Lost In Paradise

19 The Swan Song


Notas iniciais
N/A (1): Demorei mais do que eu esperava, gente, desculpa fazer vocês esperarem. :(
N/A (2): Esse capítulo era originalmente mais comprido, mas eu preferi cortá-lo só pra esse "reencontro" das duas, haha.
N/A (3): É, tive que meter a cena do Humphrey aí no meio. :S Mas vai ser importante pra trama. *-*
N/A (4): A música utilizada nesse capítulo é essa: http://www.youtube.com/watch?v=8IVtNI6ifF8 , embora eu não tenha lá tanta certeza assim de que vocês vão gostar dela. :( Mas é perfeita. Simplesmente perfeita! ♥ anyway, er. Enjoy! Espero que gostem. ;-)
N/A (5): Posso aproveitar a deixa pra fazer uma shameless-self-promotion? Comecei outra Swan Queen fic, ela se chama "Remember Me". Tá em inglês, e tá no primeiro capítulo ainda. É um universo alternativo, onde o Daniel nunca existiu, e a maldição apagou as memórias da Regina. A Emma e a Regina se conhecem na Terra Encantada e tal... Se alguém quiser ler, é só pedir o link que eu mando. Tá postada lá no ff.net :D

CAPITULO DEZOITO — A CANÇÃO DO CISNE

As estrelas começaram a dançar. Imediatamente, Emma fechou os olhos com força, fazendo com que uma enxurrada de lágrimas escorresse ininterruptamente por suas bochechas avermelhadas. Seu peito subia e descia rapidamente, devido à sua respiração descompassada. Sentia como se um grande buraco houvesse sido cavado em seu ser. Seu corpo era, de repente, consumido por um frio latente, que ameaçava congelar sua alma.

— "Winter has come for me, can't carry on." —

Uma terrível sensação tomava conta de todos seus sentidos — a pior sensação que Emma já experimentara em toda sua vida. Era quase como se houvessem arrancado um pedaço dela — um pedaço vital — e agora ela morria por dentro... Morria aos poucos.

— "The chains to my life are strong, but soon they'll be gone." —

Recusava-se a abrir os olhos outra vez; inconscientemente, sentia que, enquanto os mantivesse fechados, a realidade não poderia assombrá-la por um minuto sequer. Enquanto estivesse presa em sua mente, perdida em sua pequena fantasia, estaria a salvo.

— "I'll spread my wings one more time." —

Não era real. Não podia ser real.

Emma não conseguia mais respirar. O crescente pânico que a acometia parecia não ter fim; sufocava-a impetuosamente, dilacerando-lhe a alma com mais e mais força a cada segundo que se arrastava.

Seu coração era tomado por tamanha dor, que seria quase um eufemismo profano atrever-se a nomeá-la.

Também não conseguia pensar direito — ou, talvez, ela não quisesse pensar direito; fazê-lo seria entender a profundidade da realidade agourenta.

Não era real, não podia ser real.

Que não daria para voltar no tempo? Que não daria para haver segurado mais forte? Oh, que não daria para ter feito melhor?

Culpava-se, é claro. Culpava-se, e o peso desta culpa corroía-lhe a mente de modo dolorosamente lento. Esta culpa a levava ao topo do abismo da insanidade e trazia-a de volta à terra firme, apenas para repetir todo o processo em seguida. Estava enlouquecendo e, dessa vez, as estrelas eram pura conseqüência.

Regina havia sumido juntamente com o Wraith. Emma não fazia idéia de como portaria-se uma pessoa sem alma. Sabia que, enquanto nos terrenos de Wonderland, Regina ainda estaria viva, mas até que ponto, perguntava-se, sem uma alma?

Não era real, não podia ser real.

Àquela altura, Regina deveria estar morta.

Não era real, não era real.

Sua cabeça doía e girava vertiginosamente. Queria gritar, mas não encontrava voz. Queria chorar, mas a fonte das lágrimas parecia haver secado. Queria correr, mas mal podia sentir suas pernas. Queria Regina... Mas a perdera.

Emma finalmente reuniu coragem para abrir os olhos; estes, instantaneamente, encontraram o céu. O brilho das estrelas era deslumbrante e, de algum modo, tranqüilizante. Observava, através de olhos cansados, sua dança; cada novo movimento contribuía para entorpecê-la mais e mais, até que tudo que ela sentia era o desejo indomável de esticar as mãos e alcançar aquele céu.

Não era real não era real não era real não era real não era real não era real não era real não era real não era real.

Perdera Regina — ela escapara por entre seus dedos. Percebeu, tardiamente, haver juntamente se perdido. Perdera tudo.

As estrelas interligavam-se umas às outras no céu, prendendo a atenção daquela que, lá em baixo, lamentava. A bela silhueta de Regina formou-se diante de seus olhos, e Emma sentiu como se o que restava de seu coração se desmantelasse suavemente. Então, toda sua dor foi anestesiada. Mais uma vez, podia vê-la, mas não podia tocá-la. Seria este o seu adeus?

Eu amo você, dissera, mas tarde demais! Regina não a ouvira. Morrera sem saber que Emma a amava; sem saber que, para Emma, ela significava mais que o mundo.

Memórias tingiam-lhe a mente contra sua vontade, enquanto o brilho das estrelas tornava-se mais hipnótico. Emma já não tinha forças para lutar; não queria mais lutar. Tudo que queria era se render.

Deitou-se de costas na grama fria e permitiu que a imagem estampada no seu se afixasse em sua mente, de modo que tudo a seu redor tornava-se repentinamente insignificante. Tudo o que importava era aquela silhueta no céu.

Pegou-se desejando ouvir a voz da morena mais uma vez. Sentia saudade daquele timbre que, com uma simples palavra, era capaz de causar um incêndio em sua alma. Não se importaria nem se Regina a chamasse de 'Srta. Swan', naquele tom superior; não se importaria se a xingasse, desde que pudesse ouvi-la outra vez.

Talvez, pensou. Talvez, se tentasse de verdade; se tentasse com todo seu coração, fosse capaz de evocar a lembrança daquela voz.

Emma sorriu quando seu subconsciente respondeu de forma agradável. Tinha quase certeza de que podia ouvi-la outra vez, em sua mente. "Emma," ela chamava, bem de longe.

A isso, ela se prendeu, saboreando o timbre de sua voz, mesmo que só fosse real nas profundezas de sua mente. "Emma," novamente, ela ouviu, bem de longe, e sorriu, sentindo-se poderosa por conseguir controlar seu subconsciente de tal maneira.

"EMMA!" dessa vez, a voz soara mais forte; tão forte que Emma arregalara os olhos, e seu coração começara a bater fortemente contra seu peito, quase como se gritasse em resposta a um chamado que ela não sabia se era real.

Mas ouvira. Ouvira claramente. Regina chamara seu nome. Seria isto um sonho? Teria ela enlouquecido completamente?

— "Is this a dream? All the ones I have loved calling out my name." —

Ainda deitada no chão, Emma tentou apurar a audição, mas a voz de Regina não soou outra vez. Lágrimas escorreram cálidas por sua face quando, ao tornar a concentrar-se na imagem estampada no céu, percebeu que esta se esvaía suavemente, e o azul-damasco que outrora tingia o céu era gradualmente manchado por tons de azul mais claro. Amanhecia.

Muito não demorou para que os raios solares penetrassem as grandes nuvens brancas e ofuscassem a visão de Emma, outrora acostumada à escuridão noturna. Mas a luz não trouxe de volta suas esperanças, e ela apenas continuou deitada, rendendo-se a suas ilusões.

— "The sun warms my face, all the days of my life, I see them passing me by." —

Tornou a fechar os olhos, tentando, agora, evocar a lembrança do rosto de Regina. Mais lágrimas fizeram-se presentes quando ela se perguntou quanto tempo demoraria até que esquecesse aquelas belas feições de vez.

— "In my heart, I know I can let go. In the end I will find some peace inside. New wings are growing tonight." —

"Emma!" mais uma vez, a doce voz chamou seu nome, e outro sorriso foi estampado em seus lábios. Daria tudo para ver aqueles lábios sorrindo para ela, outra vez.

— "Is this a dream? All the ones I have loved calling out my name..." —

"Emma! Emma!" a voz soava mais alta; tão alta, que Emma poderia jurar que Regina estava a seu lado. Não atrevia-se a abrir os olhos e ter sua última ilusão esmagada. Era insânia pensar que ela podia estar ali — vira-a desaparecer no ar; vira o Wraith sugar sua alma — mas, ainda assim, a insânia era melhor que a realidade.

Naquele momento, tudo que Emma Swan podia desejar era que a morte chegasse, igualmente, para ela.

— "The sun warms my face, all the days of my life, I see them passing me by." —

Tudo que seu coração desejava naquele momento era poder encontrá-la outra vez, poder tocar seu rosto, poder sentir o calor de seu corpo... Poder dizer o quanto a amava.

— As I am soaring, I'm one with the wind. I am longing to see you again, it's been so long." —

"Emma," ela ouviu, alto e claro. Soava real; tão real quanto a mão que apertou seu braço.

— "We will be together again." —

Emma abriu os olhos.

* * * *

Quando, por fim, parou para descansar e beber um pouco da água de um córrego, novo plano começou a se formar em sua mente. Seguiu, então, em direção ao Jardim das Flores, ainda sob seu disfarce de esquilo.

Muito não demorou, no entanto, para que seu caminho fosse interceptado pela súbita aparição daquela que tanto lhe aterrorizava.

"Ora, ora," disse Cora, em seu tom aveludado. "O que temos aqui?"

Humphrey, ainda em sua forma de esquilo, virou as costas à Rainha e desatou a correr na direção oposta. Pobre esquilo; mal havia avançado dez centímetros, quando sentiu uma corrente de magia levitá-lo no ar.

"Pensas que podes fugir de mim, querido?" perguntou Cora, soltando uma risada gélida.

Com um estalo de dedos, Cora os transportou de volta ao Castelo de Copas.

Quando Humphrey novamente abriu os olhos, percebeu que seus quatro membros encontravam-se acorrentados. Uma breve corrente de vento despertou-o para o fato de que estava desnudo. Olhando para baixo, percebeu haver retornado à sua forma humana.

Olhando ao redor, observou enquanto a Rainha despia-se teatralmente. Reminiscências de sensações já enterradas vieram-lhe à tona.

Com um meneio de suas mãos, Cora fez aparecer um chicote. Avançou contra Humphrey, com um sorriso maquiavélico tingindo-lhe as feições. Pronta para descontar toda sua raiva e frustração naquele corpo a sua frente, ela disse em tom tão intensamente doce, que o céu tornou-se inferno: "Vamos brincar."

* * * *

Graças a Deus, pensou Regina, aliviada, ao ver que os olhos esverdeados se abriam novamente. Quase tivera uma síncope quando vira o corpo de Emma jogado no chão e seu rosto pálido manchado de lágrimas. Por que não respondera?, perguntou-se.

"Emma," sussurrou Regina, o alívio tomando conta de sua voz. "Graças a Deus, está bem!"

Entretanto, foi só quando os olhos verde-esmeralda encontraram os marrom-chocolate de modo sonhador, que Regina percebeu, com uma forte pontada de medo atingindo-a no estômago, que algo estava errado.

"Anjo meu," sussurrou Emma, estendendo a mão a fim de tocar o rosto de Regina. Algo no peito desta desmantelou-se suavemente; fechou os olhos frente ao contato. Beijou-lhe a palma da mão e apertou-a de modo reconfortante.

"Que aconteceu?" perguntou Regina, preocupada.

Mas nenhuma outra palavra perpassou os lábios da loira; ao invés, seus braços envolveram a morena pelo pescoço, e ela escondeu o rosto em seu ombro. Regina postou um beijo no topo de sua cabeça, permitindo, pela primeira vez, que todas as sensações despertadas pelo contato com a loira tomassem conta de si.

Emma Swan era sua luz.

* * * *

Emma puxou Regina para mais perto de si, aprofundando o abraço; seu rosto continuava escondido no ombro desnudo da morena. Seu perfume intoxicava a mente de Emma, fazendo com que ela nunca mais quisesse soltar aquela forma em seus braços.

De fato, não queria soltá-la. Não podia se atrever a soltá-la. Sentia como se, caso o fizesse, a morena tornaria a desaparecer no ar, e aquele reencontro provaria-se um sonho.

— "Is this a dream? All the ones I have loved calling out my name. The sun warms my face, all the days of my life, I see them passing me by." —

A mão de Regina postou-se sobre seu queixo e levantou seu rosto delicadamente. Emma ainda não se atrevia a abrir os olhos, tamanho era seu medo de simplesmente despertar daquilo que considerava um sonho. Mas no momento em que os lábios de Regina postaram-se sobre os dela, todos seus medos se esvaíram; todas suas dores desapareceram; e todas suas lágrimas transformaram-se em riso. Tudo estava de volta em seu devido lugar.