Louco Amor

41 Capítulo 41


Notas iniciais
Obrigada a todos pelos comentários e boa leitura!!

Pov’s Diego

– Bom dia a todos. – Eu disse passando pelo corredor.

– Diego!! Espera! – A Cássia disse correndo atrás de mim.

– O que você quer?

– Nossa Diego. Bom dia para você também e esquece, não era nada.

– Desculpa... Me desculpa. – Eu disse puxando ela para um abraço.

– O que está acontecendo com você?

– Sabe quando você perde alguém importante?

– Fica tranquilo. Qualquer coisa eu estarei aqui com você. – Ela disse me dando um selinho.

– Está ficando doida? Aqui no meio do corredor?

– E qual o problema?

– O problema é se alguém ver. Já pensou?

– Não pensei não e nem quero pensar. Que vejam Diego! Eu realmente estou gostando de você e preciso saber o que você sente por mim, de verdade.

– O que eu sinto por você? – Falei me aproximando.

– Sim... – Ela disse me olhando nos olhos.

– Eu não tenho certeza Cássia. Não sei se chega a ser amor mas é algo forte. Isso eu te garanto. – Eu disse acariciando seus cabelos.

– E isso quer dizer que... ?

– Que aqui não é lugar para conversarmos sobre isso.

– Tem razão mas saiba que mais tarde você não me escapa.

– Ok rs. Até mais tarde então. – Disse a puxando para um beijo. – Te vejo na saída.

Saí para dar a minha primeira aula do dia. Fiquei pensando no beijo que eu tinha dado na Cássia. O que eu estava fazendo? Me perguntava sem parar. Eu estava me sentindo dividido e não tinha certeza de nada. Em um tempo livre de aula parei para pensar na minha vida. E eu não podia desistir da Clari tão facilmente, eu tinha que ao menos tentar. Eu não entendia o que sentia pela Cássia mas definitivamente não era amor. Saí disposto a tentar falar com ela mais uma vez. Eu precisava.

Eu não consegui entrar na casa. A Clara havia proibido a minha entrada lá. Eu não sabia o que fazer para falar com ela. Eu ligava e ela não atendia, mandava mensagem mas ela não respondia. Eu precisava pensar no que fazer, precisava me acalmar. No momento em que eu ia chegando a uma pracinha do condomínio vi uma cena que me fez desistir da Clara de vez. Ela estava abraçada com um cara. Eu conhecia ele, ela dizia ser amigo mas o modo como se abraçavam não era de amigo. Talvez ela já tivesse virado a página e fosse a minha vez também.

Cheguei na escola após algumas horas e fui direto até a direção falar com a Cássia.

– Oi, será que posso entrar?

– Claro. Principalmente por que você deve me explicar o porque de ter sumido no meio das aulas. Simplesmente saiu sem dizer nada, sem dar uma satisfação.

– Eu precisava resolver um problema.

– Diego, não confunda as coisas. Você ainda precisa dar satisfações de tudo aqui. Da próxima vez que for sair assim, avisa.

– Tudo bem.

– Diego... Você estava chorando e não me diga que não porque estou vendo isso claramente. Qual é o problema? Por favor me fala!

– Nenhum Cássia. Eu precisava ver algumas coisas para entender o que eu não conseguia. E hoje eu vi... Eu vi e te digo que a minha resposta é sim.

– Sim para o que?

– Sim, eu quero ficar com você. Sim, eu quero tentar. E sim, eu quero construir uma história ao seu lado.

– Está falando sério Diego? Você sabe que não será fácil né?

– Estou falando muito sério e não importa se vai ser fácil ou difícil. Vamos conseguir. – Eu disse a abraçando forte e fechando os olhos.

– E como vamos fazer?

– Eu acho que você pode começar transferindo suas coisas para a minha casa.

– Você não acha que está indo rápido demais não?

– E o que você sugere? Continuar morando na mesma casa que ele estando comigo?

– Não... Mas morar junto é um pouco demais não?

– É a solução. A não ser que você tenha outro lugar para ir.

– Acho que você está certo. Depois falamos melhor disso. Lembre-se que não é só eu... Tem minhas filhas.

– Suas filhas serão muito bem tratadas. Eu amo crianças.

– Sobre isso. Diego eu preciso te contar uma coisa já que temos algo sério agora.

– O que?

– A Júlia não é minha filha biológica. Ela na verdade é minha sobrinha. Está morando comigo há 3 anos, que é o tempo de falecimento do meu irmão.

– Então é sua filha rs... Mas e a mãe biológica dela?

– Não quis cuidar dela. Na verdade ela nunca cuidou da Júlia.

– A Júlia tem sorte em te ter. Você é uma ótima mãe.

– E eu tenho sorte em ter pessoas tão especiais na minha vida. – Ela disse me beijando.

Ficamos ali juntos até o final do dia. Não vou mentir que enquanto estava com ela pensei várias vezes na Clari. Como esquecer ela? Era uma missão difícil, muito difícil. Mas eu tinha que tentar ao menos. Eu precisa disso para ficar bem. As palavras dela não saíam da minha cabeça, a imagem dela não saía da minha memória. Eu olhei o celular por algumas vezes na esperança de ela ter me ligado, de a ter de volta. Mas não tinha nada, nem um sinal dela. Eu tinha errado sim, mas ela não quis nem me ouvir ao menos. Apesar de que não fazia diferença já que eu não tinha como explicar o que não sabia.

Pov’s Clari

Acordei com a Dalva abrindo as cortinas, permitindo a entrada do Sol.

– Fecha isso Dalva. Eu quero dormir mais.

– Não dona Clari. Já dormiu demais. São duas horas da tarde. Você tem que se alimentar.

– Não quero comer, quero dormir.

– Você não vai fugir dos seus problemas dormindo. – Minha mãe disse entrando no quarto.

– Não estou fugindo mãe.

– Está sim. Filha eu entendo que dói mas a vida não acabou. Isso não é o fim. Você vivia e era muito feliz antes de conhecer ele. Agora levanta essa cabeça e segue em frente. A vida é uma só.

– Estou tentando mãe mas é que não é a mesma coisa sem ele. Ainda mais carregando um filho dele.

– Filhos...

– O que?!!!

– Eu não quis te dizer nada antes por que achei que não estivesse preparada para receber essa notícia mas os médicos fizeram exames para ver como estava o bebê e descobriram que são gêmeos.

– Tá. Eu não estou bem. Dalva fecha essa cortina. Eu preciso dormir por mais 37 horas.

– Clara para com isso, levanta dessa cama. Deixa de gracinha menina! Você dormiu a manhã toda.

– Mãe, você está brincando comigo não tá? É um só. Um só. – Falei fazendo o número um com o dedo.

– Não, são dois. DOIS. – Ela disse levantando mais um dedo da minha mão.

– O que eu vou fazer com duas crianças? Eu não sei cuidar nem de uma!

– Aprende. Você aprendeu a fazer agora aprende a cuidar. Simples assim!

– Cuidar é mais difícil sabia?

– É mesmo? Não posso fazer nada se vocês não sabem o que é prevenção.

– Ahh mãe! Você não está me ajudando.

– Estou te ajudando sim. E não vou falar outra vez que é para você levantar dessa cama, tomar um banho e ir comer. Adiante seu lado María Clara.

– Tenha pena de mim mãe!

– Quem tem pena é galinha. Vai fazer suas coisas que você não morreu.

– Com você não preciso mais de inimigo. – Levantei resmungando.

– Eu não quero ouvir birras...

Depois de ter sido expulsa da cama fui tomar o meu banho. Passei um bom tempo pensando no Diego, no que ele estaria fazendo naquele momento, se ele estava sentindo a minha falta e o que eu faria com duas crianças. Eu não esperava por duas. Eu não sabia nem se comemorava ou não, eu estava paralisada pela notícia. Dois filhos de uma vez só e do Diego. O cara que estava me fazendo sofrer mais que tudo na vida.

Enquanto eu comia minha mãe marcava consulta para mim. Eu estava ansiosa para escutar as primeiras batidas do coração do meu bebê. Ou melhor dizendo, dos meus bebês. A única coisa que me fazia bem naquele momento era pensar nos meus filhos que estavam por vim. Eu queria saber o sexo, pensava em nomes, comecei a pensar se seriam duas meninas, dois meninos, ou um casal. Minha mãe tinha razão quando disse que não era o fim do mundo, apesar de toda a dor que eu estava sentindo, eu tinha que ser forte por mim e pelos meus filhos que estavam para chegar. No momento em que eu comia e pensava, minha mãe me trazia de volta a realidade estralando os dedos.

– Que?

– Tem visita para você lá na sala.

– Quem é mãe?

– É o Murilo.

Levantei correndo da mesa da cozinha em direção a sala. Eu precisava dar um abraço nele, eu precisava muito dele naquele momento.

– Eu sei que... – Ele dizia no momento em que eu o abracei.

– Obrigada por vim.

– Eu achei que você iria me expulsar...

– Não. Eu não vou te expulsar, eu precisava do seu abraço.

– Eu vim te ver... Anda faltando as aulas de teatro, as gravações... O que aconteceu?

– Eu não quero falar disso aqui. Vamos até a praça daqui?

– Vamos sim.

– Mãe, eu to saindo. Qualquer coisa estou na pracinha! – Gritei.

Fiquei conversando com o Murilo por horas. Expliquei tudo o que tinha acontecido, e ele me consolou. Ele me dava conselhos e me fazia me sentir melhor. Ele tentava levantar o meu ânimo e me fazer rir de todas as maneias. O Murilo era o meu melhor amigo, eu amava a companhia dele, o jeito como que ele cuidava de mim. E o fato dele não ter guardado ressentimentos e estar comigo naquele momento tão difícil para mim, acho que foi uma das maiores provas de amizade que ele poderia ter me dado.

– Está feliz pelos filhos?

– Sim, muito.

– Isso é bom... – Ele disse sorrindo. – E quando vai ser a primeira consulta?

– Minha mãe marcou para essa semana. Confesso que estou ansiosa.

– Você é ansiosa rs. Posso ir com você?

– Você quer ir? Por que?

– Quero sim. Para te acompanhar, para ficar com você, compartilhar esse momento.

– Você sabe que somos só amigos e que não quero nenhuma outra relação né?

– Relaxa Clara. Estou falando como seu amigo. Eu sei que não quer ninguém na sua vida agora, que está sofrendo e tudo mais. Me veja só como um amigo, não como um pretendente.

– Se é assim eu quero que você vá comigo. – Eu disse abraçando ele forte e sorrindo.

– É isso o que eu quero.

– O que?

– Esse sorriso no seu rosto. Eu quero ver você sorrindo. Não quero lágrimas. Você tem que entender que não vale a pena chorar por ele. Ele não soube te valorizar, ele te tinha e não soube aproveitar isso. Não chora por ele, ele não merece uma lágrima sua.

– Você tem razão Murilo. Eu tenho que seguir em frente né?

– É sim. Seguir em frente sempre. E no que precisar conta comigo.

– Obrigada. Eu te adoro. – Eu disse o abraçando.

O Murilo me deixou em casa e foi embora. Eu voltei aos meus pensamentos, era difícil seguir em frente; eu não sabia por onde começar. Eu comecei a ficar nervosa com a falta de respostas para aquele momento e comecei a comer sem parar.

– Você vai comer a comida da casa toda é?

– Mãe, eu preciso comer!

– Tanto assim? Há quantos anos você não vê comida?

– Ah mãe para de implicar. Se eu durmo você implica se eu como você implica. Assim não da!

– Mas minha filha você não pode comer tanto assim! Vai se sentir mal depois! Não precisava nem eu te dizer isso né?

– Deixa eu comer mãe. Eu preciso disso para esquecer os problemas.

– Por que não come algo saudável? Fica ai se entupindo de doces e salgadinhos. Depois que engordar mais que o necessário e ficar parecendo uma bola não reclame.

– Nossa mãe. Valeu hein. Está me ajudando bastante viu?

– Estou falando para o seu bem. Quando você tiver seus filhos você vai me entender.

– Ah tá. Eu não vou encher o saco deles assim não.

– Espero que eles sejam iguaizinhos a você...

– O que você quer dizer com isso?

– Que você será mais chata que eu. Pelo o que eu te conheço María Clara, se eles forem que nem você, você será três vezes mais chata que eu.

– Hahaha... Eu sou um amor de filha tá? Nem dou trabalho.

– Você deu e continua dando trabalho. Espero que com o nascimento dos seus filhos você amadureça.

– Eu sou madura mãe.

– Eu vi no hospital o tamanho da sua maturidade.

– Foi só um momento de desespero mãe. Pode acontecer com qualquer um, eu não sou de ferro. Estou sofrendo de verdade, isso me dói mas que qualquer outra coisa.

– Eu sei meu amor, desculpa. Mas sobre essas crianças ainda vamos conversar. Você não tem condições de cuidar nem de uma imagina de duas.

– Mãe eu já falei que não vou abortar. Meus filhos vão nascer.

– Não disse para você abortar, disse? Só disse que vamos conversar sobre isso e que você não tem condições. O que não é mentira. Você está em um momento delicado da sua vida, um momento difícil e não tem estruturas para isso. Mal consegue cuidar de você mesma, imagina de duas crianças que vão depender totalmente e exclusivamente de você.

– Eu sei mãe mas eu vou melhorar. Eu prometo. Só preciso de tempo.

– E quando nascerem? Você vai olhar para eles e lembrar do Diego. Vamos ser maduras Clara. Você tem que pensar no melhor para você.

– Eu não sei como vai ser se eles ou elas se parecerem com o Diego. Não quero lembrar dele mãe. Quero esquecer.

– Mas se você tiver os bebês você vai lembrar sempre.

– É mas eu quero tê-los. Eles nem nasceram e eu já os amo mãe. Eles me deixam bem.

– Isso se chama amor de mãe. Fico feliz que esteja conhecendo esse sentimento tão lindo. É o que eu sinto por você há 22 anos.

– Eu te amo muito mãe.

– Eu te amo mais meu amor.

Fiquei pensando no que minha mãe disse. O que ela queria que eu fizesse? Eram os meus filhos, eu não iria abortar de maneira nenhuma. Eu já os amava mais que tudo na vida e eles estavam me dando a força que eu precisava para seguir em frente. As coisas estavam muito difícil para mim e eu ainda tinha vontade de chorar, de deitar na cama e não sair nunca mais. Eu não queria sair de casa, não queria ver ninguém, não queria gravar nem ir as aulas de teatro mas uma hora eu teria que voltar. Eu deitei na cama e comecei a reler as mensagens que o Diego havia me mandado mais cedo. Comecei a chorar. A minha vontade era de abraça-lo, era de dizer que o amava muito mas eu estava magoada demais para isso. A ferida que ele tinha aberto no meu coração era algo irreparável e eu não conseguia nem podia perdoar ele pela traição. A traição dele era a maior prova de que ele não me amava como dizia amar, que eu tinha vivido 5 anos de pura ilusão, 5 anos em uma mentira; nada foi de verdade além do meu amor por ele. Ele conseguiu destruir tudo o que eu sentia por ele. Naquele dia, eu prometi a mim mesma que iria tirar ele da minha vida, da minha cabeça e principalmente do meu coração.

Notas finais
Comentem! Beijos! :*