Lost In Paradise
16 This Pain Is Just Too Real
Notas iniciais
POV Renesmee Cullen
E mesmo após meia hora, eu continuava parada na sala, encarando-a. Relembrando. Vivendo de novo aquele dia terrível, eu estava ali – parada – me permitindo sentir aquela dor novamente, permitindo a ferida sangrar novamente, como há meses ela não sangrava, eu procurava não pensar sobre aquele dia quando estava naquela sala, mas nesse momento, tudo que o meu corpo queria, era deixar a dor irradiar por todos os seus poros, tudo que eu precisava era sentir, mesmo que eu tivesse apenas dor para sentir, pelo menos ela mostrava que algo na minha vida foi real, a dor me trazia a realidade, me fazia acreditar que eu não imaginei tudo que eu vivi com meu irmão, mas também me fazia ver o quanto a vida era difícil, e o quão pior ela ainda ficaria.
– Você não vai conseguir Renesmee, você simplesmente não vai. – eu repetia sussurradamente para mim mesma enquanto me encostava em uma estante que havia na sala abaixo de um espelho e quando eu me encarei no mesmo, eu não acreditei no que via, aquele reflexo não devia ser meu, devia ser outra pessoa que estava ali.
E na realidade, agora eu era outra pessoa, eu não era mais a mesma Renesmee, acho que eu jamais seria a mesma, não sem o meu Jake, talvez ele conseguisse curar todas as minhas feridas, mas de uma coisa eu estava certa, o tempo jamais curaria toda a minha dor, pois há muita coisa que o tempo não pode apagar.
– Mas eu não te amo mais, não te amo mais. – eu falava desesperadamente enquanto as palavras dele vinham em minha mente. – Ele não te ama mais sua idiota, acorda! Ele nunca te amou, o mais nobre que você pode fazer agora é desistir, é se entregar, para que lutar? Não há sentido nisso, é em vão. – eu falava para mim mesma de uma forma insana, enquanto me encarava no maldito espelho, eu não estava me reconhecendo, eu não estava conseguindo comandar os atos do meu corpo.
Foi então que eu me lembrei da droga que a Kenzie havia me dado, ela disse que não era para eu usar tudo, pois seria perigoso. Perigoso. Era disso que eu precisava, de algo perigoso, algo que arriscasse minha vida, algo que de preferência acabasse com ela. Então eu peguei e virei toda a droga sobre a maldita estante que havia na minha frente, nem me preocupando em fazer fileiras, elas não me eram necessárias. Logo eu encontrei um papel na gaveta da estante e o dobrei para poder cheirar a droga. E foi exatamente o que eu fiz, eu a cheirei completamente.
[...]
Eu acredito que já havia se passado uns bons 15 minutos desde que eu cheirei aquela porcaria, e eu esperava que as coisas ficassem melhor, ou piorassem de vez, mas a dor não havia ido embora como eu imaginei, ela estava ali, a minha espreita. E o que eu sentia era uma inquietação absurda, eu queria quebrar tudo, queria gritar para o mundo e me rasgar de fora a fora, ao mesmo tempo em que eu só queria ficar em um canto com a minha dor, chorando. Eu estava caminhando de um lado a outro em frente ao maldito espelho, as lágrimas escorriam livres sobre o meu rosto e só o que o maldito espelho fazia era mostrar aquele cadáver ensandecido que procurava por uma cura, e em um excesso de fúria o quadro todo havia mudado.
O espelho agora se encontrava completamente quebrado, havia cacos por toda a minha volta, e só o que eu fiz foi ficar olhando aquilo sem entender, foi quando eu senti uma dor forte na minha mão direita, e quando eu a olhei, não entendi o motivo do sangue e só após alguns segundos eu fui raciocinar e entender, que se o espelho estava quebrado a única responsável por isso havia sido eu.
A dor em minha mão ficou mais intensa, era uma ardência irritante ao mesmo tempo em que era confortável, ela me fazia parar de pensar na dor da minha alma, ela estava fazendo eu me concentrar apenas nela, mas ela infelizmente não me fazia parar de chorar, o choro agora estava mais agravado e mais dolorido. Então eu encostei-me à parede, me curvando e pressionando o meu braço direito contra meu peito, dessa forma talvez eu conseguisse diminuir as duas dores, mas eu acabei me desequilibrando e caindo sentada com as costas encostada sobre a parede.
“Você é tudo na minha vida, e eu faço tudo por você.”
“Você é tudo que eu quero ter o resto da minha vida ao meu lado.”
Lembrar da forma doce como ele pronunciou essas palavras, me feria. Mas nada me feria mais do que saber o quão leviano ele foi, o quanto ele brincou com os meus sentimentos, eu ainda não conseguia acreditar que ele realmente não me amava mais, que só havia mentido e me usado, eu o conhecia, ou pensava que o fazia. Acho que não conheço nem a mim próprio, acho que ele realmente não me ama mais. O meu choro ficou mais colérico ao constatar os fatos, ao entender que a vida realmente não tinha mais significado, não para mim.
A coisa que estava mais próxima de mim e podia machucar ao ponto de matar eram os cacos de vidro, havia um muito próximo que era de tamanho mediano, mas parecia ser forte o bastante para o que eu pretendia fazer.
POV Mary
Eu havia ouvido um barulho ao longe, parecia ser algo se partindo, mas parecia ser na casa do vizinho. Após alguns minutos eu resolvi voltar a dormir e foi quando eu comecei a ouvir alguém falando, era distante. Mas eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar, era a Renesmee, ela parecia falar coisas desconexas e a sua voz parecia embargada, logo eu me preocupei e resolvi levantar e procurar por ela, e quando eu estava descendo as escadas eu presenciei a cena mais forte de toda a minha vida, eu nunca imaginei vê-la daquele jeito, nunca imaginei vê-la tão transtornada, arrasada, dilacerada. Palavras não seriam o suficiente para explicar a forma em que ela se encontrava.
– Renesmee – eu disse em sobressalto.
– Eu não te amo mais, eu não te amo mais, se conforme. – ela resmungava enquanto chorava e puxava contra o seu pulso um pedaço de vidro que ela havia acabado de afundar em sua pele exposta. – O meu amor não é tão grande assim, eu não te amo mais Renesmee. Não amo. – ela continuou a repetir, mesmo após o pulso começar a sangrar.
– PARA RENESMEE. – eu disse puxando o caco de vidro da sua mão. – Você ficou louca menina??? O que pensa que está fazendo??? – eu perguntei enquanto tentava levantá-la do chão.
– Você ouviu Mary?? Ele disse que não me ama mais, diz para ele Mary, diz. – ela disse apertando meu braço com força e me sacudindo. – Diz que ele não pode me deixar, o meu irmão não pode, eu preciso dele, ele é a minha única família Mary, diz. – ela disse chorando desesperadamente e se atirando sobre os meus braços.
– O que aconteceu com você meu bem? Você saiu daqui tão bem com a Claire. – eu perguntei preocupada enquanto rasgava um pedaço da camiseta que estava usando para poder amarrar o seu pulso esquerdo, após colocá-la sentada sobre o sofá.
– Ele não me quis Mary, eu não sei o que eu fiz, nem o Jake irmão me quis, eu até entendo que ele não me queira como namorada, mas e irmã? Nós sempre fomos tão próximos. – ela dizia de forma desconexa enquanto pressionava a mão direita – que também parecia machucada – sobre o peito.
– Tudo vai ficar bem meu amor, ele vai voltar! Eu lhe prometo, mas agora nós temos que ir ao hospital. – eu disse me levantando e indo pegar o celular e a chave do carro.
– Não, eles podem querer prendê-lo, porque eu vou ter que explicar Mary. – ela disse olhando para os lados e passando as mãos nos olhos, como se tentasse apagar algo, mas só o que ela conseguia fazer era borrar mais ainda a maquiagem preta.
– Pare querida. – eu disse segurando seus braços. – E eles não vão querer prender ninguém, eu lhe prometo. – eu disse enquanto a puxava do sofá, ela continuou me encarando, como se pensasse na minha promessa. – Você confia em mim, não confia?
– Confio, por isso que nós vamos. – ela disse dando um fraco sorriso.
[...]
– Alô? – ele respondeu de forma sonolenta do outro lado da linha.
– Eu preciso da sua ajuda Jacob! E preciso agora. – eu disse desesperada, pois a Renesmee só podia ter surtado.
– Ajuda? Como assim Mary? Que tipo de ajuda você precisa às 3h30min da manhã? – ele disse nervoso.
– Eu estou no hospital... – eu ia dizendo quando fui interrompida por ele.
– O que aconteceu com você? Você está doente mãe? Por que não me avisou??? E a Renesmee?? – ele perguntava descontroladamente, e parecia estar correndo pelo apartamento.
– Se acalme, é sobre ela que eu quero falar, e não! Eu não estou doente e se estou no hospital essa hora é por causa da Nessie, meu filho. – eu disse dando um longo suspiro no final, pois estava certa de que o Jake iria surtar.
– Co-co... COMO??? – ele gritou desesperado.
– Acalme-se, agora ela está bem, eu só preciso que você venha o mais rápido possível, ela parece insana Jacob, só fala em você e em coisas malucas que ninguém entende. – eu disse em suplica.
– Mas ela não vai estranhar eu chegar ai tão rápido? – ele parecia estar perguntando para si próprio. – Que se foda também.
– Eu estou no hospital próximo de casa.
– Eu sei qual é, eu estou indo para ai. – ele disse desligando logo em seguida.
POV Jacob Black
Ela não podia ter feito isso, não comigo. Eu sei que eu havia a deixado, eu havia partido dizendo que não a amava mais, mas não era para ela ter acreditado tão fácil, não era para ela ter se entregado assim, ela não podia estar tentando tirar a sua própria vida, a minha vida.
– Ela não tinha esse direito, não tinha Mary. – eu disse andando de um lado a outro no saguão do hospital, ela logo seria liberada.
– Eu também não consigo me conformar que a minha menina estava envolvida com drogas Jake. – disse a Mary olhando para o chão de uma forma vazia.
– Ela estava tentando se matar Mary, eu tenho certeza. A Renesmee nunca se cortaria por simples prazer. – eu disse irritado puxando os meus próprios cabelos, mas a minha raiva não era só focada na Renesmee, era também focada em mim.
– Acalme-se Jacob, e não vá xingar a menina logo agora, ela está um pouco transtornada e se isso está acontecendo de certa forma você contribuiu com isso. – ela disse irritada enquanto nós avistávamos a Renesmee vindo acompanhada de um médico.
– Olá. – o médico disse se aproximando e apertando a minha mão enquanto Renesmee ficava petrificada no meio do saguão. – Ela está bem agora, mas eu a encaminharei para um psiquiatra, é o mais recomendado nesse caso e bem ela deve ir repousar quando chegar em casa.
– Sim, nós cuidaremos disso. – eu disse sem ao menos olhar para o médico, o meu olhar estava sobre o ser completamente devastado que eu via parado no meio do saguão.
– Você é o que dela? – ele perguntou, pois estava nitidamente confuso.
– Irmão, prazer eu sou Jacob Black. – eu disse pela primeira vez o encarando.
– Então Senhor Black, era só isso. – disse o médico se retirando e quando passou pela Renesmee disse algo a ela que eu não consegui ouvir por estar meio longe.
Ela estava horrível, o rostinho inocente estava devastado por profundas olheiras e os olhos estavam muito vermelhos. Ela não me lembrava em nada a Renesmee que eu havia deixado há cinco meses.
– Vamos minha querida? – disse a Mary enquanto se aproximava da minha Nessie e praticamente a rebocava do lugar em que ela ainda se encontrava parada, sem mover um músculo.
[...]
Um dia já havia passado desde aquele momento de loucura da Renesmee, eu resolvi que deveria pelo menos voltar para casa, a Mary cuidava dela muito bem, mas o único que tinha pulso firme e voz ativa com ela era eu, sempre foi assim, desde pequena.
– Eu vou sair Mary, cansei de ficar no quarto. – disse a Nessie descendo as escadas, eu me encontrava sentado no sofá. Ela parecia chateada comigo, pois não havia me dirigido a palavra desde que eu voltei, mas ao mesmo tempo ela parecia querer pular no meu colo de felicidade.
– Não, você não vai sair, vai voltar para o seu quarto e ficar deitada descansando. – eu disse de forma dura a encarando.
– E você voltou para quê? Para ficar mandando e desmandando JACOB BLACK??? – ela disse gritando transtornada, parecia ainda meio aérea e fora do ar algumas vezes. – Se foi para isso, você pode voltar para Los Angeles, vai lá que as suas quengas devem estar te esperando, eu não preciso de você, diz para ele Mary, eu sobrevivi bem não foi? – ela perguntou desviando o olhar de mim enquanto a primeira lagrima caia.
– Nessie, nós bem sabemos que nem sobreviver você não estava conseguindo. – disse a Mary de forma carinhosa.
– Pois eu digo que estava, foi só porque eu estava drogada que eu fiz aquelas coisas naquele dia. Eu não estava sofrendo, eu já tinha superado. – ela disse fracamente a ultima parte enquanto começava a chorar.
– Nessie, não mente para nós. – eu disse com carinho. – Vem aqui neném, vem? – eu disse estendendo o braço na sua direção, ela apenas se limitou a me encarar com um olhar hostil.
– Ir ai para quê?? Não precisa ficar perto de mim caso você não queira Jake, a casa é grande o bastante para a gente poder manter distância. – ela disse fazendo menção de subir as escadas.
– Eu quero que você venha aqui para eu poder dar um abraço na minha irmã. – eu disse sendo sincero, pois ela acima de tudo é e sempre será a minha irmãzinha caçula, a quem eu devo cuidar.
– Tudo bem então, só não faça essa cara de piedade. – ela disse vindo em minha direção no sofá.
Quando a mesma se aproximou o bastante eu a puxei com força, fazendo com que ela caísse sobre mim, que estava sentado no final do sofá. No momento em que ela caiu sobre o meu corpo ela tentou se levantar, mas eu a apertei em um abraço apertado, e como eu senti falta daquele abraço, senti-la em meus braços novamente me fez ver o quanto aquele pequeno ser me fazia falta, ela era meu porto seguro, meu delicado relicário, minha vida. Eu a abraçava e aproveitava para cheirar os seus cabelos e pescoço, aquele cheiro me levava à loucura. Ela também estava sentindo a minha falta, pois pôs toda a sua força – que não era muita – em nosso abraço, mas mesmo assim ela criou forças para me empurrar, então eu a soltei, achando que a mesma iria sair do meu colo, mas ela apenas deitou a sua cabeça sobre o meu peito e começou a silenciosamente chorar.
– Shh neném, eu estou aqui! – eu disse a apertando contra o meu corpo, mas o choro se agravou ainda mais, ela estava me assustando.
– Mas você não vai estar para sempre. – ela disse se erguendo para me encarar com a voz completamente embargada. – Quando você volta para LA??
– Não volto mais, eu vou cuidar de você a partir de agora Nessie. – eu respondi carinhosamente.
– Eu não quero ser um estorvo na sua vida Jake, eu entendo que você tem que ir para LA, e eu aceito. – ela disse olhando para baixo. – Pode voltar, eu estou bem.
– Tem certeza que está bem? – eu perguntei limpando mais uma lágrima que descia sobre o seu rosto inchado. – Você não consegue e não sabe mentir para mim Nessie, então nem tente.
– Eu não estou mentindo. – ela disse fazendo menção de levantar, mas eu segurei sua cintura para que ela continuasse sentada sobre o meu colo.
– Nós vamos te ajudar, okay? Eu sei que deve ser difícil, mas eu estou aqui, eu e a Mary vamos lhe ajudar a se recuperar. – eu disse passando a mão esquerda sobre os seus cabelos.
– Eu não estou viciada Jacob. – ela disse com hostilidade. – Eu sei que todo viciado fala isso, mas eu não quero mais usar aquelas porcarias, eu não sinto necessidade, não está me fazendo falta. – ela disse voltando a chorar.
– O que houve Renesmee?? Você está me assustando. – eu disse apavorado pelo fato dela ter começado a chorar sem motivos aparentes.
– Eu... Eu, Jake. – Então ela continuou a chorar, só que com mais intensidade agora. – De-desculpa. – ela disse se levantando do meu colo e se postando a frente da janela. Então eu me levantei e fui ao seu encontro.
– Desculpa pelo quê? Neném, calma! – eu disse sendo o mais paciencioso possível, enquanto a abraçava por trás. – Eu não estava falando das drogas Nessie. Eu não acho que você esteja viciada.
– Não foi por isso que eu comecei a chorar. – ela disse se virando para mim e me abraçando pela cintura com devoção.
– Então qual o motivo? Fala para eu poder te ajudar. Eu quero ajudar Nessie. – eu disse levantando o seu rosto com a mão direita.
– Mas eu não sei, eu estou confusa Jake, é como se eu tivesse segurado o peso do mundo por cinco meses e agora minha força parece ter se esvaído e eu estou desmoronando com todo esse fardo. – ela disse me apertando com muita força e espremendo o seu rosto contra o meu peito, mas mesmo assim eu pude perceber que mais lágrimas silenciosas desciam pela sua face.
– Eu sei bem como é, eu lhe entendo Nessie, e eu sei o quanto pode ser difícil ou até mesmo impossível se curar sozinho, por isso que semana que vem você começará a ir a um psiquiatra. – eu disse sendo enfático, pois conhecia bem aquela dor e mais ainda a dona Renesmee, obviamente ela não iria querer ir ao psiquiatra.
– Eu? Em um psiquiatra?? Você pensa que eu estou maluca? É isso?? – ela perguntou levantando o rosto para me encarar, ainda me abraçando.
– Não se faça de ignorante, pois eu sei que você não é, e você sabe muito bem que psiquiatra não é médico de louco como todo mundo fala. – eu disse sendo ríspido.
– Eu sei. – ela disse baixando o olhar triste. – Mas eu já estava indo a um psicólogo, e ele disse que eu estou bem. – ela disse se recostando sobre o meu corpo novamente.
– No mínimo você fingiu muito bem, pois qualquer analfabeto vê que você não está nada bem. – eu disse a abraçando novamente, eu nunca cansaria de tê-la em meus braços.
– Também não é para tanto. – ela disse aparentando estar sorrindo.
– É sim Renesmee, e depressão é coisa séria, as pessoas devem se tratar quando sofrem desse mal, sabia? – eu disse bravo, demonstrando que não estava brincando.
– Eu não sou depressiva. – ela disse irrita, me soltando logo em seguida. – Eu só não agüento mais tudo isso Jake, essa dor. – ela disse pondo a mão direita que estava enfaixada sobre o peito.
– Eu entendo, você sente a dor sem nem saber o porquê. – eu disse me aproximando e pondo a minha mão sobre o seu ombro. – Eu entendo você Nessie, de certa forma eu já passei por isso também, e é por causa disso que eu sei que você precisa da ajuda de um profissional.
– Se eu disser que não quero ir vai adiantar? – ela perguntou irônica.
– Obviamente não, já está decidido. E foi o médico que lhe atendeu que mandou você começar a se consultar com um psiquiatra, não fui eu quem decidiu. – eu disse antes de depositar um beijo em sua cabeça e começar a subir as escadas.
– Aonde você vai? – ela perguntou me surpreendendo.
– Vou dormir. – eu disse confuso. – BOA NOITE MARY. – eu gritei para que ela ouvisse da cozinha.
– BOA NOITE QUERIDO. – gritou a Mary, assim como eu.
– Boa noite para você também Renesmee. – eu disse com humor, achando engraçado a cara que ela estava fazendo.
– Não, eu vou com você. – ela disse subindo as escadas correndo, passando por mim, aquilo não era bem ir comigo, mas na mente maluca da Nessie devia ser.
[...]
Eu estava a meia hora tentando dormir, rolando de um lado a outro, mas o fato de pensar que a minha Nessie se encontrava no quarto da frente, não estava ajudando. Eu a queria aqui, comigo! E não distante, como se fossemos dois estranhos. Foi então que eu ouvi a porta do meu quarto ser aberta e fechada, e passos leves serem depositados sobre a madeira que compunha o chão.
– Jake? – sussurrou a minha pequena, dando leves sacudidas no meu corpo, ela devia estar pensando que eu estava dormindo.
– O que foi? – eu disse com a voz meio embargada do quase sono.
– Eu não estou conseguindo dormir, ai eu pensei que se eu dormisse aqui como nos velhos tempos talvez eu conseguisse. – ela disse claramente insegura da resposta que eu viria a dar.
– Pode sim neném, vem aqui. – eu disse indo para o outro lado da cama e levantando a coberta para que ela deitasse sobre a cama.
– Obrigada. – ela disse após se deitar e se aconchegar sobre o meu peito, e essa atitude dela realmente me surpreendeu.
– Eu que agradeço por você estar aqui, sã e salva. – eu disse a apertando com delicadeza em meus braços. – Boa noite neném.
– Boa noite meu Jake. – ela disse de forma sussurrada, e parecia não querer que eu ouvisse, mas ouvir aquilo me deixou tão extasiado e eufórico que a única reação que eu pude ter foi sorrir, sorrir como eu não fazia há cinco meses.
Mas algo me dizia que muitos outros sorrisos ainda viriam, era só questão de tempo, pois eu ainda acreditava que era merecedor da felicidade, ainda acreditava em tê-la ao lado da minha doce e amável Renesmee Cullen.
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