Lose My Mind

12 Extra III: A girl, a boy and a hairpin.


Notas iniciais
Hello! Aposto que metade dos meus leitores caíram da cadeira ao ver que eu tinha realmente atualizado depois de uma semana exatamente! Mas não deviam. u.u Afinal, eu disse que ia. Vocês que se surpreenderam não confiam em mim -ne? Hunf! kk Ok, ok, brincadeiras a parte... Vamos ao que interessa. Espero que este extra, que será o último antes de voltarmos à estória principal, agrade a todos. ^^ Boa leitura!

Era pouco mais de oito da manhã quando a descobri.

Eu me encontrava sentado em uma desconfortável e estreita cadeira, localizada na sala de espera do colégio. Eu tinha na época meus dezesseis anos, os cabelos entre o castanho e o ruivo escuro um tanto cumpridos demais. O calor que fazia naquele país que se tornara estranho a mim depois de cinco anos não colaborava, deixando-me desconfortável.

Passei os dedos em minha nuca, sentindo o suor que se aglomerava em minha pele clara. Fiz cara de desgosto, enquanto esfregava os dedos a fim de livrar-me da sensação molhada que me tomou as pontas dos dedos. Em seguida, ajeitei meu cabelo, jogando-o como pude para trás. Minhas feições continuavam incomodadas.

– Quer um prendedor?

Ao ouvir a voz feminina, ergui meus olhos, encontrando uma jovem loira parada diante de mim, um elástico de cabelo preto seguro em seus dedos. Ela usava o uniforme do colégio que eu pretendia voltar a estudar a partir do começo do seguinte ano letivo. Pensei em perguntar-lhe o que fazia na sala da direção, mas não era problema meu, apesar de que ela não aparentava ser do tipo que causava problemas.

– Obrigado. – eu disse, por fim, aceitando a gentileza e apressando-me em prender os fios do cabelo o melhor que pude.

– Não a de quê. Posso me sentar? – ela gesticulou ao lugar vago ao meu lado, ao que ergui uma sobrancelha e rodei os olhos pelo salão vazio e cheiro de cadeiras desocupadas.

– Fique a vontade… – eu acabei por responder, apesar de que a contragosto. Eu podia até não gostar da companhia de estranhos, mas eu sabia ser educado, ainda mais com uma garota que acabou de me ser gentil.

– Eu nunca vi esse uniforme. – ela disse, logo após se sentar. – De que colégio você veio? Você é do interior?

– Na verdade, eu sou do exterior. Da Itália.

– Italiano? Você? – ela abriu um sorriso alegre – Hum, é... Pensando bem, você tem carinha de italiano.

– Obrigado, eu acho... – eu disse, incerto sobre o que lhe responder. – Mas para ser sincero, eu nunca considerei a Itália meu lar, afinal vim para cá quando era um bebê e me mudei quatro anos atrás. Minhas lembranças mais preciosas são todas daqui. – eu disse, sorrindo involuntariamente enquanto me lembrava do amigo que eu não via há tanto tempo.

Uma de minhas mãos pousou sobre meu peito, onde pude sentir o coração pulsar fervorosamente. Lembrei de seu toque, de nossa despedida e de como não pude me expressar como desejava.

– Hummm… Lembrando de algum amor da infância? – ela brincou, fazendo-me corar ainda mais do que eu já estava.

– N-Não é nada disso! – exclamei, exasperado. Eu sentia meu lábio inferior tremer, como sempre quando eu ficava ansioso.

Ela comprimiu os lábios, unindo-os, e seu sorriso desapareceu. Ela então inclinou levemente a cabeça e tudo que suas feições passaram a exprimir foi confusão

– Hum?

Sentindo-me ainda mais nervoso, virei o rosto rapidamente. Meu coração batia acelerado, forte, e eu me sentia impaciente. Se antes eu cogitava visitar Antonio antes de pegar o avião no final da tarde, agora não sei se serei capaz de ficar frente a frente ao espanhol sem tornar meus sentimentos por si completamente evidentes.

Ao sentir meu coração acelerar ainda mais e minha respiração falhar um pouco, cobri imediatamente meus lábios por uma de minhas mãos e respirei, puxando e expulsando o ar de meus pulmões com força. Só depois de repetir o procedimento pela terceira vez é que senti que eu começava enfim a me acalmar.

– Tudo bem com você? – ela perguntou, ao me ver afastar a mão da cara.

– Tudo sim. Apenas uma crise de ansiedade. Normal até, então não se preocupe.

– Foi algo que eu disse?... – ela parecia bastante preocupada e seus olhos verdes transmitiam um sincero pedido de desculpas.

– Não foi nada. Não se preocupe. – eu sorri, a fim de acalmá-la. – E o que você faz aqui? Se meteu em encrencas? – perguntei, sorrindo, desejando mais que tudo que o foco da conversa mudasse para qualquer outro assunto.

– Nem. – ela riu-se brevemente – Vim apenas para entregar uns papéis pelo professor de química.

– Entendo...

– Ah! A propósito, meu nome é Bella.

– Ah. Prazer. – respondii, surpreso com a súbita apresentação – O meu nome é…

– Lovino Vargas. – a voz forte e masculina alcançou nossos ouvidos e ambos encaramos a figura estacionada diante da porta.

Mirei a garota uma última vez e sorri a ela, em um pedido mudo de desculpas. Ela anuiu a cabeça e desejou-me boa sorte. Segui atrás do diretor, com quem conversei durante mais ou menos meia hora.

O assunto da conversa era simples: que motivos me levavam a mudar de escola no último ano de colégio, minhas notas e presença nas aulas, meu relacionamento com meus antigos colegas de classe e outras banalidades. E, para todas as suas perguntas, eu já possuía uma resposta pronta. Ou ao menos eu assim pensava.

– Então seus pais não virão com você?

– Não, senhor. Eles tem que cuidar de meu avô doente, pois minha avó faleceu e não tem ninguém mais que possa cuidar dele.

– E você tem certeza de que não quer ficar com sua família? Eu entendo que você anda tendo conflitos com seus pais e irmão, mas não acha que esse é um motivo pouco razoável?

Coçei a cabeça, sentindo-me encurralado por um momento. Ele pareceu notar isso.

– Algum problema?

Suspirei, e só então prossegui:

– Sabe... A verdade é que a minha psiquiatra disse que seria melhor eu me afastar um pouco deles. Disse que talvez eu melhore de minhas crises de ansiedade e de minha depressão… – eu acabei por dizer o que seria meu real motivo de transferência, minha voz fraca e angustiada.

O homem ficou em silêncio por um momento, enquanto eu me limitava a encarar meus dedos, que se entrelaçavam ansiosamente sobre meu colo. Eu não tinha coragem de subir o olhar, por medo de que ele me negasse adentrar o colégio por ter mentido inicialmente. Eu sentia que havia destruído todas as minhas chances.

– Muito bem. – ele disse, por fim, com um suspiro cansado. – As suas notas são boas então não vejo porque não o aceitar. Apenas tente ser mais sincero. As pessoas daqui adorarão ajudá-lo, na medida do possível.

– S-Sim, senhor! – ergui minha face rapidamente, encarando-o com um olhar esperançoso e, ao mesmo tempo, aliviado. Minha face também se encontrava bastante corada. – Desculpe-me! – eu reverenciei-o rapidamente, antes de erguer novamente minha face.

– Mas onde você pretende morar durante esse ano?

– Ah, bem… Eu estava pensando em pedir a algum dos meus amigos antigos da escola. Ou então a algum conhecido da família… Tem bastantes opções. Senão, eu posso morar sozinho. Meus pais concordaram, em último caso, já que eu sei me cuidar.

– Certo então. – ele acenou com um gesto discreto da cabeça – Bem vindo de volta ao colégio, Lovino Vargas. As aulas começarão no meio de fevereiro do ano que vem. E não se esqueça de me trazer uma lembrançinha quando vir definitivamente da Itália, okay?

Sorri ao mais velho, que sorria a mim. Eu sentia-me de repente vivo uma vez mais, e eu podia ver uma luz radiante em meu futuro. Esperança... Eu havia recuperado minha perdida esperança.

Ao que me retirei da sala do diretor, depois de um aperto de mão e mais alguns sorrisos, encontrei a loira ainda sentada no mesmo lugar. Assim que me viu, sorriu-me largamente e se aproximou. Entregou uma pasta ao diretor, que sumiu de nossas vistas no mesmo instante, e virou-se novamente a mim.

– E aí? – ela perguntou, ansiosa. – Eles te aceitaram?

– Sim. – respondi, sorrindo um pouco mais largo do que pretendia. Mas não havia nada a ser feito, eu estava feliz oras! Muito feliz!

– Que bom! Eu fico feliz por você. Vai estar em que ano?

– No último.

– Eh? Mas você não parece ter a minha idade. Pensei que fosse pro segundo... – ela respondeu, sinceramente – Bem, pelo jeito estaremos estudando juntos. Talvez até caiamos na mesma sala!

– Quem sabe... Não seria ruim.

– Não é? – ela riu novamente, alegre. Vê-la sorrir me fazia bem, e me fazia corresponder de imediato àquela alegria. – Bem, agora eu tenho que ir. Eu já perdi tempo de mais de aula…

Só então me dei conta de que era horário de aula, e de que deixei Bella plantada na sala de espera por tanto tempo.

– Desculpe! Eu devia ter te mandado ir antes.

– Não se preocupe. – ela abanou uma mão em frente ao rosto, as feições despreocupadas – Matemática é um saco, então tudo bem.

Um sorriso brotou em meus lábios antes mesmo que eu me desse conta.

– Se você diz… Ah! O seu prendedor… – ao me recordar, levei meus dedos ao cabelos, mas a garota impediu-me antes que eu o soltasse, segurando meu braço com firmeza.

– Tudo bem. É apenas um elástico. Você pode me devolver ano que vem.

Sorri uma vez mais, afastando minha mão de minha cabeça, ao que ela também soltou-me o braço.

– Certo, então. Mas não me culpe se eu esquecer.

– Pode deixar que eu vou garantir que você não esqueça. – ela buscou a bolsa e abriu a carteira, pegando um papel de lá. – Este é o meu telefone e o meu e-mail. Eu anotei enquanto você estava lá dentro. Achei que seria bom você ter algum contato aqui da escola, além dos dos professores e da administração. Qualquer coisa é só me ligar ou me mandar mensagem. Sinta-se a vontade pra falar comigo.

– Obrigado. – eu agradeci, aceitando o pequeno pedaço de papel. – Espero que nos tornemos amigos então.

– Com certeza iremos, Lovino.

Ela então se virou em direção à saída, as mãos juntas nas costas e ainda um sorriso no rosto.

– Agora eu vou indo. Nos vemos daqui há alguns meses!

– Boa aula. – acenei em sua direção.

Ela já quase partia, quando pareceu se recordar de algo.

– Ah, só uma coisa! – ela virou-se novamente em minha direção – Lovino, acho que você devia tentar cortar o seu cabelo um pouco mais curto. O clima aqui é bem cruel. Além de que, tenho certeza de que ficaria bem legal. – ela me aconselhou – Mas é só um conselho. Ignore a vontade. – ela sorriu uma última vez.

Ela então se adiantou pelo corredor, seu cabelo loiro balançando enquanto caminhava rapidamente. Fiquei a encará-la até que sumisse de vista. Levei então os dedos aos fios cumpridos, enrolando-os em caracóis.

"É, talvez não seja uma má ideia…", pensei. Até porque, eu não mais necessitaria de algo que me diferenciasse de meu irmão, já que não o veria por uns bons anos. Com sorte, sequer o veria mais...



Notas finais
Obrigada aos que tem acompanhado minha fanfic, leitores novos e velhos! Eu amo todos vocês~ Eu tinha escrito uma nota super fodinha, mas o site apagou. (sorte de vocês, porque tava enorme). Vou falar tudo resumido agora! Sim, eu estou com raiva!! AAAhh. É a segunda vez que o site me trolla esta semana. =.= Enfim... Eu não sei se vou poder postar semana que vem, como prometido, porque vão começar minhas provas. Porém, eu devo demorar, no máximo, duas ou três semanas. Desculpem-me por isso. É que eu vou ter que reler a fic... A coisa ta complicada pro meu lado... *suspira* E posso pedir reviews? Eu acho que mereço reviews. .-. Até atualizei em uma semana! Quem sabe eu não acabo o próximo capítulo também em tempo, com o apoio emocional de vocês! Então, pls, não se esqueçam de deixar algumas palavrinhas na caixinha ai em baixo. ^^ E alguém já viu a minha coletânea? Ela promete ser adorável e tem autores incríveis participando! Eu acho que vocês deviam dar uma olhada!! *u* Mas os escritores incríveis não terminaram as suas ones, então só tem a minha e da GIn por enquanto. Não que ela seja ruim! Apesar de não ter um pairing, acho que todos deviam dar uma chance a ela! Vocês podem se impressionar! Vou deixar o link aqui, para as almas caridosas~ link ---> http://fanfiction.com.br/historia/485939/New_Perspective/ Acho que é isso. Tinha mais, mas o site apagou e também não lembro mais o que era. *ainda revoltada* Estarei esperando reviews, então, pls, não me decepcionem. Vocês me fazem realmente a pessoa mais feliz do mundo quando comentam. :3 Obrigada, é só. BJJS~