vai? – Ele disse me olhando nos olhos.
– Bem, muito bem. Estou ótima, é. E você?
– Estou ótimo também. – Ele disse sorrindo.
– Amor olha as crianças que eu preciso ir ao banheiro. – A mulher que estava com ele disse passando rapidamente por nós.
– A bebê é sua filha?
– É sim... Quanto tempo que não nos vemos. Achei que nunca mais fosse te ver...
– Eu também... É...E...Eu preciso ir Diego.
– Podemos marcar qualquer dia desses para conversar né?
– Não sei Diego. Até qualquer dia.
Saí o mais depressa possível do restaurante. Eu precisava chorar, colocar para fora tudo o que eu estava sentindo. Eu não podia acreditar que tinha encontrado ele, justo ele. Com tantos lugares, tantos restaurantes para o Diego ir tinha que ir logo no que eu estava? Ele tinha tido uma filha com ela, eu não podia acreditar nisso. Ele era realmente um idiota perfeito. Marcar um dia para conversar... O que eu queria era marcar a cara dele de tanta raiva que eu estava. Eram tantos pensamentos e sentimentos ao mesmo tempo que eu já não sabia o que fazer, me senti perdida no meio do nada mais uma vez.
– Clari?
– Oi Tini... – Eu disse enxugando as lágrimas.
– O que aconteceu? Por que está chorando?
– Eu? Não foi nada. Foi um cílio que caiu no meu olho. Eu estou bem.
– Foram todos os cílios então né? Porque você está quase formando um oceano com tantas lágrimas.
– Já passou.
– É por causa daquele homem com quem você estava conversando lá dentro? Eu vi o jeito que vocês estavam se olhando. Quem é?
– Hã... Ninguém de importante. Vamos voltar para o estúdio?
– Tá mas ao menos me conta quem é.
– É o meu ex, o pai do Pietro...
– Ai sério?? Eu vi umas faíscas saindo assim da troca de olhares de vocês.
– Para com isso Ti. Não teve nada disso e vamos indo se não vamos nos atrasar.
Voltamos ao estúdio e eu estava mais desconcentrada do que no inicio do dia. Chamaram a minha atenção várias vezes mas estava difícil focar no trabalho.
Depois de um bom tempo e muitas tentativas, consegui terminar de gravar os capítulos do dia. Saí em direção ao estúdio de dublagem. Não pude evitar de pensar no Diego durante o caminho. Ele estava mais lindo e mais malhado. Saudades que eu estava daquele olhar, daquela voz. Eu odiava o Diego por tudo o que ele me fazia sentir. Eu não esperava encontrar com ele, eu pensava que nunca mais fosse ver ele. Apesar de eu ter gostado de ter o visto, ainda queria distância. Não queria mais o Diego em minha vida, não depois de tudo.
Gravei os episódios de Pecezuelos e voltei para casa o mais rápido que pude. Eu estava morrendo de saudades do meu pequeno, preciso dar um cheiro nele. Eu detestava passar tanto tempo longe dele, eu ficava morrendo de saudades e ele também sentia a minha falta. No meio do caminho passei em uma loja de brinquedos e comprei um carro elétrico e uma bola para ele. Eu não conseguia resistir as coisinhas de crianças e comprava tudo que eu pensava que o Pietro gostaria.
Cheguei em casa e ele estava deitado no sofá só de fralda e camiseta vendo desenho.
– Cheguei! – Gritei para a Dalva ouvir.
– Mamãeeeeee!!! – Ele disse descendo do sofá e correndo para me abraçar.
– Oi meu amor!! – Eu disse carregando ele e enchendo-o de beijos. – Se comportou direitinho?
– Sim! Direitinho!
– Que menino lindo! Já que se comportou direitinho vai ganhar presente.
– Presente!! – Ele disse gritando.
– kkk É sim. Olha o que a mamãe trouxe para você.
– Carrinho! Carrinho! Dadaaaa!! Carrinho olha!! – Ele disse mostrando o carro para a Dalva.
– Que lindo carrinho. Você que vai dirigir?
– É. É eu.
– E foi você que comprou? – Dalva perguntou.
– Foi mamã. – Ele disse grudando em mim.
– Todo mundo que tinha mãe morreu, só ficou o Pietro. – Dalva disse rindo.
– kkk É mais ou menos isso.
– E como foi o trabalho hoje?
– É teria sido melhor se eu não tivesse encontrado o Diego no restaurante. – Eu disse colocando o Pietro no chão.
– Vocês se encontraram? E como foi?
– Ah... Eu nem sei. Ele... – Fui interrompida pelo grito do Pietro.
– Bolinhaaaaa!!! Mamã uma bolinhaaa!! Que linda! É minha!
– É filho, a bolinha é sua... – Eu disse forçando o sorriso.
– Ele...? Continua.
– Ele estava com a namorada. A mesma das fotos, a tal Cássia. Eles tiveram uma filha juntos... Me pareceram muito bem.
– Você ainda ama ele não ama?
– Não sei o que sinto. O Diego quebrou algo em mim que eu acho que não tem conserto.
– Mas mesmo assim o amor ainda vive no seu coração. Isso está escrito na sua testa.
– Então na minha testa está escrito uma mentira. A única coisa que me faz lembrar do Diego são os meus filhos.
– Principalmente o Pietro né? Ele é a cara do Diego, Clari... E você sabe que um dia ele vai saber do filho não sabe?
– Não sei não Dalva. No que depender de mim ele nunca vai chegar perto do meu filho. Eu não quero o Diego por perto nem em sonho.
– Vou fingir que acredito.
– Quer saber? Vou tomar banho tá? É a melhor coisa que eu faço.
Entrei no banheiro para tomar o meu banho e a minha vontade de chorar voltou. Eu nunca pensei que reencontrar o Diego me doeria tanto. Eu queria esquecer que tinha visto ele mas não conseguia. E se ele descobrisse sobre o Pietro? Minha cabeça estava dando voltas. Eu tinha que parar de pensar por um momento. Foi só um encontro por acaso, não ia acontecer de novo. Tentei relaxar e continuar o meu banho em paz.
Saí do banheiro e o Pietro estava na porta sentado no chão.
– Por que está ai filho?
– Quero você mamã.
– Clari eu tentei colocar ele para dormir mas ele só quer você. – A Dalva falou chegando na porta do banheiro.
– Não se preocupa não Dalva. Eu coloco ele para dormir.
– Tudo bem. – Ela disse saindo.
– Vem amor. – Eu disse carregando ele.
– Minha mamãe. – Ele disse colocando a cabeça no meu ombro.
– Deita na cama vai.
– Aqui comigo mamã.
– Pronto, já deitei com você. Agora dorme.
– Assim não. – Ele disse levantando.
– E é como Pietro?
– Assim... – Ele disse deitando em cima de mim e apoiando a cabeça nos meus peitos.
– Ok filho. – Eu disse abraçando ele e fazendo carinho em sua cabeça.
Fiquei ali por um tempo ninando o Pietro e acabei pegando no sono junto com ele. Quando era quase meia noite eu acordei e ajeitei o Pietro na cama. Em seguida levantei para comer algo, eu estava morrendo de fome.
Enquanto eu preparava um sanduíche eu pensava na minha filha, o meu anjinho que fazia tanto tempo que eu não via. Eu tinha muitas saudades dela, a ausência dela era algo que me doía na alma. Como ela deve ser? Como será que está? Essas perguntas não saíam da minha cabeça. O meu sonho era ver o Pietro e a Letícia brincando juntos, como dois irmãos.
Comecei pensando na Letícia e terminei pensando no Diego. Eu não sabia nem como tinha começado a lembrar dele. Ele tinha mania de invadir os meus pensamentos. Resolvi parar de pensar para não me deprimir, terminei de comer e fui dormir. Eu precisava descansar apesar de que o dia seguinte não seria tão cansativo mas de qualquer jeito eu precisava dormir. Era o único momento em que eu não pensava em nada.
Pov’s Diego
Acordei cedo para ir ao aeroporto. As férias tinham acabado e era hora de voltar para casa. Arrumei as crianças como sempre, e parte das malas. Fiquei sentando no sofá conversando com minha sogra enquanto esperava a Cássia terminar de se arrumar.
As férias tinham sido melhores do que eu esperava. Foi realmente muito divertido passar algumas semanas com a família da Cássia. Me dei muito bem com todos, e todos eram muito simpáticos comigo. Tentavam me deixar o mais a vontade possível.
Chegamos em Buenos Aires e estávamos morrendo de fome. Nem eu nem a Cássia queríamos cozinhar nada, então sugeri que fossemos a um restaurante. Ela não pensou duas vezes antes de concordar.
Saímos em busca de um restaurante, estavam todos cheios e sem mesas disponíveis. Começamos a rodar a cidade atrás de um restaurante vazio. Fomos parar um pouco longe de casa mas felizmente encontramos um restaurante para almoçar.
Sentamos em uma mesa e fizemos os pedidos. Enquanto a comida não chegava a Júlia jogava no meu celular, a Mel brincava no cadeirinha com a girafa dela e eu conversava com a Cássia tranquilamente.
Em um momento em que olhei para trás tive uma surpresa, uma surpresa grande e mais que agradável. Era a Clari, eu podia reconhecer ela a quilômetros de distância. Eu não podia acreditar o quanto ela estava diferente. Ela tinha mudado o cabelo, o tipo de maquiagem, o jeito de se vestir... Ela estava incrível, ela tinha conseguido ficar mais linda do que já era. Levantei da mesa sem pensar em nada e a parei no meio do restaurante. Sorri ao ver aqueles olhos verdes novamente. Fiquei sem jeito, sem saber direito como falar com ela. A Clari estava nervosa, eu podia sentir, ela gaguejava um pouco e evitava me olhar na cara.
Talvez eu tenha me antecipado ao dizer que já não sentia nada por ela. Não sei, sentir ela tão perto fez o meu coração acelerar e me fez lembrar de tantos momentos lindos que passamos. A nossa história tinha acabado e não voltaríamos disso eu sabia. Eu não voltaria com a Clari nem se ela quisesse. Eu nunca tinha me perdoado pela noite com a Cássia. Sabia perfeitamente que isso tinha machucado bastante ela e eu nunca tinha entendido como eu tinha tido a coragem de fazer isso com ela. Eu amei ela muito sim, e nunca tinha esquecido dos anos que passamos juntos, dos beijos, das noites, das conversas, brincadeiras, nem dos gostos dela. Eu lembrava de tudo perfeitamente. Mesmo após tanto tempo.
A Clari me deu as costas e eu fiquei por um tempo parado olhando ela sair. Até o momento em que voltei a realidade e retornei a mesa. Eu não podia acreditar que tinha a reencontrado, tinha uma festa dentro de mim.
No momento em que eu lembrava do meu reencontro com a Clara a Cássia me puxou para a realidade.
– Diego, quem era aquela mulher com quem você estava falando?
– O que?
– Quem era aquela mulher com quem você estava falando?
–Ah... Uma velha amiga.
–Hum... Ela é um pouco nova demais não?
– É... Um pouco... Não vamos ficar falando dela né?
– Prefere falar de nós dois?
– Se..sempre..
– Eu te amo.
– É.. Eu também.
Almoçamos em silêncio. As vezes a Cássia ou a Júlia falava algo mas eu não conseguia prestar muita atenção. Fiquei assim no caminho para casa também. Eu tinha que parar de pensar naquele reencontro. Eu estava com a Cássia e muito bem por sinal. Tínhamos uma linda família e eu tinha que lembrar a mim mesmo a cada 5 minutos que entre mim e a Clari não tinha mais nada e nem voltaria a ter.
Eu não estragaria as coisas, não daquela vez. Eu ia conservar o meu relacionamento com a Cássia do jeito que estava. Não queria machucar mais ninguém nem sofrer. Minha vida estava bem do que jeito que estava e eu não iria mudar nada, mesmo o meu reencontro com a Clari tendo me deixado em dúvidas sobre o meu sentimento pela Cássia e causando uma guerra dentro de mim. Eu não iria voltar atrás.
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