Lost In Paradise
15 One Day We Won’t Feel This Pain Anymore
Notas iniciais
POV Jacob Black
– Olá Mary! – eu disse de uma forma cansada.
– Olá Jake, que saudades meu filho. – ela disse parecendo estar emocionada.
– Eu sei que é tarde para estar ligando, mas eu queria saber se a Nessie está melhor, ela tomou todos os remédios da forma que deveria??? – eu perguntei preocupado e atropelando as palavras.
– Calma menino, eu estou aqui para cuidar dela, esqueceu? – ela disse com uma falsa irritação.
– Eu sei Mary, desculpa! Óbvio que eu não esqueci, mas você sabe como eu sou, eu fico preocupado com ela. – disse, me desculpando pela forma errada que eu havia me expressado.
– Tudo bem meu querido, e respondendo a sua pergunta, sim! Ela tomou todos os remédios, já está melhor, na verdade o médico acredita que o estado dela era mais psicológico do que realmente uma gripe forte.
– Psicológico? – Eu perguntei confuso. – Então ela vai começar a se tratar com um psicólogo??
– Não Jake, o médico quis dizer, que a gripe dela foi mais forte por ela estar abalada psicologicamente, acontece com algumas pessoas quando sofrem emoções muito fortes. E ela já tem ido ao psicólogo. – ela disse denotando certa raiva em suas ultimas palavras.
– Isso você ainda não tinha me contado. Por que você não contou Mary? Eu ligo todos os dias não é para fazer fofoca, eu ligo para saber tudo que acontece na vida do meu neném. – Eu disse sentido pelo fato de ela ter me escondido algo. – Desde quando ela vai ao psicólogo? E por quê?
– Não contei Jacob para você não se sentir culpado, mas já que você quer saber. – ela disse de forma ríspida. – Eu resolvi a levar em um, pelo estado em que ela se encontra, eu omito muita coisa meu filho, porque eu sei que essa separação não foi boa para ela e nem para você, mas ela esteve em um estado deplorável, não queria sair do quarto para nada, e andava com um jeito estranho, analisando certas coisas. – ela disse me deixando em estado de choque, pois essas coisas ela não havia me dito ainda.
– Analisando quais coisas? – perguntei aflito.
– Eu a peguei várias vezes com caixas de remédios que não eram os dela, e sim uns que a Isabella usava para dormir quando ainda morava aqui, ela foi embora e esqueceu de levar, a Nessie ficava parada pensando, como se estivesse pensando qual seria a forma menos dolorosa de morrer, ela parecia depressiva Jake, por isso eu resolvi que o psicólogo era a melhor forma, apesar de ela bater o pé e dizer que não adianta nada, pois só existe um remédio que pode curá-la, e esse não a quer mais. – ela disse sendo cuidadosa com as palavras.
Eu percebi que aquilo não era toda a realidade que a minha Nessie estava vivendo, ela ainda estava omitindo coisas de mim, mas só em ouvir aquilo o meu coração ficava mais partido do que já estava e todas as feridas que pareciam ter começado a cicatrizar depois desses cinco meses, voltavam a arder como se tivessem sido recém abertas. A minha vida também não estava sendo fácil, pelo simples fato de eu estar na mesma cidade que ela e não poder vê-la de perto e muito menos tocá-la, eu não tinha voltado para LA como eu havia dito que faria, eu até tentei uma transferência, mas a empresa precisava de mim aqui, e era aqui que eu teria que ficar, mesmo que tivesse que fingir estar em outro lugar.
– Você ainda está ai meu querido? – perguntou a Mary após eu ficar repentinamente em silêncio.
– Hum, sim! Sim Mary! Eu estou aqui ainda. – eu disse meio confuso, com os pensamentos correndo solto.
– Então, como eu perguntei a pouco, como anda a sua vida meu filho? – ela perguntou parecendo estar curiosa simplesmente sobre algo.
– Boa, anda muito boa. – eu menti, mais uma vez eu havia mentido, como se ela já não soubesse que isso não passava de uma doce mentira, a minha vida havia se tornado uma grande mentira desde o dia em que eu terminei com a minha Nessie.
– Chega de mentiras Jacob, para mim você não precisa e não deve mentir. – ela disse sendo o mais direta possível.
– Uma merda Mary, você sabe que está uma merda, eu nem preciso responder, sem a Nessie a vida não tem sentido, só o que eu faço é malhar e trabalhar, eu passo o máximo de tempo possível ocupado com essas duas coisas, porque assim eu consigo cansar o meu corpo o suficiente para chegar em casa e apenas dormir. – eu disse enquanto uma lágrima silenciosa descia sobre o meu rosto.
– Eu ainda não entendo porque você não volta para ela de uma vez Jacob, ela com certeza lhe aceitaria de volta. – ela disse preocupada.
– E se a Isabella fizer mesmo o que ela disse? E se ela me denunciar e tirarem a minha Nessie de mim e eu ser preso? – eu disse com irritação na voz, pois eu estava irritado comigo mesmo, por ser tão covarde.
– Eu já conversei com você sobre isso, a Isabella tem mais medo de você do que você deve ter dela, ela passou há alguns meses atrás aqui, apenas para ver mesmo se você tinha ido embora, pelo menos foi o que pareceu. E nós conversamos, e ela disse que tinha medo do seu silêncio, porque o fato de você estar muito quieto demonstrava que logo você poderia atacar, e ela tinha medo que fosse trazendo toda aquela antiga história do abuso a tona.
– Mas Mary... – eu ia dizendo quando a mesma me interrompeu.
– Mas nada Black, e ela está até de namorado novo, você acha que ela vai ficar se preocupando se alguém supostamente pode estar fazendo mal para a filha dela? Ela não se importa com ninguém além dela.
– A Isabella de namorado novo?? Mas e o tal do Johnny? – eu perguntei perplexo, como podia trocar tanto de namorado??
– Ele era pobre Jacob, óbvio que era só um passatempo para ela, não? – a Mary respondeu rindo.
– É, que ela só quer dinheiro eu já sabia e sempre achei estranho ela estar com o Johnny pelo simples fato de que ele é pobre.
– Pois é, agora ela encontrou um tal de Trick, parece que ele é bem rico, e quer levar ela pra morar em Nova York, a ultima vez que ela esteve aqui, ela me disse que só ia terminar de resolver alguns problemas pendentes e que logo que o tal Trick se mudasse para lá, ela ia junto, parece que ele abriu um novo restaurante lá e então vai se mudar. – ela disse com um certo nojo na voz.
– Essa Isabella ainda consegue me surpreender, e eu mesmo não o conhecendo, tenho pena desse Trick. – eu disse rindo.
– Ele não sabe com quem está se metendo, mas espero que essa relação deles dê certo, porque assim ela fica por Nova York e nós ficamos livres dela aqui. – ela disse esperançosa.
– Mary??? Com quem você está falando??? Vem aqui! – eu ouvi alguém gritando ao fundo, e esse alguém era o meu neném, a minha Nessie, ouvir a voz dela era tão surreal, mas não parecia a mesma voz de sempre, parecia ter um tom triste embutido na mesma.
– Eu já vou Nessie, é só uma amiga. – a Mary gritou, mentindo como em todas as vezes que eu ligava, pois a Nessie não podia nem sonhar que eu ligava perguntando por ela.
– Vai lá atender ela Mary, cuida do meu neném por mim. – eu disse sentindo a tristeza se abater sobre mim novamente.
– Claro que cuido meu filho, e você se cuide também, e volte logo, por favor!! – ela disse em suplica.
– Talvez uma hora eu volte, mas agora eu tenho que ir dormir, boa noite! – eu disse mudando logo de assunto. – Te amo, mãe! – eu disse ‘mãe’ com todo amor que eu sentia pela única pessoa que merecia esse posto na minha vida.
– Também te amo meu filho, boa noite!! – ela disse desligando o telefone logo em seguida.
Logo após a ligação eu resolvi ir me deitar, podia ser que dessa vez eu conseguisse dormir, nos últimos dias isso estava se tornando raro, na verdade eu só tinha uma noite completa de sono, quando tomava remédios, e isso é algo que eu não gosto de fazer!
Mais uma vez as horas estavam se passando e eu ficava apenas deitado encarando o teto, e lembrando tudo de bom que eu vivi com a Nessie, cada beijo, cada toque, cada ‘eu te amo’ que eu ouvi sair daqueles lábios carnudos, mas agora lembrar isso tudo fazia eu me sentir como em um filme de terror, onde você é perseguido, mas no meu caso não era um serial killer que me perseguia e sim lembranças. Lembranças de uma época boa, onde o amor era algo natural na minha vida. Logo as lágrimas já se faziam presente novamente, ultimamente elas eram minhas companheiras também, era rotina eu me pegar chorando em alguma parte do dia, e toda essa melancolia me fazia ter vontade de largar tudo e sair correndo, correndo para a minha menina, algumas vezes eu cheguei a por parte disso em prática, fui até a saída da sua escola, a vi saindo sozinha duas vezes, mas sempre que eu chegava lá e ia pedir perdão por tudo, eu acabava voltando atrás, por ser covarde demais. E essa covardia estava lentamente me guiando ao declínio.
POV Renesmee Cullen
A chuva caia lá fora, de forma forte e cadenciada, e por onde a água passava, ela limpava, levava as impurezas e fazia daquele lugar, um novo e limpo lugar, era isso que eu queria que alguém fizesse comigo, queria que me limpassem, que me desintoxicassem, pois eu era e sempre seria como qualquer outro drogado. Eu fingia todos os dias, sim eu aprendi a fingir. A fingir que tudo estava bem, que eu me sentia melhor, e que os pensamentos sobre suicídio haviam passado, na verdade tudo estava do mesmo jeito, havia se passado cinco meses e alguns dias desde o dia em que o meu Jake se foi, um novo ano já havia chegado, as pessoas sempre dizem “novo ano, vida nova”, mas para mim era como se o ano fosse o mesmo e a vida fosse a mesma, ou até pior, Janeiro estava se arrastando como eu nunca havia visto um mês se arrastar tanto, eu queria tanto que passasse logo para as minhas aulas na faculdade começarem, e acho que a minha ansiedade não ajudava muito, na verdade só atrapalhava.
Tudo já havia passado, tudo que poderia ter de importante em um ano já havia passado, pelo menos tudo de importante para mim, meu aniversário, formatura, Natal, Ano Novo, e por ultimo, mas não menos importante, o aniversário do Jake — que foi há alguns dias atrás — e em todas essas datas eu havia ligado para ele, mandado mensagens, emails, teria mandado até carta se possível. Mas como eu já não tinha mais importância nenhuma na vida dele, obviamente ele não respondeu, se limitou a ignorar tudo, ignorar o amor que eu como a bela idiota que era, nutria por ele!
Até doente eu estive, tive uma gripe forte, o médico disse que devia ser pela minha má alimentação, por mim eu nem tomava os remédios, mas a Mary me obrigou a tomar todos, obrigando-me a me curar, eu não queria viver, por que era tão difícil entender? Se for para viver da forma que eu vivo, sem alegria, sem amor — sem nada — eu prefiro morrer, preferia parar de gastar oxigênio.
– Renesmee!! – Gritou a Mary pela décima vez.
– O que?? – eu perguntei enquanto ela entrava no meu quarto. – Eu já disse que não quero mais ir ao psicólogo Mary, eu odeio aquilo, ficar falando o que eu sinto, o que eu penso, para ele supostamente dizer o que eu tenho, quem se importa? – eu disse irritada.
– Eu me importo e muito Nessie. – ela disse vindo na minha direção, eu me encontrava sentada no batente da janela.
– Eu não... eu não quis dizer isso. – eu disse voltando a olhar para o nada. – Eu só estou cansada hoje Mary, não queria ir.
– Mas Nessie, você sempre está cansada ou algo do tipo, sem desculpas menina, levanta e vamos logo, as suas quarenta sessões estão quase acabando, essa é a penúltima, e o psicólogo disse que você realmente mostrou uma melhora significativa. – ela disse alegremente, óbvio que eu tinha ‘mostrado’ uma melhora significativa, era isso que eu fazia sempre, mostrar e mostrar, mas só mostrava mentiras, a verdade eu guardava no fundo da minha alma.
– Tudo bem Mary, você venceu, eu irei! – eu disse me levantando da forma mais animada que eu podia, eu tinha que mostrar mais alegria, mais animação para as coisas, a única coisa que me deixava realmente animada era pensar na faculdade, somente isso me dava animo.
[...]
A sessão como todas as outras havia sido uma porcaria, eu só mentia e o psicólogo só fingia que acreditava, na verdade eu acho que eu estava sendo realmente convincente, acho que eu deveria virar atriz.
– A Claire ligou. – disse a Mary enquanto eu saia do banho.
– Quando? – eu perguntei confusa, porque eu não havia ouvido meu celular tocar.
– Agora pouco, ela disse que queria lhe fazer um convite. – disse a Mary animada, obviamente já sabia até que convite era esse, ultimamente sempre que a Claire aparecia aqui, era pra fazer algum convite ou algo do tipo, eu percebia que a minha amiga estava apenas querendo me animar, me tirar de casa, ela queria me fazer conhecer novas pessoas para eu assim esquecer meu irmão delinquente, como ela mesma dizia. Eu havia contado tudo a ela, na verdade a mesma praticamente me obrigou a contar tudo que estava acontecendo, e pelo incrível que pareça, ela não me julgou ou algo do tipo, só ficou com raiva dele por ter ido embora e me deixado.
– Então eu nem vou retornar, não aguento mais esses convites da Claire. – eu disse mostrando o meu descontentamento pela insistência da mesma.
– Você devia dar uma chance a ela. – disse a Mary sendo a protetora do mundo como sempre.
– Você sabe que eu tentei Mary, há um mês eu topei sair com ela, e o que ela fez?? Jogou-me para o primeiro garoto que passou na minha frente, eu não quero ficar com ninguém. – eu disse magoada, porque todos pareciam querer me jogar para alguém, até parecia que isso me curaria.
– O que eu realmente acho, é que você não quer ficar com ninguém, porque não quer esquecer o Jacob. – como se esquecê-lo fosse possível, a Mary só podia estar louca.
– Não é caso de querer Mary, eu não posso e não consigo esquecê-lo, é impossível. – eu disse enquanto começava a me vestir.
– Por que não pode? – perguntou a Mary confusa.
– Porque eu fui feita para ele, meu corpo e minha alma foram feitos para ele. – eu disse sorrindo enquanto lembrava do nosso primeiro beijo.
– Eu acho que nunca vou ser capaz de entender todo esse amor, meu bem. – ela disse enquanto pegava o telefone e ligava para alguém. – Olá Claire, ela já saiu do banho. – disse a Mary enquanto me passava o telefone, essa vaca havia me entregado, eu já havia dito que não retornaria.
– Eu disse que não ia retornar. – eu murmurei para a Mary antes de pegar o telefone. – Olá Claire. – eu disse sem vontade.
– Meu amor, que saudade. – ela disse histericamente. – Eu to ligando só para avisar que passo ai às 11h para nós irmos numa nova boate, alguns amigos meus falaram que é incrível, só pessoas de nível Renesmee, portanto se arrume e esteja bem linda às 11h porque eu passarei ai na sua casa. – ela disse atropelando todas as palavras e não deixando que eu dissesse que não iria.
– Claire, me ouve e para de falar um pouco. – eu disse quase gritando.
– Tudo bem, fala! – ela disse fingindo estar indignada.
– Eu não vou. – eu disse simplesmente.
– Mas claro que você vai, e eu já sei até qual vestido você vai usar, sabe aquele vermelho vinho que eu achei no seu closet semana passada? – ela perguntou animadamente.
– Sei, mas eu não vou usá-lo porque eu realmente não quero ir – eu disse dando a conversa por encerrada.
– Vai sim, porque eu estou com saudade de sair com a velha Renesmee, sabe? Aquela divertida que me fazia rir de tudo, e que alfinetava todo mundo que passava. – Ela disse parecendo estar realmente triste, ela tinha razão, ultimamente eu não estava sendo uma boa amiga. – Logo nós vamos para a faculdade Nessie, que tempo nós vamos ter para nos vermos??
– Alfinetava junto com você, não se esqueça! – eu disse me defendendo, aquela época realmente era a melhor. – E isso é chantagem emocional Claire. – eu disse acusadoramente.
– Eu sei Nessie, mas pode ser que assim você se lembre que existe um mundo além do Jacob, e esse mundo está esperando você para desbravá-lo. – ela disse rindo.
– Tudo bem, você venceu, eu vou ver se acho a velha Renesmee no meu closet e irei com você e não se atrase. – eu disse com divertimento.
– Você é a melhor Nessie, eu até vou desligar para já começar a me arrumar. – ela disse eufórica. – Te amo amiga, até daqui a pouco. – ela disse desligando logo em seguida, nem me dando tempo para dizer que também a amava.
– Então você irá? – perguntou a Mary divertidamente.
– Culpa sua, eu nem ia retornar ligação nenhuma, e ela se esqueceria de mim e nem ligaria mais. – eu disse mostrando uma falsa irritação.
– Não seja hipócrita, você sabe que ela ligaria novamente. – disse a Mary rindo de mim novamente. – Agora vá se arrumar, vocês sempre demoram uma eternidade e já são quase 9h30min!! – ela disse saindo do quarto do Jake que na verdade agora passou a ser meu, pois era lá que eu estava dormindo, e de jeito nenhum eu deixei que a Mary lavasse as fronhas dos travesseiros, pois o cheiro dele já estava ficando fraco, se lavasse desapareceria.
– Okay, eu vou para o meu outro quarto, pegar o maldito vestido que a Claire quer que eu vista. – eu disse saindo logo em seguida e indo pegar o vestido vermelho vinho.
Pois bem, a Claire queria a velha Nessie de volta, pois ela teria melhor do que isso essa noite, ela teria uma Renesmee consertada, uma Nessie fria e despreocupada com a vida.
[...]
– Até que não está tão ruim aqui. – eu disse olhando para todos os lados pra ver se encontrava alguém que eu conhecia.
– Eu disse que era bom, é de alto nível amor. – disse a Claire animada, tomando um drink.
– Realmente, é tão alto nível que não tem ninguém que a gente conheça. – eu disse procurando mais uma vez por alguém.
– É, isso é verdade, mas também não é para tanto, você mesmo nem pode falar, porque você é rica Nessie, a única pobre aqui sou eu. – ela disse enquanto pedia mais uma bebida.
– Você vai ficar bêbada. – eu disse a advertindo, eu só estava bebendo água, bebida me deixava melancólica. – E eu nem sou rica, o Jake que é e isso não me faz ser também. – eu disse fechando a cara, por ter que trazer esse assunto à tona mais uma vez.
– Tudo bem, vamos mudar de assunto, não vamos falar sobre esse bundão. – ela disse de uma forma engraçada, pois a bebida já estava fazendo efeito. – E você deveria beber algo, vai se sentir melhor.
– E mais melancólica. – eu disse enquanto avistava uma silhueta conhecida na pista.
– DEREEEEEEEEK. – eu virei de súbito na direção da Claire quando ouvi aquele grito.
– Para de gritar sua fiasquenta. – eu disse irritada, pois algumas pessoas que estavam bem próximas viram o fiasco da minha amiga.
– DEREK. – ela disse se levantando e saindo sem nem me dar ouvidos, a bebida realmente tinha feito mais efeito do que eu havia pensado.
Então eu resolvi ficar somente olhando tudo que estava acontecendo ao meu redor, e mais uma vez eu vi aquela silhueta conhecida, mas dessa vez ela parecia vir na minha direção, na verdade ela só devia estar vindo ao bar, e não exatamente em mim.
– Uma água, por favor! – Disse a mulher ao meu lado, mas eu conheço essa voz.
– Olá Renesmee. – disse a mulher a minha frente, foi então que eu consegui realmente reparar em quem estava próxima a mim, era a Kenzi, amiga da Isabella. – Você não deve se lembrar de mim. – ela disse por causa da minha demora em responder.
– Claro que eu lembro, você é a Kenzi, amiga da Bella. – eu disse sorrindo, pois era bom encontrar alguém conhecido, já que eu estava completamente sozinha.
– Sim, achei que você já tinha se esquecido de mim. – ela disse sorrindo de uma forma maliciosa que eu não compreendi. – Sozinha? – ela perguntou se sentando ao meu lado, e pegando a sua água.
– Na verdade eu estava com uma amiga, mas ela encontrou um garoto por ai e sumiu. – eu disse rindo das loucuras da Claire. – E você? – eu perguntei curiosa, pois ela era bonita demais para estar sozinha.
– Uma menina tão bonita quanto você não deveria ficar por ai sozinha. – ela disse com um tom de malicia muito explicito em sua voz. – Eu estava com uns amigos, mas agora vou ficar com você caso não se importe, é claro. – ela disse sorrindo.
– Obviamente não me importo, até fico aliviada por ter uma companhia. – eu disse enquanto ela me puxava, na hora eu não entendi para onde, mas então eu a vi indo em direção à pista e apenas a deixei me guiar.
– Eu quero dançar com você. – ela disse enquanto me puxava para muito perto dela. – Você está muito gostosa nesse vestido, e ficou ainda melhor com o all star, eu sou tarada em mulheres que usam tênis em lugares, digamos, inusitados para isso. – ela disse muito próxima do meu ouvido, me fazendo ficar arrepiada, então a sua mão que estava em minha cintura desceu para a minha bunda, e esse ato com o complemento de suas palavras me fez entender o que ela queria de mim, na hora eu fiquei rígida com essa ideia, mas quando ela começou a se esfregar no meu corpo, o mesmo respondeu de uma forma animalesca, eu também a queria desse jeito, quis desde o primeiro dia em que a vi.
– Então você quer dizer que ficou tarada em mim? – eu perguntei no seu ouvido da forma mais sensual que eu consegui. Logo eu passei a minha mão esquerda na lateral do seu corpo e fui subindo em direção do seu seio, ela usava um vestido tomara que caia e o tecido era fino, o que me permitiu sentir mais o seu seio quando eu o apertei.
– Sim. Desde o dia em que lhe conheci. – ela respondeu mordendo o lóbulo da minha orelha.
Então nós começamos a dançar de uma forma sensual, algumas pessoas ficaram olhando, como se fosse o fim do mundo, pelo simples fato de duas garotas estarem dançando e se esfregando de forma sensual e obviamente muito desejosa no meio da pista. Ela me deixava excitada, e pensar em certas coisas com ela me deixava mais louca ainda. Quando a música acabou ela me puxou para um canto mais escuro e sem me deixar nem processar o que ela estava fazendo ela grudou os seus lábios nos meus de forma selvagem, denotando todo o seu desejo naquele ato, ela então colocou uma das suas pernas entre as minhas e esfregou a mesma contra a minha intimidade, me fazendo gemer durante o beijo.
Quando nos faltou o ar, ela desceu os seus beijos para o meu pescoço, lá ela deu beijos, lambidas, mordidas, me deixando mais excitada ainda com o seu ato. Eu passava as minhas mãos pelo seu corpo, onde eu conseguia alcançar pelo menos, e ela ainda pressionava a sua perna contra a minha intimidade e passou a apertar os meus seios também com as mãos.
– Vamos para o banheiro, gostosa. – eu disse dando um selinho nela e puxando, com os dentes, o seu lábio inferior logo em seguida.
– Ótima ideia. – Ela disse me puxando para o tal banheiro, que eu esperava que não estivesse muito cheio.
Quando nós chegamos lá o banheiro estava com apenas duas meninas que pareciam já estar saindo, a Kenzi ficou parada na frente do grande espelho até as duas saírem, então ela tirou de dentro do bolso do vestido um saquinho com um pó branco, até aquele momento eu não tinha percebido que ela estava chapada.
– Você me distraiu tão bem que nem senti falta de mais. – ela disse sorrindo enquanto fazia duas fileiras e arrumava com um dólar.
– Você estava chapada então? – eu perguntei meio ofendida.
– Hey gata, não pense que eu fiquei com você por causa disso, já tinha até passado o efeito, tecnicamente. – ela respondeu dando uma risada estrondosa e logo em seguida cheirando uma das fileiras com o próprio dólar que ela estava usando para arrumá-las. – Sua vez. – ela disse me estendendo a nota enrolada pra eu poder cheirar.
– Não, obrigada! – eu disse recusando.
– Vamos, my sweetheart! – ela disse insistindo ainda com a mão estendida para mim.
– Eu não sei, e se eu ficar... sei lá, viciada! – eu disse por fim me enrolando nas palavras.
– Você não vai, eu te garanto, eu não estou amor. – ela disse me puxando para mais perto. – Só uso em festas mesmo, cheira logo, antes que apareça alguém. – ela disse largando a nota enrolada sobre a minha mão e me empurrando em direção à fileira de cocaína.
– Okay!! – eu disse me convencendo de que não seria de um todo ruim fazer isso, afinal de contas, todos queriam que eu vivesse, aproveitasse a porra dessa merda de vida, pois bem, era isso que eu iria fazer agora, aproveitar o lado ruim e o lado bom. Então eu meio sem jeito, cheirei toda a fileira, no inicio pareceu meio estranho, mas depois de alguns minutos eu passei a me sentir tão bem, tão forte.
– Vem aqui gostosa. – disse a Kenzi me puxando para dentro de uma das cabines, fechando a porta logo em seguida. – Usar essas porcarias me deixa com um grande apetite sexual. – ela disse dando um sorriso.
– Então deixa eu saciar esse apetite, deixa? – eu disse maliciosamente enquanto a empurrava, a fazendo se sentar sobre o vaso sanitário que estava fechado. Logo eu tirei a sua calcinha e subi beijando desde o seu joelho até a parte interna da sua coxa, muito próximo da sua virilha.
– Ahhhhh, Nessie! – ela gemeu em antecipação, eu então sorri sobre a sua intimidade e dei um leve beijo no seu clitóris, eu tinha certeza que isso a deixaria irritada. – Anda logo com isso menina. – ela disse empurrando a minha cabeça contra a sua intimidade.
Então eu comecei a lambê-la como há muito tempo eu não fazia em ninguém. Ela pôs uma das pernas sobre o meu ombro, para que assim eu tivesse mais facilidade na minha tarefa, que era exclusivamente dar prazer a ela. Quando ela começou a ficar mole e os seus gemidos se tornaram gritos, eu passei a penetrá-la com a minha língua e subi uma das minhas mãos e puxei o seu vestido, deixando assim os seus seios expostos para que eu pudesse apertá-los.
– Acho que... que... – ela começou a frase, mas a parou quando eu dei uma leve mordi em seu clitóris e passei a apertar o bico do seu seio com a ponta da minha unha.
– Isso, goza gostosa. – eu disse voltando a chupá-la de forma forte e lenta. Logo ela gozou na minha boca.
– Esse foi um dos melhores orgasmos que eu já tive. – ela disse sem fôlego e com os olhos fechados.
– E você é a melhor mulher que eu já peguei. – eu disse em êxtase, sentindo a droga pulsar pelo meu corpo.
– Vem aqui então Nessie. – ela disse me puxando pela cintura e me fazendo ficar em pé na sua frente. – Vamos abaixar um pouco esse vestido. – ela disse enquanto abaixava as alças do mesmo até a altura dos meus seios, os deixando a sua mercê.
– Ahhhhh Kenzi. – eu gemi quando senti a sua língua rodear o meu mamilo. – Morde. – eu mandei quando a senti chupando-o. Ela logo o mordeu com bastante força, me fazendo dar um gritinho de excitação.
– Tira a calcinha Renesmee. – ela disse mandona, até parecia o Jacob, eu não conseguia mandar nem quando transava com mulher.
Logo após eu tirar a minha calcinha ela começou a fazer movimentos circulares sobre o meu clitóris, me dando muito prazer, me fez gemer ainda mais quando voltou a chupar os meus seios e começou a penetrar um dedo em mim, naquele momento eu não me contive e agarrei os seus seios com brutalidade, pois eu precisava apertar algo, ou se não eu iria explodir. Os gemidos ficaram mais intensos quando ela passou a me penetrar com dois dedos e intensificou a investida, eu estava a um passo do precipício, e esse passo foi dado no momento em que ela mordeu o meu bico direito e apertou o meu clitóris entre os dedos. Logo eu gozei derramando todo o meu mel sobre os seus dedos.
– Vamos ver se seu gosto é tão bom quanto parece. – ela disse levando os dedos a boca, e chupando-os de forma obscena e prazerosa. – Huum, é bem melhor do que eu pensava. – ela disse me prensando contra a parede e me dando um beijo avassalador.
– RENESMEE???? VOCÊ ESTÁ POR AI?? NESSIE? – eu ouvi alguém gritar quando a Kenzi passou a beijar meu pescoço novamente. Logo eu reconheci que aquela voz era da Claire.
– O que Claire? – eu perguntei enquanto empurrava a Kenzi e arrumava o meu vestido, ela logo começou a se arrumar.
– Eu estou te procurando para nós irmos embora. E eu não te convidei para sair para você ficar trancada no banheiro Dona Renesmee. – quando ela disse isso a Kenzi deu uma gargalhada alta.
– Para. – eu sussurrei para ela dando em seguida um tapa no seu braço de brincadeira.
– Desculpa, mas é engraçado. – ela disse baixinho. Quando ela ia abrir a porta de onde nós estávamos eu a puxei pelo braço.
– Você não tem mais um pouco daquilo para me dar? – eu perguntei me referindo a cocaína.
– Você não ficou viciada, né garota? – ela perguntou desconfiada enquanto tirava do bolso um saquinho pequeno com algumas gramas. – Pega, e não usa tudo de uma vez, pode ser perigoso, eu não sei bem quanto tem ai, então é melhor não abusar. – ela disse enquanto eu colocava dentro da minha calcinha, pois não tinha onde guardar.
– Obrigada linda! – eu disse dando um selinho nela logo em seguida.
– De nada amor. – ela disse sorrindo.
– Não vai sair daí Renesmee??? – disse a Claire irritada.
– Calma Claire, espera! – eu disse enquanto saia da cabine e ia até o espelho me arrumar.
– Credo, passou um trator sobre você, foi? – disse a Claire apavorada, logo ela viu a Kenzi saindo da mesma cabine que eu, então os seus olhos ficaram quatro vezes maiores. – Vocês... aah... o que... Esquece. – ela disse se encostando a pia enquanto nós nos arrumávamos e a Kenzi só sorria.
– Tchau bebê, a gente se vê por ai. – disse a Kenzi vindo na minha direção e me dando um beijo intenso. – Muito obrigada pelo grande prazer da sua companhia. – ela disse dando uma ênfase muito grande a ‘prazer’ quando eu olhei para a Claire ela estava com uma cara de nojo.
– Tchau Kenzi, até qualquer hora e eu que agradeço. – eu disse maliciosamente antes de ela sair do banheiro.
– Não acredito que te convido para sair, para você ter uma diversão e você pega essa coisinha nojenta. – disse a Claire abismada.
– Qual o problema? Você foi a primeira a me jogar para cima de todo mundo. – eu disse irritada pelo preconceito dela, e a vida é minha também.
– Te joguei para cima dos meninos, e não para uma coisinha como essa com cabelo preto cheio de mexa azul. – ela disse realmente irritada.
– Vai à merda Claire, ela é linda, okay?? Você viu o olho verde que ela tem? E aquele corpo?? Meu deus, se eu ainda não tivesse comido ela eu faria muita coisa para conseguir esse feito. – eu disse sorrindo debochadamente, mas a Kenzi era realmente uma mulher linda, e incrivelmente simpática.
– Você nem conhece ela, aposto que nem conversaram e já saíram se pegando, por que toda essa defesa?
– Para o seu governo, nós já conversamos sim, ela é amiga da Isabella, já esteve lá em casa com o irmão dela. – eu disse enquanto me dirigia para a porta do banheiro.
– O que?? E o Jacob viu vocês duas no mesmo ambiente?? Porque com certeza você deve ter demonstrado interesse desde o inicio se eu bem te conheço. – quando ela tocou no nome do Jake, um peso na consciência me veio, e de repente uma vontade louca de chorar. Então eu a deixei para trás e sai correndo dali, eu precisava sair daquele lugar, quando eu já estava fora da boate eu vi a Claire vindo correndo de encontro a mim, que estava do lado do carro dela.
– Desculpa Nessie, me desculpa. Eu não queria te lembrar dele, mas foi muito natural, ele sempre mostrou muito ciúme de você e você falando daquela mulher, sei lá o que veio na mente. – ela disse se desculpando incansavelmente.
– Tudo bem Claire, eu estou bem. Agora vamos embora, por favor. – eu disse enquanto entrava no carro após a Claire destrancá-lo.
O caminho graças a Deus foi curto e silencioso, eu não queria conversar sobre nada, eu não queria pensar em nada.
– Você tem certeza que está bem? Não quer que eu fique aqui com você? – a Claire perguntou preocupada quando parou o carro na frente da minha casa.
– Não precisa amada, vai ficar tudo bem! Não ficou nesses cinco meses?? – eu disse dando um sorriso fraco e saindo do carro. – Boa noite Claire e obrigada pela noite. – eu disse após ela me entregar o meu celular e a minha carteira que estavam na sua bolsa.
– Boa noite Nessie, e se cuida! Eu te ligo pela manhã. – ela disse dando partida logo em seguida.
Quando eu entrei em casa estava tudo silencioso, parecia que não havia ninguém ali, olhar para aquela sala me fez lembrar de tudo que eu vivi há cinco meses atrás, de tudo que eu ouvi e pior, de toda a dor que eu senti. A dor forte e aguda estava de volta, e eu podia senti-la pulsando no meu peito, e a única coisa em que eu pensava neste momento era em uma maneira de parar essa dor.
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