Lost In Paradise
22 Blue, Ready To Blow Your Mind
Notas iniciais
N/A (2): Esse capítulo foi meio corrido mesmo, porque caramba, olha só a quantidade de capítulos que já tem, e eu ainda nem cheguei no clímax da história. Não sei se vocês teriam paciência pra uma fanfic com uns 50 capítulos, então, realmente, dei uma apressada na trama. Espero que gostem!
CAPÍTULO VINTE E UM — AZUL, PRONTO PARA DESNORTEÁ-LO
Regina deu uma risada e a interrompeu: "Eu amo você," afirmou, sentindo-se finalmente feliz pela primeira vez em anos. "Obrigada por me lembrar que ainda sou capaz de amar," confessou.
"Obrigada por permitir que eu o fizesse," respondeu Emma, e tornou a beijá-la.
As sensações explodiram pelo corpo de Regina com a força de um vulcão em erupção. Envolvendo Emma em seus braços e puxando seu corpo para mais perto, a morena intensificou o beijo, vez ou outra mordiscando o lábio inferior de modo provocador. Suas mãos aventuraram-se livremente pelas costas da loira; suas unhas faziam contato direto com a pele macia, deixando por onde quer que passassem marcas vermelhas e uma inebriante sensação de formigamento. Emma foi quem interrompeu o beijo, entretanto, manteve ainda o rosto de Regina entre suas mãos.
Um momento, no qual ambas apenas sustentaram o olhar — nada mais havia a ser dito; quando os olhos verde-esmeralda encontraram os castanho-chocolate, tudo pareceu estar em sintonia —, pareceu pairar sobre o ambiente.
"Emma," sussurrou Regina, ofegante, e o coração da loira pulou uma batida. "Preciso dizer..." e postou uma mão sobre a de Emma, que ainda repousava em seu rosto. Sua voz soava completamente estrangulada, quase como se uma guerra estivesse por acontecer em seu interior. "Nunca antes... Nunca... Nem uma vez sequer... Nunca nem imaginei... Nunca imaginei poder ser capaz..."
Lágrimas fizeram-se presentes nos olhos de Regina, à medida que ela organizava e reorganizava as palavras, a fim de tentar expressar um pouco do que sentia naquele momento. Emma postou um delicado beijo em sua bochecha, mantendo, logo após, seu rosto próximo ao de Regina. "Shh," sussurrou de volta. "Não precisa dizer nada," e envolveu-a em seus braços.
"Nunca imaginei poder ser capaz de... De mudar tanto... E em tão pouco tempo!" Regina finalmente articulou e, sem esperar por uma resposta, tornou a capturar os lábios de Emma nos seus.
"Bem," ela disse, após separar-se de Regina, "Honestamente, creio que esse seu lado sempre esteve presente... Apenas precisava ser encontrado... Como sabe, encontrar pessoas é o que eu faço. Encontrar você foi o que eu quis fazer.," disse, soltando uma gargalhada gostosa, que aqueceu o peito de Regina.
"Eu deveria saber que seria você," disse Regina, piscando rapidamente a fim de livrar-se das lágrimas que turvavam sua visão. "Deveria ter sabido desde o começo..." e deitou a cabeça no ombro de Emma, apertando-a contra si e fechando os olhos.
"Agora você sabe," disse Emma, sorrindo e acariciando as madeixas castanhas. "E caso se atreva a esquecer, estarei aqui para lembrá-la... Todos os dias..."
"Obrigada," sussurrou, em êxtase.
* * * *
"Mab, você precisa entrar em contato com Regina agora e convencê-la a nos deixar usar o feijão," exclamou Branca de Neve, quem, desde o dia anterior, encontrava-se uma pilha de nervos.
"Temo ser impossível, Branca," respondeu Mab, suspirando desalentada. "Quando Regina se decide por algo, não há alma viva que a faça mudar de idéia. Creio que tenha ciência de seu lado obtuso?" indagou.
Branca apenas assentiu, lembrando-se de todas as vezes nas quais tentara argumentar com Regina.
"Por favor, tente me entender!" implorou Branca, após alguns segundos de silêncio. "Minha filha está correndo risco de morte! Precisamos fazer alguma coisa! Não posso ficar aqui sentada!"
"Eu sei, eu sei!" exclamou Mab. "Minha melhor amiga também está correndo risco de morte, Branca. Estou tão preocupada quanto você," confessou. Branca revirou os olhos.
"Não, não está! E se está, é sem sentido! Se Regina morrer, que se dane! Não consigo pensar em uma pessoa além de você que sentiria sua falta. Agora, se Emma morrer..." e fechou os olhos, sacudindo a cabeça, a fim de tentar espantar tais pensamentos.
"Se Regina morrer, Emma sentirá sua falta terrivelmente," sibilou Mab, em tom perigoso.
* * * *
"Espere," disse Emma, encarando desconfiada o cogumelo que repousava regiamente na mão de sua esposa. "Deixe-me ver se entendi corretamente: ao comermos o cogumelo, diminuiremos de tamanho bem como no livro? Mas... Mas pensei que houvesse dito que o cogumelo não nos faria mudar de tamanho?" perguntou Emma, confusa, sacudindo as mãos no ar, como se isso fosse reforçar seu argumento.
"Dependendo da posição do cogumelo no jardim, o efeito varia," Regina tornou a explicar. "Com um pouco disto," disse e, com um meneio e uma densa névoa branca seguindo o ato, o cogumelo outrora branco tornou-se rosa. "Certamente diminuiremos o suficiente para conversar com a Rosa Rainha."
Emma respirou fundo; de repente, seus pulmões pareciam pequenos demais para a quantidade de ar exigida por seu cérebro. Sua cabeça zunia; o mundo a seu redor parecia girar. Sentia–se vertiginosa.
"Choque de cultura, querida?" perguntou Regina, com um sorriso compreensivo. Emma apenas assentiu, e a morena afagou sua mão delicadamente. "Vai ficar tudo bem. Coma, será divertido," disse, com um sorriso que ainda carregava resquícios de seu lado obscuro.
"Temos uma idéia bastante diferente no que concerne 'diversão', Regina," destacou Emma, cruzando os braços e encarando o cogumelo de cima.
Revirando os olhos de dando uma risada, Regina partiu o cogumelo ao meio e aproximou-se mais uns dois passos de Emma. Segurando uma das metades, levou-a em direção aos lábios de Emma. "Confie em mim," disse, quase num sussurro.
Isso pareceu haver sido suficiente para Emma, que logo no momento seguinte permitiu que seus lábios se entreabrissem. Regina depositou o pedaço de cogumelo em sua boca e, ao mesmo tempo, deu uma dentada na outra metade.
Repentinamente, o ambiente ao redor de ambas as mulheres pareceu sair de foco; a terra pareceu sacolejar-se sob seus pés e o céu outrora azul piscou com todas as cores do arco-íris. Apenas alguns segundos depois, quando suas visões tornaram a ajustar-se, Emma e Regina, ao olhar ao redor avidamente, perceberam que encontravam-se do mesmo tamanho que as rosas do grande jardim que dispunha-se à sua frente, até mesclar-se com o horizonte indiscernível.
* * * *
"Rumpelstiltskin."
"Ora, ora, ora!" exclamou Gold; repentinamente, seu tom soava quase tão agudo quanto o que lhe era de costume décadas atrás, ainda na Terra Encantada. "O que temos aqui? Reminiscências de uma Fada outrora poderosa! Mab, queridinha, quem quer que a visse neste estado, apresentaria sérias dúvidas quanto às histórias por aí espalhadas sobre você."
"Não tenho tempo para seus jogos," disse a senhora, secamente, apertando sua bengala com mais força. "Senhor das Trevas. A cada minuto que passa, Regina fica mais próxima da morte."
Gold aproximou-se uns dois passos da forma idosa da Rainha Mab. "E o que é que eu tenho a ver com isso?"
"Bem, isso, em parte, é culpa sua," acusou Mab valentemente. "Se você não houvesse conjurado um Sugador de Almas, Regina não estaria trancada em Wonderland com Cora."
"Cora está viva?" perguntou Gold, em choque, após alguns segundos de silêncio; seus olhos arregalaram-se ligeiramente e sua testa se franziu em preocupação.
"Esta não é a questão," insistiu Mab. "Regina corre perigo de morte e, sendo assim, Emma também. Acho que tanto eu, quanto você, sabemos perfeitamente bem que a morte da Salvadora não é de interesse comum."
"Em que posso lhe ser útil?" perguntou Gold, prontamente.
"Quero fazer um acordo," disse Mab, decidida.
"Fadas não fazem acordos com o Senhor das Trevas."
"Os tempos mudaram," retrucou Mab, ainda em tom decidido.
Gold apenas esboçou um sorriso maquiavélico, o qual, se Mab pudesse enxergar, haveria acabado por congelar-lhe os ossos.
* * * *
"Quem... São... Vocês?" perguntou a Lagarta Azul, que repousava preguiçosamente sobre um grande pedaço de cogumelo amarelo. Seu tom intensamente etéreo dava ao ambiente um ar de sonho.
Muito não demorara para que Regina, com sua lábia infalível, convencesse a Rosa Rainha a apontar-lhe a direção correta até o Cogumelo da Lagarta Azul. Nos últimos trinta minutos, Emma e Regina caminharam em silêncio e de mãos dadas por uma longa trilha de pedras, vez ou outra, trocando olhares significativos.
"Sou Regina," respondeu. "E esta é a Srta. Swan, minha..." por um segundo, as palavras pairaram indelicadas no ar, e Regina não soube como dar continuidade ao discurso. Repentinamente fora acometida por uma estranha sensação de que algo bloqueava-lhe a garganta.
"Esposa," completou Emma, firmemente.
"Esposa," repetiu Regina, assentindo.
"Sim, mas quem... São... Vocês?" tornou a perguntar a Lagarta Azul; seus olhinhos minúsculos, em momento algum, focaram-se nas formas diminuídas de Emma e Regina, que paravam à sua frente.
Respirando fundo, Regina tentou novamente: "Meu nome é Regina Mills. Num passado distante, fui Rainha de um reino igualmente distante. Quanto à minha esposa, bem, ela sempre teve um charme próprio," disse, mordendo o lábio inferior a fim de ocultar um sorriso travesso.
"Em que posso lhe ser útil, Majestade?"
"Preciso encontrar o Cogumelo Azul," disse, retórica.
"Com que finalidade?"
Neste ponto, Regina hesitou, ponderando no quanto contar.
"Está tramando contra a Rainha de Copas?" perguntou a Lagarta.
"Ela é minha mãe," respondeu Regina, vagamente.
Um segundo de silêncio se estendeu, no qual a Lagarta finalmente fixou seus olhos em Regina e observou-a minuciosamente. "Então temo não poder ajudá-la," respondeu, em tom levemente desapontado, e voltou a fixar seus olhos no narguilé que fumava.
"E estou tramando contra ela," completou Regina, reforçando o verbo.
"Siga o caminho azul," disse a Lagarta, casualmente.
"Que caminho?" perguntou, ao falhar em avistá-lo.
"O que gentilmente terei o prazer de delinear para você em troca de seu mais estimado tesouro."
"Não tenho nada aqui," disse Regina, olhando ao redor, estendendo as mãos vazias no ar.
"Nada?" insistiu a Lagarta.
"Nada material," respondeu, murchando em sua postura.
Mais alguns segundos de silêncio se estenderam, até que Emma despertou Regina de seus devaneios. "Eu tenho algo," ela disse, e ambas as cabeças voltaram-se em sua direção. A expressão no rosto de Regina era atônita; a no rosto da Lagarta era polidamente curiosa.
"Hmmm," murmurou a Lagarta, em tom de aprovação, quando Emma deu um passo a frente e tirou o colar de ouro do qual nunca se separava. Durante muito tempo, Regina se perguntara o que aquele colar significava — deveria possuir algum significado pessoal, haja vista que, desde o primeiro dia em que a conhecera, Emma estivera sempre com o objeto pendurado no pescoço.
"Imagino que servirá," disse a Lagarta. "Está disposta a separar-se dele pelo resto da eternidade?"
"Sim," disse, firme em sua decisão.
"Então não servirá," disse a Lagarta.
Emma bufou, impaciente, e Regina fechou os olhos em irritação. "Foi um presente de meu primeiro amor," disse a loira, mantendo seu olhar preso no chão. Os olhos de Regina se abriram e se arregalaram; uma estranha sensação, ainda desconhecida, irradiou-se por todo seu corpo.
"Que você não mais ama," supôs a Lagarta.
"Correto, mas que me deu o maior tesouro de minha vida," disse Emma, erguendo os olhos para finalmente encarar a Lagarta. "Meu filho, Henry," esclareceu. "Coloquei-o para adoção porque imaginei que ele merecia uma vida melhor do que a que teria comigo; entretanto, desde o momento em que me separei dele, até os dias de hoje, este colar tem sido responsável por lembrar-me de seu valor."
Os lábios de Regina se entreabriram frente ao discurso de sua esposa, e seus olhos encheram-se de lágrimas. Por alguns momentos, a imagem que apenas algumas horas atrás avistara no céu tomou conta de sua mente, mas, desta vez, não como algo etéreo e inimaginável, mas como algo tangível, quiçá até futuramente real. A fagulha de esperança que havia sido despertada em seu peito tornava-se mais intensa.
"Aceitá-lo-ei," entoou a Lagarta, estendendo uma de suas inúmeras patas em direção ao objeto.
"Agora, a trilha azul, por obséquio," disse Regina, e pigarreou ao constatar que sua voz soava meio rouca devido a emoção que a acometera.
Com um 'poof' de fumaça azul, a Lagarta desapareceu. Olhando ao redor, os olhos perspicazes de Regina logo decaíram sobre inúmeras pegadas igualmente azuis que seguiam floresta adentro.
* * * *
"Diga-me, Mab, querida, em que posso ajudá-la?"
"Ajude-me a trazer Regina de volta em segurança."
Rumpelstiltskin explodiu em gargalhadas histéricas. "Oh, querida!" exclamou, levando a mão ao coração teatralmente, como quem tenta acalmá-lo. "O que eu ganharia com isso?"
"Emma igualmente viva," disse Mab, simplesmente.
"Mas isso não me parece um bom acordo," disse Rumpelstiltskin; o sorriso maquiavélico ainda se fazia presente em seus lábios. "Melhor façamos assim: ajudo a trazer Regina de volta em segurança se e somente se utilizar os poderes do poço encantado para drenar toda a magia de Regina no exato momento em que esta atravessar o portal."
"Quer que eu roube seus poderes?" perguntou Mab, confusa.
"Precisamente."
"Está maluco!" exclamou Mab, cobrindo a boca com as mãos, em choque.
"Você fez a proposta, e eu dei minha condição. A escolha agora está em suas mãos."
"Regina me odiaria!" exclamou Mab, após alguns segundos considerando a hipótese.
"Cabe a você decidir se o ódio de Regina por você vale ou não a vida dela."
Mais alguns segundos de silêncio se esticaram por sobre o ambiente, até que Mab, finalmente, disse: "Temos um acordo."
"Excelente!" exclamou Rumpelstiltskin, batendo palmas em excitação. "Foi ótimo fazer negócios com você... Maeve."
Os cegos olhos da senhora se arregalaram em alarme, à menção de seu antigo nome.
* * * *
Quando finalmente alcançaram o tão estimado cogumelo azul — este era consideravelmente maior que todos os outros e reluzia majestosamente à luz do sol —, os olhos de Regina encheram-se de um brilho intenso; em parte, este era maníaco e refletia as partes ainda obscuras de sua alma. "Sim!" sussurrou Regina, em êxtase. "Finalmente!"
Antes mesmo que Emma tivesse a chance de processar o que acontecia a seu redor, Regina deu uma dentada no cogumelo e foi instantaneamente envolvida por uma fumaça azul, que muito não tardou a se dissipar.
Exasperada, Emma correu até Regina, para certificar-se de que estava bem. "Regina!" exclamou, atônita.
Os olhos de Regina encontravam-se arregalados em puro êxtase, e um grande sorriso maquiavélico estampava-se em seus lábios.
"Regina!" chamou Emma, outra vez.
"Venha comigo, querida," disse Regina em tom suavemente perigoso. "Temos uma busca a fazer."
"Uma... Uma busca?" perguntou Emma, confusa.
Regina finalmente encarou Emma nos olhos e, alargando o sorriso, disse, casualmente: "Vamos atrás de meu coração."
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