Lost In Paradise
12 Some Cupid Kills With Arrows, Some With Traps
Notas iniciais
N/A (2): Sobre as referências a Shakespeare nesse capítulo? I regret nothing *galinha girando loucamente*
N/A (3): Muuuuito obrigada pelas reviews, fico feliz que estejam gostando do jeito "lunático" que escrevi o último capítulo. Este está um pouco mais "centrado". Espero que gostem. ;-)
N/A (4): Sim, fazemos um grande progresso nesse capítulo, entre Regina & Emma, porém, preparem os corações, porque, nos próximos, depararemos com uma Cora furiosíssima, pronta para matar e torturar qualquer um que mencionar uma palavra errada.
N/A (5): O próximo capítulo sai amanhã, no mais tardar. Será pequeno, e centrado em Mary Margaret tentando ir, coitadinha, pra Terra Encantada. :9 I'm mean and I know it. -SQN
CAPÍTULO ONZE — ALGUNS CUPIDOS MATAM COM FLECHAS; OUTROS, COM ARMADILHAS.
Regina corria o mais rápido que seus pulmões podiam agüentar; suas pernas já estavam ficando entorpecidas, tão longo fora o caminho percorrido. Nunca antes ela desejara, com tanta intensidade e urgência, ter controle sobre seus poderes outra vez. Facilitaria tanto as coisas! Para começar, se Gold não a tivesse privado disso, ela não estaria presa naquele lugar com Emma Swan, não precisaria se preocupar em confrontar Cora e, com certeza, também não precisaria se preocupar em manter a Srta. Swan a salvo. Aliás, a desculpa de que fazia isso por Henry, apenas, já não mais a satisfazia; sua mente afiada demandava resposta mais precisa. Henry não a impedira de tentar se livrar da salvadora inúmeras vezes, no passado, então, por que haveria de impedir agora? Seria tão simples usar Emma para conseguir seus poderes de volta, conjurar um portal e retornar a Storybrooke, deixando-a para trás, presa com Cora... Poderia até matá-la e colocar a culpa em sua mãe. Seria tão simples manipular toda a situação, mexer os peões que então se dispunham à sua frente naquilo que sua mente identificava como uma batalha de xadrez. Seria tão simples e, ainda assim, não o fazia. Por quê? Por que estava correndo desbravadamente contra o tempo, a fim de se certificar de que nenhum mal fosse decair sobre aquela cujo destino era lhe destruir?
Como já dizia Shakespeare, 'em nós, por vezes, se acha a medicina que em vão ao céu pedimos,' e, com Regina, não era diferente. A resposta que ela tanto se exauria em procurar, na verdade, já se encontrava dentro de si; tinha, apenas, medo de buscá-la, medo de reconhecê-la.
Pouco antes de alcançar os estábulos, Regina percebeu que as pegadas as quais estivera seguindo durante os últimos minutos triplicaram. Além disso, ao analisar seu curso, Regina pôde depreender que as pegadas nunca chegaram ao estábulo. Desse modo, só lhe restou concluir que alguém interceptara Emma e a desviado de seu caminho. Mas quem? Haveria sido Cora? Mas Cora não conhecia Emma, não sabia quem ela era... Isso deveria ser o suficiente para garantir sua segurança... Certo?
A pressão sangüínea de Regina se acelerou à idéia de um contato entre Cora e Emma; seu cérebro enviou-lhe inúmeros avisos de perigo. Precisava fazer algo, e rápido! Tão irônico quanto pudesse soar, estava correndo contra o tempo, num lugar onde este não existe.
Regina correu em direção ao estábulo. Com um assobio, chamou a atenção do cavalo mais próximo. Cumprimentou-o com uma palmadinha amigável no fucinho e, depois, montou-o.
O cavalo não fez objeção a Regina, quem não tardou em guiá-lo rapidamente em direção às pegadas. O animal avançara pouco mais que alguns metros quando, de repente, Regina sentiu as rédeas escorregarem de suas mãos. Confusa, tentou tomá-las outra vez, porém, no instante seguinte, seu corpo foi magicamente erguido no ar e amarrado com as cordas que antes envolviam o cavalo, quase como se estas houvessem tomado vida própria.
Regina fechou os olhos, a fim de conter a raiva que fervilhou em seu estômago, quando a realidade se sobrepôs à confusão.
Passos pesados foram ouvidos.
"Achei que Wonderland houvesse lhe ensinado algum novo truque de Maiga," disse Regina, readquirindo, pela primeira vez, seu tom gutural de Rainha Má. "Mamãe."
* * * *
"Branca, por favor! Você está indo em uma missão suicida!" exclamou Encantado, as mão erguidas no ar, como quem expõe fatos irrefutáveis.
"Eu sei, eu sei. Mas o que mais posso fazer?" perguntou Branca, desalentada.
"Deixe que eu vá em seu lugar! Assim, pelo menos, tenho mais chances de voltar vivo..." disse Encantado.
Branca sabia que era verdade, mas não estava pronta para dar o braço a torcer. Ela era a mãe de Emma, e iria resgatar sua filha das garras de Regina.
"Por favor, Encantado, você sabe, tanto quanto eu, do que Regina é capaz... E o ódio que ela tem por Emma não é segredo..." disse Branca, seus olhos enchendo-se de lágrimas.
"Nós vamos encontrá-las... Só acho que este não é o melhor jeito," disse Encantado, e abraçou Branca, pressionando os lábios contra sua testa. "O que Gold disse sobre o feijão?"
"Disse que me transportaria à Terra Encantada, porém, para que funcione, precisa ser carregado por uma fonte de magia muito rara..."
"Pó de fadas?" perguntou Encantado.
"Não... Mas, espere! Fadas! É isso!" disse Branca, afastando-se de Encantado e correndo em direção à porta. Parou na soleira e, virando-se para trás, disse: "Estivemos fazendo acordos com a pessoa errada! Venha comigo!"
E saiu correndo, assumindo aquele ar determinado que é exclusividade de Branca de Neve.
* * * *
A risada maquiavélica de Cora ecoou pelo ambiente, parecendo ali perdurar por mais tempo do que o real.
"Ora, ora, querida! Onde estão seus modos? Já esqueceu tudo que lhe ensinei?"
Repentinamente, a realidade despencou sobre Regina com a força de um tornado. Foi quase como se houvessem tirado uma venda que a estivera cegando durante todo esse tempo. Pela primeira vez, em anos, podia enxergar claramente. Aquela simples frase fora responsável por despertá-la de um transe que a acometera nos últimos vinte e oito anos de sua vida. Transformara-se em tudo aquilo que, uma vez, odiara. Tornara-se igual a Cora; pior, quiçá. Virara-se contra todos, arrancara o coração do próprio pai, causara sofrimento, miséria, dor... Pela primeira vez em todos esses anos, Regina era atingida em cheio pela dor e pelo peso de suas ações.
Com uma sacudidela de sua mão, Cora fez com que as rédeas libertassem Regina, e esta despencou ao chão. Lá permaneceu; a dor era excruciante demais para que ela sequer encontrasse forças para se manter de pé.
"Vinte e oito anos... E você não envelheceu um dia sequer. Engraçado. Deixe-me adivinhar. Pediu que Rumpelstiltskin congelasse o tempo, para que pudesse esconder suas ações, agir por trás das cortinas e controlar o jogo por inteiro?"
Cada nova palavra que perpassava os ímpios lábios de Cora equivalia a uma nova pontada que Regina sentia em seu peito.
"Estou orgulhosa de você, querida. Fez tudo o que eu haveria feito."
Mais uma vez, dor. Dor era tudo o que conseguia sentir, pensar, ver e ouvir. Regina se apoiou em suas mãos, ajoelhada no chão; sua cabeça, de repente, zunia. Sentia vertigem. Sentia um certo gosto amargo que queimava bem no fundo de sua garganta.
"Mas... Não posso deixar de me perguntar... Que deu errado? Porque, se você está aqui, certamente, algo tem de haver dado errado... Não viria aqui para visitar sua querida mãe, visto que tem tanta pressa em partir, viria? Então, diga-me, querida, quem foi que a trouxe para cá? Foi Rumpelstiltskin?"
Regina se obrigou a erguer o rosto e encarar aquela que, no passado, conseguira distorcer as linhas de seu destino. "Foi um acidente," sibilou Regina, ofegante.
"Um acidente? Ora, ora, que interessante!"
Com um estalo de dedos, Cora fez com que Regina fosse magicamente erguida no ar outra vez.
"Por que não se junta a mim para um chá, e conversamos a respeito?" disse Cora, aproximando-se de Regina e enlaçando seu braço no dela, como se fossem velhas amigas. "Temos muito o que botar em dia."
"Não tenho nada a conversar com você," disse Regina, libertando-se do aperto de Cora.
A expressão outrora aveludada de Cora se enrijeceu; as linhas de seu rosto se contorceram ligeiramente.
"Pois bem." ela disse, entredentes. Então, suspirou melancolicamente, e continuou: "Você não me dá outra escolha."
Agitando as mãos no ar, Cora fez com que as cordas do cavalo envolvessem Regina outra vez. Com outro estalo de dedos, o ambiente ao redor delas se desfez, sendo substituído, num piscar de olhos, pelos confins do Castelo da Rainha de Copas.
À aparição de Cora, vários homenzinhos te tamanhos variados correram para recebê-la. Cora nem precisou movimentar a mão para fazer com que os homens fossem jogados para o lado, magicamente, enquanto ela passava. Regina flutuava atrás dela, ainda amarrada pelas rédeas.
Cora subiu as escadas até a última torre; durante esse tempo, Regina tentava, de todos os modos, se libertar e fugir.
"Não se dê ao trabalho, querida. É inútil lutar contra mim. Era de se esperar que, depois de tudo o que passamos, você já houvesse aprendido..." disse Cora, sacudindo a cabeça em desaprovação.
Ao finalmente chegar ao lugar desejado, Cora empurrou Regina para dentro de uma cela e lançou um ou dois encantamentos simples, para se certificar de que a morena não encontrasse escape algum.
"É hora do espetáculo," disse Cora, sorrindo vitoriosamente, desfrutando de suas palavras. Com outro gesto, conjurou um grande espelho em formato de coração, de borda prateada, e o posicionou em frente a Regina. "Estive por observar atentamente cada passo seu, Regina. Agora é a sua vez de me observar em ação. Mas preste bem atenção! Quem sabe, assim, você se lembrará de quem realmente é."
Uma nuvem de fumaça negra preencheu o ambiente e Cora desapareceu em meio a ela.
* * * *
"Regina?" perguntou Emma, em tom sonhador. O efeito das estrelas começava a atingir seu ápice; muito não tardaria até que Emma perdesse, de vez, a sanidade mental.
Aquele corpo macio se separou rápido demais do seu, para seu gosto. Mãos a puxaram, não-tão-delicadamente, pelo braço e a equilibraram em seus pés.
Emma abriu os olhos bem a tempo de observar Regina, com um rápido gesto de suas mãos, conjurar uma tenda branca que se sobrepôs a ambas as mulheres e à esquilo fêmea. O esquilo macho desaparecera.
Com outro gesto, Regina enviou uma onda de magia, que congelou o esquilo fêmea. Emma arregalou os olhos.
"Olhe para mim," disse a morena, levantando o rosto de Emma pelo queixo.
Os olhos verde-esmeralda encontraram, transfixados, os marrom-chocolate. Entretanto, havia algo de diferente naquels íris amendoadas, outrora tão conhecidas. De algum modo, aqueles olhos pareciam mais frios, mais gélidos. Eram olhos vazios; tão vazios que mais pareciam dois buracos negros. E, decerto, Emma sentia-se, de repente, como se toda sua energia estivesse sendo sugada por aqueles orbitais escuros.
Regina postou as duas mãos sobre as têmporas de Emma, pressionando levemente. Um jato de fumaça prateada se espalhou pelo ambiente, após o ato, e Emma Swan despertou de seu transe.
Emma piscou várias vezes, aturdida.
"Você vai se sentir um pouco nauseada agora que despertou, mas é isso que ganha por ser estúpida ao ponto de olhar para as estrelas," debochou Regina, desdenhosa.
As palavras da morena foram cortantes como afiadas garras de aço. Havia algo de diferente também no timbre de sua voz; bem como o olhar, este era frio, gélido... Era ácido e venenoso; queimava, ardia; dançava lentamente como fazem as chamas de um fogo.
"R-Regina?" perguntou Emma, incerta. "Que... Que está fazendo aqui?"
"Sentiu minha falta?" perguntou Regina, com um sorriso sardônico.
"Senti, mas..."
"Vim apenas me certificar de que você não fosse acabar se matando antes de eu ter o prazer de fazer isso por você," ela disse, naquele tom ácido; seu sorriso sardônico tornando-se, então, malicioso.
Emma franziu a testa. Que estava acontecendo?
"Como... Como conseguiu seus poderes de volta? Achei que tinha me mandado atrás do cogumelo azul porque estava sem poderes..." disse Emma, olhando sugestivamente para a tenda conjurada e para o esquilo congelado.
A expressão de Regina tornou-se lívida por alguns segundos. Ela hesitou antes de responder: "Ora, ora, querida, pensei que fosse mais esperta do que isso. Eu nunca estive, realmente, sem poderes. Foi tudo um truque para tirá-la de meu caminho."
Emma sentiu como se seu cérebro houvesse dado uma cambalhota. "Nunca estive realmente sem poderes," as palavras ecoaram em sua mente. Regina a enganara.
Contudo, algo parecia erroneamente fora de lugar. Em Storybrooke, Regina tentara fazer o chapéu funcionar e falhara miseravelmente... Falhara, até que Emma a tocara. Durante horas, desde que ali estivera, Emma se perguntara por que Regina conseguira fazer mágica quando ela a tocou. Estava tão centrada em deduzir se ela tinha alguma mágica em si, que não lhe ocorreu que, talvez, o toque tivesse sido apenas uma coincidência. Talvez Regina não estivesse realmente sem poderes. Talvez, desde o começo, Regina tivesse planejado trazer Emma a Wonderland. Mas... Por quê? Nada daquilo parecia fazer sentido, a menos que Regina tivesse dupla personalidade — o que não surpreenderia Emma: por tudo que sabia, a mulher tinha de ser louca para fazer tudo o que fizera.
"Pois é, querida. Você não tem mais propósito algum," disse Regina, caminhando predatoriamente em direção a Emma. "Sabe o que faço com coisas que não me servem mais? Eu as jogo fora."
Emma observou, de olhos arregalados, enquanto Regina se preparava para o ataque. Emma sabia o que estava por vir. Sabia, e não podia deixar de rir da ironia do destino. Estava prestes a ter o coração arrancado de seu peito e despedaçado — dessa vez, literalmente — pelas garras daquela quem descobrira amar há apenas alguns minutos atrás.
Emma fechou os olhos. A dor de ver Regina avançar contra ela com um brilho maníaco no olhar era muito maior do que a dor que antecipava do ataque. Alguns segundos se passaram, e este nunca veio.
Emma abriu um olho em alguns milímetros, incerta. Abriu o outro, após alguns segundos e percebeu que Regina fora, de algum modo, contida por uma corrented e magia azul que a mantinha congelada no tempo.
O coração de Emma batia rápido contra seu peito, quase como se comemorasse, sozinho, o fato de não haver sido esmagado.
"R-Regina?" Emma chamou.
O rosto de Regina estava contorcido na expressão mais assustadora que Emma já vira em toda sua vida: mostrava prazer... Prazer ao se preparar para atacar sua vítima. Prazer ao se preparar para matar.
"Regina!" Emma chamou, dessa vez, mais forte. Começou a se desesperar, quando, outra vez, não obteve resposta.
Lágrimas turvaram sua visão, mas Emma se recusou a deixá-las cair. Estendeu uma mão no ar, em direção a forma imóvel de Regina.
"Não toque. O feitiço não vai durar muito."
Você vai entender quando digo que o coração de Emma quase pulou de sua boca, tamanho fora o sobressalto ao encontrar a fonte da voz que lhe falara.
A voz vinha de Regina. Mas não daquela Regina que se encontrava congelada a sua frente. Havia outra Regina; esta se encontrava a uma certa distância, com ambas as mãos esticadas no ar; mãos das quais saíam fagulhas azuis, da mesma cor que a onda de magia que imobilizava a Regina em sua frente.
Emma olhou para ambas. Sua cabeça girava e, de repente, o ar lhe faltou aos pulmões. A Regina de trás ficava mais e mais pálida com o passar dos segundos. Seus olhos marrom-chocolate transbordavam, em lágrimas silenciosas, toda sua dor. Os olhos daquela Regina eram os que Emma tanto conhecia. Aqueles olhos não eram gélidos, obscuros, vazios. Aqueles olhos contavam mil histórias sem palavras. Foi através daquele olhar que Emma soube — aquela era Regina. Mas... Se assim era, então, quem era a outra pessoa?
"Emma," disse Regina, com urgência. "Preciso que se afaste dessa pessoa o mais rápido possível. Não vou conseguir segurar por muito mais tempo."
Embora ainda confusa, Emma nem sequer hesitou a se afastar da Regina congelada e a se aproximar da sua Regina. Com um meneio, esta última desfez o feitiço que imobilizava a outra e, antes mesmo que Emma pudesse perceber, fora envolvida por um furacão de fumaça roxa, que rodopiou, rodopiou, até que, finalmente, aterrissou.
Emma despencou no chão com um baque surdo. O cheiro peculiar invadiu prontamente suas narinas — já estivera ali. Prontamente, olhou ao redor, a fim de identificar aonde fora transportada. Estavam, aparentemente, de volta ao campo no qual aterrissaram ao chegar em Wonderland.
Emma observou enquanto Regina, com as mãos estendidas em direção ao ar, conjurava raios prateados, que as envolveram em um denso círculo, criando sobre elas uma espécie de bolha protetora. Depois, com outro gesto, que pareceu exigir muito de suas forças, Regina conjurou uma barraca roxa e uma fogueira.
"Não olhe para o céu, Srta. Swan," ela disse, completamente ofegante. Sua voz estava fraca; se resumia a um gemido fino. Emma não pôde deixar de reparar que a mulher ficara, se é que era possível, ainda mais pálida. "Nunca mais olhe para o céu," ela completou, e desmaiou.
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