Lost In Paradise
15 Queen Mab
Notas iniciais
N/A (2): That being said, aqui vou eu de novo, broxar todos vocês... Mas caaaaalma, leiam o capítulo até o final. Espero que gosteeeem, porque eu AMEI escrever! hahaha
Capítulo Catorze — Rainha Mab
A Rainha batia os dedos em ritmo alegre no braço da poltrona, e um sorriso triunfante estampava-lhe a face. Parte de sua ira havia se dissipado ao torturar o traidor, cujos destroços agora comportavam-se quase como se houvesse um campo magnético que os puxava e interligava novamente entre si, regenerando todo o corpo do Curinga.
Segundos depois, a pobre criaturinha arfou desesperadamente. Quando o ar lhe alcançou os pulmões, o Curinga recuperou a consciência, abrindo os olhos de volta para aquilo que havia sido sua câmara de tortura.
A dor em seu corpo havia passado, mas a dor psicológica, infligida pela Rainha, ainda se fazia presente em seu peito. Lágrimas pululavam os cantos de seus olhos, e seus lábios tremiam continuamente.
O som de passos lentos foi captado pelos ouvidos do Curinga, quem ainda se encontrava fraco demais para se levantar.
Cora segurou-o pelo pescoço e ergueu-o no ar rapidamente, fazendo a pobre criatura soltar um gemido fino. Então, aproximou seu rosto do dele e disse, calma e vagarosamente: "Espero teres entendido... Se me traíres novamente, a tortura será pior."
Cora soltou o Curinga, que despencou no chão com estrépito. Um estalido se estendeu pelo ambiente; um dos ossos do Curinga havia acabado de se partir. Com um sorriso satisfeito, Cora abandonou o aposento.
* * * *
Naquele momento, Regina teve certeza de que Emma Swan era sua maior fraqueza.
O peso da compreensão despencou sobre si de tal modo, que a dor em seu peito atingiu o ápice, ameaçando dilacerar todo seu ser. Os soluços da morena preenchiam o ambiente, atingindo alto volume. Sua voz soou trêmula quando ela finalmente conseguiu articular: "Não posso... Não posso... Desculpe, Emma, mas não posso!"
Os olhos esmeralda de Emma continuavam a encarar a morena, buscando seus olhos, os quais já haviam se fechavado, teimosos, a fim de ocultar toda a dor. Regina empurrara Emma de leve, pelo peito, de modo a fazer com que seus corpos se afastassem o suficiente para que ela pudesse se levantar. Abotoou a blusa rapidamente, tentando, em vão, controlar os soluços que sacudiam-lhe o corpo.
"Regina," disse Emma, em tom de voz baixo e gentil. "Está tudo bem."
Não, pensou Regina, desesperada. Não estava nada bem. Ao terminar de abotoar a camisa, a morena se levantou e caminhou para o mais longe possível da loira, sem, no entanto, cruzar os limites do círculo protetor. Respirou fundo; seus soluços outrora escandalosos se reduziram a meros sussurros que maculavam a calmaria da noite.
Emma vestiu sua blusa de volta. Estivera beijando Regina Mills, e isso lhe despertara sensações as quais ela jamais imaginava que pudessem existir. Parte dessas sensações ainda não havia se dissipado, motivo pelo qual Emma não arriscava se levantar. Tinha medo que suas pernas fossem fraquejar.
"Regina," tentou Emma, outra vez; dessa vez, sua voz tremeu ligeiramente.
"Está tarde, Srta. Swan," disse Regina, e o coração de Emma pulou uma batida. Um frio compressor se espalhou por todo o corpo da loira quando ela percebeu haver algo de diferente no tom de voz de Regina; este soava, quiçá, um pouco mais agudo e, de fato, bem menos imponente que outrora. "Seria inteligente se fosse dormir..."
Emma ofegou, sem saber como responder. Lá estava Regina, reconstruindo o escudo responsável por proteger seu coração e manter todos a uma distância segura; o escudo impenetrável o qual Emma estivera tentando atravessar durante meses, mesmo que inconscientemente, mas que só agora, de fato, conseguira, e por acidente! Regina se mostrara vulnerável em seus braços; chorara abertamente, soluçara, provara a Emma que era humana — o que era um grande alívio, haja vista que Emma sempre pensara em Regina como uma pedra de gelo; não, não uma pedra, uma majestosa escultura de gelo. Maravilhosa, porém fria. Tão fria que mais dava a impressão de congelar a alma de quem se atrevesse a chegar perto demais. Emma estivera perto; perigosamente perto, mas sua alma não congelara; pelo contrário: havia sido quase como se tivesse entrado em erupção, tamanho fora o calor que se espalhara por seu corpo. Emma tinha certeza de que Regina sentira o mesmo. Não importava o quanto ela tentasse esconder, o rubor nas bochechas da morena sempre a trairia. Contudo, lá estava Regina, de volta à estaca zero, chamando Emma novamente de "Srta. Swan" e soando mais cordial do que nunca. Não podia permitir que Regina a afastasse novamente, pensou Emma, não agora que finalmente descobrira como era bela a morena quando se permitia ser vulnerável.
Emma tomou coragem e se levantou, caminhando até Regina, quem, ainda de costas para a Xerife, respirava fundo, com as mãos na cintura, a fim de recuperar a compostura. Quando sentiu que finalmente estava recuperando o controle sobre suas emoções, os braços fortes de Emma Swan a envolveram pela cintura, por trás, roubando-lhe suspiros e fazendo com que todos os muros os quais ela acabara de reerguer se desmoronassem novamente, deixando-a mais vulnerável que nunca. "Emma," ela sussurrou, num misto de dor e reprimenda.
"Pelo menos venha se deitar comigo," pediu Emma, num sussurro, que despertou arrepios na morena em seus braços. Pega de surpresa, Regina se virou rapidamente, encarando a loira nos olhos, com a testa ligeiramente franzida. "Por favor," disse Emma, a súplica em seus olhos mostrava-se mais forte do que aquela em suas palavras.
Regina exalou o ar que estivera prendendo e se deixou guiar por Emma até a barraca roxa. Em circunstâncias normais, ela jamais permitiria que alguém a tivesse tão sob controle quanto Emma a tinha, naquele momento. Entretanto, a verdade era que Regina já não era mais a mesma. Desde o encontro com sua mãe, desde que percebera haver transformado-se em alguém semelhante, algo fora despertado dentro de si.
Regina queria mudar, mas sua resistência era mais forte. Como se convencer de que tudo o que havia feito, durante os últimos anos, não fazia parte de sua personalidade, e sim daquela imposta à ela, quando mais nova? Como se convencer de que o erro estava em sua mãe, e não em si, ou em Branca de Neve, ou qualquer outra pessoa que cruzara seu caminho, no passado? Como se convencer de que precisava, mais uma vez, se virar contra a mãe, porque havia um conflito de interesses?
Ambas as mulheres se deitaram e se acomodaram; Regina, de costas para Emma. Quando esta fez menção de envolver aquela pela cintura, a morena se afastou, dizendo, friamente: "Não sou seu ursinho de pelúcia, Srta. Swan."
Foi a vez de Emma fechar os olhos a fim de ocultar sua vulnerabilidade. "Por que está fazendo isso?" perguntou; sua voz soava tão fraca, que Regina mal pôde ouvi-la.
"Perdão? O que eu estou fazendo? É você quem está passando dos limites," exclamou a morena, incrédula, virando-se para encarar Emma. Com o movimento, as duas pararam muito próximas, outra vez, e a ardente sensação de desejo se sobrepôs sobre ambas.
Emma apenas encarou Regina nos olhos, derrotada. Deveria saber que seria difícil. Conhecendo Regina, não podia esperar que a morena fosse simplesmente se entregar a Emma, não após tudo pelo qual haviam passado. A história delas era conturbada o suficiente para que Emma admitisse que levaria um tempo até Regina se sentir confortável. Mas Emma estava disposta a esperar e, além disso, estava disposta a lutar. Agora que descobrira o quanto amava Regina, o quanto precisava dela, estava longe de simplesmente deixá-la ir.
"Tudo bem," suspirou Emma. "Quando estiver pronta..."
"Pronta para quê, Srta. Swan?" demandou Regina, readquirindo seu tom imponente e gutural. A Rainha Má estava de volta em sua armadura.
Mas Emma já havia virado as costas para Regina. "Seria interessante se tivéssemos uns cobertores," ela disse, casualmente.
Regina bufou. "Já fiz o que podia, Srta. Swan, sugiro que não exija demais; caso contrário, é capaz de precisar encontrar um caminho de volta a Storybrooke sozinha."
Emma fechou os olhos com força, odiando-se por um minuto. Queria se desculpar, mas sabia que fazê-lo apenas estenderia o argumento, e ela realmente precisava dormir. Supunha que Regina também, sendo assim, poderia contar com que a briga fosse adiada até o dia seguinte.
Aliás, que aconteceria no dia seguinte?
* * * *
A negritude do céu se dissipava gradativamente, sendo substituída por um azul leve e calmo, cheio de novas esperanças.
A Rainha de Copas seguia em direção à floresta atrás de seu Castelo, onde havia conjurado uma enorme cela apenas horas mais cedo.
Assim que Regina aterrissara em Wonderland, Cora a observara através do espelho. Sabia que Regina apareceria, mais cedo o mais tarde — embora "mais tarde" fosse uma atenuação. Demorara vinte e oito anos para finalmente vir.
Mas não viera sozinha, percebera Cora, logo quando, a seu lado, despencou uma loira a qual nunca havia visto antes. Junto com as mulheres, viera, também, um Wraith.
Quando o Wraith estivera prestes a atacar Regina, Cora intervira, lançando um feitiço que capturara a fera e a transportara direto para a Floresta dos Corações. Aprisionara a criatura com magia, e transportara Regina e sua amiga misteriosa para a casa do Coelho Branco.
Entretanto, depois de haver sido traída por Regina mais uma vez, a mágoa e tristeza de Cora haviam sido substituídas por uma raiva inexplicável.
Cora encontrava-se parada em frente à cela, onde o Wraith descansava. Considerava, em sua mente, se devia soltá-lo ou não. Fazê-lo significaria que Regina não teria uma chance de sobrevivência; não fazê-lo significaria perdê-la de novo, entretanto, dessa vez, para a loira chamada Emma. Cora sabia que havia algo acontecendo entre as duas; o modo como Regina se dirigia à loira, o modo como ambas precisavam se aproximar durante as brigas, o modo como precisavam se tocar e, principalmente, o modo como Regina havia salvado Emma de suas mãos entregava o jogo.
Bem, pensou Cora. Se ela não podia ter Regina, então ninguém mais teria. Esticando as mãos no ar, Cora quebrou o feitiço que mantinha o Wraith preso na cela. Em menos de dois segundos, a criatura entortou as barras e voou em céu aberto, em direção Norte, enquanto a Rainha caminhava, em conflito consigo mesma, de volta a seu Castelo.
* * * *
"Regina," disse uma voz fininha, quase que infantil, bem perto de seu ouvido. A morena não respondeu. "Regina!" disse a voz, dessa vez, mais firmemente, e Regina abriu os olhos.
Captarou a visão de um campo de girassóis, onde os raios solares brilhavam com tanta vivacidade, que ofuscavam a visão de Regina, outrora acostumada ao breu noturno. O céu estava cheio de nuvens brancas, e algumas meio amareladas. Regina olhou para seu próprio corpo e percebeu que usava um vestido branco de renda, comprido até os pés. Franziu a testa. Como isso havia acontecido? A última coisa da qual se lembrava era estar deitada ao lado da Srta. Swan, e de repente...
"Regina!" mais uma vez, a voz aguda se fez presente.
Dessa vez, Regina a ouviu claramente, e algo em seu peito se inquietou. Conhecia aquela voz. Ouvira–a anos antes. Vinte e oito anos atrás, precisamente. Mas não podia ser!
O som de asas batendo aumentou à medida que a criatura se aproximou do rosto de Regina. Era uma criaturinha minúscula, podendo ser facilmente confundida com um inseto, a não ser pelo fato de que usava um vestido rosa-bebê e carregava uma varinha de condão.
"Como?" foi tudo que Regina conseguiu perguntar.
Os olhinhos da fada se estreitaram quando ela abriu um sorriso avassalador, que esvaneceu o choque que havia tomado conta da morena.
"Vá embora," ordenou Regina, quando finalmente conseguiu recuperar o fôlego. "Imediatamente. Não se atreva a ficar."
A testa da criaturinha se enrugou em ofensa e seus bracinhos se cruzaram, dando-lhe um quê ainda mais infantil. "Teimosa como sempre," repreendeu a Fada.
"Inoportuna como sempre," retrucou Regina, cruzando, igualmente, os braços. "Por que me trouxe aqui?"
No mesmo momento em que as palavras escaparam de seus lábios, Regina se arrependeu de tê-las pronunciado. Já sabia a resposta, mas não queria ouvi-la. Principalmente da Rainha Mab.
Antes mesmo que Mab pudesse responder, Regina repetiu: "Vá embora!"
"Não antes de completar minha missão," retrucou a Fada. "Não viajei entre dimensões e mais dimensões para ser enxotada pela Rainha Má. Título engraçado, a propósito. Continuam lhe chamando assim?"
"E que missão seria essa?" rosnou Regina. "De que importa como estão me chamando?"
A Fada pairou no nariz de Regina, ofegante, a fim de descansar suas asas. Os olhos de Regina foram atraídos em sua direção, fazendo-a ficar vesga por alguns segundos, até que sua mão, instintivamente, coçou seu nariz, fazendo com que a Fadinha escorregasse e caísse alguns centímetros no ar.
Batendo as asas novamente, a Fada voou até ficar no nível dos olhos de Regina.
"Importa porque eu sei que o título não lhe faz justiça," disse Mab, ofegante.
Regina apertou os lábios e estendeu uma de suas mãos no ar, sinalizando, com a cabeça, para que a Fada pousasse nela.
"Obrigada," disse a Fada, sentando na palma da mão de Regina. "Wonderland, hein?"
Regina piscou em resposta.
"Branca e Encantado pensam que estão na Terra Encantada," disse a Fada.
A expressão de Regina endureceu. "Aqueles dois idiotas a mandaram aqui?"
"Pode-se dizer que sim... De certo modo..." disse a Fada, inclinando a cabeça para o lado. "Na verdade, eles queriam mandar uma mensagem para Emma, mas tinham medo que ela não fosse acreditar, caso a entregasse através dos sonhos. Então vim até você por conta própria, porque sei que vai me ouvir. Aliás, preciso dizer que estou surpresa. Não imaginava que se sentisse assim por ela. Pelo que Branca andou me contando, pensei que a odiasse."
"Não tenho a menor idéia do que está falando," disse Regina, friamente. Apertava tanto seus lábios, que estes haviam se transformado em uma fina linha.
"É claro que sabe," disse Mab, dando uma risada. "Só não vai admitir tão cedo, se bem a conheço... Não pense que me esqueci de como se portou quando lhe levei a mensagem do cavalariço. E, ainda assim, o que sentia por ele, na época, nem se compara—"
"Cale a boca!" trovejou Regina. "Você não tem o menor direito de falar de Daniel. Você é responsável por todas as ilusões que criei com ele. Se não fosse por você, eu jamais teria me envolvido com ele. Amava-o, sim, mas entendia meu lugar."
"Não é a mim que você deve culpar, Gina," disse a Fada, dando de ombros. "Se quer seguir essa linha de raciocínio, culpe a Daniel. Foi ele que me mandou até você."
Os olhos de Regina se encheram de lágrimas à menção de seu antigo amor. "Seria inevitável, de qualquer modo," murmurou Regina, assentindo, derrotada.
A Fada abriu um grande sorriso. "Aceito seu pedido de desculpas."
"Mas eu não—" começou Regina.
"Sei que é o melhor que pode fazer, então..." disse a Fada, sorridente. "Agora, vamos ao que interessa..."
"E o que seria isso?" perguntou Regina, com a voz ainda embargada.
"Branca de Neve diz que, em Storybrooke, há uma fonte de magia muito rara, criada por Gold, que pode ser capaz de transportar você e Emma de volta."
"Uma fonte de magia muito rara, criada por Gold? Não, obrigada. Passo," sibilou Regina, com desprezo.
A Fada bufou.
"É uma fonte de magia confiável, Gina," insistiu a Fada.
"Não me chame assim," disse Regina, entredentes. As lembranças que o apelido a despertavam eram quase insuportáveis. Era quase como se a presença da Fada houvesse, de repente, despertado a memória daquela quem costumava ser, em sua juventude, quando Daniel ainda estava vivo.
"Não posso acreditar que prefira Rainha Má?" disse a Fada, incrédula.
"É isso que eu sou," lamentou-se Regina. "Posso muito bem ser chamada assim."
A Fada sacudiu a cabeça, negativamente. "Não, Gina. É isso que lhe fizeram acreditar ser. Mas isso não é você de verdade. Se você apenas se permitir..."
"Permitir?" trovejou Regina. "Permitir o quê? Que Cora arranque o coração de quem eu amo diante de meus olhos, mais uma vez? Não, muito obrigada."
Mas os olhinhos da Fada se iluminaram às palavras de Regina. Sorria abertamente para a morena.
"Que foi?" perguntou Regina, desconfiada.
"Você a ama!" exclamou a Fada, alegremente.
"Eu não disse—" começou Regina, mas se calou de repente, sentindo o sangue lhe fugir do rosto, ao compreender o significado das palavras que lhe haviam escapado segundos atrás.
"Foi exatamente o que você disse," riu a Fada, levantando-se e começando a dançar alegremente na palma da mão de Regina.
"Mas eu não a amo," disse Regina, a dor em sua voz fazendo com que a Fadinha parasse de dançar, e que seu sorriso fosse substituído por uma expressão de preocupação. "A Rainha Má não é capaz de amar, lembra? Vou acabar destruindo–a."
A dor que ameaçava transbordar dos olhos de Regina se estendeu, também, à Fadinha. "Gina," ela disse, afável. "Você sabe que não é bem assim..."
"É claro que é," respondeu Regina. "Olhe só o que fiz com Henry, durante todo esse tempo. Ele a amava; tudo que queria era Emma por perto, e tudo que eu fiz foi tentar afastá-la... Eu o trancafiei sob meu poder. Fiz exatamente o que minha mãe fez comigo."
"O fato de que você se arrepende já evidencia no que difere de Cora," disse a Fada, voltando a se sentar, e dando um tapinha amigável na mão de Regina.
"No quê?" perguntou Regina, desolada, sem acreditar nas palavras da Fada.
"Em sua capacidade de amar."
"Cora me amava," disse Regina. "Mesmo depois de tudo que ela fez, eu sei que ela me amava. Era minha mãe, afinal de contas. Entendi isso quando adotei Henry."
A Fada sorriu. "Você ama Henry."
"Sim..." disse Regina, e as lágrimas começaram a escorrer livremente por seu rosto.
"Então como pode dizer que a Rainha Má não é capaz de amar?" perguntou a Fada, com uma expressão condescendente.
"Eu..." começou Regina, mas nenhuma palavra lhe ocorreu.
"Isso mesmo," disse a Fada. "Você tanto pode quanto ama. E você ama a Srta. Swan."
"Não," grunhiu Regina, sacudindo a cabeça, com força. "Não posso."
"Não pode amar, ou não pode admitir que a ama?" retrucou a Fada.
"Por que está fazendo isso, Mab?" perguntou Regina.
"Porque eu amo você. Há vinte e oito anos atrás, éramos melhores amigas. Éramos quase irmãs. Lembro-me de quando eu ia visitá-la, todas as noites, contando-lhe minhas aventuras... Então, conversávamos sobre o cavalariço. Lembro que se portava do mesmo jeito: teimosa, obtusa... Mas eu consegui quebrar seu escudo, Regina, e você devia me agradecer por isso."
"Agradecer por ter me feito sofrer a perda de Daniel? O amor é uma vulnerabilidade," sibilou Regina.
"Engraçado que diga isso," comentou a Fada, casualmente. "Anos atrás, a princesa Regina dizia que o amor era mágico; criava felicidade."
"A princesa Regina era teimosa e obtusa, e havia sido influenciada pela Fada dos Sonhos," retrucou Regina.
"Ai, como você é difícil, Regina!" exclamou a Fadinha, sacudindo a cabeça em desaprovação. "O amor é algo tão simples, tão mágico. Se você apenas se permitisse, enxergaria isso."
"Como se atreve a dizer tal coisa?" perguntou Regina, incrédula. "Foi o amor que me transformou no que eu sou hoje."
"Não, Regina," disse a Fada, firmemente. "Foi a falta dele."
Regina abriu a boca para argumentar, mas fechou-a logo em seguida quando a veracidade das palavras da Fada despencou sobre si.
"De um jeito ou de outro," disse Regina. "É tarde demais para mim. Veja só todo o caminho que já percorri... Não há volta da escuridão."
"Ela é a sua luz," disse a Fada.
"Ela vai me destruir," disse Regina. "Não," consertou–se. "Eu vou destruí-la, e não posso permitir que isso aconteça."
A Fada sorriu alegremente mais uma vez. "Você a ama. Admita, Regina. Vamos, não é tão difícil assim."
Regina revirou os olhos. "Você diz que eu sou teimosa, quando, na verdade, o adjetivo melhor se aplica a você."
"Eu não sou teimosa," disse a Fada, cruzando os braços.
Uma risada divertida escapou dos lábios da morena, surpreendendo-a em meio a toda sua dor.
"Certo," disse Regina, sorrindo. De repente, todo o carinho que sentia pela Fada veio à tona, e um forte sentimento de nostalgia a possuiu por inteiro, misturando-se à dor.
"Diga-me uma coisa," pediu a Fada. "Você tinha medo de perder Henry..."
"Ainda tenho," admitiu Regina.
"E quanto a Emma? Você diz que ficava tentando afastá-la, quando, na realidade, parece-me que também tinha medo de perdê-la, por isso toda essa brincadeira de gato e rato."
Regina franziu a testa. A sensação de ternura despertada por Mab rapidamente se esvaiu, dando lugar à raiva. "Mab," rosnou Regina, mas a Fada apenas deu gargalhadas.
"Sua raiva me confirma que estou certa," disse Mab.
"Eu odeio você!" gritou Regina, de modo infantil.
"Não odeia, não," disse Mab, ainda sorrindo. "Você me ama, Rainha Má."
Regina soluçou.
"Eu também amo você," disse Mab, e o rosto de Regina se contorceu em linhas de dor.
"Você ama a Rainha Má?" perguntou a morena, com a voz embargada. "É estupidez."
"Talvez," admitiu a Fada. "Mas amar Gina é inevitável."
"Gina se foi," murmurou. "Há muito tempo."
"Não," disse a Fada, firmemente. "Ela sempre esteve aí; só precisava ser encontrada. Algo me diz que foi Emma quem a encontrou. Não deixe que ela se perca novamente..." suplicou a Fada, encarando Regina nos olhos intensamente; a fagulha de esperança ali brilhando lhe confirmava que parte de sua missão havia sido cumprida.
"Agora preciso ir," exclamou Mab, voltando a bater as asas. "Tenho outra mente obtusa para visitar. Aliás... Você pode querer ver sua reação, quando despertar. Algo me diz que será impagável," ela sussurrou, travessa, em confidência.
Regina deixou escapar outra risada. Mab voou até a altura do rosto de Regina e depositou um beijo na ponta de seu nariz. Então, voou até a carruagem, que pairava em uma nuvem próxima.
"M-Mab..." chamou Regina, incerta.
A Rainha das Fadas se virou e, ao encarar Regina, seu rosto se iluminou ao identificar o sentimento estampado em seu olhar.
"Não se preocupe," disse Mab. "Você voltará a me ver. Virei visitá-la quantas vezes forem necessárias, até que cumpra minha missão, quer você goste, ou não," ela disse, frisando a última frase. No fundo, ambas sabiam que Regina ia gostar.
Quando a morena fez menção de falar alguma coisa, Mab a interrompeu, dizendo, sorridente: "Também vou sentir sua falta, Gina."
Regina franziu a testa e, novamente, abriu a boca, fazendo menção de falar. De novo, Mab a interrompeu: "Não se preocupe," ela disse, revirando os olhos. "Não contarei à Srta. Swan que você a ama. Mas você contará..." Regina revirou os olhos igualmente. "Muito em breve. E não discuta comigo," exclamou a Fada, quando Regina abriu a boca outra vez.
Regina sorriu, o sentimento de ternura voltando a envolvê-la por completo, e iluminando seus traços.
Acenando em despedida, Mab entrou e sua carruagem feita de pérola e, com um estalido de sua língua, fez com que os quatro insetos começassem a voar, puxando o veículo. No momento seguinte, os olhos de Regina se abriram para o teto da barraca roxa, e ela suspirou, em agonia.
* * * *
Emma Swan abriu os olhos para um campo completamente preenchido por por girassóis. Os raios de luz que o invadiam eram tão intensos, que pareciam penetrar sua alma. Franzindo a testa, ela olhou ao redor, procurando algum sinal que pudesse indicar onde estava.
"Hey," ela ouviu uma voz baixa dizer. Soava longe, e era bem aguda. Emma olhou ao redor, buscando sua fonte, mas nada conseguiu enxergar.
Foi aí que um inseto, de repente, pairou na ponta de seu nariz. Emma o coçou, instintivamente, espantando o bicho.
"Hey, cuidado!" ela ouviu a voz fina gritar. Seus olhos se fixaram no inseto e seu coração pareceu dar uma cambalhota quando ela percebeu que não era bem um inseto: era uma criança. Uma criança impossivelmente minúscula. Do tamanho de um inseto. Tinha cabelos ruivos cacheados, que caíam por suas costas; usava um vestido rosa-bebê e carregava — imagine isso — uma varinha de condão. Emma percebeu, também, numa segunda olhada, que a criatura possuía asas, e estas batiam freneticamente de modo a mantê-la no ar.
"Que... Que coisa é você? Onde estou? O que aconteceu? Onde está Regina? O que fez com ela?" bombardeou Emma.
A criatura à sua frente abriu um grande sorriso, que quase fez com que seus olhinhos sumissem, de tanto que estes se estreitaram. "Você a ama."
Emma ofegou. Não fora uma pergunta, ela reparou. A criatura apenas afirmara um fato. Deveria ela confirmar?, pensou. Poderia confiar na criatura? Deveria admitir seus sentimentos em voz alta? Seria a primeira vez que o faria, e não poderia ser mais assustador.
"Sim!" exclamou a criatura. "Posso ver em seus olhos — belos olhos, a propósito. Por isso vou perdoar sua falta de sensibilidade e dizer que não sou uma coisa. Sou uma Fada. A Rainha delas."
Os olhos de Emma se arregalaram em surpresa. Sabia que fadas existiam, é claro; havia descoberto através de Henry. O problema era que nunca antes havia visto uma em sua forma mágica. A Fada Azul, por exemplo, lá em Storybrooke, estava aprisionada em sua forma humana, e era assim que Emma a conhecia. Então, você vê, por este motivo, Emma Swan ficou completamente aturdida ao encontrar, pela primeira vez, com uma Fada em suas asas. Era tão minúscula!, pensou. Era tão... Estranha.
"Rainha?" perguntou Emma, incrédula, erguendo uma sobrancelha. "Você não é muito nova para ser uma rainha?"
A Fada cruzou os braços e franziu a testa, ofendida. Se havia algo que lhe dava nos nervos, era quando alguém questionava sua capacidade de governar. "Tenho 2500 anos," ela disse.
O queixo de Emma caiu e seus olhos se arregalaram de tal forma, que a Fada soltou uma gargalhada involuntária.
"Dois mil e quanto?" engasgou Emma.
"E quinhentos," disse a Fada, sorrindo, travessa. "Surpresa?"
"Mas... Mas você é uma criança!" argumentou Emma, esticando os braços no ar, com veemência.
Mab voltou a franzir a testa e a cruzar os braços. Quando falou, seu tom soou completamente infantil e birrento: "Considerando o fato de que eu sou pelo menos uns 2000 anos mais velha que você, eu diria que a criança aqui é você. Aliás, criança é um eufemismo. Você é um bebê."
Emma franziu a testa em incredulidade. Examinou a criatura que claramente apresentava dificuldade em voar, visto que constantemente ela caía uns dois centímetros no ar, e depois, batia as asas com mais força, a fim de voltar a ficar no nível dos olhos de Emma. "Se você é tão velha assim," disse Emma, em tom sardônico. "Por que não consegue se manter no ar por mais de dois segundos?"
O minúsculo rosto da criatura se contorceu em uma expressão de raiva. "Sua mãe tinha razão, quando disse que você era obtusa."
"Mary Margaret disse o quê?" perguntou Emma, na defensiva. "Espere," ela disse, de repente, se dando conta. "Você conhece minha mãe? Quem é você?"
"Conheci há pouco tempo," disse a Fada, dando de ombros. "Posso dizer que melhor conheço Regina. Eu era sua melhor amiga, há alguns anos."
Emma deu uma risada debochada. A idéia daquela Fada minúscula ser a melhor amiga de Regina — não, a idéia de Regina ter uma melhor amiga, acima de tudo, era inacreditável.
"Você era amiga de Regina?" perguntou Emma, em tom de deboche.
"Melhor amiga," repetiu a Fada, evidenciando o advérbio.
"Custo a acreditar," murmurou Emma, erguendo uma sobrancelha.
"Acredite no que quiser," retrucou a Fada. "Mas preciso que saiba," ela continuou, adquirindo, de repente, um tom grave. "Nem sempre Regina foi assim."
"Assim como?" perguntou Emma, franzindo a testa.
"Nem sempre ela foi a Rainha Má, sabe," disse a Fada. Emma pôde perceber a dor estampada nas linhas de seu rosto juvenil. "Algum dia, ela foi Regina, uma doce princesa que encantava todos a seu redor."
Dessa vez, Emma ergueu as duas sobrancelhas, em surpresa. "Regina o quê?" perguntou, dando risadas incrédulas.
A verdade era que, no fundo, Emma sabia que Regina não poderia ter sido sempre "má", como a chamava. Devia ter havido algum momento, em sua vida, no qual ela fora simplesmente "Regina", mas daí a dizer que "simplesmente Regina" era doce e amável... Não. Isso era muita informação para pobre Emma.
"Sabe," disse a Fada. "Deixe para lá. Não é minha história par contar. Mas você devia perguntar a ela sobre seu passado... O que fez com que ela se tornasse a Rainha Má, sabe... Mas, cuidado! Pode ser que não goste da resposta."
Emma estreitou os olhos, em desconfiança. "Quem é você e por que está aqui?"
A Fada suspirou, em derrota. "Já lhe disse, embora tenha dificuldade em acreditar. Sou a Rainha das Fadas. Sou uma Fada dos Sonhos; visito as pessoas em seus sonhos a fim de mandá-las alguma mensagem. Normalmente atuo com pessoas apaixonadas, mas não foi com esse propósito que sua mãe me mandou aqui... Embora," continuou a Fada, com um sorrisinho travesso. "Eu não esteja tão longe assim da minha rotina. Você ama Regina."
Emma suspirou, derrotada. Então, assentiu lentamente.
A Fada deu uma gargalhada gostosa. No momento seguinte, ela escorregou no ar até a altura do peito de Emma, e bateu as asas com mais força, sentando sobre o ombro da loira, que a encarou de cima.
"Será que podia ser gentil o suficiente para me estender a mão?" perguntou a Fada, exaltada.
"Como é?" perguntou Emma, confusa. A Fada revirou os olhos.
"Para que eu me sente," disse a Fada, como quem explica o óbvio.
Incerta, Emma estendeu a mão no ar e, dando uma boa olhada em sua palma, colocou-a perto de seu ombro. A Fada pairou sobre ela, agradecida, e se sentou, de pernas cruzadas. Emma viu que a criatura vestia meias listradas de rosa-bebê e branco. Emma deu um sorriso involuntário. Quando criança, adorava se fantasiar de fada para o Halloween, e sua peça de roupa preferida era sempre a meia listrada.
"Então," disse a Fada. "Vamos ao que interessa. Sua mãe pensa que você está trancada na Terra Encantada, com Regina e o Sugador de Almas. Gold a entregou um feijão mágico que a transportaria por entre dimensões, de modo a levá-la até a Terra Encantada, mas Branca preferiu salvar a fonte de magia para ajudá-la em sua volta. Aliás... Por que não retornaram ainda?"
"Regina..." disse Emma, mas se interrompeu. Ainda não sabia quem era a criatura, de onde viera, e se podia confiar nela. Tinha apenas sua palavra, e Emma sabia melhor do que confiar em estranhos. Entretanto, havia algo de tranqüilizador no modo como a Fada se dirigia a ela. "Regina é quem sabe," disse a loira.
"Certo," respondeu a Fada. "Bem, avisarei à sua mãe que estão em Wonderland, e não na Terra Encantada."
"Certo," ela disse. "Mary Margaret sabe o que significa esse lugar?"
"Imagino que sim," ela disse, refletindo. "Imagino que tenha descoberto, afinal, ela conviveu com Regina por muito tempo... Em algum momento ou outro, deve ter perguntado onde a mãe de Regina estava..."
Regina arregalou os olhos. "A mãe de Regina?"
A Fada franziu a testa. "Céus! Regina não lhe contou nada, não é mesmo?" ela disse, suspirando, decepcionada. "Bem, deixarei que ela se encarregue disso."
"Espere... Regina tentou matar minha mãe," disse Emma, subitamente se lembrando do fato. Algo em seu peito se contorceu dolorosamente quando ela percebeu a ironia despencar sobre si: havia se apaixonado pela mulher que lançara a maldição do sono sobre sua mãe.
"Não é como se Regina não tivesse seus motivos," disse a Fada, na defensiva. "Entendo que nada justifica seu comportamento, mas... Não a julgue sem antes conhecer sua história."
"Ela tentou matar Branca de Neve porque esta era mais bonita," disse Emma, lágrimas fazendo-se presentes no canto de seus olhos.
"Pelo que você viu de Regina," disse a Fada, encarando Emma intensamente nos olhos. "Você acredita mesmo que ela seria vã o suficiente para matar alguém por ser mais bela?"
Emma refletiu por alguns momentos. De fato, toda vez que encarava Regina nos olhos, ela era capaz de ver toda a dor, mascarada pelo escudo de maldade que a envolvia. Emma era capaz de ver através de sua máscara e, no fundo, ela sabia que o que fazia Regina infeliz não era o simples fato de ela achar que Branca de Neve era mais bonita — o que, de fato, não era, pensou Emma. "Tem mais dessa história do que está escrito no livro, não tem?"
A Fada assentiu lentamente, a dor em seus olhos, evidente.
"Que minha mãe fez?" perguntou Emma, sentindo seu estômago se revirar.
"Novamente, esta não é minha história para contar. Terá de falar com Regina."
Emma assentiu, sentindo o nó em sua garganta se apertar.
"Emma," disse a Fada, com urgência. "Você é a luz em meio à escuridão. Algum dia, Regina também foi luz. Você é a Salvadora; foi você quem trouxe todos os finais felizes de volta. Quem sabe também salvará a Rainha Má de um destino cruel?" ela fez uma pausa, mordendo o lábio inferior a fim de controlar o tremor que tomava conta de sua voz. "Apenas não desista dela. Regina é teimosa; vai colocar mil obstáculos em seu caminho, vai ser cruel, vai tentar machucá-la o suficiente de modo a fazê-la ir embora, vai tentar se fechar novamente... Cabe a você não permitir. Regina, uma vez, disse que o amor verdadeiro é algo mágico; ele cria felicidade... Você o tem. Não deixe que ele escape de suas mãos. Lembre Regina de quem ela uma vez foi, quando disse essa frase..."
"Regina disse mesmo isso?" perguntou Emma, mais lágrimas turvando sua visão.
"Há muitos anos atrás. Você não era nem nascida. Entende o que quero dizer?" perguntou a Fada, encarando Emma sugestivamente.
Emma sacudiu a cabeça negativamente.
"Não a julgue somente pelo que é hoje," disse a Fada, simplesmente.
"Eu sei que ela é mais do que os olhos podem ver. Mas até que ponto, eu não sei," confessou Emma. Percebeu, então, que tinha medo. Medo de talvez esperar demais de Regina, e acabar sendo decepcionada.
"Cabe a você descobrir," disse Mab. "Agora, preciso ir. Foi um prazer conhecê-la."
Emma assentiu. Mab bateu as asas e voou em direção à carruagem, mas não sem antes jogar, na direção de Emma, um pó rosa brilhoso. "Aproveite isso," ela disse, dando gargalhadas, e o ambiente em volta de Emma começou a se dissolver, envolvendo-a na escuridão.
* * * *
Os dedos de Regina se moviam em ritmo estável em meio a suas pernas; a respiração de Emma se perdia em meio caminho aos pulmões. A sensação provocada pelo corpo de Regina roçando contra o seu era intensa o suficiente para fazer com que a loira esquecesse seu próprio nome.
"Reginaaaaaaaaaa," ela gritou, em êxtase, quando a morena posicionou seu polegar sobre o clitóris de Emma, fazendo círculos sobre ele, à medida em que a penetrava.
O cheiro de Regina era intoxicante; enuvescia sua mente de tal modo, que tudo o que Emma conseguia pensar era em maçãs.
Regina desceu beijos pelo pescoço de Emma, dando chupões e mordidas, que arrancavam gemidos da loira extasiada. Emma não conseguia controlar o volume de seus gemidos; Regina era boa no que fazia — melhor, inclusive, do que todas as outras pessoas com as quais Emma havia se relacionado.
Emma começou a mexer os quadris contra os dedos de Regina, rebolando ali, gemendo ainda mais alto. Foi quando Regina sussurrou em seu ouvido: "Goze para mim," que Emma perdeu o controle de vez. Seu corpo se contorceu em prazer, e uma corrente elétrica se difundiu por todo seu corpo, fazendo com que ela se perguntasse se havia chegado ao paraíso.
"Reginaaaaaaaaaa," Emma gritou novamente, em êxtase, quando o líquido quente escorreu por entre suas pernas, e respirou, aliviada, quando o ritmo frenético de seu coração começou a diminuir.
Regina voltou a beijar os lábios de Emma, mordiscando o inferior de modo sensual. Quando ambas se separaram, a morena a encarou profundamente nos olhos, esboçando um sorriso genuíno demais para ser real...
Genuíno demais... Para ser real...
Emma Swan abriu os olhos, e se deparou com o teto da barraca roxa.
* * * *
O peito de Emma subia e descia em ritmo tranqüilo; Regina observava o movimento quase que hipnotizada. Através de olhos semi-cerrados, a morena contemplava a batalha interminável que acontecia dentro dela, naquele mesmo instante: coração contra cérebro — o confronto que nunca admite empate. Regina era bombardeada a todo segundo por sentimentos e emoções, pensamentos e idéias, que se embaralhavam quando quer que ela tentasse analisá-los. De sua mente, se apoderava um vórtex sem fim de imagens e memórias distorcidas, uma sobrepondo-se à outra, trazendo consigo diferentes significados a cada segundo. Vozes sem corpo sussurravam antigas frases ao pé de seu ouvido, tais como: "O amor é uma fraqueza," e "O amor é sedutor, mas o poder é muito mais,"; e então: "O amor verdadeiro é mágico; cria felicidade.
Alguns minutos já haviam se passado, desde que Regina despertara de seu sonho com Mab. Agora, sabia que a Fada deveria estar visitando a loira à sua frente. Entretanto, o que conversavam estava além da capacidade de imaginação de Regina.
De repente, Regina ouviu a voz de Emma. Não falara nada, apenas... Emitira um som. Um som de aprovação. Outro desses seguiu o primeiro, dessa vez, mais intenso, e os olhos de Regina se arregalaram.
"MAB!" rosnou Regina, em seu pensamento. "Já deveria saber que faria isso!"
Um tom rosado tomou conta das bochechas de Regina quando ouviu a loira gemer um pouco mais alto, e começar a se contorcer na cama.
"Merda!" pensou Regina, sentindo todo seu corpo se esquentar, e algo no meio de suas pernas começar a latejar. "Merda, merda, merda! Mil vezes merda!
O rubor nas bochechas de Regina se intensificava à medida que os gemidos da loira aumentavam o volume e a freqüência. Regina mordeu o lábio inferior, a fim de evitar emitir qualquer som.
"Reginaaaaaaaaaa," ela ouviu a loira gritar, em êxtase, e seu coração se acelerou. O que quer que estivesse fazendo, nos sonhos da loira, estava funcionando.
Regina escondeu o rosto no travesseiro, prendendo a respiração. Precisava se livrar daquela sensação. Precisava sair daquela barraca imediatamente.
"Ahhhhh! Ahhhhh, Reginaaaaaaa!" Emma continuava a gemer, cada vez mais alto.
Arrepios tomaram conta de Regina. Então, rapidamente, ela se levantou, abriu o zíper da barraca e saiu a campo aberto. Uma rápida olhada para o céu fez com que uma expressão de surpresa escapasse de seus lábios: a figura do Wraith se aproximava da barraca, mas era barrada pelo feitiço protetor conjurado por Regina.
Embora soubesse não haver perigo enquanto o feitiço fosse vigente, Regina retornou, cambaleando, à barraca. Embora odiasse admitir, sentia-se mais segura com Emma por perto. Das últimas vezes, fora ela quem a salvara do Wraith.
A mornena tropeçou em algo sólido e caiu de bunda no chão. Olhando para o lado, percebeu que Emma Swan havia despertado de seu sonho erótico, e encontrava-se sentada, encarando-a com uma expressão atônita. Seus cabelos loiros estavam desgrenhados, sua pele, suada, e seu peito arfava com dificuldade. Emma Swan havia tido um orgasmo.
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