Lost In Paradise
4 Candy Clouds Of Lullaby
CAPÍTULO TRÊS — DOCES NUVENS DE CANÇÃO DE NINAR
Emma já havia perdido a conta de quantas vezes girara; já começava a sentir-se nauseada. A mão de Regina, a qual estivera segurando firmemente durante o último par de minutos, começava a escorregar da sua. Tentou abrir os olhos, para ver se conseguia avistar qualquer coisa que pudesse sugerir aonde estavam sendo levadas pelo furacão de fumaça roxa, porém, tudo que seus olhos puderam captar foram inúmeras sombras e borrões indefiníveis de várias cores. Ela percebeu, após alguns segundos, que, além de estar girando, também estava caindo livremente pelo ar.
Eventualmente, os giros diminuíram tanto a velocidade quanto a freqüência e logo elas estavam apenas a cair... Cair... Cair... Muito não demorou para que finalmente colidissem com o chão.
O primeiro pensamneto de Emma foi que caíra em sua cama, tamanha fora a maciez que seu corpo encontrou e, também, a sonolência que acabara de tomar conta de seus sentidos. Podia ainda sentir a mão de Regina fechada na sua. Apertou-a afetivamente.
Emma abriu os olhos outra vez, e eles instantaneamente captaram a visão do céu. Era azul, mas um azul engraçado. Era azul de algodão-doce, e brilhava e reluzia de modo que nenhum mortal ousara antes sonhar. As nuvens eram brancas como a neve e cheias de formatos engraçados, Emma percebeu. Era hipnótico. Pôde deduzir um cupcake, um leão, um garfo, um pincel, uma bota, um coelho, um livro, um rato, um Wraith.
...Espere...
...PUTA MERDA, O WRAITH!
A visão da coisa negra encapuzada trouxe Emma de volta a seus sentidos. O demônio alado avançava rapidamente na direção das duas.
"Regina, rápido, precisamos nos mover!" Emma gritou, levantando-se e puxando Regina pela mão. Para seu grande desapontamento, a mulher não se levantou. Com uma pontada de pânico atingindo-a em cheio no estômago, ela percebeu que Regina estava inconsciente.
Emma olhou a seu redor, em busca de algo ou alguém que pudesse lhe ser útil, mas tudo que seus olhos podiam captar era azul e verde; o céu azul de algodão-doce e a grama verde-esmeralda esvoaçante.
O Wraith estava perigosamente perto. Emma se jogou em cima de Regina, cobrindo o corpo dela com o seu. Fechou os olhos firmemente e desejou, com todo seu coração, que estivessem em algum lugar seguro, algum lugar onde aquela criatura horrenda não pudesse alcançá-las, algum lugar onde pudessem respirar... Quando uma forte corrente de ar se espalhou pelo campo, Emma apertou o abraço em Regina, preparando-se para o ataque do Wraith, porém, este nunca veio.
Quando parou de ventar, Emma abriu os olhos novamente e foi atingida por tão grande choque, que pulou praticamente dois centímetros do chão. Que demônios?, pensou, enquanto seus olhos esquadrinhavam o ambiente. Elas não estavam mais no campo verde; agora, encontravam-se num lugar que mais se assemelhava a um quarto decorado à moda vitoriana. Regina estava encolhida, deitada no chão quadriculado de preto e branco, que dava a Emma a impressão de estar num campo de xadrez em tamanho real. O teto era abobadado e meio rachado; destas rachaduras brotavam — imagine só — inúmeras flores das cores mais estranhas que já vira. Tapeçarias pendiam das paredes e as janelas estavam semi-cobertas por uma cortina roxa. Bem no centro do cômodo, encontrava-se uma majestosa cama, também com cortinas roxas. Ao canto, via-se um armário tão branco que mais parecia ser feito de... Algodão, pensou.
Emma não fazia idéia de onde estava, ou de como ali chegara. Para tornar tudo pior, Regina ainda estava inconsciente. Ajoelhando-se de volta ao chão, Emma colocou a cabeça de Regina em seu colo. Sacudiu-a uma, duas vezes... Os olhos castanho-chocolate finalmente se abriram.
"Que aconteceu? Onde estou? Onde está o Wraith?" perguntou, assustada; seus olhos arregalados analisavam o ambiente em ritmo frenético.
Emma observou enquanto Regina se levantava e caminhava rapidamente em volta do aposento, ofegante. "Não," ela ouviu Regina lamentar, tristemente, enquanto girava nos calcanhares; seus olhos, tentando captar a visão de tudo a seu redor ao mesmo tempo. "NÃO!" exclamou Regina, dessa vez, fortemente. "Puta merda, estou fodida!"
Regina se sentou na cama e descansou a cabeça, que zunia, em suas mãos. Emma se levantou mais uma vez e se aproximou da morena. "Regina," ela disse, suavemente. Não obteve resposta. "Onde... Onde estamos?"
Regina permanecia calada. Emma imaginou que ela estivesse tendo um breakdown, pois pensou ter ouvido um fraco gemido escapar de seus lábios. Alguns segundos depois, a morena levantou o rosto e seus olhos lacrimosos encontraram os de Emma com uma urgência neles nunca antes constatada pela loira.
"Presas," gemeu Regina, quase que teatralmente. "Em Wonderland. Com alguém duas vezes mais maldoso que eu. E com o Wraith. Estou fodida."
Mas Emma parara de escutar após a palavra "Wonderland". Desatou a rir descontroladamente e assim continuou, mesmo quando seus pulmões imploraram por ar.
"Você acha isso engraçado?" demandou Regina, sua voz transportando toda sua raiva e dor.
Emma não parou de rir; na verdade, ela começou a rir mais alto. "Wonderland, sério? Que nem Alice In Wonderland, amiga da Lagarta Azul e do Gato de Chesire e do Chapeleiro Louco e—oh, este seria Jefferson. Jefferson está aqui? — Não, é claro que não, ele está preso em Storybrooke, que é exatamente onde NÓS deveríamos estar, mas, oh, céus, NÃO! Estamos aqui em baixo, em Wonderland, e tem flores brotando da porra do teto! Imagine isso!" Emma não havia percebido, mas sua voz tornava-se mais e mais aguda; mais e mais alta a cada nova palavra mencionada. Estava entrando em pânico. Pela primeira vez em sua vida, Emma Swan estava perdendo o controle.
"Srta. Swan, você vai se recompor, ou precisarei dar um tapa na sua cara?"
Emma riu tão alto que lágrimas começaram a se formar no canto de seus olhos. "E agora a Rainha Má acaba de ameaçar me bater, mesmo depois de eu ter salvado sua vida."
"Emma," rosnou Regina, prolongando o nome. "Você precisa se acalmar. Não me ouviu dizer que tem alguém duas vezes pior do que eu aqui? Precisamos encontrar uma saída, e rápido!"
Emma tentou se acalmar e conter as risadas. Conseguiu, após respirar fundo por alguns segundos, articular, embora seu discurso ainda fosse entrecortado por uma ou duas risadas teimosas: "Duas vezes pior? Quê, quer dizer que é o Demônio?"
"Quase isso... O Demônio de salto alto."
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