Losing my Humanity

37 Cap. 36 ─ Let it go


Notas iniciais
Não pensem em frozen ao ver o titulo do cap ok? kkkkk Impossivel! Oi meu amores, deixe eu pedir desculpa pela demora . Mas pensem positivo, eu poderia ter demorado mais hhehehehe. Ah, e outra, 70 reviews?! To me sentindo a J.K.Rowling (menos Jae, bem menos). Enfim, muito obrigada por serem tão participativos! Aproveitem o cap e se atentem as notas finais ok?

Observo a fachada do prédio por alguns segundos, sentindo o peso da mochila nos ombros. Entro e começo a subir os degraus metálicos lentamente, tentando fazer o mínimo de ruído possível, até avistar a porta de madeira escura. Forço a maçaneta, que se abre sem esforço.

O apartamento está quieto, o que me dá a liberdade necessária para cumprir meu objetivo. Vasculho o local rapidamente com os olhos e encontro o que estava procurando.

Chegando diante da lavadora de roupas abro minha mochila e a esvazio, tirando as roupas usadas na caçada da madrugada. Jogo-as na máquina, e quando estou iniciando o processo de lavagem e secagem, a voz rouca do morador me chama:

─ O que está fazendo? ─ sinto a respiração dele perto de mim, quente e bem viva.

─ Lavando roupa suja. ─ respondo sem me incomodar em virar para responder.

─ O quê?!─ posso quase imaginar a careta de confusão que se forma em seu rosto.

─ Estou literalmente lavando roupa suja. ─ finalmente o encaro, sua sobrancelha direita levantada, seus lábios quase formando um biquinho, seus olhos azuis cintilando para minhas mãos apontando na direção de sua lavadora ─ Precisava de um lugar calmo e não suspeito pra eliminar as provas da minha “aventura” da última noite.

Peter sorri ao entender meu tom malicioso, satisfação cruzando seu rosto. Ele cruza os braços antes de se esforçar para fechar a expressão numa careta de reprovação novamente.

─ Não tem autorização para entrar na minha casa.

─ Mesmo? ─ finjo uma cara de decepção ─ Pensei que depois de tudo que passamos, poderia vir até a casa do meu bom amigo quando quisesse. Mas já que aparentemente estou errada, tome. Acho que poderemos fingir que nunca estive aqui, certo?─ estendo o emaranhado de notas que peguei da garota agora em meu sistema digestivo. Se é que wendigos tem sistemas digestivos.

─ Assassina e ladra?! Confesso que se... ─ Peter começa a se vangloriar por estar certo sobre alguns de seus palpites com relação a mim, mas o latejar em minha cabeça fica mais forte, tornando meus sentidos entorpecidos demais para ouvi-lo.

Apoio-me na lavadora cambaleante, minha visão borrada deixando a fisionomia de Peter deformada e assustadora, meus ouvidos zunindo como se um exame de abelhas atacasse cada um deles. Minha língua está tão áspera e seca que mais pareço estar perdida num deserto por dias, e minha garganta arranha com tamanha fúria que parece ser atacada por uma dúzia de navalhas por dentro.

Sentindo as pernas vacilarem tremulas, procuro um apoio menos escorregadio que o meu atual, me lançando para a frente e chocando meu rosto contra o peitoral do meu anfitrião. Ele me segura pelas axilas antes de meus joelhos se chocarem contra seu chão lustroso sem qualquer esforço aparente, sua barba arranhando meu rosto enquanto me sustenta , carregando-me como uma criança sonolenta.

─ Se queria um abraço era só pedir. ─ escuto sua voz distante, enquanto sinto a lucidez escorrer de mim.

***


“Perdi meu equilíbrio,

Caí do trapézio,

Esse ato não é fácil.”

Meus olhos se abrem, confusos pela ausência da dor. Olho ao redor e imediatamente reconheço o lugar ─ minha proprira mente. Apesar de ter me convencido de que tudo não passou de um mero sonho, o fato de ter voltado aqui não me apavora.

Ao redor tudo parece quieto, quieto demais. Nada das borboletas da ultima vez ou o canto de pássaros, nenhuma recepção de D’artagnan, mas tenho plena certeza de que não estou enganada.

Ainda é a mesma clareira, ainda que pareça um tanto abandonada. São as mesmas árvores frondosas, as flores coloridas tomando parte do chão como o belo tapete de que me lembro.

Mãos quentes tocam meu ombro e já imagino o possível sermão que vou receber de Julie Consciência ao me virar, mas ao obedecer ao movimento encontro Carter me analisando com uma expressão desapontada no rosto.

“Estive submerso,

Essa tempestade tem sido difícil.

Essas noites são insones,

Meus sonhos são agora estranhos para mim.”

Devo admitir que sua aparência ali era a imaginada por mim em minhas divagações sobre como ele possivelmente seria se eu o tivesse conhecido em outro lugar, em outra situação ─ seu rosto limpo, mas ainda com um pouco de barba , seus cabelos bem lavados e um pouco mais curtos, seu corpo um pouco mais forte e menos debilitado pela falta de alimento, roupas casuais limpas e descontraídas.

Mas sua expressão não era a que eu tanto imaginava, em meus devaneios ele sempre sorria. Mesmo quando ele toca meus ombros amigavelmente e suspira aliviado enquanto me puxa para um abraço carinhoso, meu peito não parece prestes a explodir de alegria como havia me sentido da última vez que o vi.

Ao nos separar do abraço, observo seus lábios se contorcerem em um discreto sorriso de canto, e fecho os olhos ao sentir sua aproximação novamente, desta vez para depositar um beijo fraternal no alto de minha cabeça.

─ Julie Starter. ─ ele cola sua bochecha em minha testa, pronunciando a última frase que dirigi a ele no mundo real, e nem ao menos tenho certeza se ele chegou a escutar.

─ Carter Gold. ─ respondo automaticamente, sentindo um calor feliz começar a preencher meu peito até então vazio.

“E eu preciso de você agora.

Há muitos quilômetros sobre meus ossos.

Não posso carregar o peso do mundo.

Não, não sozinho.”

─ Você se esqueceu de mim. ─ ele se afasta para encarar meus olhos, o âmbar escuro nos dele brilhando numa vivacidade completamente imaginada por meu subconsciente.

─ Não! ─ a acusação faz parecer que engoli uma bigorna que pressiona meu estomago para baixo ─ Nunca!

─ Você esqueceu quem você é, o que passamos, e se esqueceu de mim.

─ Como pode dizer uma coisa dessas? ─ minha voz soa fraca, tremula, e meus olhos ameaçando inundar-se.

─ Existe outra explicação para o crime hediondo que você cometeu? ─ ele ainda não soltou meus ombros, mas seu corpo em contato com o meu não mais me conforta ─ Fez com aquela pobre moça exatamente o que fizeram com você, a torturando e perseguindo. E fez exatamente o que fizeram comigo, a matando cruelmente.

─ Uma vez na vida eu apenas me entreguei aos meus desejos, sem me preocupar com nada além de meu próprio prazer e satisfação. Tenho sido forte por tempo demais, aguentei muita coisa por tempo demais, me importei com o que todos pensariam e diriam por tempo demais. Estou cansada. Cansada de tudo, cansada de sentir tanta culpa. Será que existe um jeito de eu ser feliz que não envolva contrariar o universo? ─ acabo despejando as palavras, minha energia se esvaindo.

─ Não destrua sua consciência por auto piedade. ─ ele responde duramente ─ Existe certo e um errado, por mais que todos digam que o importante é se feliz.

“Seus olhos são como relâmpagos,

Sua voz é como água.

Esse lugar é um deserto.”

─ Então está basicamente me dizendo para viver uma vida de miserável penitencia e abnegação. ─ um sorriso descrente se forma em mim.

─ Estou pedindo que não se transforme no monstro que tanto temeu.

Me desvencilho de suas mãos e me afasto alguns passos, o choque de meus pés contra a grama proporcionando um som gostoso de natureza, afastando por um momento o silencio insuportável do lugar.

Aos poucos me permito desabar, deitando de costas no chão, minhas madeixas loiras se espalhando como um véu de palha a meu redor, enquanto meus olhos estão direcionados para o céu azul como meus olhos. Não consigo pensar claramente em nada, será isso por que estou dentro de minha própria mente?

Ouço passos ao meu lado e logo depois sinto um corpo deitado junto ao meu. Pela lembrança do cheiro, posso dizer que é Carter mesmo sem vê-lo ou toca-lo. Essa ligação forte que minha mente construiu com a figura representada por ele em minha vida, parece exagerada e apenas um jeito de manter um pouco de felicidade egoísta da minha parte.

“Tenho andado em círculos.

Estou gritando por respostas.

Estou me despedaçando?

Ou talvez esteja finalmente entendendo...”

Ele toma minha mão na sua e entrelaçamos nossos dedos. Posso sentir calor humano gostoso emanado de sua pele enquanto ele respira tranquilamente ao meu lado. É essa a sensação que procuro por tanto tempo: paz e segurança.


“Eu preciso de você agora.

Há muitos quilômetros sobre meus ossos.

Não posso carregar o peso do mundo.

Não, não sozinho.”

Mas as ultimas palavras pronunciadas por ele ainda martelam em meus ouvidos. Eu poderia evitar em me transformar completamente em um monstro? E será que vale mesmo lutar contra o aparente inevitável?

Me apoiando no cotovelo, ergo parcialmente o corpo, de modo que estou rosto a rosto com Carter. Ele sorri, ainda com nossas mãos unidas, enquanto coloca mechas de meu cabelo atrás da orelha para me observar melhor.

─ Queria que isto fosse real. ─ falo enquanto sinto sua respiração chegar suavemente ate minha pele ─ Queria que estivesse vivo e bem, pois dentre todas as pessoas do mundo, alguém que merecia ser feliz era você.

─ Não sofra pelo que poderia ser, apenas aproveite o agora. ─ ele aperta minha mão um pouco mais forte, de forma encorajadora.

─ Carter, não posso viver pressa em luto por você. ─ começo ─ A partir de agora vou fazer o que sentir que preciso fazer, por mais que fira sua memoria. Sinto muito, mas sou um monstro independentemente de minha vontade. E preciso fazer coisas monstruosas para sobreviver, mas isso não necessariamente me torna uma má pessoa.

Ele cessa nosso toque, me trazendo um aperto no peito, mas mantenho minha expressão firme.

─ Existe uma linha tênue entre ações que tomamos e podemos contornar, e aquelas que nos marcarão para sempre. Está muito perto de cruzar essa linha Julie. Perigosamente perto demais.

─ Acho que cabe a mim viver com as consequências.─ respondo cabisbaixa, porem decidida.

─ Temo que depois disso não possamos interceder por você, nem eu, nem sua consciência. Se continuar por este caminho, essa será a ultima vez que nos vemos.

A ideia me traz lágrimas aos olhos, mas estou decidida a não mais sofrer pelo passado. Volto a me deitar na grama, minha cabeça virada na direção de Carter. Se essa é a ultima vez que o vejo, quero gravar cada detalhe em sua feição, cada contorno de seu corpo, cada sensação de calor e conforto em minha pele.

Me aconchego entre seus braços enquanto estico o pescoço para ainda conseguir olhar para seu rosto, minha respiração batendo em seu ombro e voltando para mim, quente e tranquila. Seus olhos me analisam docemente e seus lábios formam mais um sorriso discreto.

─ Sinto muito. ─ sussurro, abraçando sua cintura forte contra mim.

─ Não sente não. ─ ele balança a cabeça como se enxergasse o futuro ─ Ainda não.

“Não mais correr,

Não mais esconder,

Não mais sofrer,

Não mais chorar.

Não mais problemas,

Não mais suspirar,

Não mais cair,

Não mais esforço.

Não mais mágoas,

Não mais lutar,

Não mais medos,

Só voar.”

Notas finais
Choraram? T_T esses trechos são de uma musica que sempre me deixa no clima pra chorar... http://www.vagalume.com.br/lifehouse/flight-traducao.html Antes de propor minha proposta ( êêê portugues bem dizido!) , gostaria de agradecer a Bea Salvatore (diva sambista, leitora fiel maravilhosa!) por sempre me cobrar quando me atraso demais heheheh, é um ótimo incentivo. Agora sim, a proposta. Sei que isso aqui nao é fic iterativa,mas não vejo motivos pra vcs não terem alguma participação na historia ( como nas sugestoes para o nome da fic). Então, sempre que vcs ouvirem uma musiquinha (emo, gotica, nerd e das trevas ~zoeira), que te lembrarem da Julie, ou da fic em gera, podem mandar pra mim que eu encaixo na história com o maior amor ok? E só pra não perder o costume de mendigar (q feio), podem favoritar e recomenda a historia viu?! Vou reclamar não, eu deixo kkkkkkkkkkk Beijnhos, até mais!