Lost In Paradise

20 Peculiarities


Notas iniciais
N/A (1): Ok, tenho a impressão de que esse capítulo ficou muito grande, mas tenho outra impressão de que vocês vão gostar. *-* Swan Queen all over the place, so enjoy. ♥ (while you can) jksdgajhsgdf
N/A (2): MEU DEUS, VOCÊS SÃO PERFEITOS! ♥33 SLKDKHAGSFD Já disse o quanto sou agradecida por cada uma de suas reviews? Sério, vocês são demais, e me inspiram a tentar melhorar a cada dia que passa. *momento gay* (oh wait)

CAPÍTULO DEZENOVE — PECULIARIDADES

Regina caminhava apressadamente pelo campo, girando a cabeça de um lado para o outro, tentando captar a visão de tudo a seu redor ao mesmo tempo.

Toda magia deixa um rastro, lembrou-se. Tudo que precisava fazer era encontrá-lo e segui-lo, e rezar para que a teimosia de Emma Swan não fosse maior que sua sensatez — o que, normalmente, era — e que ela ainda se encontrasse dentro dos limites do círculo protetor.

Não que ela temesse as ações de Cora — não mais: agora, era tão poderosa quanto ela; quiçá, até mais. Agora, podia enfrentá-la de igual para igual. Dera seu recado e, conhecendo Cora, tinha certeza de que esta não iria atacar sem antes conhecer a nova magia encontrada em Regina de trás para frente. Quanto a isso, estava tranqüila: Cora jamais seria capaz de conhecer a magia do amor verdadeiro.

Muito não demorou para que Regina finalmente encontrasse vestígios de sua magia previamente lançada. Com um gesto de suas mãos, transportou-se para dentro do círculo protetor com um contra-feitiço e encontrou Emma deitada no chão, de olhos fechados.

A respiração de Regina perdeu-se em meio a seus pulmões.

"Emma!" exclamou a morena, caminhando, em suas pernas trêmulas, em direção à amada. "Emma!"

Mas Emma não respondia. Não fosse o fato de que seu peito subia e descia de modo descontrolado, Regina teria ficado desesperada.

"EMMA!" chamou, em tom de voz mais alto. Um sorriso se esboçou nos lábios da loira. Ouvira-a, pensou. Mas... Se assim fora, por que não respondera?

Regina aproximou-se mais um pouco e ajoelhou-se ao lado de Emma. Sua pulsação se acelerou consideravelmente enquanto seu cérebro memorizava cada traço do belo rosto de Emma. Haviam vestígios de lágrimas em seus olhos; Regina sentiu a necessidade de tocá-las.

Fechando as mãos em punhos e cerrando os dentes, Regina tentou chamá-la outra vez. Não obteve resposta, a não ser pelo sorriso, que apenas se alargou. Impaciente, Regina postou sua mão sobre o braço de Emma e chamou seu nome.

A loira abriu os olhos.

* * * *

"Oh, meu Deus! É você mesmo!" exclamou Emma, quando finalmente abriu os olhos e estes encontraram novamente o rosto de Regina. Lágrimas quentes de puro alívio escorreram por seu rosto, e a morena as capturou com as pontas de seus dedos.

"Sim," sussurrou Regina, permitindo-se perder na luz daquelas íris esmeralda. O medo ali era evidente. "Sim, sou eu."

Emma respirou profundamente, sentindo, pela primeira vez desde a noite passada, o ar chegar-lhe livremente aos pulmões. Depois, entretanto, as linhas de seu rosto tornaram a contorcer-se em preocupação. "Você não está morta, está? Por favor, me diga que não está morta! Você não pode estar morta!"

Regina franziu a testa. "Não estou morta," assegurou.

"Então..." ofegou Emma. "Então o Wraith não sugou sua alma?"

"Aparentemente não," disse Regina, curvando os cantos de sua boca ligeiramente em desgosto. "Não creio nem que eu tenha alguma alma para ser sugada."

"Regina, eu sinto tanto!" Emma explodiu em lágrimas e soluços desesperados. "Deveria ter segurado-a mais forte! Deveria ter conseguido impedi-la de atravessar a barreira! Sinto tanto! Perdoe-me!"

O cenho de Regina se franziu ainda mais. A morena envolveu Emma em seus braços de modo reconfortante e acariciou suas madeixas douradas. "Não é culpa sua, querida," disse em tom tão suave que Emma se perguntou se realmente provinha da morena. "A propósito, nosso problema com Cora?" continuou, levantando o rosto da loira de modo a encará-la nos olhos. Um pequeno sorriso se estampou em seus lábios. "Está resolvido."

"Q-quê?" perguntou Emma, confusa.

Regina respirou fundo antes de começar a explicar aquilo que sabia ser uma longa história. "Cora me raptou no exato momento em que ultrapassei o limite do feitiço protetor. Imaginei que fosse fazê-lo, embora eu não esperasse que as coisas fossem acontecer desse jeito," admitiu.

Mas o cérebro de Emma não parecia compreender nada além das palavras 'Cora me raptou'. "ELA RAPTOU VOCÊ?" gritou, exasperada, arregalando os olhos e sentando-se mais ereta.

"Sim, mas está tudo bem agora," reassegurou Regina, apertando o ombro da loira levemente.

"O QUE ELA FEZ? ELA LHE MACHUCOU? PORQUE, SE MACHUCOU, VOU MATÁ-LA!" explodiu Emma, pulando de pé com uma expressão furiosa que mal condizia com seu caráter.

"Não se preocupe, querida," disse Regina, levantando-se igualmente e aproximando-se da loira. "Estou bem. Ela não me machucou — não poderia me machucar mais do que... — De qualquer modo... Ela não se atreverá a vir atrás de você outra vez."

Entretanto, Emma estava longe de ser tranqüilizada. "P-por quê?" perguntou, desconfiada. "Que... Que você fez? Você..."

"Quer saber se eu a matei? perguntou Regina, casualmente, embora a marca da dor e da ofensa estivessem evidentes em seus olhos chocolate. "Por favor," disse, sacudindo a mão no ar, descartando a idéia como estúpida. "Essa mulher esteve morta por dentro durante décadas. Matá-la não faria a menor diferença — não aqui, pelo menos. De qualquer modo, está resolvido. Ela não se atreverá a vir atrás de você."

"Como pode ter certeza?" perguntou Emma em tom de voz infantil e com uma expressão desolada estampada em seu rosto, que aqueceu o peito de Regina.

"Caso ela venha, estarei pronta para lidar com ela," disse Regina, com um pequeno sorriso nos lábios.

"M-mas... Como?" pergunto Emma, ainda no mesmo tom de voz. "Você mencionou que ela é muito mais poderosa, e duas vezes mais malvada..." interrompeu-se e rapidamente se arrependeu de haver entrado nesse assunto.

"Tudo bem, querida," disse Regina, levemente. "Ela é."

"Não entendo..." disse Emma, franzindo a testa e fixando o olhar no chão.

"Não se preocupe em entender," disse Regina. "Apenas tente não estragar tudo."

Quando Emma levantou os olhos para encarar a morena outra vez, estes se arregalaram e sua boca se abriu. Sua respiração tornou-se ofegante à medida que seus olhos esquadrinhavam o corpo de Regina, de cima a baixo.

"Qual foi a das roupas?" perguntou Emma, em pouco mais que um sussurro.

Um sorriso ainda maior estampou-se no rosto da morena; desta vez, um pouco provocador. "Ah, essa coisa velha," ela disse, em tom desinteressado. "Estas são as roupas que eu usava nos meus dias como Rainha Má."

"Céus!" exclamou Emma, exasperada, detendo seu olhar no decote de Regina por mais tempo do que seria necessário. "Agora entendo porque a chamavam de Má. Esse decote é um pecado!"

"Gostou?" perguntou Regina, sua voz decaindo duas oitavas e tornando-se predatoriamente sedutora.

Arrepios perpassaram a coluna de Emma. Sentia, de repente, como se suas pernas estivessem fracas demais para sustentar todo o peso de seu corpo. Seus pulmões não conheciam mais o significado de 'ar'. "Se gostei?" perguntou Emma, incrédula.

"Porque, sabe, se não gostou," disse Regina, aproximando-se de Emma em movimentos lentos e postando uma mão sobre o abdômen da mesma. "Eu poderia tirar para você."

Os olhos de Emma apenas se arregalaram mais e mais, e uma sensação de puro calor se espalhou por seu corpo, a começar por seu peito e a terminar, de modo latente, bem no meio de suas pernas. "Eu odiei!" sussurrou, exasperada. "Odiei, odiei, odiei! Odiei muito. Pode tirar. Pode tirar tudo."

Regina deu uma risada satisfeita e disse: "Foi o que pensei," e, assim, postou sua outra mão na cintura de Emma, puxando-a para mais perto de seu corpo.

"Espere," perguntou Emma, sacudindo a cabeça a fim de clarear seus pensamentos. "Você não vai se aproveitar do efeito que essas roupas causaram em mim, vai?"

Um sorriso completamente travesso se estampou nos lábios da monrena. "Ah, não," ela disse, a ironia lúdica tingindo sua voz. "Isso nem passou pela minha mente," e, então, postou seus lábios sobre os de Emma, mordendo o inferior de modo provocador.

* * * *

Humphrey conhecia perfeitamente a personalidade doentia de Cora, portanto, quando esta golpeou-o inúmeras vezes com o chicote, à medida em que acariciava o próprio corpo e permitia que o desejo consumisse-lhe as feições, isto pouco o surpreendeu. De fato, sentia como se seu passado estivesse apenas se repetindo. Lembrou-se de quando Cora o acorrentara na cama do Rei, quando este último partira numa longa jornada ao reino vizinho, e abusara de seu corpo durante horas.

Não que estivesse reclamando. De fato, não estava. Por tudo que sabia de Cora, levar chicotadas enquanto a presenciava atingir o êxtase por conta própria era a punição mais leve — e também mais íntima — que alguém poderia receber.

Bem no fundo de seu subconsciente, Humphrey sabia que Cora não o machucaria. Não era como se ela o amasse; não, não mesmo. Cora era incapaz de amar. Mas havia, sim, um certo nível de preocupação por trás de todo aquele jogo de gato-e-rato, por trás de todas as horas de sexo puramente selvagem.

Humphrey também não a amava — de jeito nenhum. Cora era tão incapaz de ser amada quanto era, de amar. Mas há de ser confessado que este amava odiá-la. Havia um certo tipo de magnetismo em Cora, em relação a Humphrey. Era quase como que uma cumplicidade pouco saudável.

Era um relacionamento peculiar, o desses dois. Podiam atingir ambos os extremos do desejo e do ódio, mas sempre encontravam-se em sintonia. Cora, muitas vezes, dissera que Humphrey era o mais leal de seus súditos, e aquele em quem mais confiava. Fizera jus às palavras quando um acordo se formou entre os dois.

Humphrey era o único em toda Wonderland que sabia da história de como a Rainha chegara lá. Ele era o único que sabia que esta ali permanecia, não por vontade própria, mas por não conseguir encontrar uma saída.

Humphrey sabia de boa parte de seus planos. Se não puder ser considerado amante da Rainha, certamente poderá ser considerado seu confidente. Mas não era como se Humphrey estivesse morrendo de vontade de ouvir os devaneios de Cora; muito pelo contrário: toda vez que Cora começava a tagarelar sobre o que quer que lhe cruzasse a mente, Humphrey sentia vontade de socá-la até que sangrasse. Mas forçava-se a ouvi-la até o final, pois, apesar de a Rainha afirmar que honraria o acordo e que confiava nele, ele não confiava nela. Não confiava mesmo. Então, desde sempre, Humphrey resguardara-se, permitindo que a Rainha confiasse nele boa parte de seus segredos.

Cora, por sua vez, sabia que Humphrey não gostava de escutá-la; exatamente por isso tagarelava. Mas os motivos previamente citados, pelos quais Humphrey se dispunha a ouvi-la, passavam longe de cruzar-lhe o intelecto. Confiava mesmo naquele suditozinho de merda. Talvez o subestimasse demais para sua própria segurança.

O acordo que se formou entre Humphrey e Cora consistia em um avisar ao outro quando pensasse haver encontrado qualquer forma de conjurar algum portal mágico de volta à Terra Encantada. A Rainha dedicara os últimos vinte e oito anos de sua vida a procurar meios e mais meios de conjurar tal magia; falhara miseravelmente em todos. Humphrey, por sua vez, fora o único das partes a fazer algum tipo de progresso. Descobrira, pelo menos, como canalizar uma fonte de magia a seu favor, e não tardara em compartilhar com a Rainha. Esta, primeiramente, descartara o feito como algo inútil; agora, entretanto, algo mudara.

"Preciso de sua ajuda," disse a Rainha, após finalizar seus jogos doentios.

"Não me admiro," murmurou Humphrey, enquanto tentava recuperar o fôlego. "Que queres de mim, Majestade?"

"Que me ensines o truque aprendido há pouco tempo."

"Queres dizer..." indagou Humphrey. Quando a Rainha assentiu, algo se revirou em seu estômago. "E se eu me recusar?"

"Vou torturar-te até um pingo de sanidade não restar!" disse a Rainha, sorrindo maliciosamente.

"Pois bem," disse Humphrey. "Estou disposto a ensinar-vos, contanto que..."

"Hm, hm, parece que alguém esqueceu seu lugar! Não estás em posição de propor acordo algum," disse, acidamente. "Principalmente após haveres me traído e me deixado para trás!"

"M-majestade," disse Humphrey, e xingou-se mentalmente por haver gaguejado. Conhecendo Cora, demonstrar fraqueza era o pior que poderia fazer. "Não planejava, verdadeiramente, deixá-la para trás. Enganei o energúmeno do Curinga—"

"Outro tolo," murmurou a Rainha, com desgosto. "Mas este já teve o que merecia!"

Os olhos de Humphrey arregalaram-se. "M-m-m-majestade," tentou novamente. "Pretendia levar-te comigo e deixar o Curinga para trás."

"Não mintas, bastardo!" trovejou, e bateu com seu cajado no rosto de Humphrey.

"M-m-m-majestade," implorou Humphrey, sua voz tornando-se aguda. "P-p-p-por favor!"

Mas misericórdia não fazia parte do repertório da Rainha de Copas. Nem mesmo para Humphrey.

* * * *

Há de ser confessado que, quando postara seus lábios sobre os de Emma, Regina não imaginara que as coisas acabariam daquele jeito — ela, completamente sem fôlego, deitada contra o chão da barraca; suas roupas de Rainha Má jogadas pelo chão, entrelaçadas com a regata e os jeans de Emma; implorando por mais, gemendo cada vez mais alto o nome daquela responsável por transmitir uma espécie de corrente elétrica por todo seu corpo. Jamais imaginara que Emma Swan fosse tomar as rédeas da situação, jogá-la contra o chão e descer beijos fervorosos por todo seu corpo desnudo, provocando-a, levando-a ao delírio com o mais simples toque.

Regina nunca se encontrara tão completamente envolvida e, ao mesmo tempo, perdida, durante um ato sexual. Nem mesmo Daniel, quem ela acreditara piamente haver sido seu amor verdadeiro, fora capaz de fazê-la esquecer seu próprio nome. Emma conseguira. Emma fora capaz de fazer com que a morena se desconectasse de todo e qualquer pensamento, e que tudo sobre o qual tivesse ciência fosse aquela língua quente e habilidosa movendo-se de modo provocante, despertando respostas instantâneas de seu corpo, e aqueles dedos firmes, porém delicados, que a penetravam em ritmo lento, e faziam círculos por lá antes de tornarem a sair.

"Emma," sussurrou, à medida que seu corpo contorcia-se devido ao prazer que a acometia de modo avassalador.

Emma não tirou seus lábios de onde Regina os necessitava mais; apenas levantou o olhar para encontrar o de Regina, de modo intenso, e observou enquanto esta se desfazia diante de seu toque. Os olhos chocolate fecharam-se, a boca marcada pela cicatriz se entreabriu, e um grito de puro êxtase entrecortou a calmaria do ambiente. De repente, tudo se alinhou; tudo estava perfeito.

Quando a morena tornou a abrir os olhos, Emma já voltara a beijar-lhe os lábios. Traços de uma emoção, a qual Emma não foi capaz de identificar, reluziam no olhar penetrante de Regina.

"Emma," sussurrou, enrolando as madeixas loiras em suas mãos trêmulas. "Eu amo você."

A respiração de Emma perdeu-se em meio caminho aos pulmões. A emoção fez-se presente em seus olhos, e um sorriso incerto estampou-lhe os lábios.

Responda, ordenou a si própria, em sua mente; contudo, memórias ainda muito vívidas da última vez na qual pronunciara aquelas três palavras mágicas pulularam sua mente, e ela não pode prosseguir. Lágrimas formaram-se no canto de seus olhos, o que fez com que a preocupação atingisse Regina em cheio.

Emma escondeu o rosto no pescoço da morena, intoxicando-se com seu maravilhoso perfume de maçãs.

"Estou tão cansada," disse Emma, após alguns minutos de silêncio, nos quais algo no peito de Regina se contorcia dolorosamente. "Podemos dormir?"

Regina assentiu e acomodou a loira, ainda em seus braços, postando um beijo no topo de sua cabeça. "Descanse, querida. Apenas descanse. Estarei aqui quando acordar."

Emma sorriu, e uma intensa sensação de paz expandiu-se por todo seu ser. "Tem certeza de que estaremos a salvo?"

"Absoluta," respondeu Regina, definitivamente.

* * * *

Regina abriu os olhos para o mesmo campo de girassóis, no qual estivera na noite passada. Desta vez, no entanto, sua pulsação se acelerou e seus olhos esquadrinharam o ambiente, em busca da pequena forma de sua amiga.

"Mab!" chamou Regina, ansiosa.

A Fadinha imediatamente aproximou-se de Regina, sentando sobre o nariz da mesma com um sorriso reluzente. Os olhos da morena foram atraídos para sua figura minúscula.

"Mab, eu a amo!" disse Regina, postando seu indicador e seu polegar sobre os ombros de Mab e puxando-a para longe de seu nariz. Colocou-a, então, sobre a palma de sua outra mão e ergueu-a até a altura de seus olhos. "Eu a amo!"

O sorriso que se estampou no rosto de Mab foi tão grande e tão intenso, que contagiou Regina também; os cantos de sua boca se ergueram antes que ela tomasse consciência disso.

"Eu sabia!" exclamou a Fada, alegremente. Levantou-se num pulo e começou a correr em círculos na palma da mão de Regina, dando altas gargalhadas, vez ou outra, interrompidas por um 'Eu sabia' melodioso.

"Eu sei que você sabia," disse Regina, revirando os olhos, porém, o sorriso ainda permanecia estampado em seus lábios.

"Já contou para ela?" perguntou Mab, tornando a sentar-se na palma da mão da morena.

"Sim," disse Regina e, de repente, sua expressão tornou-se grave. "Mas... Mas ela não respondeu."

Mab franziu a testa. "Não?" perguntou, surpresa. "Poderia jurar que ela seria a primeira a falar! Que estranho!"

"Não," disse Regina, suspirando. "Não é nem um pouco estranho. É, até, bem simples. Ela não me ama," disse, e sua voz falhou nas duas últimas palavras. "Mas como poderia? Afinal, sou a Rainha Má."

"Regina," censurou Mab, cruzando os braços de forma irritada.

"Mas isto pouco importa; não muda o fato de que a amo. E, de qualquer modo, é melhor que ela não me ame; eu a destruiria mais cedo ou mais tarde, com certeza."

Mab apoiou seus cotovelos em seus joelhos, e o queixo em suas mãos, e encarou Regina através de olhos solenes. A dor e a amargura evidentes na voz da morena a preocupavam. "Você não a destruiria, Gina," disse, confiantemente. "Quando amamos alguém de verdade, não o destruímos."

"Eu destruí Henry," disse Regina, em tom de voz embargado. Podia sentir as lágrimas correndo em apressando-se em direção a seus olhos.

"Não, não destruiu," disse Mab. "Você foi uma boa mãe. Você teve seus erros, mas quem não os tem, que atire a primeira pedra."

Regina apenas permaneceu calada, mantendo seu olhar fixo em seus próprios pés descalços.

"Agora," disse Mab, mudando o tom de voz para um mais urgente e direto. "Como você pretende retornar a Storybrooke?"

"Bem, recuperei parte de meus poderes, mas não acho que a Magia do Amor Verdadeiro será suficiente para conjurar aquele tipo de magia... Afinal, é de Rumpelstiltskin que estamos falando... Magia puramente negra."

"Você deveria aceitar nossa ajuda; podemos abrir um portal de Storybrooke a Wonderland."

"E como pretendem fazer isso?" perguntou Regina, arqueando uma sobrancelha.

"Rumpelstiltskin e Branca fizeram um acordo; ele lhe deu um feijão mágico."

À menção destas palavras, os olhos de Regina se arregalaram em um misto de medo e raiva. "Gold deu a ela um feijão mágico?"

Mab apenas assentiu.

"Ele deu a ela... Um feijão mágico..." repetiu Regina, exasperada. "FILHO DA PUTA!" trovejou.

Tamanho foi o sobressalto de Mab, que esta pulou pelo menos meio centímetro. "Eu sei, Gina, eu sei," disse Mab, também ofegante. "Apenas tente se acalmar. Não vai ajudar ficar com raiva agora."

Mas Regina não estava ouvindo. "Ele me usou!" gritou, enfurecida. "Ele me usou para chegar àquele mundo, enquanto, o tempo todo, ele tinha um feijão mágico!"

"Eu sei, mas—" Mab tentou argumentar.

"Por que ele não usou o maldito feijão? Por que teve de me manipular tanto assim?"

"Caso ele tivesse usado," disse Mab, em tom de voz baixo. "Você não teria Emma."

"O que apenas significaria que eu não seria vulnerável, que eu não seria fraca," rosnou.

"Amor é Poder, Gina."

"Ele fez isso conscientemente!" disse Regina, seu olhar tornando-se vago por alguns instantes; ignorava a presença de Mab completamente. "Ele planejou tudo isso! Planejou que eu perdesse meus poderes, que eu perdesse as rédeas da situação! Ele queria ser o mais poderoso de todos! Ele queria vingança por quando influenciei Belle a beijá-lo!"

"Gina, me escute," implorou Mab.

"Vou matá-lo quando retornar a Storybrooke!" gritou; depois, franziu a testa e continuou em tom pensativo: "Preciso daquele maldito cogumelo."

"Gina, por favor!"

"Merda! Eu não devia haver confrontado Cora! Poderia levá-la comigo; destruiríamos Rumpelstiltskin juntas! Ele não teria a menor chance, diante dela. Mas não posso voltar atrás! Se eu aparecer agora, é capaz de ela me matar! Ou pior," disse, tornando a encarar Mab; o medo estava evidente nas linhas de seu rosto. "Matar Emma."

"Gina," disse Mab, tentando acalmar a morena. "Reverter à escuridão não é a resposta."

"Nem ser fraca," retrucou. "Aquele homem!" rosnou. "Não, não o matarei. Minha vingança será diferente! Matarei seu filho," e, pela primeira vez em alguns dias, o brilho macabro da Rainha Má fez-se presente no olhar de Regina.

"Depois disso, ele iria atrás de Henry, e isso machucaria tanto você, quanto Emma. Você sabe muito bem disso."

"Eu não permitiria que ele encostasse um dedo em meu filho! Defenderia-o com unhas e dentes!"

"Regina, violência não é a resposta!"

"Então me diga como devo me sentir!" gritou Regina, em tom de voz agudo e embargado. "Por que é que todos me usam e pensam estar tudo bem? Minha mãe me quebrou para que eu a rendesse o dinheiro do Rei. Meu pai permitiu que ela o fizesse, para poder escapar ileso. Branca me privou de meu primeiro amor porque era egocêntrica e queria uma mãe. Rumpelstiltskin destruiu o que restava de mim, para só então moldar-me uma nova personalidade; personalidade esta que o levou àquele mundo. Foi tudo parte de seu plano! Nada mais fui que um mero peão em seu jogo de xadrez!"

"Então," disse Mab, sentindo um nó se formar em sua garganta. "Então não acha que está na hora de mudar, e não permitir mais que as pessoas a seu redor a afetem de tal modo? Você progrediu tanto nesses últimos dias! Por favor, não retorne à escuridão," implorou.

"Odeio Rumpelstiltskin," disse Regina, quem continuava sem ouvir uma palavra do que Mab dizia. "Vou matá-lo! Juro por deus que vou matá-lo!"

"Regina," disse Mab, alteando a voz. "Foque-se em sua luz. Foque-se em Emma."

Mas Regina continuava perdida em suas divagações "Não retornarei a Storybrooke até que tenha conseguido o cogumelo. Não vamos usar aquele feijão," disse, agora tornando sua atenção a Mab, que a encarava com olhos censuradores. "Diga a Branca de Neve que o guarde seguramente. Estarei pronta para fazer um acordo com ela... Um acordo que será de seu extremo interesse," disse, e um sorriso debochado estampou-lhe os lábios.

"Regina," mais uma vez, Mab implorou, mas foi em vão.

"É, isso vai dar certo," continuou, submersa em seus devaneios. "Diga-me, já conseguiram atravessar aquela barreira?"

"Não," disse Mab, postando o indicador sobre o queixo enquanto pensava. "Mas continuam tentando. Principalmente Rumpelstiltskin. Não vai desistir até que a barreira que separa Storybrooke do mundo seja quebrada."

"É claro que não vai," murmurou Regina, entredentes. "Tenho de ser rápida! Preciso daquele maldito cogumelo para ontem!"

"Regina, por favor!"

"Vá embora, Mab. Preciso acordar imediatamente," disse, firmemente.

Mab cruzou os braços e franziu a testa de modo infantil. "Não se eu puder fazer com que mude de idéia primeiro."

"Mab," debochou Regina, rindo. "Pensei que me conhecia bem o suficiente para saber que nada do que você possa fazer vai adiantar..."

"Eu não posso ajudar, mas talvez isto vá," disse, e, antes mesmo que Regina percebesse, a Fada enfiou a mão no saquinho rosa que carregava pendurado em seu pescoço e jogou um punhado de um pó rosa em seu rosto. Imediatamente, sua visão escureceu, e a terra se sacolejou sobre seus pés.

* * * *

"Querida, cheguei," Regina ouviu a voz de Emma ecoar pela mansão. Um sorriso involuntário se estampou em seus lábios enquanto ela tirava o avental e corria em direção à sala de estar.

Henry veio correndo até ela e envolveu-a com seus pequenos braços pela cintura. Regina postou um beijo no topo de sua cabeça, enquanto dizia firmemente: "Banho, depois dever de casa."

Henry obedeceu; prontamente correu escadas acima e se trancou em seu quarto. Regina, então, tornou sua atenção a Emma outra vez. Esta despia-se da famosa jaqueta vermelha e soltava os cabelos que outrora pendiam em um coque.

"Tenho uma surpresa para você," disse Emma, sorrindo.

"E qual seria?" perguntou Regina, arqueando uma sobrancelha e postando um beijo na têmpora de Emma.

"Não vou dizer," disse Emma, em tom brincalhão; um sorriso travesso dançava por seus lábios. "É uma surpresa!"

"Hmm... E quando vou recebê-la?" disse Regina, beijando, agora, o lóbulo da orelha de Emma.

Um arrepio perpassou-lhe a coluna. "Depois do jantar. Depois que Henry adormecer," sussurrou, envolvida pelas carícias da morena.

Regina sorriu e afastou-se um pouco da loira, a fim de poder encará-la. "Então eu digo para apressarmos as coisas."

Emma deu uma gargalhada, que fez com que o coração de Regina pulasse uma batida. O mero som da risada de Emma era capaz de aquecer seu peito. "Ansiosa?" perguntou a loira, tomando a morena pela mão e guiando-a até a cozinha.

"Você não faz nem idéia," disse Regina. "Se me fizer esperar muito, vou precisar puni-la mais tarde."

Emma pressionou a morena contra o balcão da cozinha, envolvendo-a pela cintura e colocando uma de suas pernas entre as duas de Regina. "E qual seria a punição da vez, Vossa Majestade?"

Regina enlaçou seus braços em volta do pescoço de Emma, puxando seu rosto para mais perto; o hálito da Xerife embriagou sua mente e ela fechou os olhos. "Posso pensar em mil maneiras neste exato momento."

Os lábios de Emma postaram-se sobre os dela. Naquele momento, uma risada infantil despertou-as de seus respectivos transes.

"Henry!" ofegou Regina, empurrando Emma delicadamente e deixando uma distância cordial entre ambas.

"O que tem para jantar, além de toda essa homoafetividade?" perguntou, dando risadas. Emma não conseguiu se segurar, e riu também. Regina deu-lhe uma cotovelada na costela.

"Ai!" exclamou Emma.

"Bem feito," murmurou Regina, de modo que só a loira a ouviu. "Como é que ele conhece essa palavra, a propósito?" perguntou, erguendo uma sobrancelha em direção a Emma.

"Um pirralho, na escola, veio com homofobia para cima dele, e Branca—Mary Margaret ensinou que o termo apropriado não é 'veado', 'veadagem', 'gayzice', etc., e sim 'relações homossexuais' e 'homoafetividade'. Ele adorou a palavra," disse, sorrindo em confidência a Henry.

"Achei que a palavra soava grandiosa, importante!" disse Henry, sorrindo abertamente.

Desta vez, foi Regina quem não conseguiu conter o riso. "Certo," disse, incrédula. "Temos sopa de legumes para o jantar, Henry."

"Ou," disse Emma, antes mesmo que Henry pudesse começar a protestar. "Poderíamos pedir algo da Granny's."

"Srta. Swan," disse Regina, cruzando os braços e readquirindo, de modo brincalhão, seu tom superior. "Você anda estragando demais o nosso filho!"

Um sorriso estampou-se nos lábios de Emma. "Que posso fazer se a outra mãe dele é muito exigente? Tem de haver alguém para mimar o coitado!"

Regina deu uma gargalhada — e surpreendeu-se com a naturalidade do gesto. "Henry, o que você prefere comer? Algo nutritivo, feito em casa, com muito amor e carinho, por sua mãe Regina, ou um lanche gorduroso, cheio de calorias, sugerido pela anormal da sua mãe Emma?"

"Hey! Estou bem aqui!" protestou Emma, cruzando os braços.

"Eu sei, querida," disse Regina, sinalizando com a cabeça em sua direção.

Henry apenas deu mais risadas. "Um lanche da Granny's."

"Ha!" exclamou Emma, dando um pulinho. "Ganhei!"

Regina revirou os olhos, mas permitiu que um sorriso divertido tomasse conta de seus lábios. "Henry, vá se vestir," disse Regina, mantendo os olhos fixos em Emma com uma curiosidade latente. "Vamos à Granny's."

"Yaaaaaaay!" exclamou Henry, e correu para subir as escadas.

"Essa surpresa que você mencionou, Srta. Swan," disse Regina, arqueando uma sobrancelha e caminhando de modo sedutor em direção a Emma. "Por acaso acontecerá na Granny's?"

Emma sorriu e postou um rápido beijo no topo do nariz da morena. "Hmm... Você é rápida."

"Não foi o que pareceu ontem à noite, quando ficou gritando para que eu fosse mais rápido..."

"Regina!" repreendeu Emma, sentindo as bochechas queimarem. A morena gargalhou outra vez.

"De qualquer modo, tente arrumar-se de modo apresentável," disse Regina, olhando sugestivamente para as roupas de Emma.

"Que há de errado com a regata branca?" perguntou Emma, fazendo bico.

"Oh, nada, querida," disse Regina, selando os lábios da loira rapidamente. "Sabe que adoro as regatas! Mas não publicamente. Venha, vamos vesti-la adequadamente," e puxou-a pelo braço em direção ao quarto.

Mais tarde, naquele dia.

Emma, Henry and Regina sentaram-se na mesa de sempre, na Granny's. Ruby veio imediatamente e, com uma piscadela de olho para Emma — a qual Regina não aprovou nem um pouco —, disse: "Seu pedido especial está para chegar, Em."

"Obrigada, Rubes," disse Emma, sorrindo em cumplicidade para a garçonete.

Regina cruzou os braços e encarou Emma com uma sobrancelha erguida.

"Apenas espere," disse, sorrindo cheia de si.

Após alguns minutos de tagarelice de Henry sobre contos de fadas, Ruby aproximou-se da mesa com uma garrafa de vinho, duas taças e dois castiçais com velas. Regina franziu a testa quando a morena as acendeu.

Logo atrás de Ruby, veio a própria Granny, carregando uma bandeja com três pratos. Em cada um deles, um pedaço de lasagna aos quatro queijos.

Após deixar os pratos, taças e copos na mesa, ambas Granny e Ruby se retiraram, dando privacidade à família.

"Emma," protestou Regina, revirando os olhos.

Mas Emma apenas sorriu e começou a catar alguma coisa na bolsa que carregava. Ao encontrar o que procurava, estendeu-o em direção a Regina: era uma caixa de veludo preta, comprida.

"Sério?" perguntou Regina, em reprimenda.

"Abra!" insistiu Emma, sem conseguir controlar sua animação, e dando pulinhos infantis em sua cadeira.

Dando uma risada, Emma abriu a caixa e encontrou um colar, todo em ouro branco, com um pingente de um cisne com uma coroa no topo da cabeça. Um sorriso de pura ternura se estampou nos lábios da morena e, quando ela levantou seus olhos castanhos para encarar Emma, estes estavam cheios de lágrimas.

"Feliz aniversário, meu amor," sussurrou Emma, envolvendo a morena com um braço e deitando a cabeça em seu ombro. Regina deu um beijo no topo de sua cabeça.

"Obrigada!" disse, emocionada.

Henry sorria abertamente para suas duas mães.

"E agora... Posso dar o meu presente?" perguntou Henry, diretamente a Emma.

"Henry," protestou Regina, surpresa, quando o menino retirou do bolso um papel meio amassado e estendeu-o em direção a Regina.

Com as mãos trêmulas, a morena tomou o papel e desdobrou-o. As lágrimas outrora contidas em seus olhos começaram a escorrer livremente por seu rosto quando o desenho infantil de sua família se dispôs diante de seus olhos.

Regina despertou, com uma lágrima perambulando por sua bochecha, para sua realidade não-tão-satisfatória. Suspirou.

* * * *

"Você tem de ajudá-la," disse Mab. "Ela está se revertendo."

"Se revertendo a quê?" perguntou Emma, franzindo a testa, ainda muito intrigada pela criaturinha que pairava na palma de sua mão.

"Ao seu lado negro," disse Mab, tristemente.

Emma franziu a testa. "Mas... Mas," gaguejou. "Ela acabou de dizer que me amava!"

"E você não respondeu," disse Mab, tentando não soar tão acusatória. "O que, preciso dizer, está contribuindo para isso."

"Eu... Eu não consegui... Não consegui falar de volta," admitiu Emma, sentindo as bochechas queimarem. "Da última vez que disse estas palavras, pensei que ela tivesse morrido!"

Mab apenas sacudiu a cabeça e voltou a concentrar-se no assunto de importância. "Preciso avisá-la. Regina quer vingança."

"Contra quem?" perguntou Emma, espantada.

"Rumpelstiltskin."

"Sr. Gold?" perguntou Emma, franzindo a testa. "Por quê? O que ele fez com ela?"

"Você terá de perguntar a ela," disse Mab; sua expressão era de pura preocupação. "Mas não conte a ela que lhe disse! Ela planeja ir atrás do cogumelo azul para que possa recuperar seus poderes. Ela teme não possuir magia o suficiente para conjurar um portal de tamanha dimensão."

"Oh..." disse Emma, em compreensão.

"A questão é a seguinte: podemos transportá-las de volta a Storybrooke com um feijão mágico, que sua mãe pegou com Rumpelstiltskin."

"Então, por deus, façam isso imediatamente!" exclamou Emma, impaciente. Tinha certeza de que, se passasse um dia mais em Wonderland, enlouqueceria completamente.

"Regina não quer que seja desse modo," disse Mab. "Acredite, se ela retornar a Storybrooke sem poderes, e ainda cheia de raiva, ela irá atrás de Rumpelstiltskin do mesmo jeito, e acabará morrendo! Tenho certeza de que você não quer isso," disse, sugestivamente.

"Então o que sugere que façamos?" perguntou Emma, sentindo uma pontada de pânico atingi-la no estômago.

"Converse com ela," disse Mab, simplesmente.

"Conversar com ela? Só... Só isso? Acha que vai ajudar?" perguntou Emma, incerta.

"Tenho certeza," afirmou Mab, assentindo. "Regina quer trocar algo com Branca de Neve pelo feijão mágico, quando retornar a Storyrbooke, o que é bastante preocupante."

Emma arregalou os olhos. "Por que ela iria querer um feijão mágico, quando já estiver em Storybrooke?"

"Este é o problema," disse a Fada, exausta. "Posso apenas imaginar."

"Conte-me suas teorias," pediu Emma.

"Não posso," disse Mab, tristemente.

"Merda," xingou Emma. "Tudo bem, não se preocupe, eu vou tomar conta disso. Vou tentar conversar com Regina."

Mab assentiu em agradecimento e começou a bater as asas.

"Ah!" exclamou Emma, repentinamente se lembrando. "Se importa de me poupar de um sonho com Regina hoje?" disse, cruzando os braços. "Da última vez, fiz papel de idiota."

Mas Mab apenas riu, e tornou a voar em direção a sua carruagem.

"Boa sorte," ela disse, virando o rosto em direção à loira. "Salvadora."

* * * *

"Emma," disse Regina, e a loira abriu os olhos.

"Gina," murmurou Emma, contendo um bocejo. "Que houve?"

"Nada," disse a morena, sentando-se ereta e puxando Emma pelas mãos. "É só que precisamos nos mover. O tempo está contra nós."

Emma se sentou, se espreguiçou e, enfim, bocejou. "Pensei que tivesse dito que o Tempo não era um problema aqui," disse, em tom brincalhão, e puxando a morena para um abraço.

O corpo de Regina se enrijeceu mediante ao toque de Emma. "E não é, querida; não aqui," disse. "Mas lá fora, é. Hoje, partiremos em direção ao Jardim das Flores."

"Oh," disse Emma, compreensiva. "Então você vai atrás do cogumelo?"

"Sim," disse Regina, assentindo. "Recuperei parte de meus poderes, mas não será suficiente para conjurar uma Magia puramente Negra. Preciso do cogumelo para recuperar meus poderes. O único problema é... Bem, não entre em pânico quando eu disser que preciso encontrar um jeito de me certificar de que Cora não vá aprender a conjurar outro portal e nos seguir até Storybrooke."

"E como você pretende impedi-la?" perguntou Emma, de testa franzida, agora, segurando a mão de Regina e brincando com seus dedos.

"Tenho um plano," disse Regina, vagamente.

"Que plano?"

"Não sei ainda," admitiu Regina, com um sorriso triste.

"Ok," disse Emma; sua respiração começava a tornar-se ofegante. "Posso entrar em pânico agora?"

"Não é inteligente sucumbir a suas emoções, Srta. Swan," disse Regina, casualmente.

"Sério?" perguntou Emma, revirando os olhos, em tom incrédulo. "Voltamos para 'Srta. Swan', agora? Porque eu poderia jurar que apenas há algumas horas, você disse que me amava."

Regina abriu a boca para argumentar, mas nenhuma palavra lhe ocorreu. Fechou-a novamente, mantendo seu olhar sobre o chão da barraca. Soltou sua mão do aperto de Emma e cruzou os braços, mordendo o lábio inferior.

"Eu também amo você, sabe," disse Emma, sentindo, então, as bochechas arderem. "Eu gritei isso mil vezes, quando você estava atravessando a barreira do feitiço protetor..."

"Eu..." começou Regina, sem ainda se atrever a erguer o olhar. "Sinto muito, querida. É só um hábito antigo, difícil de ser quebrado," e então, encarou Emma e forçou um sorriso.

"Tudo bem, Senhora Prefeita. Demore o tempo que precisar. Mas admito que gosto mais quando diz meu nome," disse Emma, sorrindo e observando a reação da morena.

"Bem, Emma," disse Regina, dando um tapinha amigável na mão da amada. "Vamos nos mover. Posso nos transportar para uma trilha perto do Jardim. Não há como chegar lá por mágica," e então, franziu a testa. "Na verdade, acho que deveríamos pegar alguns cavalos... É um caminho muito longo."

"Mas... E a Rainha? Ouvi dizer que ela não gosta de visitantes inusitados," disse Emma, erguendo as sobrancelhas para dar ênfase a seu discurso. "E pegar um cavalo de seu estábulo chamaria sua atenção, não?"

Regina franziu o cenho. "Quem lhe disse isso?"

"Os dois esquilos," disse Emma, dando de ombros.

"Que esquilos?"

"Aqueles que estavam me ajudando a chegar ao jardim das flores, até sua mãe aparecer e tentar arrancar meu coração. Que ótima sogra eu tenho, a propósito," disse Emma, irônica.

"Ainda não somos casadas, Srta. Swan," lembrou Regina, arqueando uma sobrancelha e readquirindo por um momento seu ar superior.

"Exatamente," disse Emma, sorrindo. "Ainda."

O sorriso superior de Regina se desfez e uma expressão de surpresa tomou conta de seu rosto. Sacudindo a cabeça para clarear sua mente, ela continuou: "Bem, acontece que sua em-breve-sogra é a Rainha de Copas."

O sobressalto que acometeu Emma foi tão grande que esta deixou escapar uma interjeição ininteligível. "S-sério?"

"Sim," respondeu Regina, casualmente.

"Vejo que corre na família," disse Emma, irônica.

"Aparentemente," respondeu a morena, ainda em seu tom casual.

"Ok, então isso torna tudo pior! Se pegarmos algum cavalo, vamos chamar a atenção de sua mãe!" esganiçou-se Emma.

"Já esqueceu que eu disse que ela não viria mais atrás de você?" perguntou Regina, revirando os olhos. Sua voz soava mais leve que nunca.

"Não esqueci," disse Emma. "Mas não tenho tanta certeza sobre isso. Você pode não estar forte o bastante. Você disse que ela é muito mais poderosa que você..."

"Confie em mim," disse Regina, com um sorriso misterioso e um olhar vago tomando conta de seu rosto. "Estou em vantagem. Tenho conhecimento sobre uma forma de magia a qual ela nunca conhecerá."

"Que é...?" indagou Emma.

"Algo muito poderoso que, muitas vezes, confundi com fraqueza," admitiu Regina, voltando a postar seu olhar sobre o chão.

"Amor verdadeiro?" perguntou Emma. Regina apenas assentiu, sem levantar o olhar. "Regina..." chamou Emma, docemente, e a morena finalmente ergueu a cabeça. "O que aconteceu com você?" perguntou, afavelmente. "O que sua mãe fez? O que a minha mãe fez?"

"Eu..." Regina começou, mas sua voz se perdeu; antigas memórias invadiram sua mente, fazendo com que a agonia voltasse a tomar conta de seu peito. "Não posso lhe dizer ainda, Srta. Swan. Não estou pronta para reviver todas aquelas memórias..."

A angústia evidente nos olhos castanho-chocolate fizeram com que uma pontada de dor atingisse seu coração. Sentiu a terrível necessidade de abraçá-la e protegê-la, e o fez. Envolveu-a em seus braços de modo delicado e sussurrou ao pé de seu ouvido: "Tudo bem... Está tudo bem..."

Uma única lágrima escorreu, teimosa, pela bochecha de Regina. A dor em seu peito diminuiu consideravelmente, e ela respirou aliviada, apertando Emma contra si. Emma beijou-a. "Apenas me prometa," ela disse. "Que, quando estiver pronta, vai me contar?"

— "Can you still see the heart of me? Allmy agony fades away when you hold me in your embrace. Don't tear me down for all I need, make my heart a better place, give me something I can believe." —

Regina respirou fundo e mordeu o lábio inferior, a fim de tentar controlar as lágrimas. "Prometo," ela sussurrou.

"E agora..." disse Emma, afastando-se um pouco da morena para encará-la nos olhos. Um sorriso brincalhão estampava-se em seu rosto. "Precisamos nos levantar agora, ou ainda temos algum... Tempo?" e, com isso, postou um beijo leve e singelo sobre o pescoço da morena, despertando-lhe arrepios.

Regina sorriu involuntariamente e enlaçou seus braços no pescoço da loira. "Bem," ela disse e, com seu corpo, empurrou Emma delicadamente, de modo a fazê-la se deitar; Regina ficando por cima dessa vez. "Acho que temos alguns minutos..."

Emma sorriu genuinamente, e o vislumbre aqueceu o peito de Regina.