Notas iniciais
N/A (1): Algo me diz que vocês vão gostar do finalzinho desse capítulo. E de uma certa personagem original. E do que vai acontecer no próximo capítulo, depois da aparição dela. *p* E, ok, já to falando demais.
N/A (2): Referências a certa criatura da Literatura Européia, mencionada por Shakespeare em Romeu e Julieta? Continuo sem regretar nada.
N/A (3): Branca mandando Encantado calar a boca? Regreto nada também.
N/A (4): O que vocês podem esperar para o próximo capítulo? Bem, só posso dizer que tenho muita dó do Curinga. Gosto tanto dele. i.i

CAPÍTULO DOZE — AMOR

Regina respirou fundo, a fim de clarear sua mente. Cora deixara o espelho estrategicamente posicionado a sua frente. Certamente queria que visse algo. Mas o quê?

A resposta veio quase que instantaneamente; o espelho, que outrora refletia a imagem confusa de Regina, passou, então, a mostrar Emma Swan, tentando equilibrar-se nas pontas dos pés, a fim de alcançar algo acima de sua cabeça.

As esrelas.

Por ser um espelho magicamente encantado, Regina era beneficiada com uma visão panorâmica de todo o ambiente. Assim, pôde ver, também, o que Emma achava de tão deslumbrante naquele céu.

Quando identificou os traços desenhados pelas estrelas, seus olhos se encheram de lágrimas. Uma espécie de dor aguda, que não machuca de verdade, se irradiou por todo seu corpo, a começar por seu peito.

No momento seguinte, antes mesmo que Regina pudesse compreender a fonte e o motivo daquela dor, ela viu a loira ser atirada ao chão. Percebeu, horrorizada, que a pessoa que se atirara contra Emma fora ela mesma. Ou melhor, Cora. Cora disfarçada de Regina.

"Não!" sussurrou. Como era possível?! Como era possível que Cora estivesse sempre um passo a frente?! Emma estava em perigo! Cora iria estragar tudo outra vez! "NÃO!" gritou Regina, atirando-se contra as grades de sua cela, tentando, em vão, abri-las de alguma maneira.

O espelho mostrou Cora conjurando uma tenda e lançando o feitiço do oblívio em Emma, responsável por cortar o efeito alucinógeno das estrelas.

As lágrimas começaram a escorrer livremente pelo rosto de Regina, à medida que seu desespero crescia. Novamente, se encontrava em posição inferior à mãe. Novamente, era sua prisioneira. Mais uma vez, estava sendo forçada a assistir enquanto Cora tomava as rédeas de seu destino, e o distorcia dolorosamente em uma direção oposta.

Mas não. Não dessa vez, pensou Regina. Precisava de um plano. Precisava sair daquela prisão o mais rápido possível.

Regina estivera sem poderes desde que a maldição fora lançada sobre Storybrooke. "Toda a magia vem com um preço," era a frase que mais ocupara sua mente nos últimos anos. Seria este o preço que haveria de pagar? Não era justo!

A morena fechou os olhos e respirou fundo. Precisava pensar. A Magia funcionava diferentemente em Storybrooke, motivo pelo qual Regina vinha apresentando dificuldades em executá-la. Wonderland era, por si só, um lugar cheio de Magia, porém, no caso de Regina, não fazia muita diferença. Aquele lugar nada mais era que um universo alternativo, criado para estocar coisas pelo resto da eternidade, sem que fossem maculadas pelas circunstâncias ou pelo tempo. Desse modo, mesmo estando em um lugar mágico, a Magia em Regina se comportaria como se estivesse em Storybrooke — ela continuaria apresentando dificuldade.

Dificuldade. Era isso! Apresentaria dificuldade, mas não seria impossível. Regina lembrou de quando fizera o chapéu de Jefferson funcionar, em Storybrooke. O toque de Emma despertara a Magia outrora adormecida em seu ser. Mas por quê? Essa pergunta vinha rondando sua mente desde o momento em que atravessara o portal, porém, toda vez que se fazia presente, a morena a descartava, com a desculpa de que pensaria nisso mais tarde. Ah, como, naquele momento, ela desejava já haver pensado a respeito! Mais uma vez encontrava-se, ironicamente, correndo contra o Tempo.

Regina observou a cena refletida no espelho mais uma vez. "Sabe o que faço com coisas que não me servem mais?" ela ouviu sua própria voz dizer.

O pânico cresceu dentro de seu peito; entretanto, ao mesmo tempo, a resposta à previamente mencionada pergunta explodiu em sua mente. De repente, Regina entendeu porque o toque de Emma fizera a diferença. Sabia!

Regina fixou os olhos na imagem atônita de Emma e estendeu as mãos no ar. Concentrou-se no sentimento que envolvia seu peito; lembrou-se, por um momento, do que sentira quando vira a loira pela primeira vez. Instantaneamente, a fumaça roxa começou a preencher o ambiente; entretanto, à medida em que a Magia se expandia, as forças de Regina diminuíam.

Rapidamente, o ambiente a seu redor se dissolveu e Regina se encontrou frente a Cora, quem já estava perigosamente perto de Emma. Antes mesmo que pudesse sequer se recuperar do transporte, a morena canalizou suas forças a fim de lançar uma corrente imbolizadora de Magia, que congelou Cora bem quando as mãos desta encontravam-se apenas a centímetros de distância do peito de Emma.

Quando Regina sentiu suas pernas fraquejarem, percebeu, tardiamente, que sobrestimara suas forças.

"Emma!" ela disse, com urgência. "Preciso que se afaste dessa pessoa o mais rápido possível. Não vou conseguir segurar por muito mais tempo."

Regina observou enquanto Emma se afastava de Cora e se postava a seu lado. Soltando o ar que estivera prendendo, Regina permitiu que a corrente de Magia se quebrasse e, instantaneamente, canalizou suas forças, conjurando mais fumaça roxa, que prontamente envolveu seu corpo e o de Emma, bloqueando qualquer visão daquele ambiente.

Regina as transportara para o primeiro lugar que veio à sua mente: o campo no qual todos os visitantes de Wonderland primeiramente aterrissavam. Estava completamente fraca — mal conseguia respirar — mas sabia que precisava conjurar mais Magia. Nunca antes exigira tanto de si mesma; não fazia a menor idéia do que poderia acontecer, caso tentasse usar mais Magia do que, de fato, possuía. Mas sabia que precisava tentar.

Regina respirou fundo e concentrou-se novamente. Dessa vez, lançou um feitiço protetor ao redor dela e de Emma, que as envolveu e as isolou do resto do mundo, numa bolha impenetrável. Regina só podia torcer para que isto fosse ser suficiente para manter Cora longe. No fundo, sabia que não era. Seria só uma questão de tempo até que Cora as encontrasse. Toda Magia deixava um rastro — Cora teria apenas de segui-lo. Desfazer o feitiço protetor, então, não seria difícil, afinal, ela era muito mais poderosa que Regina. Mas esta se recusava a pensar nisso, naquele momento. Por sorte, manteriam-se a salvo até o dia amanhecer.

Foi a ciência de que ainda estava de noite que fez com que Regina lembrasse: as estrelas. Precisava de mais uma forma de proteção. Conjurou, então, uma barraca roxa. Ergueu os olhos para encarar Emma, quem a encarava de volta com uma expressão em parte assustada e, em parte, deslumbrada. Era adorável, pensou Regina, e tentou sorrir em resposta; contudo, suas forças já haviam se esgotado. Sua visão começava a escurecer. Iria desmaiar. Mas antes, precisava dizer...

"Não olhe para o céu, Srta. Swan," disse Regina, e se surpreendeu ao constatar que sua voz se reduzira a não muito mais que um sussurro. Encarou Emma nos olhos, intensamente, esperando que ela entendesse sua mensagem. "Nunca mais olhe para o céu."

E, então, tudo ficou preto.

* * * *

"Branca! Encantado!" exclamou a Fada Azul, seu rosto se iluminando subitamente com um sorriso gentil. "A que devo a honra de sua visita?"

"Gostaria que fossem em outras condições, Fada, mas estamos aqui porque precisamos de sua ajuda," disse Branca; sua testa franzida dava ênfase a seu discurso.

A expressão da Fada Azul se igualou à de Branca de Neve; também com a testa franzida, a Fada pediu que seus visitantes entrassem e se acomodassem.

Branca se sentou no sofá, entrelaçando uma mão na outra e postando-as sobre seu colo. Encantado veio logo em seguida, sentando-se ao lado da esposa.

"Digam-me," disse a Fada, sentando-se na poltrona, em frente aos dois. "Como posso ajudá-los?"

"Preciso que me leve de volta à Terra Encantada," disse Branca.

A Fada ofegou; certamente não esperava aquilo. "Temo que seja impossível, Branca," ela disse. "Sinto muito."

"Não há nada que possa fazer por nos?" perguntou Encantado, pronunciando-se pela primeira vez, ao ver a decepção estampada no rosto de Branca.

"Infelizmente não. Já falaram com Rumpelstiltskin?" perguntou a Fada.

"Sim," disse Branca. "Ele me deu um feijão mágico, dizendo que este me levaria de volta à Terra Encantada... Mas, para isso, precisa ser carregado por uma fonte de Magia muito rara."

"Qual fonte?" perguntaram a Fada e Encantado, em uníssono.

Branca encarou os dois, com a cabeça ligeiramente inclinada para o lado. "Amor."

* * * *

Cora se transportara de volta ao castelo momentos após Regina estragar seus planos. Carregava a forma congelada do esquilo fêmea em suas mãos e caminhava imponentemente em ritmo acelerado pelas escadarias que dariam às masmorras.

Quando finalmente chegou ao lugar desejado, soltou o esquilo e lançou dois feitiços que descongelaram e fizeram com que a criatura voltasse à sua forma original.

"Ora, ora," disse a Rainha; seu tom de voz soava ainda mais frio do que o normal. "Que temos aqui?"

O Curinga se encolheu no chão, onde antes se encontrava o esquilo, e começou a tremer.

"Podes começar a ir falando," disse a Rainha, cutucando a criatura com a ponta de seu cajado.

Mas o Curinga não emitiu som algum, além de um ou dois gemidos baixos.

* * * *

"Perdão?" exclamou Encantado, virando-se para encarar a esposa nos olhos. "Como disse?"

"Sim, o amor verdadeiro é a Magia mais poderosa de todas," disse a Fada azul, pensativa, sem, no entanto, retirar os olhos de Branca de Neve por um segundo sequer.

"Falho a compreender," disse Encantado, em tom de deboche. "Como o amor verdadeiro será capaz de nos transportar à Terra Encantada."

"Primeiro de tudo, Encantado," disse Branca, firmemente. "Não permitirei que me acompanhe à Terra Encantada. É muito arriscado. Caso algo aconteça, Emma ainda precisará de um membro da família intacto, e este será você. Segundo, Rumpelstiltskin me contou uma história engraçada sobre como juntou nossos fios de cabelo e conseguiu, finalmente, engarrafar o amor."

Encantado ergueu as sobrancelhas em surpresa; fosse pela história ou pelo modo como Branca lhe falara, não saberia dizer.

"Engarrafar o amor? Você quer dizer..."

"Exatamente o que acabei de dizer. Foi assim que Rumpelstiltskin trouxe Magia a Storybrooke, e parte dela ainda está concentrada no poço."

"No poço?" perguntou Encantado, confuso.

Branca fechou os olhos e respirou fundo.

"Querido, por que não me deixa fazer o que tem de ser feito e depois conversamos sobre tudo?" disse Branca, encarando Encantado com uma expressão decidida.

Encantado abaixou a cabeça. Branca voltou a encarar a Fada Azul, com um pequeno sorriso triunfante brincando em seus lábios.

"Agora, como ia dizendo..."

* * * *

A Rainha literalmente pregara o Curinga contra a parede: martelara pregos que atravessaram ambas as mãos da criatura, de modo a fazer com que todo seu corpo ossudo fosse sustentado apenas por seus braços. Lágrimas perambulavam pelas bochechas rosadas da criatura.

"Diz-me," exigiu a Rainha, em alto e bom tom. "Onde. Está. Humphrey?"

"Já lhe disse," repetiu o Curinga, pelo que lhe pareceu a milésima vez. "Por favor, deixe-me ir."

A Rainha se aproximou de seu súdito, segurando-o pelo rosto. "Deixá-lo ir? Ora, em que mundo vives tu? Vais pagar agora por ter traído a Rainha. Que minha ira seja liberada!"

* * * *

"Branca, tentar voltar à Terra Encantada é completamente arriscado! Mesmo com toda a garantia de Rumpelstiltskin, não há como saber de que modo a Magia atuará," disse a Fada Azul, após alguns segundos de raciocínio. "Creio, no entanto, haver uma alternativa."

"Anseio por ouvi-la," disse Branca, empinando-se no sofá. Encantado permanecia em silêncio.

"O máximo que podemos fazer é enviar uma mensagem a Emma ou Regina," disse a Fada.

"E como isso vai ajudar?" perguntou Branca, confusa.

"Pelo que entendi, vocês não têm certeza se ela está, ou não, na Terra Encantada. 'Um lugar sem Tempo, uma prisão, um labirinto' não soa muito como uma discrição fiel de nossa Terra. Ao nos comunicarmos com Emma, saberemos sua localização exata e, caso esteja mesmo lá, sei exatamente como e onde Emma pode conseguir um portal de volta a Storybrooke.

"Certifique-se de dizer a Emma para deixar Regina trancafiada na cela de Rumpelstiltskin ou algo do tipo," disse Encantado.

Branca o encarou de rabo de olho. O príncipe se calou outra vez.

"Como faremos para enviá-la uma mensagem?" perguntou Branca.

A Fada Azul sorriu.

"Isso é muito simples," ela disse.

* * * *

"Regina!" Emma gritou, logo quando a mulher desmaiou. "Regina! Puta que pariu, de novo não!"

Emma correu até o corpo de Regina, ajoelhando-se rapidamente a seu lado e colocando sua mão sobre o pescoço da morena, a fim de sentir sua pulsação. Respirou, aliviada, ao constatar que seu coração ainda batia.

Emma puxou a cabeça de Regina, de modo a acomodá-la em seu colo. Acariciou–lhe a face, de leve, enquanto observava seus traços. Lágrimas turvaram sua visão, mas Emma as engoliu de volta. A lembrança do que vira, estampado nas estrelas, lhe atingiu com força.

Emma ainda não compreendia o que acontecera há apenas alguns segundos. Não sabia que demônios significava haver visto a silhueta de Regina, estampada no céu. Tudo o que sabia era que desejara tocá-la, alcançá-la, e que a pior sensação que já tivera, durante toda sua vida, fora sentir que estava fora de seu alcance. Agora que podia, finalmente, tocá-la, sentia como se o vazio em seu peito houvesse sido preenchido. Descobriu que se sentia completa quando Regina estava por perto. Mesmo durante os momentos de conflito, Emma lembrou, havia uma fagulha lá, bem dentro de seu peito, que lhe causava uma estranha sensação, que ela descobrira, então, ser plenitude. Talvez fosse por isso que Emma deixava as brigas se estenderem. No fundo, ela gostava de sua relação de gato-e-rato com Regina. Precisava dela.

Contudo, não era como se a verdade não doesse em seu peito. Sentia como se houvesse traído sua família, que esperava que ela fosse ser a salvadora, que ela fosse ser quem derrotaria, de uma vez por todas, a Rainha Má. Naquele momento, no entanto, a Rainha não parecia Má; apenas indefesa, e tudo que Emma queria fazer era beijá-la, senti-la, tocá-la mais ainda.

Emma não conseguiu mais conter as lágrimas. Os soluços preencheram o ambiente, maculando o silêncio noturno. A loira se aproximou seu rosto, vagarosamente, ao de Regina, admirando cada centímetro de sua majestosa figura. Seu nariz roçou com o da prefeita. Fechou os olhos, hesitando por um momento. Não faria mal, pensou, enquanto Regina estivesse desacordada. Além disso, precisava entender que se passava consigo. Precisava saber o que era aquele sentimento que ardia em seu peito e aquecia seus sentidos, toda vez que Regina estava por perto. Quando encontrara-se entre a vida e a morte, prestes a ter o coração arrancado por quem quer que fosse a outra mulher, idêntica a Regina, considerara irônico o fato de que seu coração fosse ser arrancado por aquela a quem amava. Amava?, perguntou–se. Agora que a adrenalina já baixara, Emma podia pensar com calma. Amava Regina?

Emma postou seus lábios sobre os da prefeita. Imediatamente, todo seu corpo foi atingido por uma sensação de plenitude maior ainda que a anteriormente vivenciada. Uma espécie de dor aveludada anestesiou a outra dor, que antes tomava conta de seu coração; dor esta que Emma percebeu ser resultado do desejo aprisionado. Seu coração bateu forte contra o peito e, pela primeira vez, Emma Swan acreditou na força do sentimento sobre o qual sempre lera em contos de fadas, mas que nunca presenciara em sua vida. Emma acreditou no amor.

Sim. Amava Regina. Amava a Rainha Má. Amava aquela que destruíra a felicidade de todos, que roubara seus finais felizes. Amava a outra mãe de seu filho.

* * * *

"Certamente, vocês já ouviram falar na Rainha Mab?" indagou a Fada Azul, sorrindo sonhadoramente.

Branca e Encantado se entreolharam, confusos. O sorriso da Fada Azul desapareceu, sendo substituído por uma expressão levemente desapontada.

"Não?" ela perguntou. "Bem, deixe-me contar sua história, então..."

A Fada se endireitou na poltrona, procurando uma posição mais confortável. Encarou Branca e Encantado por alguns segundos e, então, desatou a falar.

"Mab é a Rainha das Fadas. É uma criaturinha travessa que adora apimentar os sonhos dos corações apaixonados. Durante as noites, Mab viaja, com seu magnífico Véu dos Sonhos, em sua carruagem, feita de uma única e resplandecente pérola, conduzida por quatro insetos mágicos. Mas Mab também exerce outra tarefa. Reza a lenda que as donzelas, ao se apaixonarem por algum cavalheiro, convocavam a Fadinha e a encarregavam de cortejá-los em seu nome, durante o sono, uma vez que fazer isso na realidade seria mal visto pela sociedade. As donzelas escreviam cartas e poemas apaixonados, os quais Mab lia para os cavalheiros e, no dia seguinte, estes pediam a mão das damas em casamento. Mas os serviços de Mab não eram baratos; em troca deles, ela pedia os itens mais valiosos de suas donzelas, motivo pelo qual nem todos a procuravam, e, sendo assim, talvez seja por isso que vocês nunca ouviram falar nela."

"Certo, e como é que essa tal Rainha Mabel vai nos ajudar a mandar uma mensagem a Emma? Nenhum de nós está apaixonado por ela, graças a Deus" disse Encantado.

"Minha preocupação é... Ela existe?" perguntou Branca.

"Ora, mas é claro que existe," respondeu a Fada Azul, sentindo-se um pouco ofendida. "Mab é minha mãe."

Os olhos de Branca e Encantado se arregalaram ao mesmo tempo.

* * * *

Regina estava presa em um ponto entre a consciência e a inconsciência. Era capaz de ouvir a voz e os soluços de Emma, mas, por algum motivo, seu cérebro não parecia compreendê-los. Também podia sentir o que se passava a seu redor — talvez com muito mais intensidade do que o normal, porque quando Emma posicionou a cabeça da morena em seu colo, Regina sentiu como esta tivesse passado a flutuar.

Quando os lábios de Emma se postaram sobre os dela, a sensação de plenitude que preenchia a loira se estendeu, também, a Regina, espalhando-se por seu corpo em velocidade dolorosamente lenta.

Aos poucos, Regina foi recuperando a consciência. Parte da sensação de constipação que envolvia seu corpo se dissipou e, de algum modo, Regina pareceu recuperar um pouco de suas forças. Um gemido baixo escapou de seus lábios.

Emma abriu os olhos, espantada. Seus lábios separaram-se dos da morena por nada mais que um segundo, no qual ela ofegou. No momento seguinte, voltou Emma voltou a beijar Regina, dessa vez, com mais intensidade, triplicando a dimensão da dor aveludada, que agora tomava conta de todo seu ser.

Quando os lábios de Emma se postaram novamente sobre os de Regina, esta já recuperara completamente a consciência, porém, ainda não abrira os olhos. Demorou alguns segundos para que a prefeita compreendesse o que se passava. Quando, enfim, o fez, seus olhos se abriram e se arregalaram, e o medo se apoderou de seus sentidos. Regina deu um gemido mais alto, porém, dessa vez, de protesto.

No exato momento em que os lábios das duas se separaram, Regina perguntou, apavorada: "Que está fazendo?

Parte do pânico que envolvia Regina se estendeu, também, a Emma. Agora sim, estava fodida de verdade, pensou. Preferia enfrentar O Demônio de Salto Alto a enfrentar a ira de Regina.