Lost In Paradise

2 A Place Without Time


Notas iniciais
N/A (1): Mais uma vez, embora este capítulo pareça bastante similar ao que se passou na série, mais especificamente no capítulo 2x01, algumas mudanças foram feitas. Este capítulo foi escrito mais pela necessidade de situar o leitor ao que está prestes a acontecer, do que por qualquer outro motivo.

CAPÍTULO UM — UM LUGAR SEM TEMPO

Após recuperar-se do choque de quase perder seu filho para uma maldição do sono — cuja existência ainda lhe era desconhecida até aquele preciso momento; após digerir que a mesma maldição fora lançada sobre Branca de Neve — quem ela descobrira, há poucos segundos, ser sua mãe — anos antes pela Rainha Má — quem encontrava-se muito bem viva e mais malvada do que nunca, além de haver adotado seu filho há dez anos; após recuperar-se do fato de que tudo aquilo no qual sempre acreditara fora repentinamente estilhaçado diante de seus próprios olhos, e que tudo aquilo no qual nunca acreditara provara-se real; e depois de aceitar que a magia, de fato, existia e fora trazida a Storybrooke pelo homem que traíra sua confiança em um momento crítico apenas alguns momentos mais cedo, phew... Emma Swan podia finalmente respirar de novo. Mal sabia ela, no entanto, que apenas alguns minutos depois, sua paz seria perturbada novamente, e ela seria forçada a um novo frênese quando Archie viesse trazendo a notícia de que a população de Storybrooke queria matar Regina.

Emma não gostava nem um pouco da idéia de Regina ser assassinada e, pelo visto, Henry tampouco: "Por favor," ele dissera. "Ela ainda é minha mãe." E através dessas palavras, a realidade atingiu Emma em cheio. Fora muito fácil simplesmente levar a criança consigo, principalmente quando Regina correra na direção oposta. O que não lhe ocorrera, entretanto, era que Regina ainda era, legalmente, a mãe de Henry e, embora a magia se fizesse presente na cidadela, alegar que a mãe adotiva de seu filho era a Rainha Má em um tribunal de justiça não convenceria juiz algum de que Regina era uma mãe ruim. Aliás, seria mesmo Regina uma mãe tão ruim?

Emma lembrava-se claramente da expressão no rosto da Prefeita—da Rainha apenas algumas horas atrás, quando o beijo de Emma despertara Henry de seu sono maldito. "Não importa o que você pense," Regina dissera. "Não importa o que lhe digam... Eu amo você." Durante meses, Emma tivera certeza de que a Prefeita não era capaz de abrigar qualquer tipo de sentimento, quem dirá amor. Ainda assim, lá estava ela, encarando Henry profundamente nos olhos.

A lembrança do olhar amável de Regina foi o que fez Emma decidir que, a partir daquele momento, ela faria de tudo a seu alcance para proteger a Rainha. A Rainha Má. Henry uma vez mencionara que Emma era uma Cavaleira Branca. Toda Rainha precisava de seu cavaleiro, e Regina acabara de encontrar o seu.

* * * *

"Solte-a! Solte-a! SOLTE-A!"

O estômago de Regina se contorceu devido à raiva. Seria capaz de reconhecer aquela maldita voz mesmo a quilômetros de distância: era a voz da mulher odiável que roubara-lhe seu filho, virara-o contra ela e quebrara sua tão bem designada maldição — que, a propósito, havia requerido tantos sacrifícios para ser lançada que era quase criminoso haver sido quebrada por um simples, maldito beijo. Sua Maldição Negra que, para o lançamento da mesma, ela sacrificara o coração de seu próprio pai, fora quebrada pelos lábios de Emma Swan... Lábios esses que Regina outrora quisera—necessitara sentir nos seus. Mas não mais. Emma se provara ser tudo que Regina sempre esperara que ela fosse — sua destruidora.

Engraçado, no entanto, como sua destruidora parecia estar salvando sua pele. Que demônios?

"Ela precisa ser trancada," Regina ouviu Mary Margaret—Branca de Neve dizer. Um sorriso perverso estampou-se em seu rosto. "Para sua própria segurança e, mais importante, para a nossa."

* * * *

O Senhor das Trevas segurava o punhal firmemente com as duas mãos. Um olhar de determinação cruzava-lhe as feições. Um momento de antecipação segurou-o em seu lugar. No momento seguinte, com força inigualável, cravou o punhal no colar.

...E Regina despertou de seu sono.

* * * *

"Que demônios era aquela coisa?" Emma perguntou, após haver corrido até Regina e ajudado-a a se levantar. O fato de que suas mãos permaneciam entrelaçadas não lhes passou despercebido.

"Um Wraith," Regina grunhiu. "Um Sugador de Almas."

"Eu mat—" indagou Mary Margaret.

"Matou?" interrompeu Regina. "Não. Está se regenerando. Ele voltará. Não costuma parar até que devore sua presa... Eu."

Emma percebeu que a voz de Regina tremeu nas duas últimas palavras. Podia sentir, pela primeira vez desde que conhecera a mulher, que Regina estava com medo. No fundo, era quase que um alívio saber que uma mulher tão influente e cheia de si como a prefeita também era capaz de abrigar sensações primárias, tal como o medo. Emma, por sua vez, beirava o pânico, haja vista que lidava com o que ainda lhe era de pouco conhecimento.

"Então, como o mataremos?" perguntou a loira diretamente a Regina.

O cenho de Regina se franziu e um olhar de surpresa lhe cruzou a face. Estava Emma Swan realmente tentando salvar sua vida? Outra vez? Perdera alguma coisa naquela história toda?

"Não há como," disse, após alguns segundos. "Não se pode matar algo que já está morto."

"Então temos um problema," disse Emma, tentando manter a respiração estável, empurrando a sensação de impotência para o canto de sua mente.

"Não, não temos," disse David. Um momento no qual todos se viraram para encará-lo em indignação se estendeu sobre eles. "Regina tem."

O modo como Regina olhou para David foi, Emma imaginou, exatamente como ela olhara para Gold, ao perceber haver sido traída. Algo pareceu se contorcer dolorosamente em seu peito.

"O quê?" ofegou Regina.

"David?" Emma ouviu sua mãe perguntar, cautelosa.

"Não permitirei que Regina morra," disse Emma, fortemente. "Prometi a Henry."

À menção do filho, Regina virou-se instantaneamente para encarar Emma. Vulnerável, suas emoções transbordavam em seu rosto.

"Se não podemos matá-lo, o que você sugere?" perguntou Mary Margaret.

Regina permaneceu em silêncio por alguns segundos. Então, repentinamente, um pensamento lhe ocorreu. Um pensamento brilhante.

"Enviá-lo para algum lugar onde não possa machucar ninguém..." disse Regina. "Um lugar onde o Tempo não existe. Uma prisão. Um Labirinto."