Lost In Paradise
14 If Love Is Weakness, You Are Mine.
Notas iniciais
N/A (2): Estou sofrendo pelo Curinga.
* N/A (3): Por haver começado a história de modo sutil, preciso deixá-los avisados que os temas estão, gradativamente, ficando mais pesados. Este capítulo possui descrição minuciosa de métodos de tortura (que, entretanto, passa a ser desnecessária para a trama, se eu simplesmente disser que a Rainha de Copas mata o Curinga, portanto, se você tem um coração fraco, sugiro que mantenha essa informação em mente e PULE a cena que começa falando das masmorras). Além disso, alerta para sexo, linguagem imprópria e... Drama.
N/A (4): Preciso explicar que não sou sádica, apenas conheço muitos objetos de Tortura Medieval. Aprendi isso há alguns anos, na escola, quando estudei história a fundo, para uma prova de recuperação, que englobava conteúdos como Reforma Religiosa, entre outros.
CAPÍTULO TREZE — SE O AMOR É UMA FRAQUEZA, VOCÊ É A MINHA
Branca e Encantado arregalaram os olhos ao verem a Fada Azul guiando uma senhora robusta, de, aproximadamente, uns 80 anos, em sua direção.
"Branca, Encantado," disse a Fada Azul, estendendo a mão enrugada da senhora em direção ao casal. "Esta é minha mãe. Mamãe, estas são as pessoas sobre as quais lhe falei."
A senhora se aproximou, primeiramente, de Branca de Neve, com as mãos estendidas no ar, em direção a seu rosto. Ao aproximar-se o suficiente, Branca pôde perceber a ação do tempo sobre as feições da senhora: milhares e milhares de rugas estampavam-lhe o rosto bem desenhado. Percebeu, também, que seus olhos, outrora amendoados, haviam sido enuvescidos pela cegueira. Entretanto, havia algo de muito jovial naquela senhora; a idade roubara-lhe a visão, mas nunca o rubor das bochechas.
Após tocar o rosto de Branca de Neve e de Encantado, a senhora se dirigiu ao sofá com tamanha precisão, que Branca se perguntou se ela era mesmo tão cega quanto aparentava ser.
"Essa é Mab?" perguntou Encantado, em tom de voz baixo, de modo que apenas Branca pudesse escutar. "Achei que fosse mais... Nova."
Branca deu uma cotovelada no marido e tornou a se sentar.
"Digam-me, Branca de Neve e Príncipe Encantado, como posso ajudá-los?" perguntou a senhora, cordialmente. Sua voz era entrecortada; suas cordas vocais tinham uma ou duas histórias para contar.
"Eu... Err... Nós... Queremos... Err..." gaguejou Branca, sem saber como expressar seu desejo em palavras.
A Fada Azul se sentou ao lado da mãe e segurou-lhe as mãos.
"Mamãe, estes dois precisam de seus serviços."
O rosto outrora solene da velhinha se iluminou em um grande sorriso jovial. "Ah," ela disse, seu tom alterando-se completamente para o de fascinação. "Eu vejo..."
"Isso você não faz, mamãe," murmurou a Fada Azul. Se a senhora a ignorara, ou se apresentava, também, problemas de audição, Branca não sabia dizer; apenas podia perceber que a Fada Azul não obtivera resposta direta.
"Quem são os dois pombinhos?" perguntou a senhora, em tom de confidência.
Branca e Encantado se entreolharam; este, com uma expressão completamente atônita, e aquela, com uma de incerteza.
"Não, mamãe, não é com esse propósito," esclareceu a Fada Azul, e resumiu toda a história de como Emma atravessara o portal.
"Ah, isso muda tudo!" exclamou a senhora. "Qual é a mensagem que querem mandar?"
"Se importa se antes perguntarmos como funciona o mecanismo?" perguntou Branca, timidamente.
A testa da senhora se franziu. "Certamente que não," disse, polidamente. "Sou uma Fada dos Sonhos; atuo através deles. Quando em minha forma humana, minha aparência é esta que vos satisfaz o olhar; quando em minha forma mágica, viajo em uma carruagem de pérola, guiada por quatro insetos. Alcanço minha forma mágica toda vez que adormeço, podendo, então, navegar por entre as mentes dos corações apaixonados, enviar-lhes mensagens, apimentar-lhes os sonhos."
"Isso quer dizer que você sonha com a pessoa a quem deseja mandar a mensagem?" perguntou Encantado, incrédulo.
A senhora sacudiu a cabeça afirmativamente.
"Como saberemos que Emma realmente recebeu a mensagem?" perguntou ele.
A senhora franziu os lábios, apertando-os em uma linha muito fina. Ergueu a cabeça de modo esnobe e disse: "Meus serviços nunca falham."
"É verdade, eles nunca falham mesmo," disse a Fada Azul, sorrindo em direção à mãe. "Mamãe era bem popular em nossa Terra."
"Espere, Emma receberá a mensagem através de seus sonhos?" perguntou Branca, erguendo as sobrancelhas. Ambas as fadas assentiram. "Creio que isso não vá funcionar! Emma é uma pessoa muito cética. Certamente descartará o sonho como produto de sua imaginação. Não levará a mensagem a sério."
A Rainha das Fadas ergueu as sobrancelhas. "Certamente, ela sabe quem eu sou," disse, pomposa.
Branca e Encantado se entreolharam. "Err," disse Branca. "Não exatamente..."
Os cegos olhos da Fada se arregalaram em ofensa.
"Regina nunca a deu a chance de crescer na Terra Encantada!" Branca se apressou em expliar. "Certamente, você conhece a história da Salvadora."
Às palavras de Branca, a senhora se acalmou. "Creio que teremos de mandar a mensagem a outra pessoa, então," ela disse.
Outra vez, o casal se entreolhou.
"Mas mamãe, apenas Regina e Emma atravessaram o portal," argumentou a Fada Azul.
"Então mandarei a mensagem a Regina," disse a Rainha das Fadas, simplesmente.
Branca e Encantado arregalaram os olhos.
"Esta não é a melhor opção," disse Branca, prontamente.
"É a única opção," contra-argumentou a Rainha das Fadas. "A não ser que queira que eu arrisque combater o ceticismo de Emma."
Outra vez, entreolharam-se. "Creio que seja melhor entregar a mensagem a ambas," disse Branca, decididamente.
"Pois bem," disse a senhora, solenemente. "Agora, por favor, qual é a mensagem?
* * * *
Na parte mais distante das masmorras do Castelo de Copas, dois guardas seguravam o Curinga pelos braços, enquanto o mesmo se debatia e gritava, desesperado. Outros dois guardas seguravam tochas contra a Cadeira Inquisitória.
A Cadeira Inquisitória era um objeto de tortura muito comum na Era Medieval. Consistia em uma poltrona, toda feita de ferro, adornada por vários espinhos. Nos braços e pernas, ligas de couro esperavam, bem polidas, para amarrar a vítima. Outra liga de couro envolvia o encosto, de modo a garantir que o tronco da vítima permanecesse imobilizado.
A Rainha de Copas, nos últimos vinte e oito anos os quais passara trancafiada em Wonderland, adquirira um senso de humor um tanto quanto sádico. Forçada a conviver com todos aqueles súditos que tanto odiava, fora obrigada a encontrar métodos de se divertir. Uma mente psicótica, que dispõe de toda a eternidade, é capaz de produzir as coisas mais obscuras, e essa mente psicótica em questão dedicara anos à confecção de diversos objetos de tortura. Vinte e oito anos era tempo suficiente para que ela já dispusesse de um arsenal pessoal; arsenal este cujos objetos o pobre Curinga estava prestes a conhecer.
Após esquentar todos os espinhos de ferro da cadeira, os guardas postaram as tochas de volta em seus devidos lugares e se aproximaram do Curinga, que agora se debatia em ritmo frenético.
As portas de madeira se abriram com um rangido agourento que, somado aos gritos agudos do Curinga e das correntes de ferro do açoite que era constantemente golpeado contra suas costas, dava um quê pitorescamente sombrio ao ambiente.
A Rainha de Copas adentrou as masmorras. Julgando por sua vestimenta, preparara–se especialmente para a ocasião. Usava uma calça preta de couro justa, uma bota de couro vermelha e um corset de couro vermelho, que apertava-lhe a cintura com fivelas prateadas.
"Coloquem-no na cadeira," a voz imponente da Rainha ecoou pelas masmorras; seu tom era perigosamente calmo e aveludado.
Os guardas, após muito esforço, sentaram o Curinga na cadeira e rapidamente prenderam seus braços, pernas e tronco com as ligas de couro.
Quando os espinhos entraram em contato com a fina pele do Curinga, a pobre criaturinha gritou em desespero; lágrimas transbordaram de seus olhos e tremores e espasmos se espalharam por todo seu corpo.
"Deixem-nos," demandou a Rainha, e os quatro servos se retiraram, fechando a porta pesada de madeira atrás de si.
A Rainha aproximou-se do Curinga; caminhava tão levemente que quase parecia deslizar pelo chão de mármore. Um sorriso sádico estampou-lhe o rosto branco, igualando-se ao brilho que possuía seu olhar. "Agora, meu caro Curinga," ela disse, melodiosamente. "Somos apenas eu e tu."
"Por favor! Por favor!" os gritos agudos do Curinga preenchiam o ambiente, e apenas faziam com que o estômago da Rainha fervilhasse ainda mais com a expectativa.
Com um gesto de suas mãos, a Rainha conjurou um objeto que consistia em duas grandes lâminas de ferro unidas entre si por amplos parafusos. Ambas as lâminas eram repletas de bolas em seu interior, também de ferro. Ajoelhando-se em frente ao Curinga, a Rainha posicionou o polegar do mesmo entre as lâminas.
"Por favor!" suplicou o Curinga. "Já lhe disse que não sei onde Humphrey está!"
"Oh, querido, eu sei," disse a Rainha, suavemente.
"Então por que não me deixa ir?" gritou o Curinga, em meio a seus soluços.
A Rainha de Copas aproximou seu rosto do súdito; o brilho obscuro em seu olhar despertou novos tremores sobre o corpo da criatura. "Porque tens de pagar pela tua insubordinação," foi sua resposta.
Com magia, a Rainha fez com que os parafusos girassem, aproximando uma lâmina da outra. O barulho de ossos sendo partidos se sobrepôs ao ambiente; o Curinga foi capaz sentir cada um dos ossos de seu polegar serem impiedosamente triturados. Lágrimas escorreram por seu rosto pálido, seguidas de gritos de agonia, que ecoaram pelas masmorras.
"Por favor, Majestade!" exclamou o Curinga; sua voz tremia. "Por favor! Deixe–me ir!" suplicou o Curinga.
A satisfação fervilhou no peito de Cora; uma risada gutural perpassou-lhe os lábios.
Cora retirou o dedo inchado do Curinga do objeto e partiu para repetir a ação na outra mão. Mais gritos agoniados preencheram o ambiente.
Depois, a Rainha conjurou um outro objeto que consistia em duas grandes barras de madeira, também separadas entre si por parafusos, porém, maiores que os anteriores. Dessas duas barras, brotavam vários espinhos, também de madeira. Com um sorriso maquiavélico, Cora colocou o objeto na perna esquerda do Curinga, que ofegou em antecipação.
Os parafusos começaram a se apertar, aproximando as barras entre si, o que fez com que os espinhos de madeira penetrassem a carne do Curinga, triturando-lhe, em ritmo tortuosamente lento, a rótula do joelho. O sangue escorreu por suas pernas ossudas, bem como as lágrimas escorriam de seus olhos suplicantes. Cora não repetiu o processo na outra perna; ao invés disso, levantou-se e afastou-se alguns passos da cadeira. Esticou a mão no ar, em direção ao abdômen do Curinga. No momento seguinte, um forte jato de água fria foi lançado na direção da pobre criatura.
Chegou um momento em que os gritos do Curinga se tornaram contínuos, bem como os espasmos que tomavam conta de todo seu corpo. A Rainha conjurou um alicate enferrujado, aproximou-se do súdito, abrindo-lhe a boca à força, e cortou-lhe a língua fora. O Curinga engasgou com o sangue.
Então, a Rainha fez com que as ligas de couro libertassem o Curinga, porém, antes mesmo que este tivesse tempo de ao menos tentar fugir, a Rainha já o levitava por magia. Com um gesto de sua mão livre, ela fez com que uma fumaça muito branca e densa preenchesse o ambiente. Quando esta se dissipou, a Cadeira Inquisitória sumira, dando lugar a um Balcão de Estiramento.
O Balcão de Estiramento consistia numa tábua de madeira, na qual, no meio, eram afixados longos rolos de ferro com espinhos brotando de toda parte. A Rainha fez com que o corpo maculado do Curinga fosse deitado sobre os rolos. Os espinhos penetraram, outra vez, sua carne. Então, correntes de ferro foram afixadas em seus quatro membros. Com um toque, Cora fez com que as duas rodas que prendiam tais correntes começassem a girar vagarosamente.
As correntes puxaram os membros do Curinga. Nos primeiros segundos, pouca dor lhe foi infligida, porém, quando a corrente lhe exigiu que esticasse os membros de modo anatomicamente impossível, sua coluna vertebral protestou o assalto, refletindo toda a dor. Ele ficava cada vez mais pálido e seus olhos se arregalavam mais e mais a cada segundo que se passava; a dor, que possuía cada lince de seu organismo, era dilacerante, trucidante. As lágrimas escorriam ininterruptas por seu rosto e pescoço, e os soluços que sacudiam seu corpo apenas tornavam tudo pior.
Cora conjurou um majestoso trono vermelho, onde sentou-se regiamente, e cruzou as pernas.
O objeto continuou em funcionamento durante, aproximadamente, uns vinte minutos, nos quais os membros do Curinga se alongaram, e alongaram, e alongaram, e alongaram. Completamente consciente, a criatura pôde sentir cada tendão se estendendo, cada cartilagem se rompendo, cada osso se partindo, cada músculo se rasgando, cada nervo protestando... Até que, enfim, cada vértebra de sua coluna se desalinhou, fazendo com que a dor atingisse o ápice e, logo em seguida, começasse a ser lentamente anestesiada por um entorpecimento que se difundiu, gradualmente, por todo seu corpo. Sua visão foi se escurecendo aos pouquinhos. O que se seguiu foi que seu abdômen e peito se romperam, fazendo com que ele caísse, finalmente, na inconsciência.
A Rainha batia os dedos em ritmo alegre no braço da poltrona, e um sorriso triunfante estampava-lhe a face.
* * * *
"O que está fazendo?"
Parte do pânico que envolvia Regina se estendeu, também, a Emma. Agora sim, estava fodida de verdade, pensou. Preferia enfrentar O Demônio de Salto Alto a enfrentar a ira de Regina.
Regina, já havendo recuperado parte de suas forças, se levantou num salto e se afastou uns dois passos de Emma, quem permanecia ajoelhada no chão; lágrimas ainda escorriam por seu rosto, e seus ombros estavam caídos em derrota.
A pulsação de Regina latejava em seus ouvidos, aquecendo-lhe a face, ruborizando levemente suas bochechas. A dor estava evidenciada nas linhas de seu rosto, enquanto ela encarava a rival de cima.
"Regina," disse Emma. Sentia como se um grande buraco houvesse sido cavado em seu peito. De repente, seu corpo foi possuído por um frio terrivelmente amedrontador.
Regina a encarava com seus grandes olhos marrom-chocolate, que transbordavam toda sua dor e confusão. "Regina, eu... Eu... Desculpe," continuou a loira, o coração ameaçando quebrar-lhe as costelas, tão rápido ele batia. Regina fechou os olhos, a fim de conter as lágrimas. "Eu sinto muito, de verdade. Não pretendia—" continuou Emma, mas foi interrompida pelos lábios de Regina sobre os seus, outra vez.
Regina não conseguia raciocinar direito; fora pega de surpresa pelo beijo de Emma e pelas sensações por ele despertadas, sensações as quais Regina acreditara, por muito tempo, estarem mortas. O pânico a consumira e ela se afastara, a fim de clarear a mente, entretanto, não obtivera êxito. Quando novamente a loira se aproximara, Regina perdera o controle; atirara-se sobre ela, capturando-lhe os lábios num beijo forte e intenso, que liberava toda a tensão sexual contida entre ambas durante meses e mais meses.
Regina ofegava; se era devido ao beijo ou à dor intensa em seu peito, ela não saberia dizer. Tudo sobre o qual tinha consciência, naquele momento, era seu desejo por Emma Swan, alguém que, desde que chegara, estivera destruindo cada coisa que Regina conquistara, inclusive sua sanidade mental.
Os lábios de Emma eram gentis, porém famintos; despertavam, em Regina, arrepios e aquela mesma sensação de plenitude, sentida a momentos atrás. As mãos de Regina se aventuravam pelas costas da loira; a sensação de seu peito colado contra o dela sendo capaz de levá-la à loucura.
Regina subiu uma mão até a nuca de Emma, envolvendo seus dedos nas madeixas loiras. Puxou-as delicadamente, de modo a fazer com que Emma levantasse a cabeça, exibindo, com o ato, seu pescoço.
Emma fechou os olhos; pôde sentir os lábios quentes de Regina descerem desde seu queixo até suas clavículas. Quando abriu-os novamente, seus olhos encontraram, outra vez, o brilho das estrelas, mas estas, agora, pairavam intactas no céu, sem se atreverem a dançar ou formar qualquer imagem. Seu brilho era mais singelo, mais disfarçado, quase como que roubado pelas duas, que se agarravam lá em baixo. Era quase como se Emma Swan, sem saber, houvesse derrotado as estrelas; Regina, agora, estava dentro de seu campo de visão, porém, a seu alcance. Podia tocá-la, podia tê-la. Alcançara seu maior desejo, e isso deixara as estrelas sem nada para refletir. Estava imune aos encantos daquele céu.
Regina deitou a loira na grama macia, delicadamente, e postou seu corpo sobre o dela. Ao sentir o peso de Regina sobre si, Emma soltou um gemido de satisfação, que despertou arrepios na outra.
Oh, por quanto tempo Regina sonhara em poder tocá-la! Por quanto tempo quisera provar de seus lábios, de sua pele; por quanto tempo quisera afogar-se em seus suspiros, enlouquecer ao som de seus gemidos... Por quanto tempo sonhara em tê-la assim, tão entregue... Por quanto tempo sonhara em poder amá-la... Então, se assim era, por que doía? Porque dilacerava-lhe o peito o sentimento tão intenso?
As mãos de Regina subiram por dentro da regata branca de Emma, lentamente, provocando-lhe arrepios. Apertou os seios da loira, por cima do sutiã, de leve. Emma gemeu em seus ouvidos, arranhando levemente as costas de Regina.
Emma desabotoou a blusa social de Regina com urgência, passando as unhas por seu abdômen, deixando nele marcas vermelhas, fazendo com que a morena ofegasse.
Regina arrancou a blusa de Emma, juntamente com o sutiã, e desceu beijos por seu colo, mordiscando e chupando seus mamilos.
A verdade era que a dor que Regina sentia também se estendia a Emma; lágrimas começaram a se acumular no canto dos olhos da loira, ao observar Regina descer os beijos por sua barriga. Emma enlaçou seus dedos nos cabelos negros e puxou o rosto de Regina de volta em sua direção, beijando-lhe os lábios novamente, provando daquela sensação única mais uma vez.
"Regina," disse Emma, após o beijo, com a voz embargada; a dor em seu peito ameaçava destruí-la.
"Shh," disse Regina, voltando a beijar-lhe o pescoço. Se Emma Swan fosse começar a tagarelar outra vez, Regina tinha certeza de que não conseguiria mais conter as lágrimas.
"Eu... Eu acho que..." ofegou Emma, enquanto lutava para se concentrar em algo além dos lábios de Regina que praticamente queimavam sua pele.
Regina ergueu o rosto para encarar Emma; a dor estampada em seus olhos fez com que algo se desmantelasse suavemente no peito da loira. De repente, um grande instinto de proteção foi despertado nela: de repente, sentia a necessidade de abraçar Regina, de beijá-la até que toda sua dor fosse embora, de curá-la de todos os demônios que a adoeciam...
— "I wanna hold you high and steal your pain away." —
"Regina, eu acho..." Emma tentou novamente, mas as palavras lhe fugiram.
"Não ache nada, Srta. Swan," disse Regina; sua voz também soava estrangulada devido à dor que comprimia seu peito, porém, ainda assim, a morena conseguia invocar um tom sedutor, que fez com que Emma se esquecesse de tudo ao redor delas. "Apenas cale a boca."
Emma franziu a testa, e Regina voltou a beijar-lhe os lábios. Dessa vez, o beijo foi longo, e ambas as mulheres o desfrutaram satisfatoriamente. Tudo o que Regina conseguia pensar era que estava beijando os lábios os quais haviam quebrado sua maldição. Estava sendo o "bobo da corte" do destino, que dava altas gargalhadas de sua cara, enquanto ela, lentamente, percebia que se apaixonara perdidamente por aquela que deveria lhe destruir.
Uma certa pontada de raiva fervilhou no peito de Regina. Fora fraca. Sucumbira a seus desejos, permitira que Emma Swan atravessasse seu escudo protetor, e agora, teria de pagar por isso. Quanto maior fosse o sentimento, maior seria o preço. Regina seria inteligente em se afastar de Emma e provavelmente matá-la, acabar com sua existência, de modo a extinguir, também, aquele sentimento que a sufocava. Queria que Emma sentisse parte de sua dor.
Regina colocou uma mão sobre o pescoço de Emma, apertando-o levemente. Deveria sufocá-la!, pensou Regina, mas não tinha a força necessária. Emma, em um movimento rápido, tirou a mão de Regina de seu pescoço e enlaçou seus dedos nos dela, virando-se de modo a posicionar-se por cima da morena.
Emma segurou ambas as mãos de Regina e levantou-as sobre sua cabeça, prendendo-as firmemente contra o chão. Os cachos dourados de Emma caíram a seu lado, esbarrando em Regina e causando-lhe uma deliciosa sensação de cócegas.
Regina não se atrevia a olhar naqueles olhos verde-esmeralda; ainda temia a intensidade de sua luz, temia os segredos por eles escondidos, sendo assim, mantinha a cabeça virada para o lado e os olhos fortemente fechados. Emma beijava seu pescoço e dava leves mordidas, que apenas intensificavam a dor no peito da morena.
Regina tentou se libertar do controle de Emma, mas esta mostrava-se mais forte naquele momento. Emma colocou uma de suas pernas entre as de Regina, e pressionou-a contra seu centro, fazendo com que Regina estremecesse ao contato.
"Emma," disse Regina, e o modo como sua voz soava dava a entender que a morena estava em frangalhos. Emma levantou o rosto para encará-la, a preocupação tingindo-lhe as feições. Surpreendeu-se ao ver que lágrimas escorriam pelo rosto majestoso de Regina.
O sentimento explodiu dentro do peito de Emma. Tocou o rosto de Regina carinhosamente, e virou-o em direção ao seu. "Hey," ela disse, quase que num sussurro suave. "Hey, olhe para mim."
Regina deixou escapar dois soluços. Seu rosto se contorceu, enquanto ela tentava, em vão, lutar contra as lágrimas. O ódio ainda se fazia presente em seu peito; ódio por Emma, ou melhor, ódio por aquilo que sentia por ela. Regina sentiu Emma afagar seu rosto carinhosamente, e se aventurou a abrir os olhos, a fim de encontrar os verde-esmeralda.
No momento em que os olhos se encontraram, foi como se tudo ao redor das duas houvesse magicamente sumido. De algum modo, eram apenas as duas em meio ao nada; duas almas que se encaixavam perfeitamente, quase como se houvessem sido designadas uma para a outra. Naquele momento, Regina teve a certeza de que Emma Swan era sua maior fraqueza.
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