Lost In Paradise
17 Alone, And Lost In Paradise.
Notas iniciais
N/A (2): Além disso, me perdoem, me perdoooooeeeeem, mas eu AVISEI que o drama só ia piorar daqui pra frente. Esse capítulo tá triste, principalmente o final dele, mas isso é fichinha em comparação a um capítulo que está por vir. MAS, NÃO TEMAM, saibam desde já que eu prometo um final feliz e emocionante!
N/A (3): Alguém aí estava se perguntando que demônios havia acontecido com o Humphrey? Se estava, aqui vem o começo de uma looooooonga explicação.
N/A (4): Saudades da Rainha de Copas? Esperem só pelo próximo capítulo. ;-)
N/A (5): Espero que gostem.
N/A (6): Muitoooooooooo obrigada pelos comentários! Vocês sempre conseguem me emocionar. Fico feliz que estejam gostando! ♥
OBS: Eu, retardada, acabei postando a parte errada da história do Humphrey. Consertei agora. Se alguém leu antes, favor, fingir que esqueceram e fazer cara de SURPRESA no próximo capítulo, obrigada. hahahaha
OBS (2): Ei, ei, ei, eiiiii! Escutem ao ler o capítulo, fica a dica: http://www.youtube.com/watch?v=3rnxlW5TrBs
Capítulo Dezesseis — Sozinha, E Perdida No Paraíso.
Humphrey corria. Corria como se sua vida dependesse disso — e, até onde sabia, poderia muito bem depender. Reconhecera a Rainha de Copas, através do olhar, naquele corpo estranho, e pior: tinha certeza de que ela o reconhecera também.
A relação entre Humphrey e a Rainha de Copas era tão intensa e vinha de tanto tempo que uma simples troca de olhar já bastava para lhes dar uma idéia do que se passava na mente do outro. O que Humphrey vira ali, estampado naqueles olhos cruéis e assassinos, quando se postaram sobre si, fora mais do que suficiente para fazê-lo desatar a correr; a princípio, sem rumo fixo em sua mente.
Quando, por fim, parou para descansar e beber um pouco da água de um córrego, novo plano começou a se formar em sua mente. Seguiu, então, em direção ao Jardim das Flores, ainda sob seu disfarce de esquilo.
* * * *
Muitas horas já haviam se passado desde a última discussão entre Emma e Regina. O azul-damasco que outrora possuía o céu já havia se dissipado em um inocente tom azul-bebê. As nuvens tornavam a apresentar-se brancas e em diversos formatos bizarros. O Wraith permanecia firme em seu posto, embora já houvesse desistido de investir contra o feitiço protetor. Agora, sua forma encapuzada apenas pairava no céu, pacientemente, bem como paira um urubu ao observar a decadência de sua presa antes de atacá-la.
Regina era a presa e estava, de fato, em decadência. Desde sua última ameaça, Emma havia se mostrado anormalmente quieta — o que era bom, pensou Regina. Era o que desejava. Contudo, não podia ignorar o fato de que a ameaça viera porque a loira, mais uma vez, passara dos limites e se atrevera a beijá-la. Regina odiava as sensações despertadas pelo simples toque daqueles lábios nos seus. Odiava como a lembrança de sua textura, de seu gosto, de seu formato e do modo como se mexiam contra os seus ainda era vívida, forte, podendo rapidamente aniquilar sua sanidade mental. Odiava como a mera presença de Emma Swan, seu mero cheiro, era capaz de tirá-la do sério. Fosse outrora, haveria controle total sobre seus sentimentos; entretanto, naquele momento, Regina estava fraca, vulnerável. Conscientemente, atribuía o fato ao prévio encontro com a mãe; acreditava haver revertido à garota submissa de seu passado. Supunha que, ao livrar-se do peso da presença da mãe, a sensação de incapacidade que a acometia fosse se esvanecer. Esperava que, no momento em que retornasse a Storybrooke, fosse recuperar o controle da situação. Entrementes, num nível mais subconsciente, Regina sabia que o fato de sua súbita mudança de comportamento se devia, não à presença da mãe, mas sim aos últimos acontecimentos, nos quais Emma Swan se fizera presente. Emma Swan era a fonte de todos os seus problemas.
Muito se passara pela cabeça de Regina nas últimas horas. Vários planos de fuga foram traçados e, logo a seguir, descartados, por serem impossíveis ou arriscados demais. Vários pensamentos assassinos lhe cruzaram o âmbito da mente, mas, por algum motivo, a enojaram até o fundo da alma, acabando igualmente descartados. Idéias de rendição a possuíram durante certo período de tempo, apenas para serem também aniquiladas quando vívidas lembranças da noite do assassinato de seu primeiro amor lhe foram evocadas. "O amor é uma fraqueza" eram palavras que a acompanhavam constantemente, fazendo-se presentes nos momentos mais inconvenientes. Eram palavras que dilaceravam-lhe a alma impetuosamente.
O desespero estava começando a levar o melhor sobre ela. Precisava encontrar alguma saída, e não apenas daquele lugar. Precisava encontrar algum jeito de escapar de todas as suas lembranças aterrorizantes, de escapar do enlace de sua mãe psicótica, de se livrar dos sentimentos que a enfraqueciam em relação à loira odiável. E, acima de tudo, precisava encontrar um jeito de escapar de si mesma — daquilo que havia se tornado. Foi só então que Regina percebeu... Ela se odiava.
O azul-bebê do céu começava a ser pontuado por tons alaranjados e avermelhados, sinalizando o ocaso de mais um dia, e a próxima ascensão da noite. Regina mal percebera que os raios solares tornavam-se menos e menos intensos, tão absorta encontrava-se em seus pensamentos. Precisou que Emma a sinalizasse em direção ao céu, para que só então fosse despertada de seu transe.
"Está tarde," murmurou Regina. Sua voz soava fraca, sem emoção. Seus olhos mostravam-se cansados; olheiras acometiam-nos sorrateiras.
"Nada foi ainda decidido," apontou Emma, de modo delicado.
Regina fechou os olhos com força e inspirou profundamente; a essência do ambiente já se provava parcialmente alterada para a noturna. "Não há nada a ser feito," disse, por fim, sentindo o peso de suas palavras sucumbir em seu estômago.
"Tem de haver algum jei—" começou Emma.
"Há um jeito," interrompeu Regina, abrindo os olhos novamente e erguendo a cabeça em direção ao céu. Por algum motivo, a figura do Wraith não mais a assustava; por algum motivo, ela agora dava-lhe as boas vindas como se a um velho amigo.
"Um jeito que resultaria em sua morte," disse Emma, com a voz embargada. A dor evidente em sua voz chamou a atenção da morena de modo sutil.
"O que apenas me impediria de retornar a Storybrooke," disse Regina, em tom cansado, ainda sem apresentar emoção alguma. "O que não seria, de todo, ruim, haja vista que por lá não sou bem-vinda... O que, de fato, não me doeria tanto, não fosse Henry o que mais se incomoda com minha presença."
"Regina," suplicou Emma. "Sabe que não é bem assim."
Uma fraca risada em tom amargurado perpassou os lábios da morena. "Retornar a Storybrooke com ou sem vida não fará a menor diferença, Xerife Swan," disse a morena; seu tom de voz, uma oitava mais grave. "O povo me matará de qualquer jeito."
"Não permitirei que o façam," disse Emma, firmemente. Uma fagulha de algo semelhante à esperança aqueceu o peito de Regina — o mais próximo a tal sentimento que já sentira há anos.
"Emma," começou Regina, tentando argumentar de forma coerente com a loira, de modo a fazê-la compreender a complexidade do problema. "Tem um demônio encapuzado pairando sobre nossas cabeças. Embora não estejamos visíveis a qualquer viajante, uma forma alada como essa não passa facilmente despercebida. Mais cedo ou mais tarde, minha ilustríssima genitora nos pagará uma visita, e não creio que você sairá viva do confronto."
"E, caso saia agora, o Wraith sugará sua alma," disse Emma.
"Não se Cora chegar aqui primeiro," disse Regina, confiante. Tinha um plano.
Emma respirou fundo, sacudindo a cabeça em desaprovação. "Não vou permitir que se entregue a ela."
"E eu não vou permitir que ela machuque você."
Mais uma vez, Emma sacudiu a cabeça negativamente, dessa vez, com veemência. "Precisamos nos mover," disse, com urgência. "Juntas."
"A noite já está chegando," disse Regina, subitamente. "Não há nada que possamos fazer enquanto o sol não tornar a nascer."
"Não acho que as estrelas sejam grande ameaça para mim," disse Emma, contemplativa. "Sei o que quero e como consegui-lo."
— "I've been believing in something so distant as if I was human." —
Regina ergueu o olhar, surpresa, a fim de encontrar o da loira; a determinação ali evidente fez com que uma pontada de dor a atingisse no peito. Emma não sabia que Regina conhecia seu mais profundo desejo, muito menos que pudera ver o mesmo por ela constatado no céu, através de um espelho encantado. Mas Regina sabia, e o fato de que Emma pensava poder consegui-la tornava, de algum modo, tudo muito mais real. Se a mera idéia já aterrorizava até a alma, então, uma perspectiva real a levaria ao pico da insânia.
"Não me compreendeu, Srta. Swan?" disse Regina; sua voz soava parcialmente estrangulada, parcialmente possuída pela raiva. "As estrelas nos mostram nossos desejos inalcançáveis."
Para sua surpresa, entretanto, Emma sorriu. "Inalcançável para aqueles desprovidos de paixão."
A testa de Regina se franziu, enquanto ela considerava como melhor responder. Um nó em sua garganta começou a se formar. "Paixão é sinônimo de doença; nada mais é que um eufemismo para a tal."
"Que seria o amor, então?" perguntou Emma, prontamente. "Sentença de morte?"
Lágrimas borraram a visão de Regina, desfocando o belo rosto da jovem à sua frente. "Em seu caso," disse, sabendo estar arriscando mais do que, de fato, possuía certeza sobre. "Suicídio."
Em seu caso. Estas foram as palavras que mais aturdiram Emma, e fizeram com que ela congelasse em seu lugar. Poderia Regina haver deduzido seu segredo? Poderia a morena suspeitar de seus mais profundos sentimentos?
— "And I've been denying this feeling of hopelessness in me, in me." —
"A linha que difere o amor do suicídio é extremamente fina," disse Emma, confiante.
"E você teria a audácia de cruzar essa linha?" perguntou Regina, ofegante, antes mesmo que pudesse se conter. Arrependeu-se logo em seguida, no entanto, quando o olhar da loira tornou-se ainda mais intenso.
"Posso facilmente caminhar sobre ela se me estender a mão," disse Emma, estendendo, entretanto, sua mão em direção à morena.
Regina contemplou o gesto. Todo seu interior gritava para que simplesmente estendesse a sua mão em direção à daquela que podia salvá-la; para que segurasse firme e jamais tornasse a soltar. Entretanto, tudo o que fez foi permanecer afixada em seu lugar, sem mover um músculo sequer.
— "All the promises I've made just to let you down, you believed in me but I'm broken." —
"Algo me diz que você anseia por mais do que simplesmente a mão," murmurou Regina em tom tão baixo que Emma precisou aproximar-se para ouvir.
"Você sabe o que quero," disse Emma, sentindo suas bochechas queimarem devido ao súbito rubor ali estampado.
Regina mordeu o lábio inferior a fim de conter um soluço que ameaçava escapar-lhe. Sacudiu a cabeça negativamente, esperando que a loira captasse sua mensagem e pusesse um fim à discussão.
Mas, como sempre, ao contrário do que Regina esperava, Emma se aproximou, segurando a mão de Regina na sua e postando ambas sobre o peito da morena, bem onde repousaria seu coração. "Quero isto," disse, de modo sublime.
Uma única lágrima, teimosa, escorreu pelo rosto de Regina, pairando graciosamente em sua bochecha.
"Isso jamais poderei lhe dar," disse Regina, com a voz estrangulada. Mais uma pontada de dor a atingiu no peito, quando ela percebeu algo morrer no olhar da mulher à sua frente. "Jamais poderei lhe dar," continuou, forçando-se a melhor elaborar. "Porque não tenho."
"Que está dizendo?" perguntou Emma, confusa. "É claro que tem..."
Num movimento rápido, Regina retirou a mão de Emma de seu peito e deu-lhe as costas, a fim de ocultar novas lágrimas que seguiam o caminho da anterior.
"Regina," chamou Emma, aproximando-se e abraçando-a por trás.
A dor em seu peito era tão intensa, que Regina sentia como se não pudesse suportá-la. Por impulso, postou suas mãos sobre as da loira, que se enlaçavam em volta de seu abdômen, e afagou-as carinhosamente.
Emma postou um beijo no pescoço de Regina, despertando-lhe uma engraçada sensação de frio na barriga.
"Emma," sussurrou a morena, virando-se de frente para ela, permanecendo em seu abraço. Com o feito, pararam bem próximas uma a outra, narizes quase se tocando.
"Regina, você tem um coração," sussurrou Emma, encostando sua testa contra a da morena, e afagando seu rosto carinhosamente.
Regina respirou fundo; o hálito da loira, quente em seu rosto, a embriagava; enuvescia seus sentidos de modo que tudo que conseguia sentir era o ardente desejo, o qual tomava conta de todo seu corpo.
— "I have nothing left, and all I feel is this cruel wanting." —
"Não, Emma," disse Regina. "Não tenho."
Emma franziu a testa em confusão. Regina se afastou um pouco a fim de encarar a loira nos olhos.
"Cora..." começou Regina, mas não pôde continuar; as lágrimas, agora, escorriam continuamente por seu rosto.
A compreensão atingiu Emma como um soco no estômago. "Regina!" exclamou, em pânico.
"Cora arrancou meu coração," tentou Regina, novamente. Sua voz falhou, mas ela prosseguiu mesmo assim: "Quando eu era mais nova. Desde então, nunca mais o encontrei."
"Mas... Mas..." gaguejou Emma.
"Entende agora porque digo para manter-se afastada?" perguntou Regina, em tom de súplica. "Vou acabar destruindo você, consciente ou inconscientemente."
— "We've been falling for all this time, and now I'm Lost In Paradise." —
Emma postou seus lábios sobre os de Regina, de modo delicado, sugando levemente o inferior entre os seus. "Talvez eu não me importe," sussurrou Emma, sentindo, outra vez, as bochechas queimarem.
Um sorriso se estampou involuntariamente nos lábios da morena, ao ver a xerife corar. Tomando coragem, postou uma de suas mãos sobre o belo rosto à sua frente e acariciou-o delicadamente.
"Mas eu me importo," sussurrou Regina. "Não posso permitir que se destrua por mim."
— "As much as I'd like the past not to exist, it still does." —
Mas Emma sorriu abertamente, enquanto Regina chorava. O contraste entre a luz e a escuridão era evidente naquele momento. "Você... Você se importa," repetiu Emma, em tom de voz embargado, mal se atrevendo a acreditar nas palavras. Jamais esperara que Regina pudesse, algum dia, corresponder a seus sentimentos, ou, sequer, sentir qualquer coisa por ela. Saber, então, que a morena se importava com ela... Bem... "É o suficiente. É mais do que suficiente."
Merda, pensou Regina, arrependendo-se de haver falado. Deveria ter permanecido calada.
"Não se engane, Emma," pediu Regina. "Você é mais forte do que isso."
"Talvez eu não queira ser forte," respondeu Emma, sentindo sua voz tremer. Respirou fundo a fim de acalmar-se.
— "And as much as I'd like to feel like I belong here, I'm just as scared as you." —
Regina levantou a cabeça, erguendo o olhar em direção ao céu. Com um sobressalto, captou a visão do céu noturno; as estrelas, em suas multicores, dançavam singelamente, prendendo toda a atenção de Regina.
— "I have nothing left, and all I feel is this cruel wanting. " —
"Regina..." chamou Emma, seguindo com seu olhar na direção do de Regina. "Merda!"
Emma conseguiu desviar o olhar rapidamente, antes mesmo que as estrelas se atrevessem a começar a dançar, para ela. Regina, no entanto, já se rendera aos encantos daquele céu. A expressão de puro fascínio em seus olhos dizia a Emma que a morena encontrava-se, outra vez, bem longe de seu alcance.
— "We've been falling for all this time, and now I'm Lost In Paradise." —
"Regina, olhe para mim!" exclamou Emma, desesperada, postando suas mãos sobre o rosto de Regina. "Para mim, não para o céu!"
— "Run away, run away!" —
Mas Regina não respondia. Ao fascínio em seus olhos, mesclaram-se traços de dor, desejo e agonia, fazendo com que o coração de Emma se partisse diante da visão.
Emma odiava ver Regina sofrer; sentia como se seu mundo não fizesse sentido, caso a morena não estivesse sorrindo. Queria poder abraçá-la, e prometer-lhe um final feliz. Queria poder garantir-lhe que, algum dia, toda aquela dor desapareceria, deixando espaço apenas para uma intensa sensação de plenitude.
— "One day we won't feel this pain anymore!" —
Os olhos de Emma arregalaram quando Regina estendeu uma mão em direção ao céu, seus dedos abrindo e fechando no nada. Quando Regina ficou na ponta dos pés, Emma olhou ao redor, em busca de alguma coisa para tampar a visão da morena.
Tarde demais! Uma nuvem de fumaça roxa começou a envolver o corpo de Regina, e o pânico fez-se presente no peito de Emma quando a morena começou a flutuar no ar.
Regina havia subido alguns centímetros no ar quando Emma a agarrou firmemente pela cintura, puxando-a para baixo com toda a força que seu organismo era capaz de produzir.
"Gina!" gritou, em desespero, quando sentiu seus próprios pés descolarem do chão. "Regina, por favor!"
Mas Regina não ouvia. O único pensamento que lhe cruzava a mente era o de que precisava, necessitava alcançar aquela figura. Aquela imagem era o retrato perfeito da felicidade. Aquele era seu final feliz. O único final com o qual ela sonhava. Regina precisava alcançá-lo antes que escapasse por entre seus dedos, bem como todas as outras vezes nas quais sentira-se ligeiramente próxima a qualquer tipo de felicidade. Precisava lutar. Não podia desistir. Estava perto! Tão mais perto do que já estivera! Precisava, pelo menos, tocar... Sentir que era real, e não apenas uma ilusão proporcionada por seu cérebro. Precisava sentir aquela presença novamente. Precisava tocar aquele céu.
Aquele céu.
"REGINA!" ela ouviu a voz da loira, ainda muito distante, chamar seu nome. Parte de seu cérebro despertava do transe e compreendia o que se passava a seu redor. Flutuava no ar, com Emma Swan agarrada em suas pernas. Tinha o olhar fixado no céu, que estampava-lhe a imagem do que mais desejava, mas que jamais obteria. Jamais. Era impossível. Era uma ilusão. Uma utopia.
— "Take it all away, shadows of you, 'cause they won't let me go." —
Ainda parcialmente em transe, Regina fez com que a loira escorregasse de volta ao chão, em segurança, e tornou a flutuar em direção às estrelas. Não tinha mais nada a perder, pensou. E jamais conseguiria tornar aquela cena real. Jamais. O único jeito de alcançá-la seria...
— "So I have nothing left, and all I feel is this cruel wanting." —
"REGINA! REGINA, POR FAVOR!" gritava Emma, em desespero, ao perceber que o topo da cabeça de Regina encontrava-se perigosamente próximo do limite do feitiço de proteção. O Wraith pairava bem acima de sua cabeça, um horrendo barulho de sucção preenchendo o ambiente.
— "We've been falling for all this time, and now I'm Lost In Paradise." —
"Regina, por favor!" gritou Emma, lágrimas escorrendo ininterruptamente por seu rosto. "Eu amo você!"
Quando Emma finalmente conseguiu gritar as palavras que tanto a atormentaram durante as últimas horas, a cabeça de Regina já havia atravessado o feitiço protetor.
"NÃO! NÃAAAAAO!" gritou Emma, em desespero, tentando se reequilibrar em suas pernas que, repentinamente, mostravam-se fracas demais para suportar seu peso. "Regina!"
O corpo todo de Regina pairava bem acima do limite da bolha protetora; o barulho atormentador de sucção se tornava mais intenso à medida que a forma encapuzada do Wraith se aproximava do corpo de Regina.
"NÃO! REGINA, EU AMO VOCÊ! EU AMO VOCÊ!"
Emma gritava, em desespero, mas Regina estava mais fora de alcance do que nunca. Um terrível peso se afundou em seu estômago quando o Wraith começou a sugar a alma de Regina e, no momento seguinte, uma fumaça negra envolveu ambas as formas no céu. Quando a fumaça se dissipou, nem Regina, nem o Wraith estavam em lugar algum.
"Eu amo você..." sussurrou Emma uma última vez, olhos fixados no céu. As estrelas começaram a dançar.
— "Alone, and Lost In Paradise." —
Notas finais
P.S.: Se alguém adivinhar qual foi a cena EXATA que a Regina viu estampada no céu e por que, de repente, ela conseguiu fazer mágica de novo, ganha um spoiler da história.
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