Lost In Paradise

21 No Other Love


Notas iniciais
N/A: Gente, preciso pedir mil desculpas pela demora! Precisei viajar de última hora pra resolver algumas coisas, daí quando voltei, tive mais coisas pra resolver (daora a vida!), mas agora, prometo compensar vocês pela longa espera... Ou não, porque a partir de agora, o drama fica maior. Estamos chegando no clímax da história, e sinto que muitos de vocês vão me odiar por isso, BUT FRET NOT!!! Lembrem-se do final feliz que eu prometi. Ah, e se alguém já tá enjoando da história, sinto informar que ainda temos um número considerável de capítulos pela frente...
N/A (2): Reformulei a 'Remember Me', quem quiser acompanhar a nova versão: http://www.fanfiction.net/s/9003076/1/Remember-Me Ainda não sei se vou traduzi-la, alguém tem interesse em ler essa fic em português? :D
N/A (3): Espero que gostem tanto desse capítulo quanto eu gostei de escrever. Tive uma pequena crise de fangirlisse enquanto o fazia, o que deve significar algo... hahaha
N/A (4): Pra cena de sexo entre Emma&Regina, sugiro MUITO que escutem essa música: http://www.youtube.com/watch?v=ArkWG3EnbFw

CAPÍTULO VINTE — NENHUM OUTRO AMOR

Emma sorriu genuinamente e o vislumbre aqueceu o peito de Regina. Postou seu corpo sobre o da morena de modo delicado, pressionando-o sutilmente.

Regina sentiu como se tudo a seu redor se dissolvesse; tudo, de repente, parecia efêmero, quando comparado ao sentimento que tanto comprimia seu peito. Sua respiração se perdeu em meio caminho aos pulmões ao perceber-se completamente perdida naquelas íris esmeralda. Emma era, de fato, a luz capaz de iluminar todo seu caminho trilhado na escuridão. Algo naqueles olhos despertava-lhe uma intensa sensação de esperança, a qual ela mal podia reconhecer, visto que poucas vezes a sentira em sua vida.

Quando Emma estendeu a mão para afastar uma mecha de cabelo que caía pelos olhos de Regina, duas lágrimas escorreram pelo rosto desta, aquecendo-lhe as bochechas e fazendo com que um gosto docemente amargo se espalhasse por sua garganta.

Emma aproximou seu rosto do de Regina, roçando seus lábios nos dela de modo provocador. Fechando os olhos, a morena permitiu-se deliciar com a magnífica sensação de calor e poder que se espalhava gradualmente por seu corpo.

Era verdade, pensou Regina. Naquele momento, estava mais claro que nunca. O amor era poder... E um tipo de poder inimaginavelmente sedutor. Era difícil conseguir escapar de suas garras, uma vez que se caísse em suas armadilhas. Mas não era como se Regina quisesse escapar — não mais. Naquele momento em que tinha Emma Swan completamente entregue a seus braços, tudo que queria era afogar-se em tal sentimento.

Emma desceu os lábios pelo pescoço de Regina, despertando-lhe arrepios; depois, por sua barriga, agora, de modo muito mais gentil e suave, permitindo-se deliciar com o gosto da amada. Era um gosto com o qual sempre sonhara, mas jamais imaginara poder senti-lo; agora que este dispunha-se a sua frente como um rico banquete aos famintos, Emma estava longe de conseguir se conter por muito mais tempo.

Com um pouco menos de delicadeza do que planejava, ela abriu as pernas da morena, passando as unhas de leve por suas coxas, até chegar perto do local desejado. Um suspiro entrecortado perpassou os lábios de Regina enquanto seu corpo se contorcia em antecipação.

Com uma última olhada intensa para Regina, que quase a fez sentir como se seu mundo girasse, Emma despertou-lhe arrepios inebriantes, suspiros enfatuados e melodias demasiadamente acaloradas. Assim, a morena se desfez aos braços da amada, lenta e graciosamente, como fazem as pétalas de uma flor com a chegada da primavera; como fazem as asas dos pássaros que, após um longo período de sono, espreguiçam-se viçosamente; como faz um coração apaixonado em resposta a outro. Assim fez Regina a Emma. Assim, uma aos braços da outra, fizeram a escuridão se esvair gradualmente, sendo respingada por pontos de luz, até que se extinguisse completamente.

* * * *

"Regina pediu que guardasse o feijão," disse a senhora; algo em sua expressão despertou a desconfiança de Branca de Neve. "Disse estar pronta para fazer um acordo que será de seu extremo interesse, quando retornar."

"Regina quer o feijão?" perguntou Branca, franzindo a testa. "Para quê? Onde poderia ela ir? Será que pretende fugir? Ou será que pretende retornar à Terra Encantada sem nós?"

"Garanto que seus planos são completamente diferentes," disse Mab.

"Diga-me quais são, e poderei pensar a respeito," disse Branca, cruzando os braços.

Mas Mab apenas sacudiu a cabeça, fechando os olhos cegos e permitindo que uma expressão de dor se apoderasse de seu rosto.

"Temo que seus propósitos sejam mais negros do que nunca," confessou Mab. "Mas não precisa se preocupar... A única pessoa a qual Regina quer machucar é Rumpelstiltskin."

"Rumpelstiltskin?" perguntou Encantado, incrédulo.

"Não me admira," disse Branca, sem despregar os olhos de Mab. "Ninguém tem uma relação estável com Gold."

"Pedi a Emma que tentasse conversar com ela," disse Mab. Como não podia enxergar a expressão irritada que se apoderava das meigas feições de Branca de Neve, continuou: "Emma é a única que pode salvá-la. Porém, se falhar, temo que nada mais será capaz de deter Regina, e aquela doce mulher que uma vez salvou sua vida estará perdida para sempre."

Branca de Neve respirou profundamente; uma porção de lembranças baralhadas invadiram sua mente, à medida que um misto de dor e mágoa espalhavam-se por seu peito. Por anos, Branca sonhara com uma reconciliação com a madrasta. Por anos, acreditara ser capaz de trazer de volta a velha Regina, aquela radiante mulher que sorrira para ela, que fora tão gentil e salvara sua vida... Entretanto, agora é revelado que a única pessoa capaz de salvar Regina era Emma... Sua filha... Embora a idéia ainda lhe parecesse inconcebível, sabia, no fundo, que não podia negar a Regina outro final feliz.

"Acha que Emma pode salvá-la?" perguntou Branca, com a voz Embargada, o que chamou a atenção de Encantado. Prontamente, ele se aproximou da amada, envolvendo-a num abraço.

"Só o tempo dirá," disse Mab, e a incerteza em sua voz apenas contribuiu para que o pânico no peito de Branca crescesse.

* * * *

O relinchar dos cavalos soava como uma melodia agourenta a seus ouvidos. O vento frio batia contra seu rosto, parecendo ameaçar rasgar-lhe a alma. Com todas as forças que lhe restavam, Regina lutava contra memórias ainda muito vívidas de seu passado, que insistiam em atacar-lhe a mente.

Ao abrir a porta do estábulo, Regina deparou-se com Balthazar, seu cavalo preferido, no passado, quando ainda era apenas uma adolescente... Quando Daniel ainda era vivo. A visão do animal foi o suficiente para fazer com que seu interior se contorcesse em agonia. Fechou os olhos, a fim de conter as lágrimas.

"Hey," ouviu Emma sussurrar atrás de si. "Está tudo bem?"

Regina queria gritar que não, não estava nada bem, e abraçar a loira até que ambas não pudessem mais respirar, até que se tornassem apenas uma, mas parte de si ainda resistia a demonstrar seus sentimentos — afinal, haviam sido anos e anos de prática a fim de escondê-los.

"Sim," respondeu Regina, embora sua voz soasse estrangulada. "Eu... Apenas preciso de um momento."

Emma permaneceu em silêncio, respeitando o momento de Regina, porém, observando-a de perto. Lembrou-se de quando esta dissera, logo após David—Encantado despertar do coma: "Não ter alguém... Bem... Essa é a pior maldição que se possa imaginar." Aquele fora o primeiro momento no qual ela percebera haver algo por trás daquele escudo de gelo da prefeita. A dor e a solidão estampadas naquela imensidão cor de chocolate foram cruciais para que ela não se permitisse acreditar na imagem de Prefeita Insensível, Rainha Má, Mãe Opressora criada por seu filho, no começo. Desde então, estivera por observá-la de longe, tentando encontrar o menor vislumbre de alguma humanidade que pudesse fazer-se presente em seus olhos. Com o tempo, tornara-se habilidosa em identificar as emoções ali presentes. Muitas vezes, quando Regina mostrava-se fria e sem sentimentos, Emma era capaz de enxergar por trás de sua máscara a raiva contida, a mágoa infinita e, muitas vezes, o desespero, a dor, a vontade de ser maior que tudo aquilo...

— "I've been watching you from a distance, but distance sees through your disguise. All I want from you is your hurting. I want to heal you. I want to save you from the dark." —

Um par de vezes, ela pôde jurar haver visto uma espécie de pedido estampada naqueles olhos. Era como se gritasse: ajude-me, mas o pedido nunca fora tão claro para ela como naquele momento. Naquele momento, Regina era o retrato exato de alguém que implorava por ser salvo. Naquele momento, tudo, de repente, fazia sentido. As dores de Regina tornaram-se suas dores também.

Que não daria para poder salvá-la daquele peso funesto? Faria qualquer coisa só para vê-la sorrir — sorrir como naquele sonho; sorrir genuinamente. Queria poder, de algum modo, arrancar toda aquela dor de Regina; preferia ela aturar todo o sofrimento, desde que a morena pudesse respirar mais uma vez.

— "Give unto me your trouble, I'll endure your suffering. Place unto me your burden, I'll drink your deadly poison." —

Contudo, não sabia ao certo como agir. Embora seu interior gritasse-lhe para que envolvesse a morena em seus braços e sussurrasse, de modo reconfortante, que tudo ficaria bem, Emma não tinha certeza se esta seria a melhor opção. Sabia, no entanto, precisar fazer algo. Odiava ver Regina sofrer. Doía mais do que se ela estivesse sofrendo por qualquer motivo.

— "Why should I care if they hurt you? Somehow it matters more to me than if I were hurting myself. Save you... I'll save you." —

"Gina," chamou docemente, e a morena abriu os olhos. "Que há de errado?"

"Nada," respondeu Regina entredentes; a amargura estava evidente em sua voz. "Estou bem," e quase pôde rir da ironia da palavra.

Mais alguns segundos de silêncio, até que Emma murmurou as palavras que fariam todas as paredes protetoras de Regina se desmoronarem. "Estou com você... Para o que for."

A vulnerabilidade nunca a atingira com tamanha força. "É só que..." começou Regina, com a voz embargada. Sentiu a mão de Emma entrelaçar-se com a sua. Apertou–a fortemente, evidenciando seu medo. "É a primeira vez que vejo meu cavalo desde que..."

"Desde que...?" estimulou Emma, mas era tarde demais; Regina já reerguia seus muros imaginários, trancando-se dentro de si própria, mantendo Emma longe.

"Não importa. Vamos nos mover," disse Regina, readquirindo a estabilidade em sua voz.

"Tudo bem," disse Emma, embora soasse um pouco decepcionada. "Não vou insistir."

Respirando fundo por uma última vez, Regina atravessou as portas do estábulo e puxou dois cavalos aleatórios para fora, evitando olhar na direção de Balthazar. Com um estalar de dedos, fez com que duas celas se postassem sobre os animais. Sem hesitar, montou um e gesticulou para que Emma fizesse o mesmo com o outro.

Emma hesitou, encarando o cavalo de longe por alguns segundos. Nunca antes montara um cavalo. É claro, tinha alguma idéia do que haveria de ser feito, mas o medo de algo ainda desconhecido a impedia de mover-se.

Regina franziu a testa ao observar Emma congelada em seu lugar. "Tem medo de cavalos, Srta. Swan?" perguntou, em tom divertido.

Emma ergueu o olhar para encontrar o da amada e sentiu como se seu coração desse duas cambalhotas seguidas. Regina via-se deslumbrante em seus trajes de "Rainha Má", montada em um cavalo. Sacudindo a cabeça para clarear sua mente, ela mentiu: "É claro que não tenho medo de cavalos!"

Uma risada parcialmente divertida e parcialmente gélida escapou dos lábios de Regina. "Certo," disse, sem dar credibilidade à loira.

"É sério," protestou Emma, cruzando os braços, mas ainda sem se mover em direção ao cavalo. "Não tenho medo de cavalos."

"Certo," repetiu Regina, erguendo uma sobrancelha. "Como preferir," e fez menção de agitar as rédeas do cavalo.

"Tudo bem, tudo bem!" exclamou Emma, em tom agudo. "Talvez eu tenha um pouquinho de medo de cavalos," admitiu à contragosto.

O sorriso de Regina apenas se alargou. "E, posso perguntar, como planejava montar um sozinha, quando a mandei aqui alguns dias atrás?"

Emma deu de ombros. "Imaginei que pudesse enfrentar o medo e montar mesmo assim..."

O sorriso de Regina diminuiu um pouco. "Isto é ótimo," ela disse e, de repente, sua voz soava contemplativa; seu olhar tornara-se vago e sua mente devaneava pelas linhas descontínuas de suas lembranças joviais. "Isto me lembra quando disse a uma garotinha, quem também tinha medo de cavalos, que o melhor jeito de vencer o medo era enfrentá-lo... Então, eu disse que ela voltasse a montar o cavalo o mais cedo possível..."

"Voltasse a montar?"

"Sim," respondeu Regina, suspirando. "Ela passou a ter medo de cavalos porque quase morreu em um. Eu salvei sua vida."

"Salvou?" perguntou Emma, a emoção evidente nas linhas de seu rosto.

Regina soltou uma risada amargurada. "Sei que é difícil me imaginar fazendo algo do tipo, mas nem sempre eu fui assim..." e um tom de melancolia tingiu seu discurso.

Emma permaneceu em silêncio, observando enquanto Regina respirava fundo, a fim de tentar controlar seus sentimentos.

"Por anos, me arrependi de ter salvado sua vida," devaneou. "Depois, até tentei matá-la várias vezes. Não sou nenhuma santa, Srta. Swan, tenho certeza de que sabe disso."

Emma assentiu, sentindo seu peito se contorcer em dor. "Eu também não sou nenhuma santa, Senhora Prefeita," argumentou.

Alguns segundos se silêncio se estenderam por entre as moças; Regina encontrava-se perdida em lembranças as quais Emma não podia ver. Esta, por sua vez, encontrava-se perdida em pensamentos: perguntava-se se a menina a qual Regina salvara poderia ser Branca de Neve. Pensou até em perguntar, mas daí lembrou que a lista de pessoas as quais Regina já tentara matar era muito vasta — e, a propósito, incluía ela.

"Bem," disse Regina, despertando Emma, também, de seus devaneios. "Vamos lá, suba no cavalo. Prometo não tentar matá-la no futuro," e embora um sorriso travesso estampasse seu rosto, Emma pôde identificar uma fagulha de culpa reluzindo no olhar de Regina. A loira permaneceu imóvel. "Ou..." disse Regina, abaixando o tom de voz e semi-cerrando os olhos de modo sedutor. "Se estiver com muito medo do cavalo... Você poderia montar este cavalo comigo."

Emma arregalou os olhos e sua expressão se assemelhou à de uma criança a quem é prometido um maravilhoso presente de natal. "Oh, você não tem nem idéia do pânico que eu tenho de cavalos," disse, ofegante.

* * * *

A imagem de Regina sentada na frente, guiando o cavalo, e Emma bem às suas costas, abraçada a seu dorso, reluzia magicamente no espelho que a Rainha de Copas segurava por entre seus dedos ossudos. Uma expressão calculista tomava conta de suas feições à medida que um novo plano se traçava em sua mente. Um grande sorriso se estampou em seus lábios, e um brilho maníaco se apoderou de seu olhar.

"Tenho o plano perfeito," disse a Rainha, e Humphrey, quem encontrava-se sentado no braço de seu trono vermelho, sentiu um calafrio perpassar-lhe a coluna. Conhecia aquela expressão bem demais para seu gosto. Era a expressão assassina de Cora.

* * * *

Poucas horas se arrastaram, enquanto Emma e Regina cavalgavam em ritmo lento, em silêncio. Obviamente Emma se aproveitava da situação para manter seu corpo bem colado ao da morena e seus braços enlaçados em sua cintura. A sensação de seu centro roçando no traseiro de Regina despertavam-lhe um tipo de excitação diferente.

"Emma," ela ouviu a morena chamar; seu tom soara tão docemente leve, que ela quase duvidou haver vindo, de fato, da mulher à sua frente. "Acho que estou pronta."

"Pronta para quê?" perguntou, ainda muito distraída pela sensação despertada bem no fundo de seu âmago.

"Para aquela história que você queria ouvir," disse. Emma não podia ver, mas o olhar de Regina exalava um misto de dor e esperança.

"Ótimo!" exclamou Emma, despencando de volta na realidade. "Sou toda ouvidos."

Regina respirou fundo; por um momento, agradeceu por estar de costas a Emma: isto facilitaria bastante as coisas.

"Era uma vez," começou Regina; imaginou ser mais fácil dar à história um quê de conto de fadas. "Um garoto que trabalhava nos estábulos do castelo de minha mãe, Cora. Cavalgar sempre foi minha grande paixão e, então, o cavalariço e eu acabamos nos tornando grandes amigos...

Com o tempo, apaixonei-me perdidamente por ele; tanto, que o sentimento parecia ser grande o suficiente para caber em mim. No fundo, eu sabia que ele compartia de meus sentimentos, porém, não me atrevia a render-me a seus encantos..."

"Onde será que já ouvi isso antes?" murmurou Emma, de súbito, aliviada por saber que Regina não resistira somente a ela.

Um sorriso se estampou involuntariamente nos lábios de Regina e, mais uma vez, ela agradeceu por estar de costas a Emma. "Ele era apenas um cavalariço, e minha mãe tinha planos maiores para mim. Tinha certeza de que ela jamais aprovaria nosso amor."

Emma pôde perceber quando a voz de Regina falhou ligeiramente. Apertando-a mais contra si, postou um beijo em seu ombro.

"O problema é que comecei a receber visitas constantes de Mab..."

"Mab? Aquela... Aquela Fada minúscula?"

"Sim," disse Regina. "Mab é a Fada dos Sonhos. Então, ela aparecia para mim, todas as noites, trazendo mensagens de meu amado, recitando os mais belos poemas escritos por ele, e as cartas mais tocantes. Com o tempo, não resisti, e pedi que enviasse-lhe uma mensagem também. Logo, tornou-se hábito nosso comunicarmo-nos através dos sonhos. Entretanto, tais assuntos jamais eram mencionados em nossa realidade. No fundo, creio que ele se sentisse indigno de mim. Na verdade..." fez uma pausa e suspirou. "Eu era indigna dele..."

Emma mordeu o lábio inferior para conter um soluço. "Não diga isso," pediu docemente.

"É verdade," insistiu Regina. "Se ele soubesse metade das coisas que eu fiz..." e interrompeu-se. O silêncio tomou conta do ambiente por alguns segundos, até que Regina voltasse a quebrá-lo: "Dia desses, Mab me fez sonhar com ele... Mas o sexo... Era diferente. Era sublime. Era puro amor. Então, passei a sonhar com ele por conta própria, tanto de dia, como de noite. Eu o desejava. Precisava dele. Meus sentimentos apenas cresceram com o passar do tempo. Chegou ao ponto no qual eu iria aos estábulos logo quando acordasse, e passaria o dia cavalgando com ele, e retornava bem mais tarde do que minha mãe aprovava. É claro que acabamos ficando juntos... Então..." sua voz tremeu.

Emma percebeu que Regina se aproximava do clímax da história. Seu coração de um salto em expectativa, e ela apertou o abraço em Regina.

"Então..." continuou a morena, sentindo-se, repentinamente, segura nos braços de Emma. "Um dia desses, quando eu estava cavalgando com ele — eu acabara de decidir contar à minha mãe sobre nosso relacionamento —, uma garotinha gritou, despertando-me de meus devaneios. Seu cavalo corria em um frênese incontrolável, e ela implorava por ajuda. Rapidamente, montei Balthazar — meu cavalo — de volta, e corri até ela, puxando-a para meu cavalo em segurança. Salvei sua vida... Ela se apresentou para mim..." Regina fez uma pausa enquanto discutia consigo mesma se deveria continuar ou não. "Ela se apresentou para mim como Branca de Neve."

"M-minha mãe..." ofegou Emma.

Regina assentiu. "Mais tarde, naquele mesmo dia, descobri que Branca de Neve era a filha do Rei, e que ele estava visitando nosso reino. Quando ele ficou sabendo do que eu havia feito por sua filha, ele pediu minha mão em casamento. Eu entrei em pânico. Não era ele quem eu queria. Eu queria Daniel. Estava enfatuada por ele — apenas ele. Quando minha mãe aceitou a proposta em meu nome, meu pânico apenas cresceu. Mais tarde, descobri que Branca de Neve fora quem pedira a seu pai que se casasse comigo. Ela queria que eu fosse sua mãe, e nem parou para pensar se era isso que eu queria também. Ela não me deu a oportunidade de escolha..."

"Por isso você a odeia?" perguntou Emma, gentilmente, começando a compreender.

"Não. Há mais," disse Regina, e Emma ergueu as sobrancelhas. "Depois que minha mãe aceitou a proposta do Rei em meu nome, eu corri para os estábulos e pedi que Daniel se casasse comigo. Lembro que ele disse que a vida com um cavalariço não seria nada comparada à vida de Rainha... Porém, naquele momento, ser Rainha não significava nada para mim. Se eu não pudesse estar com ele, então, nada mais importava. Ele era minha razão para me levantar todos os dias, minha razão para sobreviver... E, de repente, minha única razão estava sendo roubada de mim..."

Lágrimas turvaram a visão de Emma e ela escondeu o rosto no ombro de Regina.

"Planejei fugir com ele," continuou a morena, quem agora encontrava dificuldade em parar de falar, uma vez que já havia começado. "Mas Branca de Neve me viu beijá-lo. Ela ficou devastada; queria que eu amasse seu pai. Corri atrás dela e expliquei para ela que o que eu sentia por Daniel era verdadeiro, era puro. Eu disse que o amor verdadeiro—"

"É mágico," disse Emma, sentindo as peças do quebra-cabeça se encaixarem. "Criava felicidade."

Regina franziu a testa, virando ligeiramente a cabeça para o lado. "Sim," disse, intrigada. "Como...?"

"Mab..." disse Emma, simplesmente.

Regina suspirou decepcionada, mas não interrompeu a história: "Pensei que Branca houvesse compreendido. Fiz com que prometesse nunca, nunca contar uma palavra à minha mãe, porque esta não compreenderia..."

"Mas ela contou..." arriscou Emma.

Regina assentiu. "Bem no dia seguinte. Exatamente quando eu estava prestes a fugir com Daniel. Então, Cora apareceu. A princípio, fingiu apoiar minha decisão; até fingiu ser amiga de Daniel. Em algum lugar em minha mente inocente, eu acreditei que meu final feliz estava chegando. Então..." lágrimas começaram a escorrer por seu rosto; lágrimas que, embora Emma não pudesse ver, ela podia constatar pelo modo como sua voz tremia. "Então ela arrancou seu coração e esmagou-o bem diante de meus olhos. Ele caiu no chão, e eu corri até ele. Senti como se meu coração tivesse sido arrancado e esmagado também. Eu o beijei, esperando que o verdadeiro amor fosse trazê-lo de volta para mim, mas não funcionou... Ele não acordava..."

"Gina," sussurrou Emma, acariciando levemente o abdômen da amada. "Sinto tanto!"

"Então, minha mãe me puxou do chão e arrancou o meu coração. Não o esmagou, no entanto. 'Agora você pertence a mim,' ela disse. 'Vamos, temos um casamento para planejar.' E assim, levou-me de volta ao castelo.

Tentei fugir sozinha, no dia seguinte, mas descobri que ela lançara um feitiço no reino, que me impedia de ir embora, a não ser que eu estivesse na companhia do Rei... Ou na dela. Então, convoquei Rumpelstiltskin. Ele me deu um espelho encantado, dizendo que era um portal. Não me disse para onde, apenas disse que me ajudaria a resolver meu 'problema'. No dia do casamento, empurrei Cora contra o espelho, mas era tarde demais para fugir — não que eu não tenha tentado: o feitiço continuava vigente. Então, sem escolhas, casei-me com o Rei e me tornei a madrasta de Branca de Neve.

Exigi, alguns dias depois, que Rumpelstiltskin me dissesse aonde enviara Cora. Revelou–me, então, a história de Wonderland. Disse que este lugar fora criado a pedido de Cora, para que ela pudesse esconder os vestígios de seus crimes, de modo que estes permanecessem intocados pelo resto da eternidade. Entretanto, Cora falhou com o acordo feito com Rumpelstiltskin. Este, em vingança, isolou Wonderland do mundo, e trancafiou o lugar, de modo que Cora jamais pôde retornar... Até que eu a empurrei contra o espelho. Desde então, ela tem estado presa neste labirinto, exaurindo-se em procurar uma saída. Mas ninguém, além de Rumpelstiltskin, sabia como conjurar um portal até aqui. Então, eu fiz um acordo com Rumpelstiltskin, para que ele me ensinasse como lidar com tal magia. Ele me pediu, em troca, um feijão mágico, mas este é o objeto mais raro da Terra Encantada. Falhei em encontrá-lo, porém, no final, Rumpelstiltskin propôs outro acordo: concordaria em ensinar-me a chegar a Wonderland desde que pudesse ser meu Mestre na Magia Negra. Queria ensinar–me todos seus truques. Sempre fui contra a Magia — sei que é difícil de acreditar —, mas, sem outra escolha, aceitei sua proposta.

Então, ele me ensinou o que eu desejava saber. Porém, quando meu 'treinamento', como ele chamava, começou, e ele pediu que eu esmagasse o coração de um unicórnio, eu disse que não podia. Ele, então, desistiu de mim.

Anos se passaram, e eu fui consumida pelo luto. O rosto de Branca estava sempre lá para debochar de mim, para me lembrar de como o coração de Daniel fora arrancado de seu peito... E tudo por causa da traição dela...

Disse a mim mesma que deveria ser forte, que eu deveria, pelo menos, amá-la independente de qualquer coisa, porque isso é o que uma mãe faria, e eu queria conseguir ser, pelo menos, uma boa mãe. Mas ela terminou se revelando uma garota completamente egoísta que só aceitava as coisas de seu modo. Seu pai fazia de tudo para agradá-la. Ela implorava por um irmão e, embora eu afirmasse não poder conceder este pedido, em especial — porque eu não queria me envolver com o Rei daquele modo —, ela insistiu até que o Rei... Abusou de mim. Engravidei. Branca ficou radiante; eu fiquei miserável. O Rei, enlouquecido por desejo, continuou a abusar de mim durante noites e mais noites. Perdi a criança por causa de muita aflição, dissera o curandeiro. Branca, então, me odiou por isso. Disse que a culpa era minha, que eu não cuidara bem de seu irmãozinho. Expliquei a ela que não era bem assim. Ela pareceu haver me perdoado. O tempo se passou, e o Rei passou a me ignorar. Tratava–me como se eu fosse um inseto. Quando eu tentava argumentar com ele, ele me batia. Até que, um dia, não pude mais agüentar.

Dia desses, um estrangeiro compareceu a uma de nossas festas. Percebi, logo de cara, que estava encantado comigo..."

"Não é de se admirar," murmurou Emma, suavemente, postando outro beijo sobre o ombro de Regina.

"Fingi ser uma vítima. Disse a ele que o Rei me torturava, e que ignorava minha existência. Disse que ele só tinha olhos para Branca de Neve, por ela ser a mais bela. Manipulei-o a apaixonar-se por mim. Quando isto aconteceu, convenci-o a matar o Rei com uma cobra proveniente de seu próprio país. No final, todas as pistas foram direcionadas a ele. Ele foi considerado culpado pelo assassinato do Rei e condenado à morte. Mas ele ainda me amava. Num surto obsessivo, aprisionou-se em meu espelho antes mesmo que pudessem capturá-lo para a forca; assim, argumentou poder ficar comigo para sempre e me lembrar de que eu era a mais bela de todas. Odiei–o profundamente. Ressenti sua presença durante muito tempo, até que aprendi a usá-la a meu favor.

Com o Rei morto, dediquei-me primeiramente a tentar reviver Daniel. Conheci um médico, Dr. Frankenstein—"

"Doutor QUEM?" exclamou Emma; de fato, não esperava que o Doutor Frankenstein fosse, também, real.

"Dr. Frankenstein, um médico de outro mundo," disse Regina. "Contou-me sobre seus estudos... Afirmava ser capaz de trazer os mortos de volta à vida. Implorei que o fizesse com Daniel. Quando ele falhou, eu percebi que minha última chance de ser feliz havia se esvaído completamente por entre meus dedos. Foi aí que decidi me vingar de Branca de Neve.

O ódio crescia dentro de mim com o passar dos dias. Eu me sentia irritada o tempo inteiro. Todas as noites, eu aparecia em seu quarto, enquanto ela dormia, e lutava contra o desejo de sufocá-la com seu travesseiro. Eu não poderia; não ainda. No final, tudo apontaria para mim e eu não queria morrer também. Em nossa terra, um assassino é assassinado também. Isso não serviria para mim. Eu queria viver para saborear a vitória. Então, voltei a meus aposentos e tracei um novo plano.

Retornei a Rumpelstiltskin e pedi que ele me ensinasse tudo que eu precisava saber. Formei, então, uma guarda pessoal. Manipulei-os a acreditar que eu estava certa. Tornaram-se, então, meus fiéis protetores. Ajudaram-me a ir atrás de Branca de Neve e Príncipe Encantado. Foi aí que lancei a Maldição do Sono nela. Fiz com que ela comesse a maçã envenenada nos estábulos, onde Daniel fora assassinado. Meses depois, Encantado conseguiu despertá-la com um maldito beijo, e isso apenas fez com que eu ficasse com mais raiva.

Fui atrás dela novamente, porém, dessa vez, fui pega. Aprisionaram–me e marcaram um dia para a minha execução. Entretanto, Branca de Neve não permitiu que eu fosse assassinada. Ao invés disso, fez um acordo com Rumpelstiltskin que, no fim, me fez desejar que estivesse morta. Fui informada que, enquanto estivéssemos naquela Terra, eu não seria capaz de tocar em Branca de Neve ou em sua família. Em troca, Rumpelstiltskin fez Branca de Neve prometer que teria um filho."

"Eu..." disse Emma.

Regina assentiu. "Então, eles me exilaram e, a cada dia que se passava, eu me tornava mais e mais miserável. Até que Rumpelstiltskin veio até mim e disse haver um jeito. Eu não poderia machucá-los naquela terra, mas em outra..."

"Storybrooke!" exclamou Emma.

"Sim," confirmou Regina. "Então, visei Malévola — aquela, na forma de dragão, contra quem você lutou. Peguei de volta a Maldição Negra que havia trocado com ela pela Maldição do Sono — a qual falhara. Fui, então, ao casamento de Branca de Neve e Príncipe Encantado. Ameacei–os. Semanas depois, a maldição estava quase pronta. Faltava apenas um ingrediente crucial."

"Qual era?"

"O coração daquilo que eu mais amava. Daniel estando morto, este era meu pai," a melancolia na voz de Regina fez com que uma lágrima escorresse pelo rosto de Emma. "Então, levei todos a Storybrooke, onde não havia magia, e havia democracia. Eu não poderia matar Branca de Neve — ela nem se lembrava de mim. Mas eu poderia me certificar de que ela fosse se sentir miserável e solitária pelo resto da eternidade, e que nunca, nunca mais fosse ver Encantado outra vez. Ou assim pensei, até que você apareceu. Entende, agora, por que a odiei? Eu não sabia quem você era, no começo, mas eu pensava: Quem ela pensa que é, para vir atrás de tudo pelo qual tanto batalhei para conseguir? Quis você morta, mas igualmente não podia matá-la. Então, tentei fazer com que deixasse Storybrooke... Até que percebi que isto faria Henry infeliz... E vê-lo assim me faria infeliz. Você foi a única pessoa corajosa o bastante para me enfrentar, e isso fez com que eu ficasse intrigada por você. Além disso, a sua história era a única que eu não conhecia, naquela cidade, e isso me enlouquecia. Eu queria saber tudo sobre você, seus pontos fracos, de modo a usá-los contra você. Mas eu não queria mais que você fosse embora; muito pelo contrário: queria você sob meu controle, mas você sempre foi a que teve controle sobre mim. Isso me fazia mal. Fez com que eu a odiasse ainda mais. Então, Henry começou a se afastar de mim. Mary Margaret encontrou um jeito de ficar com David outra vez. Daí, encontrei a oportunidade perfeita, quando Kathryn me disse que estaria deixando Storybrooke de uma vez por todas. Fiz outro acordo com Rumpelstiltskin: ele mataria Kathryn e plantaria evidências que apontassem na direção de Mary Margaret. Entretanto, de propósito, ele fez com que tudo, no final, apontasse para mim. Gold nunca foi muito confiável, no que dizia respeito a mim. Num surto de fúria, obriguei Sydney a confessar um crime não cometido. Ele é o homem do espelho, a propósito. Sempre foi apaixonado por mim e eu sempre tirei vantagem disso," disse Regina, em tom sugestivo.

O cavalo, então, parou de galopar.

"Chegamos," informou, e desceu do cavalo. Estendeu, então, a mão para que Emma se apoiasse.

Ao tentar descer do cavalo, a loira se desequilibrou e, antes que pudesse cair ao chão, os braços fortes e Regina a seguraram e a equilibraram.

"Você não o amava," disse Emma, em defesa de Regina, ainda em seus braços.

Agora que podia ver o rosto de Regina, Emma pôde constatar que este estava manchado de lágrimas e que seus olhos transbordavam uma melancolia infinita. Apenas isso, e nada mais. Não havia mais sinais de raiva em seu olhar, não havia mais sinal de luta... Apenas a singela melancolia.

"Eu amei Henry, e isto não me impediu de magoá-lo ao tentar mandar você embora," argumentou Regina. Emma apenas revirou os olhos. "Quando você não acreditou na confissão de Sydney, percebi que precisava tirar você da cidade, então, fiz um acordo com Jefferson. Eu usei o último pedaço de magia que eu possuía. Sacrifiquei meu maior tesouro apenas para mandá-la para longe, e tirá-la de meu caminho e de minha cabeça, porque, sim, você já havia tomado conta de meus pensamentos, e de modo não muito saudável. Sacrifiquei o anel que Daniel havia me dado. Peguei, então, a maçã com a qual envenenara Branca de Neve e cozinhei aquela torta para você. Quando você me disse que Henry a comeu, eu quase tive uma síncope."

"Mas ele está vivo," disse Emma, envolvendo seus braços no pescoço da morena e encarando-a profundamente nos olhos.

Regina desviou o olhar para o chão. "Sim, graças a você, e nunca a mim."

"Gina, ele ama você," sussurrou Emma, aproximando seu rosto mais do de Regina. Seus narizes se roçaram.

"Não ama," disse Regina, amargurada. "Sou a Rainha Má para ele, e é isso que sempre serei."

"Bem, não para mim," confessou Emma, e selou os lábios da morena demoradamente.

Ao se afastar, Regina a encarou, incrédula. "Não ouviu uma palavra do que eu lhe disse?" perguntou. "Eu trouxe miséria às pessoas, matei várias, várias vezes no passado, em sangue frio. Matei meu próprio pai!, embora mais tarde eu tenha arranjado um método de trazê-lo de volta à vida, pelos poderes de Wonderland. Mas, ainda assim, tentei matar você..."

"E agora você mudou," disse Emma, confiante.

"Não mudei, Emma," disse Regina, sacudindo a cabeça com veemência. "As pessoas não mudam, apenas se enganam ao pensar que podem fazê-lo. Imagine que consigamos sair daqui vivas—"

"Vamos conseguir."

"—E, de algum modo, fiquemos juntas e criemos Henry juntas. Qualquer dia desses, vou acabar matando você, de qualquer jeito, porque ele a amaria mais do que a mim."

"Não acho que você me mataria," disse Emma, ainda em seu tom confiante, acariciando a nuca de Regina. "Nem acho que ele amaria você menos do que me ama. Gina, podemos resolver isso. Podemos consertar tudo isso."

"Não, não podemos," disse Regina, mais uma vez, em tom melancólico. "Não podemos consertar o dano que eu causei."

"Então a conclusão lógica é causar mais dano?" conduziu Emma, franzindo a testa em simpatia.

"É o único caminho que me resta. É isso, ou o luto de novo. Ou o nada. E eu não posso suportar o nada."

"Também tem o amor," sugeriu Emma.

"O que leva à destruição," contra-argumentou Regina.

"Não, não leva," insistiu Emma. "E se você me permitir, posso provar ser capaz de trazer seu final feliz. Foi para isso que fui feita, Gina. Você só precisa permitir que eu o faça."

Regina permaneceu em silêncio por alguns minutos, encarando Emma profundamente nos olhos, em busca de qualquer sinal de hesitação. Não encontrou nenhum. Há de ser confessado, no fundo, Regina esperara que, ao contar sua história a Emma, esta fosse desatara a correr na direção oposta. Esperara que Emma fosse abandoná-la; entretanto, ali estava, sendo surpreendida por sua incrível teimosia. Emma pretendia ficar. Pretendia lutar por ela.

"Não importa o que você faça, Emma, nada poderá mudar o que eu fiz," disse, com a voz tremendo.

Foi então que Emma percebeu, com um rápido solavanco. "Você se arrepende!" exclamou.

Regina hesitou, engolindo o nó que se formava em sua garganta. "De tudo, todos os dias."

"Então por que—"

"Não há redenção para mim," afirmou Regina.

"Sempre há um jeito," contra-argumentou Emma.

"É tarde demais," lamentou.

"É tarde, porém, não tarde demais. Podemos fazer isso," reconfortou.

Mais uma vez, Regina hesitou. Quando tornou a falar, sua voz readquirira o tom superior e mais frio outra vez. "Sugeriria que fugisse enquanto ainda não há 'nós', Srta. Swan."

"Bem, adivinhe," disse Emma, puxando o corpo de Regina para mais perto do seu. "Não posso mais. Você tem aquele controle sobre mim, com o qual tanto sonhou. Não posso mais viver sem você," confessou, num sussurro. "Eu não quero viver sem você."

"Uma vida com a Rainha Má não é o que você quer, Emma," garantiu Regina e se surpreendeu ao ver-se falando o mesmo dito por Daniel no passado. "É suicídio."

"A linha que diverge o amor do suicídio e extremamente fina," disse Emma, teimosa, o que despertou um sorriso involuntário de Regina.

"E você teria a audácia de cruzar essa linha?" perguntou, incrédula, erguendo uma sobrancelha.

"Sim," disse Emma, firmemente, e Regina ofegou, franzindo a testa e permitindo que suas emoções se estampassem em seu rosto.

"Desde quando?" perguntou, em parte fascinada, em parte, melancólica.

"Desde que a conheci," confessou Emma. "Percebo agora que, no fundo, sempre me importei com você. Fiquei em Storybrooke, não só por causa de Henry, mas também porque havia algo que me impelia em sua direção... Era quase como se eu estivesse me viciando em nosso relacionamento de gato-e-rato."

"Nunca tivemos um relacionamento, Srta. Swan," lembrou Regina, porém, não de modo cruel; apenas de modo casual.

"Poderíamos compensar isso..." disse Emma, sugestivamente.

Mais uma vez, Regina foi pega de surpresa, e seus olhos se arregalaram. "Está me pedindo—"

"Em casamento, sim," disse Emma, confiante.

A boca de Regina se abriu, sua pulsação se acelerou, suas bochechas arderam e sua respiração tornou-se ofegante. "Emma," ela sussurrou, em parte, protestando, em parte, maravilhada.

"Case-se comigo, Regina Mills. Case-se comigo neste exato momento," disse Emma, segurando o rosto fascinado de Regina entre suas mãos.

"M-mas Emma..." gaguejou Regina, pela primeira vez em sua vida; sua voz soava mais aguda do que nunca. "Eu... Eu acabei de lhe contar tudo de ruim que fiz à sua família e—"

Mas Regina não pôde terminar o argumento; Emma se ajoelhava em frente a ela, encarando-a profundamente nos olhos chocolate, segurando suas mãos firmemente.

"Emma," ofegou Regina, em censura. "Que está fazendo?"

"Pedindo sua mão em casamento," disse, como se fosse óbvio. "Regina Mills, eu não me importo que você pense ser indigna de mim, não me importo com as coisas que você fez em seu passado. Eu entendo perfeitamente o que a levou àquele ponto. Prometo jamais julgá-la ou machucá-la de qualquer forma. Prometo estar sempre a seu lado, independente de qualquer coisa. Prometo jamais permitir que você me engane a pensar que você é Má, não importa quanta miséria você tente derrubar sobre mim. Prometo ser fiel hoje e sempre. E prometo segurá-la em meus braços quando você estiver se despedaçando; prometo ajudá-la a se recompor e juntar os pedaços novamente. Prometo resgatá-la sempre que se perder. Prometo segurar sua mão quando quer que nosso filho fique doente. Prometo nunca mais permitir que cozinhe tortas de maçã de novo, e, acima de tudo, prometo não prometer nada que não possa cumprir," disse, em referência à vez que Regina lhe dissera: 'Então, talvez, você devesse parar de fazer promessas as quais não pode cumprir.'

"Emma!" exclamou Regina, num sussurro. Lágrimas escorriam, ininterruptas, por seu rosto.

"Olhe, eu sei no que estou me metendo," disse Emma, revirando os olhos. "Eu amo você. Sempre vou amá-la. Então, Regina Mills, Rainha Má, Senhora Prefeita, Gina... Case-se comigo. Todas as suas partes — até mesmo as 'malvadas'," disse, desenhando as aspas no ar.

Regina permaneceu em silêncio por alguns segundos; várias sensações e pensamentos cruzavam-lhe o ser, de modo a confundi-la de um jeito sutilmente doce e inebriante. Parte de si ainda se recusava a acreditar que, dentre todas as outras pessoas, Emma Swan era aquela que estava lutando por ela; a outra parte insistia para que ela gritasse que sim, que acabasse logo com aquela tortura e que aceitasse, finalmente, seu verdadeiro final feliz.

Mas as palavras lhe fugiram; Regina não sabia nem como responder. Pensando, entretanto, poder falar melhor com ações do que com palavras, naquele momento, ela apenas estalou os dedos, e ambas foram envolvidas por uma grande névoa branca.

Quando esta se dissipou, Emma percebeu que as roupas de Rainha Má de Regina haviam sido substituídas por um majestoso vestido branco. Ao olhar para baixo, percebeu que ela também usava um vestido igualmente branco. Sem acreditar no que seus olhos podiam ver, Emma ergueu os olhos novamente para Regina, quem estendia uma mão em sua direção.

Emma não hesitou em tomá-la e logo se levantou, postando-se bem em frente a Regina. "Devo considerar isso como um sim?" perguntou, sem conseguir conter o sorriso que se espalhava por seus lábios.

Ainda sem articular palavras, Regina respondeu-lhe com um beijo terno que fez com que o mundo parecesse girar sob os pés de Emma. Ao separar-se, Regina subitamente articulou uma frase: "Há mais uma coisa que precisa me prometer."

"Qual?" perguntou Emma, franzindo a testa e tentando identificar o que poderia haver esquecido.

"Que você vai continuar me amando, mesmo que eu tenha enlouquecido, porque isso... Isso me aturdiu imensuravelmente! Ainda estou em conflito, Emma, e ainda acho que você é tão louca quanto eu... Também acho que você merece algo melhor do que eu... Mas me tornei egoísta com o passar dos anos: eu quero você."

Emma sorria abertamente. "Essa foi a declaração de amor mais bonita que eu já—"

Regina deu uma risada e a interrompeu: "Eu amo você," afirmou, sentindo-se finalmente feliz pela primeira vez em anos. "Obrigada por me lembrar que ainda sou capaz de amar," confessou.

"Obrigada por permitir que eu o fizesse," respondeu Emma, e tornou a beijá-la.

— "Fear not the flame of my love's candle, let it be the sun in your world of darkness." —

* * * *

Nos confins de seu castelo, Cora observava a cena através de seu espelho. "Repugnante," dizia. "Graças a deus, muito não durará."

Notas finais
PRECISO DIZER QUE MY FEELS ARE DOING SOMETHING WEIRD ASDFGHJKL