Lost In Paradise

23 How Do I Save You?


Notas iniciais
N/A (1): Acabei demorando um pouco mais pra atualizar do que eu previ. Desculpem-me por isso! :( Ando bastante ocupada. Espero que ainda estejam empolgados para a fic, though.
N/A (2): Esse capítulo era originalmente BEM maior, mas resolvi cortar nesse ponto porque, well, what can I say? Queria que ele ficasse assim, mais poético. *u* Mas segurem os corações, que toda a ação tá sendo reservada para os próximos capítulos. Aliás, estamos chegando no clímax da história. Sei que já avisei mil vezes, mas o clímax vai ser beeeeeem dramático. D:
N/A (3): Para ler esse capítulo, sugiro embora eu saiba que muitos de vocês não vão gostar muito do estilo dessa cantora (que, by the way, é a minha preferida ♥) que ouçam essa música: http://www.youtube.com/watch?v=d4_Hv8uF1Qg tem TUDO a ver com Swan Queen e eu morro de chorar toda vez que escuto. ♥

CAPÍTULO VINTE E DOIS — COMO SALVÁ-LA?

Regina finalmente encarou Emma nos olhos e, alargando o sorriso, disse, casualmente: "Vamos atrás de meu coração."

Uma gargalhada agourenta preencheu o ambiente e os pêlos da nuca de Humphrey se arrepiaram. Pouco a pouco, os misteriosos planos da Rainha iam se desenrolando diante de seus olhos, tornando-se mais e mais claros para ele com o passar dos segundos. Um arrepio perpassou-lhe a coluna ao perceber que ele temia pela morena e o que estava por lhe acontecer, caso suas suposições estivessem corretas — e, a julgar pelo olhar de Cora, estavam.

* * * *

"Regina!" gritou Emma, pela quarta vez, e a morena finalmente se virou para encarar a esposa. Com uma pontada no coração, Emma percebeu que a estava perdendo outra vez para a escuridão.

"Sim?" perguntou em tom aveludado.

"Tem certeza do que está me dizendo?" perguntou Emma, com a voz tremendo; no fundo, torcia para que Regina mudasse de idéia, porém, sabia que fazê-lo seria muito mais arriscado.

"Absoluta, querida," disse a morena, sorrindo abertamente. Um brilho vitorioso se espalhava gradualmente por seu olhar.

"E se eu não quiser que você faça isso?" perguntou Emma, mordendo o lábio inferior a fim de impedir que seu queixo tremesse igualmente.

Uma risada debochada perpassou os lábios de Regina. "Que direito você tem de querer alguma coisa?" perguntou, num impulso, ainda em seu tom aveludado, o qual despertava em Emma os mais estranhos dos arrepios.

A testa da loira à sua frente se franziu e relances de dor se estamparam em seus olhos verde-esmeralda. Com um solavanco, Regina percebeu o que acabara de fazer, e o arrependimento atingiu-a em cheio no peito.

"Desculpe-me," sussurrou, perdendo a pose de Rainha Má. "Emma, desculpe-me, eu... Eu não quis dizer isso."

"Mas disse," murmurou Emma, magoada; depois, respirou fundo e piscou a fim de levar embora as lágrimas que se formavam no cando de seus olhos. "Tudo bem, faça o que quiser, mas saiba que eu não vou permitir que algo aconteça com você. Se aquela maluca da sua mãe — e, perdoe-me por dizer isto, mas ela é maluca mesmo — encostar um dedo sequer em você, vou arrancar suas costelas e usá-las como uma coroa."

Um misto de diversão e surpresa perpassou o rosto da morena. "E dizem por aí que eu sou malvada," brincou, abrindo um sorriso apologético logo em seguida.

* * * *

"Humphrey, faz o favor de preparar minha carruagem," disse Cora, casualmente, enquanto penteava suas longas madeixas em frente a seu espelho encantado.

"M-m-majestade, que mal te pergunte, mas... Que pretendes fazer?" perguntou, torcendo a barra de seu colete. "Aonde pretendes ir?"

"Ora, aonde pretendo ir!" repetiu Cora, incrédula. "Obviamente pretendo ir atrás de nosso portal, estúpido! Estaremos de volta à nossa Terra amanhã, logo quando o dia raiar," informou, satisfeita.

"S-s-sim, Majestade, m-mas..."

"Nada de 'mas', imprestável," rugiu Cora, o que fez com que o homenzarrinho pulasse dois centímetros do chão em sobressalto. "Prepara minha carruagem."

* * * *

"Como pode estar tão certa de que seu plano vai funcionar?" perguntou Emma. "Como sabe que Cora estará esperando por você naquele campo?"

Um sorriso parcialmente maligno se estampou no rosto de Regina. "Porque foi lá que tudo começou," disse, estreitando os olhos.

"Q-quero ir com você," disse Emma firmemente, ao finalmente encontrar coragem para verbalizar o que tanto lhe cruzara a mente nas últimas horas conturbadas.

"Isto está fora de questão," disse Regina, simplesmente, voltando sua atenção ao cavalo o qual escovava carinhosamente.

Emma a observou por alguns instantes: Regina movia-se majestosamente de um lado para o outro, acariciando e escovando o pelo do cavalo. Este parecia bastante entretido com a presença e os cuidados de Regina; relinchava alegremente e, vez ou outra, esfregava seu fucinho na palma da mão da morena.

"Por favor, Gina, deixe-me ir com você," pediu Emma, num quase sussurro.

Ainda de costas para Emma, Regina parou de escovar o cavalo. Poucos segundos se passaram, enquanto o silêncio dava a impressão de comprimir o ambiente que as cercava. Por fim, a morena se virou; uma expressão séria encontrava-se estampada em seu rosto.

— " How do I save you from a fate so sweet as being torn to pieces by a loving hand?" —

"Não vou arriscar perder você," ela disse, com a voz estrangulada. "De um jeito, ou de outro."

"Como assim?" perguntou, confusa.

Regina respirou fundo e fechou os olhos a fim de evitar a enchente de lágrimas que ameaçava escorrer por seu rosto.

"Quando eu encontrar com Cora... Bem... Não vai ser bonito," disse, simplesmente, e voltou sua atenção ao cavalo, deixando Emma perdida em seus devaneios.

— "How do I save you from a voice so soft as that which acquiesces to your each demand?" —

"Está com medo que eu vá deixá-la!" exclamou Emma, exasperada, quando a compreensão finalmente despencou sobre si.

"Perdão?" perguntou Regina, de costas para Emma.

"Está com medo que eu vá mudar de idéia sobre... Sobre nós... Caso eu a veja lutando contra sua mãe..."

Regina soltou a escova que segurava, deixando-a despencar no chão. Abaixou a cabeça alguns centímetros e, após alguns segundos de conflito em sua mente, ela virou-se para encarar a esposa. "Estou com medo que você vá finalmente perceber que não sou boa o suficiente para alguém como você," admitiu, sem nem se importar, pela primeira vez na vida, se estava sendo vulnerável ou não. Não havia mais motivos para esconder seus sentimentos, suas dúvidas, suas inseguranças, pensou.

— "How do I look upon the eyes I love and send them down this path I know it isn't right?" —

"Regina..." sussurrou Emma, carinhosamente, avançando dois passos em direção à morena.

Regina apenas sacudiu a cabeça negativamente, fechando os olhos numa expressão de dor, e se afastou, mantendo entre ambas uma distância confortável.

"Não. Apenas me escute," disse, e sua voz falhou. "No fundo, eu sei que deveria permitir que você visse, finalmente, o que tanto vim lhe prometendo... Deveria permitir que você finalmente visse do que sou capaz..."

— "How do I make you realize, my love, that there is more to fear than strangers in the night?" —

"Mas há uma parte de mim que não quer isso;" continuou. "Há uma parte de mim que é egoísta o suficiente para querer você, apesar de eu ter clara ciência de que você merece alguém melhor. Há uma parte de mim que não quer deixar você ir embora..."

"Eu não pretendo ir a lugar algum, Gina," disse Emma, com a voz embargada.

— "How do I save you, how do I set you free? Behind the curtain waits a darker world." —

"Mas há outra parte de mim que precisa que você vá, que precisa fazer com que você se afaste, antes que seja tarde demais, antes que eu a destrua..."

"Você não vai me destruir," disse Emma, confiante.

"Pelo amor de Deus, Emma!" exclamou Regina em tom agudo; agora as lágrimas escorriam livremente por seu rosto. "Olhe só o que fiz com todos que passaram por minha vida até agora!"

— "If I can't make you leave, how do I save you from me?" —

"Bem, eu não sou igual a todos os outros," disse. "E você não vai me destruir."

Ao ouvir as palavras de Emma, Regina manteve-se calada por alguns segundos. Era verdade, pensou. A loira era diferente de qualquer outra pessoa que já houvesse cruzado seu caminho antes. Emma fora a única, pelo que Regina podia lembrar, a enfrentá-la, a encará-la, a desafiá-la e, por fim... A amá-la completamente — todas suas partes, inclusive as mais obscuras, as quais todos a seu redor temiam e odiavam. Emma fora a única a lutar contra ela, quando preciso, e por ela, sempre.

— "I think you've had enough experience to differentiate between a heart of gold." —

"Eu entendo que você tenha essa fantasia de ser inquebrável, Emma. Entendo que se ache valente o suficiente para encarar esse desafio... Se eu dissesse que parte de mim não está contente por saber que você, dentre todas as outras pessoas, está disposta a lutar por mim, eu estaria mentindo. Mas há parte de mim que não consegue evitar pensar que você não está vendo a situação em seu contexto geral," confessou, respirando fundo a fim de tentar controlar os soluços que sacudiam-lhe o corpo.

— "Can you not recognize a soul already sold?" —

Emma respirou fundo. "Você me ama?" foi tudo o que perguntou.

Regina franziu a testa e encarou a loira profundamente nos olhos. "Precisa ser dito?" perguntou, timidamente; naquele momento, acreditava que as palavras fossem desnecessárias — estas poderiam apenas causar mais dano.

"Sim, precisa," disse Emma. "É tudo que importa, Regina. Se disser que não me ama, respeitarei sua vontade e partirei — embora nunca deixarei de ajudá-la, mesmo que à distância. Agora, se disser que me ama, então, que se dane o mundo! Vou virá-lo do avesso para continuar a seu lado, não importa o que você tente fazer para impedir."

— "How do I save you from the things I've been? I can't deny the past, it's written on my face."

Regina escondeu o rosto nas mãos e permitiu que os soluços tomassem conta de seu corpo. Em sua mente, tentava, em vão, convencer-se a negar seus sentimentos; talvez assim pudesse, pela primeira vez em sua vida, fazer algo nobre e salvar Emma de um destino cruel ao lado da Rainha Má.

— "How do I save you from the mess you're in, when I can't make you leave this torturous embrace?" —

Mas a absoluta verdade foi tudo o que conseguiu escapar de seus lábios. "Eu amo você," ela sussurrara. "Eu amo você."

"Então, confie em mim," disse Emma, aproximando-se novamente de Regina, quem, dessa vez, não fez menção de querer se afastar. "E deixe-me ir com você."

Por um segundo — um breve, breve segundo, Regina entendeu as palavras de Emma. "Que se dane o mundo," foram as palavras que ecoaram em sua mente e fizeram com que ela se jogasse aos braços da amada, apertando-a contra si e escondendo seu rosto no ombro macio.

"Tudo bem," disse Regina, com um aperto no peito. "Tudo bem," repetiu e, dessa vez, parecia estar querendo tranqüilizar mais a si própria, que a Emma.

"Estou com você," Emma sussurrou, e selou os lábios de Regina.

— "How do I save you, how do I set you free? Behind the curtain waits a darker world. If I can't make you leave, how can I save you, save you from me?" —