Louco Amor
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Pov's Clari
Após as aulas fui para a casa do Diego, precisava descansar. Passei um tempo com ele como sempre e depois fui dormir.
Acordei no dia seguinte um pouco mais tarde pois não tinha aula. Levantei, tomei café, me arrumei e fui para a minha casa.
Quando cheguei em casa meu pai falou sobre eu não estar quase nunca em casa e mais alguma coisa que eu não dei ouvidos. Passei parte do dia no jardim pensando em tudo o que estava acontecendo e pelo fim da tarde fui para a casa da Cami, ela ia me ajudar com os preparativos do casamento. Nos divertimos bastante tentando organizar tudo. Já era sete da noite quando saí da casa da Cami. Eu tinha conseguido organizar parte da festa e estava feliz por isso.
Estava indo para a casa do Diego feliz por ter organizado parte do casamento. Resolvi passar antes na padaria e no caminho eu vi o Diego com um bebê no colo junto a Vanessa em uma praça. Eles riam bastante, pareciam estar se divertindo. Segurei o choro e saí o mais rápido que pude. Fui para a casa do Diego, peguei todas as minhas coisas e voltei para a minha casa.
Assim que cheguei em casa meus pais começaram a fazer um monte de perguntas que eu não queria responder. Subi para o meu quarto, deixei minhas coisas e sai novamente.
Eu não sabia para onde estava indo, eu não conseguia pensar em nada. A minha vontade era de chorar e em um impulso liguei para o Murilo.
~ Ligação ON ~
– Alô
– Murilo... — Falei tentando disfarçar a voz de choro.
– Tá tudo bem?
– Não muito. Desculpa eu te ligar a essa hora mas é que eu precisava falar com alguém.
– Não tem problema. Onde você está? Me diz que eu vou te buscar.
– Não acha melhor conversarmos amanhã? Está tarde.
– Não. Você precisa de mim agora. Onde está?
– Perto de casa, duas ruas depois.
– Fica ai que eu estou indo agora.
– Está bem. Vou ficar aqui te esperando. Beijos.
– Beijos.
~ Ligação OFF ~
O Murilo foi me buscar de moto e me levou para a casa dele. Não tinha ninguém além de eu e ele na casa. Os pais dele estavam viajando.
Sentei no sofá e ele logo me deu um copo com água e disse:
– O que aconteceu?
– Eu só quero chorar. Me abraça Murilo por favor. — Falei o abraçando enquanto as lágrimas caíam.
– O que foi? Me conta. — Ele disse me afastando e enxugando minhas lágrimas.
– Eu vi o Diego com a ex e um bebê na praça. Eles me pareciam muito felizes.
– Já conversou com ele?
– Não e nem quero.
– Clara mas você tem que conversar com ele e ouvir o que ele tem a te dizer.
– Eu não quero ouvir nada.
– Mas... — O interrompi.
– Mas nada Murilo! Não defende ele por favor.
– Tudo bem, vem cá. — Ele disse me abraçando forte. Não queria o soltar nunca mais.
Não demorou muito e o celular tocou fazendo eu e o Murilo nos afastar.
– É ele.
– Atende.
– Não.
– Vai Clara, vocês precisam conversar.
– Não tenho nada para conversar com ele.
– Claro que tem. Atende.
– Não quero falar com ele. — Falei recusando a chamada e desligando o celular em seguida. — E bom, vou indo.
– Eu te deixo em casa.
– Não precisa. Até porque eu não vou para casa. Não quero aguentar meus pais me enchendo o saco.
– E para onde vai?
– Não sei, no caminho eu penso.
– De jeito nenhum. É perigoso você sair agora por ai sozinha a essa hora. Você vai dormir aqui.
– Não. Obrigada mas não.
– Eu não vou deixar você sair por ai agora sozinha. Eu vou arrumar o meu quarto para você.
– E você vai dormir aonde?
– No quarto dos meus pais ou aqui mesmo na sala... Tanto faz.
– Não sei não Murilo.
– Vem comigo. — Ele disse me puxando para a escada.
– Onde você tá me levando?
– Para o meu quarto. Vou arrumar ele para você.
– Eu te ajudo.
– Não precisa, arrumo rapidinho.
O Murilo arrumou a cama para mim e me deu um short e uma blusa de uma prima dele que por sinal coube perfeitamente em mim.
Deitei na cama e comecei a chorar. A cena do Diego com a Vanessa e o bebê não saíam da minha cabeça.
Acabei cochilando mas acordei no meio da noite agitada, não conseguia dormir.
Por que ele não me disse nada? Por que ele escondeu de mim? Essas perguntas não me deixavam descansar.
Senti o Murilo sentando na cama.
– Clara você tem que descansar.
– Não consigo dormir. — Falei chorando.
– Ei calma, vem aqui. — Ele falou me aconchegando nos braços dele. — Tenta relaxar. Vou ficar com você até você dormir.
– Obrigada. — Disse terminando de me aconchegar nos braços dele.
– Não precisa agradecer afinal amigos são para isso também. — Ele disse me fazendo carinho.
O Murilo ficou tentando me acalmar. Demorei um pouco até pegar no sono.
Acordei pela manhã e não tinha mais ninguém na cama comigo. Levantei e desci para procurar o Murilo.
– Bom dia. — Disse entrando na cozinha.
– Bom dia, se sente melhor?
– Não muito.
– Quer que eu prepare algo para você comer?
– Não, obrigada. Não quero comer nada.
– Clara você não pode ficar sem comer nada. Vamos, come só um pouquinho.
– Só um pouquinho...
Ele preparou o meu café da manhã enquanto conversávamos. Depois subi, troquei de roupa e pelo final da manhã me deixou em casa.
Mal cheguei e meus pais começaram a falar e me encher de perguntas. Subi para o meu quarto sem dizem uma palavra, tomei um banho demorado, depois liguei o som, deitei na cama e comecei a chorar novamente.
Ao fim da tarde liguei o celular e havia muitas chamadas perdidas e mensagens de voz do Diego. Não demorou muito e ele ligou. Fechei os olhos, respirei fundo e atendi.
~ Ligação ON ~
– O que você quer?
– Clari, onde você tá? Esta bem? Estava preocupado. Cheguei em casa não te encontrei, nem encontrei suas coisas. Estou te ligando desde ontem e tava dando desligado.
– É que eu não queria falar com você.
– O que aconteceu? Eu fiz algo?
–Nada, não aconteceu nada. — Falei friamente.
– E por que esta me tratando assim?
– Me esquece Diego. Não me liga mais.
– Por que? Fala para mim o que tá acontecendo.
– Tchau Diego. — Falei encerrando a chamada e jogando o celular em qualquer canto do quarto.
~ Ligação OFF ~
Após desligar o telefone voltei a chorar. A lembrança do Diego com a Vanessa me machucava. Era de noite quando bateram na porta. Abri sem perguntar quem era, achei que era minha mãe mas para a minha surpresa era o Diego. Ele me fez perguntas, discutimos e eu o mandei embora. Sentei no chão em um canto do quarto com a cabeça apoiada nos joelhos e comecei a chorar. Eu nunca tinha brigado com o Diego daquele jeito.
Pov's Diego
Acordei cedo para trabalhar. A Clari dormia como um anjinho. Não me cansava de admirar ela. Me arrumei e sai para mais um dia de trabalho.
O dia foi tranquilo. Mandei uma mensagem pela tarde para a Vanessa explicando o local do encontro e voltei a trabalhar.
Ao início da noite sai para me encontrar com a Vanessa. Fiquei um tempo esperando ela, estava um pouco atrasada mas não demorou muito e ela chegou com um bebê.
– Oi Vanessa! — Falei a cumprimentando com um beijo no rosto.
– Oi Diego, desculpa o atraso mas é que eu tinha que arrumar a Bianca.
– Não tem problema. Vamos sentar ali. — Falei caminhando em direção a uma mesa que havia na praça.
– Estou muito feliz de te reencontrar Diego.
– Eu também estou muito feliz em te ver novamente. — Falei sorrindo — E essa bebê linda? Posso pegar ela no colo um pouco?
– Claro, pode sim. — Ela disse me entregando a Bianca.
Coloquei a Bianca sentada na mesa e fiquei brincando com ela enquanto conversando e lembrando de algumas coisas que passamos juntos.
As horas passaram rápido e quando olhei no relógio já estava ficando tarde. Me despedi da Vanessa e da Bianca e voltei para casa com pressa, queria abraçar e beijar a Clari. Estava com saudades.
Cheguei em casa e estranhei tudo escuro, não havia ninguém. Tomei um banho rápido e quando fui pegar minha roupa vi que não tinha nada da Clari no meu guarda — roupa. Liguei para ela mas ela não me atendeu. Insisti várias vezes mas sempre dava desligado. Fiquei extremamente preocupado.
Vi o dia amanhecer, não parava de pensar na Clari. Ela simplesmente havia sumido. Passei o dia inteiro ligando para ela e quando eu consegui falar com ela já era quase de noite. Ela estava diferente, me tratou mal, me disse para esquece-la. Como se fosse possível.
Fui até a casa dela. A mãe dela abriu a porta para mim e me deixou subir. Bati na porta do quarto dela e quando ela abriu a porta pude ver aquele lindo rostinho vermelho de tanto chorar.
– O que você está fazendo aqui? Eu não disse para você me esquecer?
– Eu não vou te esquecer. O que tá acontecendo?
– O que tá acontecendo? Você não esta me perguntando isso.
– Estou sim. Responde!
– Eu vi você com a Vanessa rindo e segurando um bebê no colo lá praça Diego! Você estava babando naquele bebê. Eu feito idiota feliz por ter resolvido parte do casamento e você lá com a Vanessa, parecendo uma família.
– Você me viu na praça?
– Por que você não me disse que tinha marcado um encontro com ela? Por que me escondeu isso?
– Porque você não ia gostar, ia ficar com ciúmes.
– Porque eu ia ficar com ciúmes.. E ai você preferiu fazer eu me sentir idiota.
– Não Clari! Eu só não queria que você imaginasse coisas que não existem.
– Você tá com ela de novo?
– Claro que não! Você é a única na minha vida, eu amo você. Você é especial para mim. — Eu falei tentando abraçar ela.
– Me solta Diego!! Não encosta em mim — Ela disse me empurrando — Se eu fosse tão especial assim você não escondia nada de mim.
– Para de ser infantil María Clara!!!
– Prefiro ser infantil do que mentirosa.
– Eu não menti!!!
– Escondeu que é quase a mesma coisa.
– Me perdoa Clari. Não faz assim. — Eu disse tentando acariciar o rosto dela.
– Tira a mão de mim!! Sai daqui Diego! Me deixa sozinha.
– Tem certeza de que você quer isso?
– Vai embora. — Ela disse ficando de costas para mim.
Sai da casa da Clari me sentindo péssimo. Dirigi até o lugar que eu levei a Clari no início da nossa relação. Eu precisava ficar sozinho. Sentei encostado em uma árvore e comecei a chorar. A Clari não me perdoou e isso estava doendo demais. Passei a noite toda sentado na grama pensando na Clari, em como ela tava mal por minha culpa. Eu me odiava por a fazer chorar. Pela primeira vez eu senti algo que jamais havia sentido antes. O medo de perder uma das pessoas que eu mais amava no mundo todo.
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